Jogo de Máscaras

21 Capítulo 21 - Tire sua máscara de sob controle


Notas iniciais
Capítulo betado pela Nonna

Gaara estava impaciente. Já fazia uma semana que não tinha notícias de Ino, e, para piorar, Hinata havia lhe mostrado uma revista da semana anterior em que seu nome havia aparecido com promessas de que logo mais seriam divulgados mais dados sobre ele. Desde aquele dia, havia tomado ainda mais cuidado, preferindo dormir na Akatsuki mesmo para não ser surpreendido com um fotógrafo qualquer o seguindo de casa até o trabalho. Ligara para Ino, mas, ao que parecia, ela já sabia da revista e pareceu dar tanta atenção ao fato quanto daria à uma mosca voando à quilômetros de distância. Por um momento, tinha ficado até que aliviado com o descaso da artista, mas, se ela realmente não se importava, por que estavam já há uma semana sem qualquer tipo de contato?

Uma semana, uma maldita semana, uma semana inteira!

Nesse tempo, até mesmo Naruto já havia voltado para a Akatsuki, os hematomas estavam sobre a pele, marcas amareladas, algumas ainda esverdeadas, mas que já poderiam ser confundidas pelos leigos e embriagados com qualquer marca recebida em uma noite de sexo mais violenta. Jiraya, pelo menos, havia permitido que o amigo se mantivesse apenas como modelo enquanto os ossos das costelas não estivessem cem por cento recuperados.

E, é claro, ter Naruto ali o ajudava, parecia diminuir um pouco seu estresse, mas, ainda assim, era uma semana toda sem notícias de Ino.

— Está tudo bem? — a cliente no quarto lhe perguntou ao sentar-se sobre seu colo.

Gaara sorriu malicioso, embora não estivesse nem um pouco excitado com a imagem da mulher sobre si enquanto o marido dela saía de perto do mini bar e deixava o casaco pesado pelo caminho.

Esforçou-se para não parecer entediado, para não deixar que o desconforto transparecesse em seu rosto ou se traduzisse em atos à medida que era usado como a mais nova diversão do casal.

Ao fim, permaneceu deitado, fingindo dormir enquanto ouvia a conversa deles ao irem embora. O som da porta se fechando o fez se levantar rapidamente e ir ao banheiro. Ligou o chuveiro, deixando a água o mais fria possível, e então apertou as mãos contra a cabeça, puxando os cabelos enquanto sufocava um grito de raiva.

Deixou o quarto assim que se vestiu. Não se despediu de Hinata, não falou nada a ninguém e entrou no carro sem tomar o cuidado de não bater a porta com violência ao fechá-la. Precisava dormir, ir para casa, afastar-se daquele lugar imundo. E assim o fez. Um suspiro de puro alívio saiu de seus lábios ao passar pela porta de casa, deixou a mochila que carregava no chão mesmo e seguiu roboticamente até a cama.

O celular tocava. Não queria o atender. Continuava tocando. Sua cabeça doía. Tocava insistentemente.

— Mas que inferno! — Arremessou o celular contra a parede.

O barulho cessou. Sentou-se na cama e balançou a cabeça de um lado ao outro. Seus ombros pesavam, seu corpo latejava em dor, sua mente mal funcionava direito... Colocou-se de pé e se arrastou até onde o celular estava desmontado. Soltou um palavrão ao ver a tela trincada e encaixou a bateria para poder testar e verificar se o aparelho ainda ligava.

Xingou-se durante os segundos de espera, mas ficou menos irritado quando o celular não só ligou como parecia não ter sofrido nenhum dano fora a tela trincada. Destravou-o e checou rapidamente as ligações perdidas. Hinata e Naruto. Não havia avisado a ninguém para onde ia, seus amigos deviam estar morrendo de preocupação. Enviou mensagens breves dizendo que estava em casa e colocou o celular para carregar.

Olhou o horário, eram três da manhã já. Retirou os tênis e a camisa, ligou o ventilador de teto e deitou na cama com os olhos pesados. Resolveria tudo no dia seguinte. Chega daquilo. Não aguentava mais. Precisava de uma resposta, Ino lhe devia uma, não sabia exatamente resposta a que, mas ela lhe devia alguma explicação por aquele sumiço! Ou não. Ele quem devia parar de pensar nela, quem devia seguir em frente e entender de uma vez por todas que a brincadeira havia chegado ao fim.

Fim, algo que ele já havia previsto. Era necessário pegar tiras grossas e resistentes para amarrar o coração ao próprio peito e impedi-lo de se perder por aí aos pedaços, depois, o tempo cuidaria de juntar um caco ao outro. Não ficaria firme, mas daria para o gasto, para sobreviver.

Idiota. Riu melancólico e socou o travesseiro. Tinha se apaixonado por ela com tão pouco...

Adormeceu sem perceber e acordou sentindo-se pior do que antes. Eram dez da manhã, mas só conseguiu se levantar da cama às onze. No automático, sem nem ao menos prestar atenção ao que fazia, banhou-se, vestiu-se e tomou uma xícara de café na esperança de recuperar um pouco de energia. Seu reflexo no espelho acusava suas olheiras, o cansaço na expressão, a derrota nos olhos. Mesmo assim, pegou as chaves do carro e dirigiu até o prédio de Ino. Desta vez, preferiu estacionar dentro do prédio para evitar que qualquer outra foto fosse tirada sem sua autorização.

Apertou o botão do elevador e a sola de seu sapato batia contra o chão em um tique irritante. De frente ao apartamento de Ino, a chave do carro girava constantemente em seus dedos.

Patético.

Bufou e deu meia volta. Ou daria se não tivesse ouvido um barulho vindo do apartamento. Tinha mesmo ouvido ou era uma desculpa para entrar? Não sabia.

— Já chega — cuspiu, irritado, e tocou a campainha em um súbito ato de coragem. — Ino?

O braço apoiou-se na parede a frente, servindo de sustento ao corpo todo, enquanto ouvia o barulho de coisas caindo do outro lado da porta. Endireitou o corpo e franziu o cenho, desconfiado. Colocou o ouvido colado à madeira e se assustou quando ouviu mais uma vez algo se quebrando no apartamento.

Algo estava errado. Tinha que entrar.

— Ino! — gritou e se colocou em alerta ao mesmo tempo em que pensava em como abrir a porta.

A mão foi à maçaneta, mas a porta estava trancada. Forçou-a, sem sucesso. Barulho. Vidro? Arregalou os olhos e retirou um cartão da carteira e inseriu no vão da porta com o batente enquanto voltava a forçar a maçaneta. Inútil. Afastou-se e tomou fôlego para então jogar o corpo contra a porta. Três vezes foram o suficiente para conseguir abrir e, assim, correr para dentro do apartamento.

Havia vidro na sala, vasos quebrados, e Gaara não conseguiu nem desviar deles enquanto ia para o ateliê. Afoito, entrou e procurou Ino com os olhos. Havia tinta no chão, de todas as cores, e três cavaletes seguravam quadros em branco, mas com as telas completamente rasgadas. Num canto do cômodo, identificou seus quadros finalizados; num outro, os que ainda precisavam ser pintados e, sentada na cadeira que ele mesmo já havia se sentado para que Ino o desenhasse, estava Ino.

O rosto de Ino estava levemente inchado e pálido, o cabelo todo estava preso em um rabo de cavalo que parecia ter sido firme um dia, mas que agora estava quase se desmanchando, e a roupa, um short largo e uma blusa de alça, estava manchada de tinta azul e alguns pingos vermelhos. Ela mantinha os olhos fechados, a respiração ofegante e um dos braços um pouco atrás do corpo.

— O que houve? — perguntou, baixo, desviando dos pincéis quebrados pelo chão enquanto andava até ela. — Ino...

Se Gaara achava que tinha olheiras, era porque não havia visto as dela. Quando Ino o encarou, ele não soube o que fazer ou dizer, apenas se aproximou, vendo-a girar um pouco o corpo na cadeira e forçar um sorriso que se transformou num riso desesperado.

— Chama-se “surtar”, faz bem a algumas pessoas de vez em quando, sabe? — ela sussurrou.

Os olhos azuis não brilhavam, pareciam como os seus próprios, mortos, sem qualquer tipo de luz ou alegria.

— Vamos sair daqui, venha — pediu, estendendo a mão para ajudá-la.

O ateliê, pela primeira vez, pareceu-lhe intimidador, pequeno, sufocante. Aliás, desde quando os vidros das janelas eram pretos? Era tinta. Ino havia pintado as janelas e não era possível ver a luz do sol. Ajudou-a a se levantar e engoliu em seco sem entender por que ela parecia tão frágil naquele momento. Desviou dos pratos quebrados no chão e levou Ino até a sala. Segurou-a pelos braços para sentá-la no sofá e tropeçou quando ela o empurrou após soltar um gemido dolorido.

Arregalou os olhos e viu sangue na mão direita, finalmente percebendo que havia uma mancha vermelha no braço que Ino tentava esconder atrás do corpo. E Gaara tinha certeza que não era tinta.

— Sem pânico — ela falou ao sentar-se e mostrar o braço. — Não é nada demais, me machuquei com o vidro quando cai, só isso.

— Caixa de primeiros socorros.

— Não tenho. E não quero, estou cansada, preciso dormir — ela disse ao apoiar a cabeça no estofado e fechar os olhos.

— Ino, precisa limpar esse machucado — respondeu, sério.

— Eu não quero! — ela gritou para arregalar os olhos em seguida e tapar a boca com uma das mãos. — Ah, droga, desculpe, desculpe, eu não queria gritar...

Gaara concordou em silêncio e viu os olhos dela lacrimejarem. Saiu da sala e foi até o banheiro. Nada. Nem água oxigenada nem álcool. Pegou um pouco de papel e balançou a cabeça, incrédulo quando viu Ino adormecida no sofá. Mandou uma mensagem para Hinata, talvez ela pudesse passar numa farmácia e levar o que precisava para fazer um curativo no braço de Ino.

Não a acordou, sentou no sofá apenas para analisar o corte. Nada muito grave que precisasse levar pontos, mas, ainda assim, o sangue não parava de escorrer lentamente por ele. Colocou o papel sobre o machucado e olhou para o celular que anunciava a resposta de Hinata:

“Me dê vinte minutos e estou aí”.

Durante o tempo que esperava, recolheu os cacos de vidro espalhados pela casa, os pincéis quebrados e as telas rasgadas. Colocou tudo em um saco e deixou-o ao canto da área de serviço enquanto se perguntava o que poderia ter tirado Ino de seu estado de espírito.

Quando Hinata chegou, autorizou pelo interfone a subida dela e sorriu quando enfim ela passou pela porta arrombada, assustada.

— O que aconteceu aqui? — ela sussurrou ao lhe estender a sacola com o que precisava.

— Não tenho ideia — respondeu, e Hinata olhou a bagunça ao redor. — Ela disse que “surtou”. Estava pior antes de você chegar.

— Ah, não acredito... Será que tem a ver com a exposição?

Gaara segurou o braço de Ino para ver se ainda havia algum caco de vidro no machucado. Molhou o algodão na água oxigenada e limpou a ferida com calma.

— Não sei, ela não me disse nada depois daquela revista ter exposto as fotos — ele respondeu.

— Ela está pálida e parece que não dorme há um bom tempo, Gaara. — Hinata abaixou-se para tirar o cabelo da frente do rosto de Ino. — Eu li acho no jornal de hoje que anteciparam a exposição dela a pedido do ex empresário. Será que não é isso?

— Como é? — Gaara ergueu a cabeça para olhar Hinata.

— Espere — ela pediu ao pegar o celular e digitar alguma coisa. — Aqui está, a notícia saiu hoje de manhã. “Para os fãs ansiosos de Ino Yamanaka, a exposição da artista foi antecipada para o dia 10 do mês que vem. A decisão veio a pedido de Kakashi Hatake, atual ex empresário da artista, que disse hoje à imprensa que a exposição contará com 18 quadros, já finalizados, e será um sucesso. Nenhum outro detalhe fo-”

— Não estão prontos — Gaara a interrompeu. — Os quadros não estão prontos, e Ino disse que o prazo já era curto. Não podem ter antecipado a exposição!

— É o que diz aqui, Gaara... Mas isso explica a reação dela, não? Vai ficar aqui?

— Até ela acordar pelo menos.

Hinata sorriu, doce, e bagunçou os cabelos de Gaara antes de se afastar.

— Certo, eu preciso ir para casa. Hanabi vai para lá hoje. Me ligue se precisar de mais alguma coisa.

— Tudo bem, obrigado — ele lhe respondeu, mas Hinata quis rir quando percebeu que Gaara nem ao menos tinha se virado para olhá-la enquanto se despedia.

No elevador, sozinha, parou para refletir um pouco. Era interessante ver Gaara se apaixonando, porque, sim, ele estava apaixonado por Ino, e Hinata tinha plena ciência disso. Enfim, era interessante, ele era cuidadoso com ela, atencioso. Até mesmo quando falava da pintora o modo mudava, ficava mais calmo e tinha que se controlar para não ficar sorrindo demais sempre que contava o que ela fazia durantes as tardes que passavam juntos. Engraçado como alguém tão revoltado e estressado como Gaara podia se mostrar um romântico incorrigível.

Consultou o relógio ao entrar no carro. Eram quase duas horas já, Hanabi sairia logo da escola. Apressou-se. Como sempre, havia uma fila de carros para buscar os adolescentes; uma fila que não poderia pegar. Estacionou o carro a certa distância e saiu para a rua apenas para procurar com os olhos a irmã mais nova. Acenou quando a encontrou no meio dos amigos.

Hanabi sorriu e despediu-se de todos rapidamente antes de caminhar apressadamente até ela. Os pais não a buscariam naquele dia, Hanabi havia inventado um trabalho na casa de uma amiga e, por isso, Hinata podia estar ali, recebendo o abraço forte e saudoso que a irmã mais nova lhe dava.

— Vamos? — Hanabi sorriu e não demorou a entrar no carro.

Hinata concordou e dirigiu até a loja de decoração que Hanabi tinha encontrado no centro durante um passeio com os pais.

— Ela é simplesmente linda, onee-chan! Tem cada coisa meiga, parece uma casa de boneca! E é a sua cara! Assim que eu vi, tive que tirar uma foto para te enviar, mas... — Ela sorriu sem jeito. — nossa mãe não gostou muito.

­— Não se preocupe, poderá me mostrar hoje. — Hinata respondeu de forma amável, não gostava que a irmã se preocupasse com sua briga com os pais. — Como eu disse, minha casa continua igualzinha como você viu da última vez; hoje compraremos tudo para você decorar.

— Você será minha primeira cliente! — Hanabi bateu palminhas entusiasmada.

— Vai mesmo cursar Design de Interiores?

— Vou. Mas vou poder morar com você caso nosso pai me expulse de casa, não é, onee-chan?

Hinata riu, suave. Hanabi não mudava, continuava a mesma garota pentelha que corria para ela quando os pais começavam a vomitar seus sermões. Ela estava maior que a última vez que a tinha visto, o cabelo comprido chegava até a cintura, mais claro que o seu, numa cor graciosa de chocolate. Ah, Hanabi também tinha abandonado a franja, agora os cabelos apenas caíam livremente em volta da face e pelos ombros, e Hinata tinha que admitir que aquele corte era melhor para a irmã.

Quando saíram do carro em direção à loja, Hinata finalmente se sentiu bem naquela semana. Enquanto Hanabi corria pelos corredores para lhe mostrar algo novo que trazia ao carrinho de compras, Hinata se divertia com a animação dela por algo que, para si, era tão bobo.

Cortinas, utensílios para a cozinha, uma cadeira de rodas lilás para a mesa do computador, um painel metálico com joaninhas, tudo!

— O que acha desse? — ela lhe perguntou ao apontar para um conjunto de potes coloridos com imagens de bichinhos.

— Você que escolhe, Hanabi.

— Então vamos levar esse e um conjunto mais sério caso precise emprestar para alguém — ela decidiu. — Acredita que nosso pai jogou fora os meus potes coloridos? Ele disse que preciso crescer! Mas eu sei que é mentira, ele só não gosta de ver que, às vezes, eu e você temos gostos parecidos.

— Ele está sendo... — procurou a palavra e a irmã cruzou os braços em desafio.

— Viu? Nem você consegue mais defendê-lo. Nosso pai é um idiota, Hina, um idiota homofóbico. Ele fica implicando com meus gostos parecidos com os seus porque morre de medo de eu chegar em casa dizendo que gosto de garotas. Sabe, às vezes, eu queria mesmo gostar só para jogar isso na cara dele, ser expulsa de casa logo e ir morar com você.

Hinata passou o braço pelo ombro da irmã e beijou-lhe o topo da cabeça enquanto continuavam a andar.

— Quando você for maior de idade, pode ir morar comigo se quiser. Só não arrume briga com ele por enquanto...

— Eu sei... Se o fizer, ele vai descontar em você, eu sei que ele fica te infernizando quando você tem que comparecer nos eventos da família — Hanabi murmurou, mas sorriu ao olhar para a irmã. — Mas não se importe com ele, ok? Ah, já te contei sobre o garoto novo na escola?

— O que te levou para andar de skate?

— Ah, Hina, ele é tão lindo!! Não tão lindo quanto aquele seu amigo Gaara ou então o Naruto, mas, ainda assim, lindo!

— Gaara e Naruto são velhos demais para você — Hinata corou ao repreendê-la.

— Suas palavras, cara irmã, não as minhas. E você? Como era o nome da garota mesmo?

— Sakura.

— Ah, sim! Já convidou ela para sua casa? — perguntou sem nenhum pudor.

— Hanabi!

— Que é? — Hanabi riu. — Eu espero que não, viu? Deus me livre ela ver sua casa sem antes eu arrumar tudo bonitinho. Depois que eu decorar, aí sim você pode levá-la. Colocarei as camisinhas na gaveta do criado mudo para vocês. — Riu da vergonha da irmã. — Pera, vocês usam camisinha? Tipo, são mulheres, como que vocês usam camisinhas?

Hinata enterrou o rosto vermelho de vergonha nas mãos e respirou fundo antes de ignorar a risonha irmã e voltar a andar com o carrinho entre os corredores.

A conta de tudo foi tão cara que Hanabi mordeu o lábio inferior e se sentiu mal por fazer Hinata gastar tanto, mas, como toda vez quando saíam juntas, a irmã mais velha apenas retirou o cartão e agiu como se aquilo fosse normal. Pela quantidade de coisas, metade foi no carro de Hinata e outra metade a loja se responsabilizou por entregar em uma hora no máximo a pedido de Hinata. Até parecia uma vida fácil para quem observasse de longe. Poder gastar tudo à vontade, sem se preocupar com as contas do fim do mês ou qualquer outra coisa, mas Hanabi sabia que não era bem assim...

Olhou para Hinata enquanto ela dirigia para casa. O rádio do carro tocava um pendrive com as músicas que ela mesma tinha selecionado da última vez que vira a irmã. Já não gostava de metade delas... Mas não diria nada, pegaria o pendrive e o atualizaria, evitando magoar a irmã que cantarolava quando o semáforo fechava ou então lhe falava animada sobre os potes de sorvete e as barras de chocolate que havia comprado para aquela tarde.

— Hanabi, está tudo bem? — ela perguntou quando estacionou o carro em frente da casa e a irmã não pareceu notar.

— Você já contou a ela sobre onde trabalha, onee-chan? — indagou, hesitante por entrar em um terreno que sabia que não era muito seguro.

Hinata suspirou e sinalizou para que saíssem do carro. Levaram as compras para dentro, e Hinata foi ao congelador retirar o sorvete. Deixou-o sobre a mesa pequena da cozinha mesmo e pegou duas colheres, entregando uma à Hanabi.

— Napolitano? — Hanabi sorriu ao abrir o pote.

— Sempre. Eu fico com a parte de morango.

— Eu fico com a de chocolate. A gente divide o creme.

— Eu contei mais ou menos para ela — Hinata disse ao retirar a primeira colher de sorvete de morango. — Contei o que faço, mas não sobre Naruto, Gaara ou os outros.

— Vai contar, não vai, Hina? Precisa contar uma hora, nunca dá certo esconder essas coisas.

— Eu sei. Mas você sabe também que não é assim tão fácil. Sakura não parece ser o tipo de pessoa que aceitaria isso fácil.

— Ninguém aceitaria isso fácil — Hanabi a corrigiu, balançando a colher antes de colocá-la de novo no pote de sorvete. — A questão é que não é justo esconder dela algo tão importante de você, onee-chan. E você me disse que sairá em breve de lá! Diga isso a ela, explique, tente. Aposto que, se você está interessada nela, ela deve ser alguém minimamente compreensiva, não?

Hinata suspirou e apoiou o rosto na mão.

— É, espero que seja... de verdade, espero... Mas chega de sorvete por agora! Ou esse lugar não vai se arrumar sozinho!

— A loja nem entregou o restante, Hina — resmungou, manhosa. — E você prometeu me ensinar aqueles truques de maquiagem. Até trouxe a minha na bolsa! Vamos, vamos, por favor.... Só enquanto esperamos...

Hinata riu do bico forçado que Hanabi fazia ao abraçar a mochila no colo.

— Só enquanto esperamos — repetiu, e a irmã pulou da cadeira, feliz.

— Ok, ok, então vamos! Enquanto isso, eu te conto sobre a viagem que vai ter na escola! Vamos, Hina! — Correu para o quarto, puxando-a pela mão.

E Hinata deixou-se levar, como sempre fazia durante as visitas de Hanabi, como se a vida entrasse em pause e tudo fosse absolutamente normal, seguro, um perfeito conto de fadas...

* * *

Ino não acordou antes das dez da noite. Ao abrir os olhos, não soube dizer o que acontecia exatamente, mas acordara com o estômago roncando e um cheiro suave delicioso a rodeando. Estava deitada em algo macio e confortável, e parecia que havia estado ali por muito tempo como há muito não acontecia. Suspirou, virando-se de lado no que reconheceu ser sua cama e abraçou o travesseiro. Seu braço coçava, mas havia algo que a impedia de coçar a área. Franziu o cenho e se sentou na cama, acendeu o abajur e então viu um curativo em sua pele.

Gaara.

Bateu a mão na própria testa e procurou o celular. Levantou-se ao não o achar e abriu as janelas. Já era noite. Havia dormido! Não podia ter dormido! Tinha pouco tempo para os quadros, não podia ter dormido todo aquele tempo!

Amaldiçoou-se enquanto soltava o cabelo para poder refazer o rabo de cavalo, prendendo-o com firmeza. Reconheceu as roupas manchadas de tinta ainda em seu corpo, e nunca desejou tanto um banho para que pudesse se livrar da sensação de sujeira, de cansaço, de tudo! Mas não havia tempo.

Abriu a porta. O cheiro de comida a nocauteou. Ah, era aquilo que havia a acordado. De repente, sentiu-se extremamente fraca, e o estômago se retorceu violentamente para lembrá-la do motivo. Pisou fora do quarto, descalça, e só quando já estava no meio da sala percebeu que não havia vidro no chão ou qualquer coisa fora de seu lugar. Caminhou até a cozinha, ouvindo o som dos talheres, dos armários, de sua louça.

Gaara estava de costas para si, pegando um copo no armário e equilibrando alguns talheres sobre as tampas das panelas.

— A comida está quente — ele falou sem se virar para a olhar.

Ino o viu pegar os talheres e o copo e sair da cozinha direto para sua sala de jantar, arrumando minimamente a mesa. Depois, voltou, abriu a geladeira e pegou uma jarra de suco, que logo se juntou à mesa.

— Aqui. — Ele entregou-lhe o prato e encostou ao lado do fogão, com os braços cruzados. — Sirva-se.

— Não vai comer? — perguntou, sem jeito.

— Já comi — ele respondeu, seco, a atenção voltada ao celular.

— Não precisava ter ficado — falou e se aproximou do fogão, mas Gaara não lhe respondeu. — Obrigada pelo curativo... e pela comida... ah, e por arrumar a sala...

— Você está sem comer há horas, aconselho colocar mais no prato — Gaara a interrompeu olhando com desaprovação para a quantidade de comida que ela havia pego.

Ino não discutiu, parecia não ter muita força para isso para falar a verdade. Acabou servindo-se de mais um pouco de comida e foi à mesa em silêncio. Ele a encarava, ela podia sentir o olhar queimar em suas costas à medida que a acompanhava. Ele permaneceu de pé, apoiado na parede, de braços cruzados e expressão séria. O maxilar estava rígido, os olhos verdes pareciam condená-la, mas Gaara não falou uma só palavra enquanto ela comia. E mesmo quando ela terminou, ele esperou, vendo-a se levantar para ir de novo à cozinha servir-se de mais um pouco.

— O que houve? — ele perguntou após ela se sentar.

— Nada. — Ela suspirou. — E não me olhe assim, não sou uma criança, sabia? Pessoas surtam, faz bem colocar a frustração para fora de vez em quando.

— Você se machucou — ele pontuou. — E há uma diferença entre te tratar como criança e ficar preocupado com você. O quê? Quer que eu sorria e finja que estou feliz? Sem dormir ou comer direito, machucada, vidros no chão, telas destruídas, acho que não tenho bem um motivo para isso.

— Não precisa se preocupar, não foi nada, eu já disse que apenas tive um surto. Já passou — ela murmurou sem o encarar.

— Ino, você se machucou!

— Eu caí! Só isso! — Ela elevou a voz.

— Tem a ver com a mudança da data da exposição? — ele perguntou direto, e Ino fechou os olhos e cerrou os punhos.

— Preciso voltar ao ateliê. — Ela se levantou e lhe deu as costas.

Gaara descruzou os braços e acelerou o passo, bloqueando o caminho dela.

— Não vai voltar para lá tão cedo. Você precisa descansar. De nada adianta ficar se matando lá dentro. Tá sabendo que, se morrer, não vai ter exposição, né? — ironizou.

Ino riu, sem humor.

— Eu tenho um prazo. Sai da frente.

— Descanse ao menos hoje. Amanhã cedo, você retoma — ele falou, tentando se acalmar à medida que via Ino ficar mais nervosa.

Ela assentiu e virou-se. Gaara a viu procurar por algo na sala e arqueou a sobrancelha quando ela se sentou no sofá com a bolsa no colo. Seu sangue gelou ao identificar o talão de cheques sendo preenchido.

— Eu tenho uma ideia de quanto de lucro eu recebo após as vendas dos meus quadros. Como combinado, você tem direito a uma parte. Há 40% do valor total aqui — ela explicou e caminhou até ele.

— Não faz isso... — pediu, tão baixo que, por um momento, achou apenas ser seu pensamento.

— Obrigada pela ajuda e por aceitar vir aqui para os rascunhos; eu termino o resto. ­

— Ino, pare. Você precisa descansar, amanhã conversamos.

— Pega logo!

— Não! — respondeu com raiva.

— Você não devia nem estar aqui para começar! — Ela se aproximou e segurou-lhe a mão, forçando-o a segurar o cheque. — Pega essa merda e sai! Sai!

— Como? — Gaara encarou-a. Com mágoa. As tiras em volta do coração? Caídas e esquecidas no chão juntos do que sobrara do órgão pulsante. Não conferiu o valor do cheque, não guardou, apenas amassou com as duas mãos e o jogou no chão. — Eu vim aqui porque me importo com você! E fiquei até agora porque me preocupo com você! Será que não conseguiu ver isso? Não conseguiu ver que eu... Você... ­Quer saber? Esquece.

Ino engoliu em seco, vendo-o andar até a mesa onde estavam as chaves do carro.

Ele saiu sem falar mais nada e Ino ouviu o barulho das portas do elevador se abrindo. O coração acelerou ao se ver sozinha, as lágrimas inundaram os olhos e o ar pareceu não saber como entrar de novo em seus pulmões.

— Merda! — gritou e saiu do apartamento às pressas.

Não tinha tempo para ficar se preocupando ou pensando em Gaara, mas, ainda assim, sabia que não conseguiria se concentrar em mais nada se o deixasse partir naquele momento. Apertou o botão do elevador, em vão, ele não pararia. Empurrou a porta que levava às escadas da saída de emergência e desceu, correndo, tropeçando e se segurando no corrimão para não cair mais de uma vez. Térreo ou estacionamento? Ele não teria deixado o carro na rua todo aquele tempo. Estacionamento então. As escadas em zigue zague a deixavam tonta e embrulhavam seu estômago. Podia ter ligado para ele, pedido que esperasse! Tateou os bolsos. Ah é, não havia achado seu celular e agora não teria tempo para buscá-lo.

Segundo andar...

Primeiro andar...

Para que tantas escadas?!

Térreo...

Estacionamento!

Abriu a porta sem saber para onde olhar, por onde buscar Gaara. Tossiu, a respiração descompassada e o enjoo voltando. O elevador! Parou na frente do elevador que descia do primeiro andar ao térreo ainda. Aproveitou o tempo para apoiar as mãos nos joelhos em busca de acalmar-se, recuperar o fôlego e fazer, de alguma forma, as pernas pararem de tremer do esforço feito.

— Me fala que você não correu todos esses lances de escada depois de comer tudo aquilo? — A voz de Gaara soou ríspida.

Ino ergueu a cabeça e tentou sorrir minimamente, porém, como Gaara supusera que aconteceria ao vê-la quando saiu do elevador e entender o que ela tinha feito, só deu tempo de ela recuar dois passos antes de cair no chão meio tonta.

Droga, não podia, e não conseguiria, deixá-la ali naquele estado...

— Agradeça por não estar vomitando, seria um puta desperdício, sabia? — ele a repreendeu quando se abaixou a fim de ajudá-la a se levantar.

— Me desculpe... Eu não quis fazer aquilo...

— Vou te levar de volta ao apartamento.

— Me ouça! — Ela segurou o braço dele quando ele tentou erguê-la. — Por favor... Me desculpe... Eu te explico o que aconteceu depois, por favor, por favor... Eu só... — As lágrimas desabaram. — Eu só... ­— Os soluços começaram. — Me desculpe, desculpe...

Gaara se sentou no chão, ao lado dela. Bagunçou os cabelos enquanto bufava e, então, puxou Ino para si em um abraço apertado. Secou e segurou-lhe o rosto, sentindo as mãos dela apertarem as suas antes de ela o beijar com desespero e lágrimas.

— Venha — ele sussurrou. — Você precisa tomar um banho e descansar — pediu, ajudando-a a levantar e agradecendo pelo elevador ainda estar parado naquele andar.

Entraram e Gaara pressionou o botão do andar.

— Você vai embora? — ela perguntou com o rosto escondido no peito dele e sem afrouxar o modo como se segurava-se à camisa dele.

— Não.

— Nem depois de eu dormir?

­Ele apoiou a cabeça na parede do elevador e fechou os olhos, sem responder. Esperou as portas do elevador se abrirem e entrou pela segunda vez no apartamento de Ino, encostando a porta parcialmente quebrada. Sentou-se no sofá enquanto Ino lhe dizia que tomaria um banho. Apertou os olhos e socou as almofadas do sofá durante o tempo em que esteve sozinho. Rasgou também o cheque esquecido no chão e afundou o rosto nas mãos.

Não podia discutir com Ino naquele momento, não tinha cabeça para aquilo, muito menos ela. Estava com medo de falar o que não devia ou então gritar coisas das quais logo se arrependeria. Por isso, quando ela saiu do banho já vestida, tudo o que fez foi levar a maldita xícara de achocolatado que havia feito.

— Durma — aconselhou, estendendo a caneca.

— Voc-

— Ficarei com você até amanhã, não se preocupe. Descanse.

Ino concordou e o viu sair do quarto. Olhou para a caneca quente e fechou os olhos como se assim fizesse o peso sobre os ombros desaparecer.

Inútil, ela sabia. A melhor alternativa era esperar pelo dia seguinte, esperar para que ele fosse melhor, para que tudo se ajeitasse... para que Gaara ainda estivesse ali quando acordasse como ele tinha dito que faria.

* * *

Naruto entrou na Akatuski por volta das dezenove horas. Enfim, tinha terminado todas as provas pendentes da faculdade e isso o deixava levemente animado. Espreguiçou-se enquanto caminhava para o quarto. Preso ao vidro do espelho, estava a sala a que deveria ir e o tipo de apresentação que faria. Não reconhecia o nome da mulher que se apresentaria consigo, mas não se importou com isso. Vestiu-se do como especificado, totalmente coberto, cacharrel branca, calça colada preta, pés descalços. Esperou até dar o horário e então subiu as escadas com uma chave na mão.

Entrou na sala. As janelas dos telespectadores ainda estavam fechadas, e a mulher, vestida como ele, aguardava sentada em uma cadeira ao centro. Havia outra cadeira livre para si, e Naruto caminhou até ela. A música, como sempre, era baixa, rouca, como se uma mulher cantasse a um amante todas as coisas que desejava que ele fizesse com ela quando a sós.

Sorriu. Gostava daquele ar sensual.

Diferente da mulher, ele permaneceu em pé em frente a cadeira, com as pernas levemente separadas e as mãos no apoio da cadeira. Fechou os olhos quando a iluminação caiu, ouvindo o sinal que soava antes de as janelas se abrirem. Era hora de começar.

Inclinou-se, como um gato se espreguiçando, e sentou-se na cadeira lentamente, com as pernas bem separadas. Jogou a cabeça para trás no processo, a boca semiaberta em um falso ofegar antes de morder o lábio e sorrir sacana. Imaginou mãos específicas apertando sua cintura com força e o modo como subiriam por seu tronco, até uma delas arranhar-lhe a nuca e puxar seu cabelo com força para trás. Depois disso, levantou-se e então, como era o esperado, caminhou até as janelas.

Concentrou-se na música. O quarto com uma fraca iluminação púrpura ajudava na hora da sedução, então não era difícil entrar no clima. Via cada pessoa que o assistia, cada máscara, mas nenhuma lhe chamava atenção. Os olhos eram todos parecidos, sem qualquer tipo de atrativo, parecia que a situação se invertera: era Naruto que observava e, em vez de ver algo sensual e belo, caminhava de janela a janela como se analisasse peixes em um aquário.

Monótono. Desde que havia voltado a Akatsuki, tudo parecia muito monótono para si.

Voltou para perto da cadeira e trocou um breve olhar com a mulher que também se apresentava. Ela parecia descontraída, rebolando enquanto passava a puxar o tecido da blusa que vestia, mas sem a tirar. Deixou um suspiro escapar antes de fechar os olhos e balançar o corpo no ritmo da música. Não se sentia minimamente excitado para aquilo, e apostava que, mesmo se esforçando, o ato de tirar a blusa não causou o impacto desejado.

Aquilo era culpa de Sasuke.

Não. De novo não! Não iria pensar em Sasuke em outra apresentação. Por que simplesmente não conseguia se apresentar como antes?

Agora era tarde. Ele já estava ali, mais uma vez, em seus pensamentos. Mais uma vez.

Mordeu o lábio inferior por saber que as pessoas gostavam de vê-lo fazendo aquilo. É... Sasuke gostava. Dava para perceber o modo como os olhos negros prendiam-se rapidamente em sua boca quando umedecia ou mordia os lábios. Sentou-se, sem desfazer o sorriso que a lembrança lhe trouxera ao rosto. Apoiou o tronco no encosto da cadeira e deixou a cabeça pender para trás enquanto as mãos de Sasuke subiriam por seu abdômen. Os dedos passariam por cada centímetro como se apenas reconhecesse seu corpo através do tato. Rebolou, inconscientemente, um arrepio o fazendo abrir a boca em surpresa quando apertou os mamilos.

A música acelerava, e resolveu segui-la, deixando a imaginação correr solta enquanto os olhos permaneciam fechados. A calça era incômoda demais. Seria arrancada de seu corpo. Não. Sasuke não faria assim, ele o torturaria, como da primeira vez, antes que pudesse se livrar de toda a roupa. Apertou o membro semi ereto e lambeu dois dedos. Teria que se preparar sozinho. Apostava que Sasuke não o prepararia devidamente caso transassem do mesmo modo como no dia em que pode tê-lo por completo. Doeria. Entretanto, Sasuke já o havia feito sentir dor antes, e tinha sido tão bom...

“­— Você não gosta? Não gosta de se sentir em meio a tanto prazer que seu corpo implora pelo fim somente para que possa fazer tudo de novo?”

Ah sim, Sasuke o tinha feito gostar daquela sensação que transitava entre desespero e prazer, uma dor quase psicológica, um grito mudo pelo fim da agonia. Naruto gemeu baixo e ergueu-se para retirar a calça. A mulher que o acompanhava parou à sua frente, percorrendo a mão por seu pescoço, cabelos e descendo levemente com as unhas pelo abdômen. Mas Naruto não abriu os olhos, deixou-a, confundindo as sensações que as lembranças e o corpo lhe proporcionavam.

“— Não gosta de se sentir à mercê de alguém que você sabe que te dará prazer?”

Como não? Ainda mais agora! Quando já sabia como era ter Sasuke consigo! Quando a imagem dele sob seu corpo ou então o provocando vinha-lhe à mente toda vez antes de dormir!

Abriu os olhos ao sentir a respiração da mulher próxima à sua virilha. Ela fingia cavalgar, abrindo mais as pernas enquanto o rosto se esfregava em sua pélvis, evitando sua visível ereção. Inclinou-se para frente, apenas o suficiente para prender os cabelos dela em sua mão, e trocou um olhar cúmplice para poder fingir que os puxava com força.

“— Não gosta de aproveitar cada segundo da sua noite?”

Naruto quase podia ouvir a voz de Sasuke com a mesma rouquidão daquela primeira noite, quase podia sentir como era estar sentado sobre o colo dele sendo torturado daquela forma. Puxou a mulher para cima, ela uniu os corpos, esfregaram-se um no outro, mas Naruto não conseguiu a beijar quando ela se aproximou para isso. Desviou o rosto e deixou que a língua lhe percorresse o pescoço antes de encher as mãos com as coxas e os quadris dela.

“— Ah, boneco...”

Por que “boneco”? Nunca tinha se perguntado aquilo. Sasuke falava com tanta naturalidade tal palavra que parecia até certo ser chamado assim. “Boneco”, ele fazia a palavra soar sensual. O tom era baixo, grave, como se ele sentisse prazer apenas em pronunciar as três sílabas. E parecia ser íntimo... Sasuke não o tinha chamado de boneco nenhuma vez fora da Akatsuki. Teria algum motivo?

“— Quer me chupar, não quer, boneco?”

Queria. De fato, queria, mas não só isso, queria tudo de Sasuke! As imagens dele entregue quando o dominou, o modo como gemeu, como riu satisfeito, tudo só fazia com que Naruto se sentisse quente, desejoso, com tanta inveja daquelas sensações que não se importaria caso Sasuke tivesse que o machucar para conseguir alcançá-las.

Queria. Não. Necessitava!

— Naruto?

Abriu os olhos de repente. As janelas do local estavam fechadas já, a mulher recolhia as roupas no chão, e ele... estava parado, arfante.

— Quer ajuda com isso aí? — ela perguntou jocosa ao apontar sua ereção.

Esfregou as mãos no rosto e negou. Vestiu-se de qualquer forma e saiu do lugar às pressas. Teria outra apresentação mais à noite... Entrou no próprio quarto e apoiou as mãos na penteadeira. Seu reflexo ria. O suor escorria por seu rosto, os lábios estavam levemente avermelhados de tanto que os tinha mordido, o cabelo estava tão bagunçado que Naruto desistiu de arrumá-lo.

Gemeu, dolorido, a ereção fazendo-o se lembrar de que ela ainda carecia de atenção. Retirou as roupas e procurou pelo jeans que havia trazido consigo. Vestiu-se tão depressa que apostava que a camisa estava do lado errado.

Encarou o celular, sem confiança, e estalou a língua no céu da boca. Digitou o número de Sasuke sem dar chances de a coragem desaparecer. Tinha que resolver aquilo, de uma vez por todas! Fechou os olhos, rezando para que ele atendesse.

Fala, Dobe.

Gemeu. Gemeu e corou em seguida. Não era possível que tinha gemido apenas com a maldita voz de Sasuke ao telefone. Perderia o controle, se as coisas continuassem assim.

Dobe? — Ouviu a voz desconfiada.

— O que acha de ir para minha casa? Agora?

Sua casa? Aconteceu alguma coisa?

Naruto encarou o teto, como se ali estivessem todas as respostas para sua vida.

— Estaremos sozinhos — foi o que respondeu. — Por um bom tempo — emendou depressa sentindo a boca seca e o coração palpitar de ansiedade.

Era o suficiente para Sasuke entender, não era? Era sim, o riso, debochado?, do outro lado da linha mostrava que o recado havia sido compreendido.

Saudade?

Sasuke... — E o que era para sair uma repreensão saiu mais como uma súplica, e Naruto quis xingar Sasuke por isso!

Ok. Te vejo lá, boneco.

Notas finais
hahahaha nunca atualizei tão rápido, né? Enfim, já sabem, não sabem? LEMON SASUNARU NO CAP 22! Reviews? Ansiosos?