Jogos Justos
3 II - Tributos
Notas iniciais
Antes que perguntem, não abandonei Espiando o Futuro. Só estou num Hiatus idiota com relação a fic - cada vez que se aproxima do final fica mais difícil. e_e
Mas não se preocupem. Logo mais aparecerei postando-a e deixando-os cada vez mais empolgados.
Boa Leitura. ;)
Os guardas que me seguravam pelos braços direcionaram suas vistas para Dinah que estava atônita com as palavras. Roy balançava a cabeça, forçando-me a desistir daquilo, a ir embora o mais rápido que eu pudesse, mas eu fiquei parada e orgulhosa por minhas palavras.
Bette se debruçava em lágrimas e, depois que a apresentadora sinalizou para que me mandassem subir, levaram-na para os fundos da prefeitura, onde iriam dar um jeito de acalmá-la – sabe lá Deus que métodos. Uma coisa eu estava certa: minha consciência estava limpa e minha melhor amiga não iria morrer – não dessa vez, não quando eu estava lá para protegê-la.
Os homens me soltaram para que eu andasse sozinha, mas não deixaram meus lados, forçando as mãos em suas armas gigantes e marchando ao meu lado até o pé da escadaria do palco, onde outra dupla de guardas me esperava no topo. Dinah tinha seus orbes azuis sobre mim o tempo todo e Roy também – eu criava coragem para olhar a platéia e ver a reação de meus pais.
-Qual é o seu nome? – Dinah perguntou quando me largaram a sua esquerda, o microfone próximo a minha boca. Todos me encarando curiosos e preocupados, empáticos com a minha escolha, mas nenhum capaz de realmente fazer algo como fiz.
-Artemis Crock. – ela parecia ainda mais impressionada depois de ouvir meu sobrenome, inclinando seu torso um pouco para trás e fazendo uma expressão um tanto quanto cômica (ninguém estava para risos aquele dia).
-Crock? – ela repetiu e eu assenti sem receio, mas devagar, prestando atenção em seu rosto adulto e belo – Seria a irmã de Jade Crock? – eu engoli em seco e avistei rapidamente Roy massageando a ponte de seu nariz, tentando controlar sua raiva de mim. Minha cabeça fez que sim – Nossa! Você é uma garota muita corajosa, Artemis. Seria aquela uma amiga sua? – eu não queria responder no microfone, alto para todos ouvirem, não queria aquela atenção toda.
Mas sabe né? Depois de gritar no meio de uma multidão calada, me oferecendo à morte, chamar atenção é até leve.
Eu me calei e cerrei meus olhos nos de Dinah, esperando que ela entendesse meus sentimentos e simplesmente voltasse a finalizar a Colheita. Felizmente, ela entendeu, e me deixou em paz voltando ao seu lugar no discurso e sorrindo aliviada daquilo ter acabado “bem”.
-Zona Sete, aqui estão seus tributos! – ela largou o microfone na base e pegou minha mão e a de Roy em suas, erguendo-as e mandando que todos nos aplaudissem e nos desejassem sorte. E todo mundo simplesmente nos saudaram com uma salva de palmas curta, rápida e triste.
Eu tinha que aproveitar meu pouco tempo de vida agora.
-Tributos, apertem as mãos. – ela mandou e eu engoli em seco quando ela soltou minha mão e saiu do nosso meio, deixando que finalmente Roy me analisasse e visse o que o tempo fez de mim, de nós.
Eu vi seu peito inflar lentamente com a quantidade de ar que ele respirava e eu fiz o mesmo, estendo-lhe minha mão direita e esperando que ele respondesse amigavelmente. Porém, o aperto de mão que ele me deu não foi nada gentil, mas forte e quase deslocou meus dedos antes mesmo de nossa luta começar. Meus olhos focaram-se na face do ruivo, ex-namorado da minha irmã, com olhos azuis escuros e um tanto quanto depressivos. O vento batia entre nós e eu não sabia mais o que dizer.
Se ele estava tão determinado para me provar que estava mudado, ele estava certo de que os Jogos seriam dele dessa vez.
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Eu estava esperando há algum tempo num dos quartos da prefeitura. As paredes azuladas com desenhos decorativos de temas rústicos do Oeste antigo, madeira escura nas portas, na parede coberta pelas cortinas de cetim bege, nos rodapés e guarnição; o teto rebaixado em gesso e um candelabro dourado pendendo bem no centro do quarto, iluminando todos os cantos. A maçaneta era dourada também e entalhada pelos padrões; uma cama macia com travesseiros fofos e de casal encontrava-se encostada na parede, lençóis de algodão cobriam-na com bambus chamando a atenção; no chão, um tapete de pele de urso cobria o espaço entre a cama larga e a penteadeira de madeira maciça, o cheiro envolvendo-me aos poucos. O espelho brilhava com meu reflexo e fazia tempo que eu não me via assim, muito tempo.
Parei para analisar minha aparência esquisita. Não era a toa que as pessoas não falavam direito comigo: eu tinha olhos puxados, mas eles não eram escuros como os de qualquer asiático ou índio. Eles eram cinza claros e de uma íris tão minúscula que parecia que eu estava irritada sempre; meu cabelo é loiro e longo, mas não tem muito mais características alemãs ou de qualquer outra raça que meu pai tenha herdado o gene. Ele é cheio, ondulado e frisado. Facilmente me viam como uma louca andando na rua assim; eu não tinha ossos da bochecha altos, mas redondos e finos – como? Não sei. Sou toda errada; meus lábios não puxavam nenhum lado da família. Eles são levemente rosados, bem marcados e cheios; minha pele era de um tom escuro puxado para o amarelo e sabe lá Deus como acabei dessa forma.
Nossa! Eu sou estranha.
E enquanto eu ficava notando meus defeitos, a porta foi escancarada e minha mãe rolava em alta velocidade até mim. Depois de levantar do banco, fui atropelada e ela estava deliberada a se pôr de pé para berrar comigo, me mandar desistir e ficar com ela por aqui; meu pai esperou que a porta se fechasse para avisar que tínhamos três minutos apenas, sentando-se na cama macia. Eu o achei estranho, pois enquanto minha mãe se dependurava em mim para me abraçar e chorar no meu ombro, ele se inclinava para frente e para trás, num balanço ritmado, com os cotovelos apoiados sobre o joelho e o queixo sobre as mãos, olhando para a parede e evitando contato visual comigo.
-Minha filha! – esse grito da minha mãe me fez ficar preocupada, sentando-a de volta a cadeira e acariciando suas costas com cuidado, mantendo-a perto de mim e certificando-me dos espaços entre os soluços não eram falta de ar – Não... Não! – ela gritava e unhava o vestido da Jade, como se fosse adiantar muito. Eu não disse palavra alguma – Injusto... Isso é... Injusto! – ela reclamava alto, suas lágrimas molhando o verde do tecido – Já me levou uma filha, Senhor... Outra eu não suporto...!
-Ei! – eu gritei soltando-a do abraço e segurando sua face entre minhas mãos. Os olhos pequenos estavam fechados e as lágrimas não paravam de escorrer pelo rosto tipicamente asiático de minha mãe – Ei, mãe... – eu suspirei e ela fez uma careta enquanto tentava abrir os olhos medrosos, as íris marrons sem brilho algum ao encarar-me receosas – Você não vai me perder, mamãe. Eu te amo, ouviu? – eu respondi e ela voltou a chorar – Eu prometo. – ela queria fugir das minhas mãos, mas eu beijei seu nariz antes que ela saísse do meu carinho.
Ela recuou num canto do quarto, chorando rios de lágrimas e limpando um nariz chato que escorria sem dó, e eu me virei para meu pai cujo ritmo de seu momento autista tinha ficado bem mais rápido. Eu relaxei minhas sobrancelhas e caminhei até que eu ficasse a sua frente, esperando-o dizer algo. Os olhos castanhos faziam seu caminho lentamente até os meus, mas sua boca estava coberta pela mão e eu pude ver um tanto de preocupação descrita ali.
-Oi. – eu disse a ele e meu pai respirou fundo, pondo-se de pé e se inclinando rapidamente, tentando achar algo em sua calça larga. Arqueei uma sobrancelha e ele escondeu o objeto em suas costas.
-Garotinha... – ele murmurou formando um sorriso em seus lábios, me dando medo, mas eu sabia que não era essa a intenção (acho... Eu espero). Sua mão livre pousa debaixo do meu queixo e ergue-o um pouco, virando minha cara para um lado, depois para o outro. Parou-a no meio e eu resisti ao impulso de estapear aquela mão dali, tomando aquilo como um gesto de carinho; os olhos dele estavam sem brilho como os da minha mãe, mas ele lutava bastante para não demonstrar – Quero que se lembre disto. – e tirou de suas costas uma máscara.
Ele não me deixou olhar o objeto até acarinhar um pouco minha bochecha e sorrir amargurado, soltando meu queixo. Eu tomei em minhas mãos a máscara e a virei para vê-la de frente: ela era branca, com bigodes roxos e uma mancha ao redor dos grandes olhos negros, um sorriso maldoso de gato.
O lince. O gato da Alice. A máscara da Jade.
Meus olhos voltaram para a face de meu pai que agora demonstrava clara tristeza, o canto de sua boca para baixo, suas sobrancelhas dobradas e seus olhos desviando-se dos meus. Ao som de minha mãe chorosa, eu lembrava-me de quando Jade ganhou essa máscara nos Jogos.
Foi durante uma daquelas situações em que o esquisitão garoto dos laboratórios havia feito uma mistura poderosa com alguma química que incentiva a propagação de um gás venenoso vindo de plantas ali por ali espalhadas. Os patrocinadores da minha irmã estavam faturando muito sobre ela e sua quase vitória, e decidiram que era hora de dar algo para ela se proteger do garoto inteligente, mesmo ela sendo sabida do jeito que era. Não sei como eles souberam do quanto ela gostava do gato da Alice – provavelmente ela comentara com o seu mentor e ele mandou que fizessem esse charme para a quase campeã – mas aquela máscara tinha filtro, visão noturna e de calor, e mudava a voz dela para qualquer som animal que quisesse fazer. Ela passou pelo moleque, claro, e provou que era uma assassina nata para todas as pessoas, usando a máscara e sua roupa imunda para se camuflar na mata – assim como o Lince, surgindo e sumindo para Alice.
Eu olhei de volta para meu pai e ele voltou a sentar-se na cama, olhando para baixo e tentando disfarçar sua preocupação.
-Seja rápida; não deixe rastros nem restos de comida pra trás. Quando montar acampamento certifique-se de que tudo necessário continue na mochila caso precise fugir. – ele me explicava rápido e eu deixei o tom triste de despedida fugir da minha cabeça durante esse meio tempo. Se alguém sabia o que fazer para sobreviver esse alguém era o meu pai e escutá-lo agora, depois de ter me treinado quando pequena, era o máximo que eu podia fazer – Você sabe caçar, né?
-Claro. – não era hora de respostas cretinas, mesmo que eu quisesse lhe responder que eu só havia aprendido porque ele tinha me largado no deserto.
-Ótimo. Vai precisar de proteína. Corra, seja ágil e mostre pra eles que você é quando a hora chegar, garotinha.
Eu não entendi direito o que meu pai quis dizer com aquilo, mas antes que eu pudesse me manifestar, os guardas adentraram e avisaram do fim do tempo.
Meu pai foi até minha mãe e pegou-a pela cadeira, carregando-a para o corredor da prefeitura e ela segurou minha mão por segundos antes de partir, beijando as costas e suspirando contra minha pele – Eu te amo, meu anjo... – aquilo me abalou de novo.
Depois que eles saíram, Bette entrou correndo pela porta e me abraçou fortemente, travando o ar de meus pulmões e quase me matando asfixiada, mas eu não reclamei. Fiquei quieta até ela falar.
-Você não deveria ter feito isso... – ela disse depois de muito agarrada a mim, puxando do abraço e trancando seus olhos azuis em minha face.
-Você não ouviu quando mandei você não ser escolhida. – respondi com um sorriso calmo e ela voltou a chorar – Escuta aqui, não quero saber de você chorando pelos cantos, se isolando do mundo e não comendo suas refeições por minha causa, ouviu? – eu ordenei e Bette voltou a me olhar, lágrimas escorrendo por sua face avermelhada do sol – Por favor, Bette. Fique bem.
-Você vai conseguir, Artemis! Você tem que voltar! – e me abraçou novamente – Você sabe lutar e sabe conseguir as coisas!
-Sei quando sei onde estão.
-Você vai voltar! – ela me intimou e eu não tinha muito mais o que fazer senão respirar fundo e lhe dizer o que ela queria ouvir:
-Eu juro de pé junto que volto. – avisei-a e os guardas escancaram a porta de novo, mandando-a sair que nosso tempo já tinha acabado.
-Vai com Deus, Artemis. Vou rezar por você. – ela murmurou antes de sair do quarto.
-Obrigada.
Depois disso continuei trancada ali por mais um bom tempo.
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Dinah me empurra para dentro do carro e entra em seguida, ficando entre eu e Roy. Ele está tão calado que dói, mas eu me mantenho quieta esperando que o carro caro da Capital nos leve logo a estação para que eu não tenha mais que ver os rostos de pessoas que eu conheça e fique isolada numa cabine do trem. Não estava de bom humor mesmo e aquilo tudo de rever a máscara da Jade não melhorou em nada.
-Vocês vão adorar a Capital. – Dinah dizia animada, cutucando minha coxa e o braço de Roy, falando de como os prédios de mármore eram lindos e as janelas de cristal brilhavam – A comida é uma delicia e vocês vão ter uma ótima vista do por do sol no mar. – eu assenti e Roy fez um som entediado com tudo aquilo.
Dinah continuou a falar sozinha até que chegamos ao destinatário e embarcamos no trem. Depois de nos instalar e o trem partir, ela nos levou até o vagão restaurante e mandou que nos servíssemos pratos exóticos de comidas cheirosas e com aspecto bom, minha boca criando água. Dinah avisou que tinha que ir buscar alguém importante e mandou nós sentarmos, comermos com garfo e faca e apreciarmos as dunas do deserto enquanto fazíamos o caminho rápido e sem paradas até a Capital.
Eu peguei um prato de porcelana chinesa e comecei a me servir com tudo àquilo que me apetecia, esquecendo-me por um minuto de que havia outra pessoa naquele quarto, sentado na poltrona e encarando o nada por tempo demais. Peguei os talheres de prata e me equilibrei sentando no lugar vazio ao lado de Roy, pousando minha louça sobre a mesa redonda e começando a comer.
Fosse o que fosse aquilo que colocava em minha boca, estava uma delicia e fiquei sem jeito depois que notei os orbes azuis de Roy me julgando por ter um apetite aquele momento.
-Qual é o seu problema?!
Ah, sim. Eu me esqueci disso: eu e Roy nos odiamos.
-Problema? – eu arqueei uma sobrancelha limpando a minha boca com o guardanapo.
-Você se ofereceu pra morrer por causa de uma pessoa qualquer! – as narinas infladas dele podiam deixar qualquer um com medo, mas eu... Eu conhecia a peça há tempos. Eu só tinha esperanças de que ele tivesse mudado essa atitude horrível.
-Em primeiro lugar, ela é minha amiga. – eu disse bem devagar e ele revirou os olhos como se aquilo fosse um grande absurdo – E segundo, as pessoas deveriam começar a se sacrificar mais por valores desse tipo. – ele bufou novamente e eu virei à cabeça, olhando para o outro lado e empurrando meu prato para longe de mim.
O maldito fez o meu apetite ir embora. Um grande idiota mesmo!
-Você tem noção do que é aquilo, Artemis? Sabe onde está se metendo por uma amizade que vai te fazer morrer?! – ele continuou a me provocar, seu cabelo ruivo aparecendo na minha visão periférica – Sua irmã ficaria muito irritada se estivesse aqui!
-Você não tem direito algum de falar da minha irmã quando não se sacrificou para ir com ela! – eu rebati voltando a encarar sua face fechada, minhas sobrancelhas estavam tão franzidas que doíam.
-Eu tentei, droga!
-Ei! Os Jogos não começaram ainda. Não se matem! – eu e Roy paramos de nos cutucar e voltamos nossa atenção para um homem loiro mais velho, encostado na parede do vagão decorado. Olhos verdes sobre nós dois, uma garrafa de champanhe numa mão e uma bela taça na outra. Cabelo penteado para trás, barba e bigode cobrindo-lhe a parte debaixo de seu nariz reto.
Oliver Queen. Ele havia envelhecido, conseqüentemente, desde as imagens que eu assistira na escola da sua vitória, mas continuava forte, digamos dessa forma. Dinah ainda não tinha voltado, mas não importava muito. Oliver tinha dado pausa a nossa discussão e desviado toda a atenção para si, andando devagar até a poltrona a minha frente, se sentando e tentando não amassar a calça social e o suéter bege de zíper na maciez. Ele empurrou meu prato para a mesa redonda em frente a Roy e pousou sua bebida sobre ela, bebericando da taça.
-Interessante. Vocês já se conheciam? – Oliver disse tentando conversar, mas eu não estava muito a fim de responder uma pergunta que relacionasse a mim e a Roy.
-Ela era irmã de Jade. – Roy murmurou e Oliver me encarou com olhos verdes mais sabidos, tentando demonstrar que estava impressionado. Não funcionou.
-Ele era namorado dela. – eu respondi e Oliver descobriu o resto sozinho, abrindo a boca e fazendo um som meio humano.
-Agora tudo faz sentido. – a cabeça dele estava assentindo há quase trinta segundos e eu jurava que ele estava bêbado.
-Vai ficar aí, parado, olhando a gente discutir ao invés de nos dar dicas de vencer os Jogos? – Oliver bufou e deitou-se um pouco mais em sua poltrona, bebericando o drinque e encarando Roy de uma forma ameaçadora.
-Vencer não é o primordial, moleque. Mantenha em mente que, — ele gesticulava com a mão livre – por mais que você seja um excelente lutador, você não vai chegar a lugar algum sem noção de sobrevivência.
-Ta dizendo pra ficarmos fugindo? – eu interferi e os olhares voltaram-se a mim – Para não fazer nada e só me distanciar?
-É bem por aí. – e deu um sorriso malandro.
Eu e Roy fizemos algo meio repentino, mas ao mesmo tempo, negando com a cabeça, rindo sarcasticamente e olhando para outro lugar que não a cara de Oliver Queen. Sinceramente, eu esperava por mais. Os vídeos me fizeram esperar por mais.
-E se alguém me achar? Eu paro e penso no meu lugar no universo enquanto alguém me mata? – Roy continuou inconformado.
-Não disse que não vão saber como se defender.
Meus olhos fizeram seus caminhos automáticos na direção de Oliver que tinha uma expressão maliciosa na face, mas sérios olhos melancólicos. Roy estava ficando cada vez mais irritado com nosso mentor e eu comecei a pensar em coisas a perguntar pra ele, coisas que valessem a pena serem ditas e não apenas provocações chulas.
-Vocês – Oliver apontou para mim e para Roy com um dedo que tremia, tentando gesticular com estilo, mas terminou parecendo um idiota. Ele continuou depois de engolir mais champanhe – São meta-humanos?
Eu não tive chance de responder, de novo – Não. – Roy respondeu aborrecido, sabendo exatamente onde aquilo ia parar. Oliver suspirou e olhou para baixo, largando a taça em cima da mesa e coçando sua nuca, desconfortável com a resposta.
-Nenhum dos dois? – ele me olhou esperançoso, mas eu neguei. Não éramos meta-humanos; não possuíamos nenhum poder para nos ajudar naqueles Jogos e estávamos em desvantagem pela expressão obscura que dominou a face de nosso mentor.
-Então vou contar outra coisa para vocês. – Oliver gesticulou para que eu e Roy aproximássemos dele. Eu me inclinei e Roy ajeitou-se em seu lugar, chegando perto de nós dois – Abracem a idéia de que a morte é certa.
Aquilo me deixou furiosa. Eu fechei a face e encostei-me no veludo da poltrona enquanto Roy tentava enxergar a dica do nosso mentor de todos os pontos de vista possíveis. Eu apertei o braço da cadeira enquanto ele continuava a beber.
-Não gostou da minha dica, querida? – os orbes verdes centrados em mim de forma provocativa. Meus dentes trincaram – Bom, é a verdade. A não ser que sejam habilidosos de nascença, não terão chance contra os meta-humanos.
-Bom saber que nosso mentor desistiu de nós antes mesmo da brincadeira começar. – rebati rude a ironia que saía de sua voz rouca e máscula. Não precisamos de alguém que duvide de nós, mas de alguém que nos incentive.
-Desistir? – ele estreitou os olhos – Sabe quem vai ficar correndo atrás de patrocinadores para pupilos mal agradecidos? Eu! Mesmo que eu desista de vocês, eu sou responsável e eu tenho que dar um jeito de manter vocês vivos mesmo que estejam se arrastando!
-Jogar na nossa cara suas obrigações não vai diminuir-las. – Roy só encarava enquanto eu e Oliver discutíamos, com certeza tentando achar um canto onde ele expressaria suas opiniões desnecessárias.
-Não. Não vai. – eu até sorriria vitoriosa se Oliver não tivesse se posto de pé e começasse a marchar dali.
-Ei! Onde você vai? – Roy chamou-o e o loiro mais velho se virou, erguendo sua champanhe e mostrando obvio aborrecimento na face.
-Terminar isso daqui em meus aposentos. Acho que já conversamos o suficiente por hoje. – e voltou a andar, ignorando as implicâncias que Roy fazia para tentar mandá-lo ficar.
-Sensacional, Artemis! Meus parabéns! – Roy levantou-se me aplaudindo cinicamente. Eu cruzei meus braços e pernas, fixando-me na poltrona confortável e tentando não me importar com as provocações dele.
-Eu não vou ser legal com alguém como ele.
-Ele vai ajudar a você viver por um tempo mais longo do que viveria sozinha! – eu franzi as sobrancelhas enquanto Roy apontava pela porta do vagão no qual Oliver havia desaparecido – Além disso, ele não é apenas o seu mentor.
-Pode ficar com ele se quiser. – as palavra saíram antes que eu pudesse parar.
Eu fiquei sozinha no vagão restaurante encarando as paredes prateadas e Roy seguiu o ofendido mentor bêbado.
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Na hora do jantar, Dinah pediu para que todos nós nos reuníssemos e tentássemos nos dar bem, conversar normalmente e tentar interagir. Ela veio bater na porta da minha cabine com uma proposta dessas. Eu revirei meus olhos e neguei.
-Não adianta ficar fugindo.
Aquele tom de voz saindo de Dinah não foi exatamente o que eu esperava, nem o que ela disse eu esperava. Claro que pensei que ela fosse falar com a voz aguda, quase gritando, perguntando por que eu não queria jantar e que ela me arrastaria até o vagão restaurante para eu comer a deliciosa culinária dos ricos da Capital. A feição dela era séria e bem diferente daquela que ela apresentava para nós em casa e só então que eu notei que nem as roupas de estilo absurdo não se encontravam mais no corpo dela. No lugar, ainda assim um vestido, na altura dos joelhos, azul escuro, simples e chique, com decote mostrando a pele do tórax com um colar dourado ao redor do pescoço. Salto alto e cabelos loiros soltos sem nenhum acessório chamativo. Ta. Alguma coisa de errado tinha – ou ela era uma pessoa bipolar ou ela não curtia usar tanto pano durante a noite.
Enfim, a expressão dura permanecia em sua face já que eu não respondia então eu bufei e saí do caminho dela, sentando-me jogada a cama enquanto ela procurava pela poltrona para se sentar após escorregar e trancar a porta do meu quarto.
-Sei que é difícil... – ela começou com uma voz até compreensiva e eu a interrompi, sacudindo minhas mãos abertas sinalizando pare.
-Não sabe. Ninguém a não ser Roy sabe o que eu estou sentindo nesse trem. – mesmo que seja horrível admitir.
-Não é porque eu moro na Capital que as coisas são mais fáceis, Artemis! Eu também já passei por coisas anormais quando tinha sua idade. – eu balancei a cabeça e ri ironicamente cruzando meus braços. Ela parecia ter ficado um pouco decepcionada com minha reação, mas não me importei.
-É. Terrível. Ser treinada desde criança para se voluntariar nos jogos com a maior possibilidade de ganhar.
-Parece algo bom, mas não é! Eu aprendi coisas que você vai aprender e espero que não tenha que usar. – eu não olhava em sua face. Ela respirou fundo e se recompôs – Olha, eu não vou competir com você quem sofreu mais que quem...
-Além de ser óbvio quem iria ganhar, não? – eu provoquei e ela arfou as narinas.
-Artemis, eu vou ficar com você por uma semana inteira. Eu vou, querendo ou não, me apegar a você e você a mim. – eu ri novamente e ela continuou – Eu só estou dizendo pra você aproveitar a chance de salvar a sua vida e voltar pra casa.
-Não tem oportunidade nenhuma nesse meio, Dinah! – eu falei seu nome da forma que ela disse o meu – Eu não fui treinada para isso. Tudo o que eu sei eu aprendi na televisão, vendo crianças morrer nas mãos de outras, e meu mentor não pretende nos ensinar para ter menos responsabilidades! Agora me diga, que chance eu tenho?!
-Ter auto-piedade não vai te levar a nada. – eu rangi meus dentes com sua acusação.
-Claro que não. Nada vai me ajudar.
-Quando sua irmã foi escolhida, — eu tremi no momento em que Dinah mencionou Jade e minha boca travou. Eu queria mandar parar de falar dela, mas um lado mais forte meu não permitiu – Nós conversamos muito. Uma garota inteligente que não tinha medo de nada. – meus olhos não saiam dos azuis de apresentadora, testando a e querendo que ela fosse honesta. Não me parecia que ela estava mentindo até então – Ela me disse que, mesmo ela odiasse admitir, seu pai treinou vocês quando crianças e que tudo que ela havia aprendido sobre ser forte ela aprendera com você. – eu engoli em seco.
-Ela mentiu. – eu olhei para a parede.
-Não creio que ela tenha mentido, não. Você é uma garota forte. – eu lhe enviei um mandar de que não tinha como ela saber de uma coisa dessas mesmo que Jade tivesse lhe dito. Pessoas mudam e eu mudei desde que minha irmã morreu – Só uma pessoa forte como você vê a irmã ser levada para os jogos, assiste a sua morte e é capaz de se voluntariar por uma amiga.
-Desculpa, mas trazer lembranças infelizes não vai mudar minha perspectiva, Dinah! – eu me ergui da cama apontando para a porta – Já conversamos o que tínhamos pra conversar. Pode sair agora.
Ela respirou fundo olhou para os lados antes de se levantar e tirar poeira imaginária de seu tecido. Eu cruzei os braços e bati o pé esperando que ela saísse. Ela andou em direção a porta e virou-se para me olhar novamente e dizer algo antes de me deixar aborrecida, matutando coisas que eu não queria nem pensar:
-Não cometa o mesmo erro de sua irmã.
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É claro que eu ficaria com fome a noite. Era tão óbvio que eu me senti corrompida por minha fraqueza e meu orgulho se feriu, pra variar. Eu estava usando um pijama, coisa que a Capital havia colocado estrategicamente em meu guarda-roupa antes de mandarem o trem para minha zona. E até que era gostoso de usar – quente macio e bem bonito perto das aberrações que aquelas pessoas usavam.
Me aventurei pelos corredores do trem durante a madrugada, aliviada por não estar congelando como acontecia quando acordava a noite na minha casa, e quando cheguei num vagão que não deveria ser o restaurante, um vagão depois de onde o meu se encontrava, me deparei com vários docinhos e salgadinhos nas bandejas de prata enfeitando a mesa do café que ficava entre o sofá e a televisão ligada repassando a seleção dos tributos.
Eu fiquei com duvida em sentar pra comer e ter de prestar atenção no programa, mas a minha barriga falou mais alto e eu fiquei com medo do meu estomago comer outros órgãos que estavam ali por perto. Então eu me joguei no sofá confortável e me deliciei com os vários sabores, doces, azedos, salgados e apimentados enquanto eu via o programa do Gladiador Dourado, codinome do apresentador famoso Michael Carter – ele fazia a cobertura de todos os Jogos desde que... Bom, desde que eu me conheço por gente pelo menos.
Ele conversava com outro famoso em sua mesa de escritório que aparecia na tela de plasma posicionada dentro da parede cromado do vagão, a respeito da reprise da seleção que se daria depois de repassar o momento em que o tributo dos Jogos do ano passado se tornara campeão.
Eu enfiava um docinho após o outro em minha boca tentando não me concentrar naquela parte horrível quando senti olhos em minhas costas e me virei para encarar a presença do ruivo de cabelos bagunçados e cara inchada de tanto sono, ele estava com uma calça de moletom e regata coçando as vistas com o clarão da televisão no escuro – eu gostava de ficar no escuro... Ou era mania de viver no escuro graças a energia cortada todas as noites.
-O que você ta fazendo? – Roy perguntou inconformado por eu estar acordada àquela hora.
-Jantando.
Ele revirou os olhos e se espreguiçou, caminhando devagar até o sofá onde eu estava – Eu sabia que você ia ficar com fome. – ele comentou jogando-se ao meu lado e pegando o pão de salsinha e cebola, arremessando-o em sua boca sem questionar.
Eu franzi o cenho e ignorei o gesto, voltando a ver a televisão. Nada de tributos ainda. Só a reprise do momento vitorioso – me dava vontade de vomitar, mas a comida era boa demais pra se desperdiçar assim.
-Sua amiga assim é tão especial pra você ter sacrificado sua vida? – eu não esperava por uma pergunta dessas naquele momento e tive que disfarçar o pão travando em minha garganta.
-Mas é claro! – eu gritei revoltada – Você acha que eu me sacrificaria por idiotas?!
-Quando você era mais nova se sacrificava por coisas idiotas. – ele disse me provocando e eu cruzei meus braços.
-Ah é? Então me diga pelo que me sacrifiquei?!
-Um gato que ficou pendurado no parapeito da janela. Você quase caiu do quinto andar pra pegá-lo. – um sorriso curvou-se em seus lábios e eu corei com aquela acusação.
-Não era um simples gato! Era um gatinho e ele tava pendurado pelo rabo! – eu me defendi e ele supriu uma risada, esticando-se na bandeja em meu colo para pegar mais doce – E essa daqui é minha! Vai pegar a sua! – eu estapeei a sua mão coloquei a bandeja no sofá, longe do alcance de Roy.
-Não sou o único que gosta de ficar vagando pela noite, então?
Eu e Roy pulamos quando ouvimos uma voz vindo da mesma direção dos vagões que tinham nossos quartos. Eu cerrei minhas mãos em punhos e Roy grunhiu ao ver Oliver andar até onde a luz alcançava pra se sentar na poltrona do lado dele e bebericar da garrafa de licor de cacau.
-Ótimo. Lá se foi minha paz. – eu murmurei e Oliver revirou os olhos.
-Quem disse que podiam comer meus docinhos? – ele franziu o cenho quando viu as bandejas semi-vazias.
-Você os largou pra pegar bebida. Eles pareciam solitários. – eu rebati e Roy supriu uma risada.
-É. Bom, devia saber que televisões não ficam aparecem ligadas com o canal especifico dos jogos por coincidência e bandejas com comida não voam por vontade própria e ficam estrategicamente colocadas na mesinha do café pra facilitar pros convidados. – ele largou a garrafa de licor sobre a mesa e acomodou-se na poltrona. Ele não estava de pijama, mas também não usava a mesma roupa de hoje cedo.
Pelo menos ele não era tão porco assim...
-Sinto muito que usufruímos mais que você, ó sábio mentor. – Roy disse ironicamente e passou um braço para o encosto do sofá, atrás de mim.
-Vejo que estão se dando bem... – Oliver mencionou num tom malicioso e eu massageie as minhas têmporas.
-Ah... Só me faltava essa! – eu olhei-o incrédula da quantidade de besteira que podia passar em sua cabeça – O máximo de bem que nós vamos nos dar é ficando longe um do outro. – joguei a bandeja de prata no lado vazio do sofá e escorreguei para o canto longe do braço de Roy, deixando bem claro pra quem for que tivesse idéias estúpidas que nada estava acontecendo.
-Eu só estou alongando o braço. – Roy bocejou, mas seu braço não saiu do topo do encosto.
-Claro. – Oliver deu de ombros e voltou-se para a televisão – Vamos ver de novo com quem vocês vão lutar pela sobrevivência, crianças.
E os seletos começaram a passar, mas o sono começou a tomar conta de mim. Eu não queria dormir ali perto dos dois, correndo o risco de ser zoada, mas a lei de Murphy meio que não permitiu aquilo – quanto mais eu tentava me manter acordada, mais sono eu tinha e eu mal prestava atenção nos apresentadores escolhendo os tributos.
Os detalhes que guardei foram poucos e os nomes, coisa que sou realmente boa, o sono não me deixou decorá-los. Guardei, pelo menos, os rostos de alguns tributos de certas zonas, como o cara gato, de ombros largos e cabelo preto, bem musculoso e com olhos azuis turquesa da Zona 12; o garoto novo, de uns doze anos, e a garota, uns dezessete anos, de pele verde da Zona 11; os casais de irmãos das Zonas 10 e 4; um cara e uma menina de pele azulada da zona 3; e os magos da Zona 1.
Tudo o que lembrei em seguida era uma lembrança antiga: Roy me segurando pelas pernas enquanto eu tentava pegar o gato do outro lado da janela e Jade dava risada de dentro do quarto, se divertindo com as palhaçadas minhas e de Roy.
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Acordei em meu quarto e fiquei me perguntando como vim parar aqui. Mas tudo fez sentido quando me recordei dos fatores da noite passada e deduzi que Roy me ajudara.
Não tão mal como julguei, mas não vamos nos tornar mais que normais um com o outro. Não quero me arrepender de nada e não pretendo me arrepender por causa dele.
Coloquei o vestido de Jade e calcei os sapatos sujos de terra da minha cidade. Segui pelos corredores vazios até me deparar com Dinah sentada a mesa do café junto de Oliver e Roy que conversavam a respeito de estratégias dos Jogos, pensando em todos os tipos de tributos que apareceram ontem.
-E aqueles de pele azul? O que eles fazem? – Roy perguntou tomando um pouco de achocolatado.
-Eles têm poderes criogênicos. Congelam o que quiserem se houver umidade no ar. – eu limpei a garganta e todos olharam para mim. Dinah mostrou um sorriso um tanto quanto vitorioso e me deu um bom dia antes de voltar a tomar seu café e prestar atenção à conversa de mentor e pupilo dos dois homens.
-Fico feliz que se juntou a nós. – Oliver me cumprimentou passando geléia em seu pão e se dirigiu a Roy novamente – Eles têm mentes homicidas ainda mais sendo da Zona 2.
-Já estão falando dos tributos? – eu perguntei sentando me do lado livre da mesa quadrada de madeira. Um prato vazio a minha frente que fiz questão de preenche-lo com tudo que me apetecia por ali.
-Com certeza já estão falando de vocês. – Oliver me respondeu e bebeu licor de uma tacinha minúscula, seus olhos verdes me encarando – Não há muito que falar, pelo menos.
Eu ignorei a ofensa porque eu ainda estava sonolenta e não queria discutir aquilo naquele instante. Ainda queria saber sobre todos os tributos poderosos.
-Certo. Por que não nos falam dos tributos verdes? – eu comentei lembrando a carinha de choro do garotinho quando ele havia sido selecionado.
-Bom... – Oliver voltou a falar um pouco mais animado e menos grosseiro do que ontem. Dinah tentava não parecer muito mais orgulhosa, mas aqueles seus olhos azuis brilhavam todas as vezes que se voltavam pra mim e eu a pegava me encarando – Os de pele verde são conhecidos como metamorfos. Todos mudam de forma, mas alguns têm poderes à parte já que é uma raça misturada com alienígenas.
-Alienígenas? – eu e Roy cuspimos nossas bebidas, chocados com a revelação, e Oliver fez uma cara de quem estava se divertindo muito com os caipiras.
-Nossa Zona não faz lá muitas revelações desse tipo, né? – eu ainda estava muito chocada pra me pronunciar e Roy ainda limpava o achocolatado escorrendo pelo nariz – Pois bem, há muito tempo atrás alienígenas vieram para a Terra tentar a vida quando ainda havia chance. Os metamorfos, podendo tomar a aparência qualquer que desejassem, acabaram se procriando e dando no que temos hoje como seus herdeiros. – ele riu do que imagino nossas feições e continuou com a lição – Não dá pra falar do nível de poderes deles, pois são da Zona 11 e a maioria não sabe como usar os poderes se não forem chamados para os jogos. Digamos que a sorte está a seu favor se a única cosa que esses tributos souberem fazer seja metamorfose.
-Por que pode ser pior? – Roy fez a pergunta idiota e eu meio que o olhei impaciente.
-Tudo pode ser pior, gênio! São tataranetos de alienígenas. Poder é o que não falta naqueles dois! – Roy iria responder alguma coisa, mas Dinah intrometeu espantando os dois homens.
-É, mas eles ainda podem não saber usar os poderes direito. O máximo que eu já vi fazerem na televisão é terem uma cor de pele de um humano comum, mas não usam muito isso por tomar muita energia.
-Alguns têm poderes telecinéticos. – Oliver comentou e Dinah pensou um pouco a respeito antes de responder.
-Sim, mas são os que conseguiram desenvolver depois dos jogos. E não foram muitos da Zona 11 que ganharam.
-É... – Oliver pensou coçando o queixo e voltando a sua explicação – Enfim. Tomem cuidado para que eles não se transformem em tigres perto de vocês.
-Certo... – como se eu pudesse ficar de olho onde eles estivessem.
-Tem alguém mais poderoso que devamos saber? – Roy continuou pensativo.
-Claro que sim. Fiquem muito atentos com os magos. – ele dizia bem sério – Alguns precisam de um amuleto pra realizar feitiços, mas não é permitido levar brinquedinhos para a Arena então à única forma de eles conseguirem é por patrocinadores. Agora, outros só precisam pronunciar as palavras e vocês vão cair mortinhos sem que esperem. – realmente poderosos – E têm outros que no gesticular executam a magia. Esses vocês fiquem longe e tentem não provocá-los.
-E como nós descobrimos como são os que gesticulam? – eu cruzei meus braços com aquilo, meio revoltada.
-Não só pensem em vocês no treinamento. Mantenham os olhos abertos para todos seus adversários e aprendam tudo sobre fraquezas dos meta-humanos.
-Ou pelo menos tudo que conseguirem. – Dinah tentou diminuir a tensão das palavras de Oliver.
-Claro.
Notas finais
1. Artemis e Roy não são apaixonados um pelo outro pessoal. Não teremos Peeniss aqui então não se iludam.
2. Oliver Queen e Haymitch são totalmente diferentes, mesmo que eu tenha deixado um Arqueiro Verde mais sombrio aqui - ele vai tratar a Artemis melhor a partir do proximo capítulo.
3. Definitavamente Dinah não será como Effie! Dinah dará suas opiniões em tudo, como se fosse uma segunda mentora, e vai ajudá-los também.
4. A lista dos tributos com nome, idade e codinome (aqueles que a Artemis não souber) vai aparecer a partir do capítulo em que da inicio ao treinamento na Capital. Falta pouco. Não se preocupem. ;3
5. Espero que estejam gostando dessa mudança de enredo e que esteja se encaixando. Eu sinto que a Artemis está um pouco OOC, mas é porque ela não viveu tanto perigo quanto a nossa heroína no show. Esperem o ínicio dos jogos! ~.~
Obrigada pelo carinho e comentem porque gosto de saber a opinião de vocês! ^_^ Quero mesmo saber se está legal ou se é uma bosta essa minha idéia idiota de tentar transformar nossos queridinhos assistentes em máquinas mortíferas numa luta pela sobrevivência num futuro alternativo da DC Universe! *respira fundo depois de tanto falar*
Certo. Divirtam-se comentem, novamente.
♥
P.S.: certo. Essa fic é complicada de escrever e requer uma atenção muito grande para que tudo se encaixe. Se eu não receber respostas eu não terei pique pra continuar com ela. Isso é fato e quem é autor sabe como é se dedicar para uma coisa complicada e não ter incentivo. Por favor, deixem review!
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