Jogo de Máscaras
15 Capítulo 15 - Vista sua máscara de protetor
Notas iniciais
O barulho do salto de Ten-Ten era como o tic-tac de um relógio e anunciava a chegada de uma tempestade cada vez mais perto. Neji estava trabalhando, e ela havia aproveitado que ele estava fora para organizar os pensamentos.
Hiashi havia interferido muito e, para piorar, aquela confusão tinha até mesmo abalado seu casamento. O que não devia acontecer! Já estava há anos com Neji, já haviam estabelecido um vínculo de confiança e preocupação mútuo, não podia deixar que Hiashi os atrapalhasse daquela forma. Entendia sim que Naruto colocava em risco a reeleição de Neji, também não queria que ele perdesse a prefeitura por uma coisa tão banal, mas mandar espancarem o amante de Neji? Não, isso ela não admitiria.
Não se importava com Naruto, mas sim com Neji. Ele ficaria fora de si quando descobrisse. Na noite anterior, por conta da briga que tiveram, ele não se lembrou de Naruto e se dedicou somente a ela, jantaram, transaram, riram e organizaram os planos da candidatura segundo as novas alianças que conseguiram. Contudo, agora pela manhã seria difícil convencê-lo a não ir atrás de Naruto.
O que faria? O que faria?
Os planos eram simples para a política. Se Neji conseguisse se reeleger prefeito, seria ainda mais fácil ser governador na eleição seguinte. Para isso, só precisava desviar o foco do escândalo do hospital e dos supostos encontros de Neji, seja com a oposição seja com Naruto.
O barulho do salto no piso repercutiu no ambiente claro que era a casa de seus pais. Não se sentia bem em pedir a ajuda deles, mas Hiashi precisava aprender uma lição. Ninguém interferiria em seu casamento, ninguém machucaria Neji, nem mesmo a família dele.
Sua mãe não estranhou ao vê-la ali, os olhos castanhos, como os seus, mostraram compreensão e o sorriso nos lábios finos já lhe dizia que ela a ajudaria no que pudesse. Assim, sorriu de volta e, confiante, bateu na porta do escritório do pai, tendo sua mãe ao lado.
Desfez o sorriso, relaxou os ombros e respirou fundo focando em pensamentos tristes. Enquanto os passos do outro cômodo se aproximavam da porta, as lágrimas apareciam em seus olhos. Sua mãe assentiu, Ten-Ten olhou para baixo, paciente. Quando a porta se abriu, ergueu o rosto melancólico e abraçou o próprio corpo como uma criança indefesa.
— Oh, meu Deus... Querida... o que houve?
— Ah, papai... — Correu para abraçá-lo e soluçou, enterrando o rosto no peito dele enquanto os ombros chacoalhavam pelo choro forçado.
Pelo canto do olho, viu sua mãe concordar enquanto seu pai a abraçava pelos ombros e a levava para dentro da sala. Ali, dentro do escritório, com as portas fechadas, conseguiria sua vingança contra Hiashi.
* * *
Naruto acordou cedo, o primeiro a acordar de todos. Sentiu os braços possessivos de Sasuke ao redor de sua cintura e girou lentamente, ficando de frente para ele. Conteve o gemido de dor ao apoiar o lado machucado do rosto no travesseiro e sorriu minimamente diante da expressão serena que via à sua frente. Se lhe dissessem que ficara quase uma hora na mesma posição observando Sasuke, não acreditaria, mas havia sim feito. Perdera-se no conforto dos braços, no calor daquele abraço e na sensação de ternura que o atingira.
Diferentemente das noites na Akatsuki, das vezes em que se encontrara com Sasuke, não conseguia pensar em outra coisa senão no fato de que queria ficar naquele abraço tão simples por mais tempo do que deveria.
Ah é, não devia mesmo estar ali. E, por isso, tirou as mãos de sua cintura com cuidado, não querendo que o outro acordasse. Precisava sair dali sem muito alarde, ligar para Hinata vir buscá-lo. Mandaria uma mensagem para Sasuke depois, agradeceria por tudo e voltaria à rotina, ou parte dela, já que os machucados ainda não deixariam que retornasse ao trabalho. Além disso, havia perdido aulas, tinha que recuperar a matéria e levar os atestados aos professores.
Nossa, só de pensar sua cabeça já doía. Sentou-se na cama e sorriu contrariado ao arrumar suas coisas rapidamente, vestir suas próprias roupas e sair do quarto.
— Bom dia — Itachi lhe disse assim que fechou a porta do quarto de Sasuke.
Ah, e ali estava mais um motivo pelo qual teria que ir embora. O irmão de Sasuke era astuto, soube disso assim que as perguntas do jantar na noite anterior começaram. O sorriso calmo, a expressão afável, tudo para mascarar as reais intenções. Estava acostumado com mentirosos, dormia com políticos, bons maridos, esposas fieis, filhos exemplares todo o dia, então não era difícil reconhecer um bom mentiroso quando via um. E toda a gentileza de Itachi lhe cheirava a enganação.
Os olhos negros, tão neutros, tão parecidos com os de Sasuke, analisaram-no com extremo interesse, atentos a cada resposta que dava. E, apesar de viver com pessoas falsas, não conseguia muito bem ser uma delas. Não sabia se Sasuke queria ou se importava em contar ao irmão quem de fato ele era, por isso optou por dar respostas mais vagas possíveis. E, quando ele lhe perguntou com que trabalhava, foi impossível não olhar de relance para Sasuke antes de responder:
— Atração, marketing pessoal, entretenimento.
Pode ouvir Sasuke conter o riso com a resposta, e isso só fez com que Itachi lhe olhasse ainda mais desconfiado.
Então, antes que a situação ficasse pior ou incorrigível, tinha que sair dali.
— Bom dia — respondeu, sem jeito.
E mais uma vez, sentiu-se analisado. Percebeu que Itachi olhava para suas roupas caras, para sua mochila na mão e, então, para seu rosto, como se estivesse se perguntando quem Naruto era.
— O café está pronto. Coma um pouco. Sasuke deixou seu remédio separado sobre o balcão da cozinha. Além disso, antes de sair, deixe-me ver esses machucados. O do braço e o do rosto.
— Ah, não precisa, eu posso ver isso em casa — respondeu e caminhou à cozinha, para tomar o remédio e sentar-se para comer.
Itachi sentou-se à sua frente, com uma xícara de café quente nas mãos, o qual bebericou antes de voltar a olhar Naruto com seriedade.
— Não me entenda mal, Naruto, mas vou ter que insistir. Veja, meu irmão não é uma pessoa que costuma trazer estranhos para casa, então ou se importa com você ou está interessado em você. Verificar o seu estado e os seus machucados é apenas para evitar que ele se preocupe mais do que deve. Ele já tem muito com o que lidar.
— Não sou um problema se é isso que está sugerindo — Naruto rebateu, sério.
— Não? Pode me garantir isso? Você está relacionado com Neji e espero que me entenda quando digo que não gosto muito de ter meu irmão nesse meio.
— Nesse meio? — Naruto franziu o cenho.
— Você não é político, possui dinheiro que não é de herança pelo que disse ontem e não explicou muito com o que trabalha. Além disso, seu nome apareceu no computador de Sasuke como amante de Neji. Não confio em alguém que está sendo sustentado por um político corrupto.
Naruto não reagiu, levou tempo para absorver as palavras. Itachi achar que ele era amante de Neji era bem melhor do que saber a verdade afinal. Suspirou, notando Sasuke parado na entrada da cozinha com uma expressão mal-humorada.
Itachi acompanhou seu olhar, mas não se mostrou muito surpreso ao ver o irmão. Sasuke caminhou até Naruto lentamente, com a toalha sobre os cabelos e o rosto levemente corado pelo banho quente.
— Bom dia, Sasuke — Naruto tentou desconversar, sorrindo como se nada tivesse acontecido, mesmo sabendo que o outro tinha ouvido a conversa.
Sasuke parou ao lado dele e tocou-lhe o rosto, examinando o curativo úmido. Deslizou os dedos pela lateral da face e segurou o queixo, inclinando-se para selar os lábios.
O corpo de Naruto se retesou e levou um pouco menos de dois segundos para que relaxasse e fechasse os olhos. Inconscientemente, segurou a barra da camiseta escura que ele vestia e sorriu de leve quando se afastaram.
— Bom dia — Sasuke respondeu. — Você molhou o curativo no banho, Dobe, deixe que Itachi faça um novo. Depois, te levo para casa — sugeriu, indo para trás de Naruto, fora das vistas dele, para direcionar um olhar de censura a Itachi, que apenas voltou a beber seu café.
— Hinata virá me buscar em breve, não se preocupe.
Itachi franziu o cenho ao ouvir o nome, mas não disse nada. O resto do café da manhã foi silencioso e, depois, Sasuke permaneceu próximo enquanto Itachi limpava o ferimento no rosto de Naruto e fazia um novo curativo.
— Suas costelas vão continuar doendo por um tempo. Não é bom se esforçar ou fazer movimentos bruscos — Itachi falou ao finalizar o serviço. — Nada de corridas, brigas, esportes ou noites mais violentas — completou, e Naruto teve certeza que o recado não era para si em específico, mas para Sasuke que apenas estalou a língua no céu da boca.
Quando Hinata chegou, Sasuke acompanhou Naruto até o carro, e Itachi os observou de longe. Massageou a nuca quando Sasuke não afastou Naruto na despedida, quando o beijo demorou um pouco mais do que o trocado na cozinha, quando os braços o envolveram, quando ele permaneceu alguns segundos na rua mesmo com o carro se afastando e quando ele voltou para dentro da casa com um sorriso discreto na boca. Discreto e verdadeiro, Sasuke estava interessado em Naruto, e Itachi sabia que não poderia intervir mesmo se esse envolvimento fosse nada mais que um problema. Assim, cruzou os braços e se sentou no sofá, esperando que Sasuke começasse logo a lhe explicar a história toda.
— Você foi rude com ele — Sasuke comentou ao largar-se no sofá oposto. — Eu iria te falar o que quisesse saber assim que ele fosse embora.
— Ainda vai?
— Por que não iria?
— Porque gosta dele.
— Gosto dele? — debochou.
— Não no sentido romântico, eu acho, mas o suficiente para beijá-lo na minha frente para que eu parasse de perturbá-lo.
— Já disse, você estava sendo rude.
— E você se importou com isso — Itachi pontuou, e Sasuke revirou os olhos. — Não quero saber se ele é ou não sua exceção, se é ou não aquele com quem você consegue agir sem máscaras naturalmente, se é ou não aquele que consegue fazer você se sentir um pouco vivo fora do sexo, Sasuke; se você está bem saindo com esse homem, para mim basta. Só seja cauteloso.
Sasuke observou as feições rígidas de Itachi relaxarem e a postura dele se tornar mais informal. Ele merecia respostas, sabia disso. Novamente, o irmão mais velho só estava sendo zeloso, não podia culpá-lo pelo modo como agira com Naruto. Inconscientemente, olhou para a tatuagem no pulso direito dele...
— Lembra-se de que pediu a Deidara para que me levasse para relaxar um pouco? — perguntou para iniciar o assunto.
— Depois que você foi parar no hospital por estresse e má alimentação? — Itachi questionou com um “que” de irritação na voz.
— Sim — Sasuke respondeu com descaso. — Então, ele me arrastou para a Akatsuki. Já foi?
— Não. Não é uma galeria de arte, é? Deidara estava obcecado com galerias e aqueles quadros que ele chama de arte.
— Não, não é uma galeria, Itachi. — Sasuke sorriu de canto. — É um puteiro por assim dizer, só que um de luxo.
Itachi arregalou os olhos antes de cair na risada ao tentar imaginar a cena.
— Isso é sério?
— Agora você vê onde me mete quando pede para Deidara me ajudar — ironizou. — Em síntese, é um lugar onde...
— Eu sei o que é um puteiro, otouto.
— Ah, não, não esse — Sasuke respondeu convicto. — É um pouco diferente. Você paga para observar alguém se exibindo, ou pode participar de leilões para dormir com alguém, ou pode comprar a companhia de alguém para um evento ou coisas do tipo.
— Ah, acompanhantes de luxo? — Itachi se recompôs, sem tirar o sorriso do rosto. — E você pagou, otouto? Não faz muito o seu estilo ir a esse tipo de lugar.
— Bem, ganhei uma noite de graça. — Deu de ombros. — Fiquei lá para ver como funcionava e acabei pagando por uma noite com um dos que se exibiam. Custou acho que cinquenta mil. Mas não aproveitei por completo porque invadiram minha casa e tive que sair correndo de lá.
— Isso explica por que Sakura estava cuidando de Pandora no dia.
— Consegui outro passe com Deidara para voltar ao lugar depo-
— Espera! — Itachi estreitou o olhar e desfez o sorriso enquanto o de Sasuke surgia. — Você voltou? Um garoto de programa conseguiu fazer com que você quisesse voltar? O encontro... Quando eu te liguei e você me disse que teria um encontro! Era isso?
— Sim.
— Sasuke, há uma diferença entre encontros e ir foder alguém que se pagou para isso.
— Sim, a diferença é que o dinheiro que eu gastaria pagando um jantar e o tempo que eu gastaria fingindo ser quem não sou estavam sendo gastos de forma mais eficiente. E não me arrependo. Foi bom. E foi você que quis que eu relaxasse, não? Funcionou pelo menos.
Itachi o olhou, incrédulo, e riu pelo nervosismo. Levantou-se e andou de um lado para o outro com a mão na cabeça e os neurônios enfim conectando as peças do quebra-cabeças.
— Ah, meu Deus, não acredito... Naruto? Sério? Você está comendo o mesmo cara que Neji Hyuga? Você o trouxe para casa? Está se envolvendo com ele, Sasuke!
— Não, eu estou saindo com um cara que, por acaso, é pago para dormir com Neji.
— Quero te bater — Itachi disse ao cerrar os punhos.
— Por quê?
Por quê? A pergunta havia sido feita com interesse, e Itachi viu Sasuke franzir o cenho e pender a cabeça para o lado.
— Sasuke, você está saindo com um garoto de programa, tem noção disso?
— Sim. Qual o problema?
Itachi enterrou o rosto nas mãos e voltou a se sentar. É claro que Sasuke não ligaria para aquilo, é claro que seu maldito irmão não daria a mínima para a profissão de Naruto! Desde quando Sasuke era adepto aos padrões sociais, não é mesmo? Provavelmente, a mente de Sasuke não encontrava o motivo pelo qual não podia se envolver com Naruto: ele deveria saber que tinha algo errado, imaginar o que as pessoas diriam, mas sem conseguir entender de fato os argumentos. Era como explicar para alguém não civilizado, que sempre andou nu, o motivo de agora ter que usar roupas.
— Aniki?
— Sasuke, ele trabalha deixando que outros usem o corpo dele, você entende isso?
— Qual a diferença de ele usar o corpo para conseguir dinheiro? Querendo ou não, todos nós fazemos isso.
— Ele é obrigado a dormir com pessoas variadas, velhos, jovens, mulheres, não importa, mas faz isso mesmo assim.
— Nós aturamos serviços desgastantes e você mais do que ninguém sabe que é obrigado a prestar serviços mesmo contra a vontade, você não pode recusar nenhum paciente assim como eu tive várias colunas censuradas porque podiam ferir esse ou aquele político. Naruto tem dinheiro o suficiente para sair da Akatsuki; se não fez, é porque não quer. Se ele não se importa, por que eu deveria?
Discussão inútil, Itachi percebeu. Nada do que dissesse convenceria Sasuke de que não deveria mais ver Naruto. Tinha que ser logo esse tipo de homem que havia despertado o interesse de seu irmão? Dentre todas as possibilidades, tinha que ser logo dessa forma?
— E você continua o vendo por que....? — perguntou, dando-se por vencido.
— Pensei em usá-lo para saber de Neji Hyuga. Imaginei que ele poderia conseguir alguma coisa sobre o escândalo do hospital. Mas ele não sabe de nada, até acredita que Neji é inocente.
— Como ele conseguiu aqueles machucados?
— Alguém não gostou de vê-lo saindo com Neji e encomendou uma surra. Foi no dia em que saímos. Levei-o ao hospital com Sakura, a amiga dele foi vê-lo e, depois, trouxe-o para cá.
— Por quê?
Itachi viu Sasuke bater a mão no sofá e então Pandora pular para o lado dele, arrastando-se até o colo onde deitou. Esperou pela resposta, contudo, a expressão pensativa do irmão já lhe dizia tudo: nem ele sabia.
— Ok. Continue.
— Acordei com Sakura me dizendo sobre as drogas achadas no jornal. Tentei argumentar com Pain, mas ele não me ouviu, parecia convencido da minha demissão.
Itachi ficou em silêncio e massageou as têmporas.
— Aonde foi ontem?
— A um restaurante com Naruto.
— Jantar que não foram. Aliás, você pode se lembrar de comer nos horários certos? Como ficou sem almoçar?
— Fui ver Karin — ignorou-o. — Ela trabalha lá. É um restaurante caro, próximo a Akatsuki, então tem muita circulação de políticos ali. Ela me disse que Orochimaru estava ali, conversando com outros dois e comentando sobre a nova candidatura.
— Orochimaru é o prefeito que você ajudou a detonar e que incendiou o seu carro?
— Lembre-se do “supostamente” nas duas sentenças, aniki. — Riu em provocação. — Então, conseguiu pensar em algo?
Itachi bufou e lhe lançou um olhar irritado.
— Muita informação para um dia só, seu cabeça oca. Ainda estou digerindo a parte do Naruto. Já pensou se Neji não o está usando para detonar você? Para descobrir o que você anda investigando ou o que irá publicar. Você mesmo disse que Naruto acredita na inocência daquele filho da puta, pode muito bem ter aceito ficar com você para ajudá-lo.
Pandora ergueu a cabeça pela voz exaltada, e Sasuke a puxou mais para si, acariciando ambas as orelhas frias antes de descer a mão pela barriga dela.
— Não tinha pensado nisso, mas não acredito nessa ideia. Você o viu, Itachi, ele é... encantadoramente fácil de ser lido.
Itachi arregalou os olhos e se levantou, dando as costas ao irmão enquanto repetia, em pânico:
— Encantadoramente? Por Deus, Sasuke! Você usou mesmo essa palavra? Ah, já chega, eu vou ver Sakura. Com certeza as notícias dela são menos assustadoras que as suas. Mais tarde vemos o que fazer com... com... com a confusão toda em que se meteu.
Sasuke assentiu, mas pode ouvir o irmão repetir mais duas vezes o advérbio que tinha lhe escapado os lábios antes de bater a porta e sair de casa. Pandora se mexeu, desconfortável, e não parou até apoiar as patas em seu peito, escalando-o e balançando o rabo.
— Acho que irritei ele, Pan. É, eu sei, ele não fica bravo por muito tempo. — Ela latiu. — Pronto, pronto, desça agora, tenho que trabalhar um pouco. Torça para que Itachi volte com alguma luz para isso tudo...
* * *
Deidara mexia nos cabelos de Sakura, que estava deitada em seu colo. Ela havia passado o dia com Itachi e estava visivelmente feliz por ter saído com o amigo. O celular dela também não parava de vibrar, e ela respondia afoita e ansiosa sempre. Tentou espiar a conversa, para saber com quem ela falava, mas só conseguiu que uma almofada fosse jogada em seu rosto.
— Privacidade para que, não é? — Ela mostrou a língua ao se sentar. — Vai comprar esse quadro? — Apontou para a imagem na tela.
— Não, muito caro.
— É de alguém famoso?
— Ainda não — respondeu ao diminuir a tela e, então, tacar a almofada de volta na amiga. — Parece que Itachi te deixou animada ou será esse seu novo caso que não deixa você soltar esse celular?
— Não te interessa. — Riu, suave, e então olhou pela janela da casa, preocupada. — Será que Sasuke está bem?
Deidara respirou profundamente e largou o notebook para colocar as pernas sobre o sofá.
— Espero que sim.
— Podíamos ir vê-lo, não?
— Sakura, ele não vê o irmão há um bom tempo, duvido que ele nos queira lá. Falando em Sasuke, quem era o cara com ele no jornal?
— Essa é uma boa pergunta. Sasuke o tirou de uma briga e o levou para o hospital. Não sei explicar. Tá aí mais uma coisa que devemos perguntar a ele.
— Como se ele fosse responder. — Deidara cruzou as mãos atrás da cabeça. — Deixe que Itachi se vira com ele. Vamos mudar de assunto! Você ainda vai comigo, não é?
Sakura revirou os olhos e penteou os cabelos com as mãos, prendendo-os em um rabo de cavalo mal feito.
— Já disse que sim. Aliás, não posso nem negar, já que me comprou um vestido para isso!
— Ele é lindo, não reclame.
— Mas eu não precisava de um vestido novo para irmos ver um monte de quadros.
— Um monte de quadros diz você, arte de primeira digo eu. — Piscou-lhe, divertido.
E Sakura não quis mais discutir. Não sabia como tinha aceitado sair com Deidara para mais um de seus eventos caros. Ah, sim, sabia sim... Estava distraída demais falando com Hinata por mensagens para prestar atenção no que o amigo falava. Sinceramente, estava preocupada. Hinata parecia um pouco distante nas conversas, como se alguma coisa a incomodasse. Muitas vezes, o assunto fluía bem, mas, de repente, as respostas começavam a soar evasivas, curtas, sempre com Hinata mudando de assunto em seguida. Talvez fosse só impressão, talvez ela tivesse perdido o interesse por si. Não, não, não... Se fosse esse o caso, por que manteria o encontro? Haviam marcado de sair um dia depois da exposição a que Deidara queria levá-la, e torcia, muito, para que Hinata não desmarcasse.
“Não seja tão pessimista”, foram as palavras de Itachi horas antes. O amigo estava com um semblante exausto. Não era difícil para ela saber que Sasuke era o causador daquilo, porém não perguntou nada, Itachi não lhe contaria mesmo se o questionasse. Como sempre, ele sorrira tranquilamente quando notou que ela o observava preocupada. Ele e Sasuke tinham que aprender a parar de mentir tanto para os outros, a confiar um pouco nas pessoas. Odiava quando eles pareciam se esforçar tanto para não deixar o que sentiam transparecer.
Os dias seguintes foram horríveis...
Naquela quarta-feira, seu dia já havia começado todo errado. Seu carro não ligava de modo algum, e o relógio em seu pulso gritava como se fosse seu próprio chefe a reclamar do provável atraso. Sem alternativas, ligou para Sasuke, às sete da manhã, e cruzou os dedos para que ele, além de atender, não se irritasse.
— Fala. — Ouviu a voz dele ao atender no primeiro toque. — Aconteceu alguma coisa?
— Estava acordado? — perguntou, curiosa, e pode escutar a voz de Itachi ao fundo e o latido de Pandora.
— Estávamos investigando uns detalhes novos. O que houve?
— Meu carro não liga. Pode me dar uma carona?
Um suspiro. Silêncio. Sakura mordeu o lábio e manteve os dedos cruzados até o barulho das chaves ser ouvido.
— Quinze minutos.
— Obrigada, Sasuke! Vai salvar minha vida e-
— Ok, ok. Só esteja pronta.
Sakura sorriu e desligou o celular. Esperou pacientemente até Sasuke buzinar e saiu de casa quase esquecendo de trancar a porta. Pegou o capacete que lhe era oferecido e subiu na moto. Agradeceu mentalmente por Sasuke ainda se lembrar de que ela morria de medo de motos e, assim, dirigir mais devagar do que o comum, evitando cortar muito os outros veículos.
— Volto às seis para te buscar — ele disse quando a deixou no jornal como Itachi mandara.
— Saio mais cedo hoje, três e meia. E muito obrigada. Te compro uma pizza no final de semana como agradecimento.
Ela não esperou por resposta, saiu correndo para dentro do jornal enquanto xingava os saltos que usava. Ajeitou a roupa no elevador e sorriu ao descer em seu andar pontualmente.
Respirou fundo, caminhando para sua sala e ignorando o inferno a sua volta. Com Sasuke fora do jornal, Pain estava tentando a todo custo remanejar a equipe enquanto buscava outra pessoa para colocar no lugar dele. O que era quase impossível, Sakura sabia bem disso. Só Sasuke conseguia organizar a área de política com excelência, só ele dava conta de fiscalizar todo o caderno, escrever colunas, reler as colunas dos outros e ainda correr em busca de novas matérias, informações, informantes, fotógrafos, etc. A paixão que Sasuke tinha por desmascarar políticos era única, era quase como se ele sentisse real prazer pelo que fazia, e Sakura duvidava que Pain achasse alguém tão bom quanto o amigo para o cargo.
Quando ele veio lhe oferecer a vaga, recusou sem pensar duas vezes. Não se interessava por política, mas, antes de tudo, não faria aquilo com Sasuke. Acreditava, fielmente, que ele estava indo atrás da verdade, pronto para esfregá-la na cara de Pain e retomar seu lugar ali no jornal e, por isso, não só recusou o cargo, como fez questão de espalhar pequenos comentários sobre o quão difícil ele era, como era cansativo, estressante, entre outras coisas só para desencorajar os interessados.
Três e meia o alarme de seu celular tocou e ela arrumou suas coisas para ir embora. Já havia avisado Pain, tal qual Deidara, e desceu pelo elevador com o celular em mãos. Sasuke já a esperava. Ele dirigiu com calma, mais que o normal, e, quando chegaram na casa dela, até mesmo aceitou entrar.
Cruzou os braços e o analisou por um instante. Sem o capacete, conseguia ver as olheiras fundas que Sasuke possuía e não estranhou quando, ao sair do banho, encontrou-o dormindo em seu sofá. Vestiu-se. O vestido azul que Deidara tinha lhe comprado era longo, deixava suas costas nuas e não tinha mangas, prendia-se no pescoço com detalhes dourados. Calçou o salto alto e fez uma maquiagem que combinasse, algo leve, como gostava. Penteou os cabelos e deixou as mechas onduladas e soltas.
Voltou para a sala quando a campainha tocou. Destrancou a porta para Deidara e sinalizou para que fizesse silêncio. Depois, sentou-se no sofá e, com cuidado, acordou Sasuke.
— Calma, calma — ela sussurrou, impedindo-o de se levantar. — Eu to saindo, ok? Tem uma cópia da chave na cozinha, no balcão. Pode dormir mais um pouco, só tranque tudo quando sair.
Ele concordou, voltando a dormir. Sakura riu e inclinou-se para beijá-lo no rosto antes de se levantar.
— Pera, pera — Deidara sussurrou e tirou o celular do bolso. — Essa vai pro Itachi para ele não surtar com o sumiço de Sasuke.
Sakura riu e se afastou para que Deidara registrasse Sasuke dormindo pacificamente no sofá pequeno com almofadas rosas, com uma marca de batom vermelho na bochecha. Não era uma cena muito comum, não é mesmo?
— Prontinho. Vamos?
Quando Deidara tinha dito que iriam a uma exposição de arte, que era um evento formal, Sakura não tinha imaginado o tamanho do evento. Quando saíram e Deidara mostrou os convites aos seguranças, ela apertou o braço dele, desconfortável com os flashes das câmeras.
— Como conseguiu esses convites? — perguntou quando conseguiram enfim entrar na galeria.
— Você não fala muito com o pessoal responsável por Arte e Cultura no jornal, né? — Ele riu, aceitando a taça de champanhe que um garçom vinha lhes oferecer. — Eu ajudei a responsável pelo caderno uns meses atrás, e ela me deu os convites dela como agradecimento.
— Quanta gente...
— Fiquei sabendo que até mesmo Ino Yamanaka virá.
— A pintora que você stalkeia até no instagram? — Sakura debochou e riu da careta do amigo. — Meu Deus, olha quem acabou de chegar...
Deidara seguiu o olhar irritado de Sakura. Os flashes das câmeras pareceram duplicar e os jornalistas quase que impediam que Neji conseguisse entrar de fato no local. Hiashi Hyuga estava logo atrás, e Ten-Ten ao lado, pedindo, educadamente que os jornalistas se afastassem. Os seguranças do evento apareceram e só então eles conseguiram mostrar os convites e entrar na galeria.
Ten-Ten puxou Neji para o lado, ajeitando o terno fino que tinha sido amassado na confusão. Ele segurou a mão dela e a levou aos lábios.
Mais flashes.
— Fachada — Sakura resmungou. — Por que eles vieram?
— A galeria é municipal. Faz sentido eles marcarem presença em alguns eventos que ocorram aqui. Venha, vamos ver os quadros!
* * *
Gaara não estava com ânimo nenhum para sair de casa. Tinha brigado feio com Naruto desde o dia em que o buscara na casa do jornalista, e ainda não haviam voltado a se falar normalmente apesar de Hinata quase implorar para que se reconciliassem. Nossa, havia até mesmo voltado para casa! Na maioria das vezes, por morar sozinho, preferia passar as noites na casa de Naruto ou na de Hinata, mas a situação havia ficado tão ruim que optara por permanecer no próprio apartamento.
Mas será mesmo que Naruto não via a roubada em que estava se metendo? Socou os azulejos do banheiro enquanto a água fria caía sobre si. Não sabia quem estava pior...
Hinata andava contrariada também, dividida entre a desconfiança por saber que Sakura era amiga de Sasuke e também jornalista e o interesse que estava sentindo pela mulher. Contudo, diferente de Naruto, ela não era relacionada a nenhum político em específico, não havia meios de ser usada como fonte de informação ou qualquer coisa do tipo.
Desligou o chuveiro e analisou a roupa separada para a ocasião. Ino havia lhe dito que a imprensa estaria presente, que era um evento formal, e por isso Naruto, mesmo que brigado consigo, tinha escolhido sua roupa.
Ignorou fortemente a gravata, desabotoou as mangas e os primeiros botões da gola, odiava se sentir preso. Havia sido por esse motivo que tinha desistido de ser acompanhante social. Os lugares eram lotados, cheios de pessoas arrogantes, regras de etiqueta, de vestimenta, etc, etc. Massageou a nuca, pensando seriamente em desmarcar com Ino. Primeiramente, onde estava com a cabeça para aceitar? Reclamava de Naruto, mas estava fazendo o mesmo! Andando em direção à uma armadilha mais do que óbvia.
— Está pronto? — Hinata apareceu de repente no quarto, assustando-o. — Que é? Tenho a chave, lembra? — Sorriu, doce. — Vem cá, deixa eu arrumar esse seu cabelo.
Sentou-se na cama e fechou os olhos enquanto o pente deslizava pelo seu cabelo com um cuidado que só Hinata era capaz de ter.
— Prontinho.
Encarou o próprio reflexo com um pouco de desgosto e se controlou para não bagunçar o penteado perfeitamente arrumado que Hinata havia feito.
— Obrigado — Beijou-lhe a testa e pegou as chaves do carro.
— De nada. Qualquer coisa, me avisa que eu finjo passar mal para te tirar de lá.
Gaara sorriu discreto e parou próximo a porta. Balançou a cabeça em descrença e voltou até Hinata, abraçando-a.
— Você não existe. Mas não se preocupe. — Afastou-se. — Fique com Naruto. Não deixe aquele idiota fazer besteira, por favor.
Ela concordou e só assim Gaara saiu do apartamento. Dirigiu até a casa de Ino, odiando-se por já saber o caminho de cor.
Estacionou em frente ao apartamento e apertou o volante, indeciso sobre esperar que ela descesse ou ir até o apartamento. Puxou o freio de mão com mais força do que deveria e saiu do carro. O porteiro o reconheceu e liberou logo sua entrada. Engraçado como seu reflexo não lhe refletia muito. Estalou a língua no céu da boca e se controlou para não tirar aquele colete que, pessoalmente, achava horrível.
Bateu na porta do apartamento de Ino e ouviu o grito dela em resposta:
— Está aberta!
É claro que estaria, é claro que o porteiro a avisaria que estava subindo. Entrou e franziu o cenho quando a viu tropeçar em um dos vários saltos espalhados pelo chão.
— Não me censure — ela disse rapidamente e desapareceu pelo corredor, de onde surgiu com outro par de sapatos na mão.
Impossível não sorrir de leve com a cena. Ela estava sentada no sofá, experimentando o salto e andando de um lado para o outro como se enfrentasse um dilema horrível. Os cabelos estavam parcialmente soltos, uma trança lateral rente a raiz o enfeitava, deixando todo o resto do cabelo jogado para o outro lado e levemente cacheado. O vestido vermelho/vinho caía nos ombros, com mangas curtas e folgadas, o que contrastava com o modo como a peça se agarrava ao corpo dela até os joelhos, onde ficava mais solto.
— Quer ajuda? — perguntou ao vê-la se sentar e tirar mais o sapato.
— Sim! Pelo amor de Deus!
— Preferências? — Andou ao redor da sala, analisando cada par. Já havia ajudado tanto Hinata naquilo que já estava acostumado com a situação.
Ino se levantou e parou ao seu lado, olhando para os ombros emparelhados e, então, abaixou-se para pegar um salto no chão.
— Nada maior que esse aqui — ela disse.
— Sandália ou salto fechado?
— Salto fechado.
— Vamos ficar muito tempo lá?
— Se estiver interessante, sim.
— Então sandália seria melhor, vai doer menos. Tem certeza que quer o salto fechado?
Ino sentou-se, derrotada, e fez um gesto para que ele escolhesse o que achasse melhor.
Ele a olhou, concentrado. Havia algumas joias sobre a mesa ao lado do sofá, prata, por isso, preferiu escolher uma sandália prata. Sentou-se ao lado de Ino no sofá e deixou um dos calçados no chão. O outro, ele mesmo se abaixou para calçar nela, e Ino não se opôs... Era muito melhor apenas observá-lo, sentir as mãos dele a segurando com cuidado enquanto prendia a sandália e já voltava a se inclinar para calçar o outro pé.
Ele se levantou e estendeu a mão para ela.
— Estão firmes?
Ela sorriu ao caminhar um pouco e assentir. Pegou os brincos separados e os colocou com prática. De costas para Gaara, mordeu os lábios ao passar os dedos pelo colar. Conseguia muito bem colocá-lo sozinha, mas...
— Pode me ajudar? — perguntou ao estender a joia a Gaara.
Ele caminhou um pouco para trás a fim de se distanciar da confusão de sapatos no centro da sala, e Ino o acompanhou. Virou-se de costas e segurou o cabelo. Os dedos dele rasparam em seu colo e pescoço, a respiração dava para ser ouvida perfeitamente, e Ino quis deixar as costas colarem no corpo dele.
— Pronto — ele sussurrou e recolheu as mãos que, teimosas, queriam pousar na cintura dela.
— Obrigada. Vou pegar minha bolsa.
Gaara soltou o ar dos pulmões quando ela se afastou e mexeu no colete pela terceira vez.
— Vamos? — indagou quando Ino reapareceu.
— Você não parece confortável — ela comentou enquanto saíam do apartamento e ele chamava o elevador. — Está tudo bem?
— Não gosto muito de trajes formais.
— É... não parece muito com você... — ela falou ao entrarem no elevador. — Parece muito... comportado. — Riu, e Gaara franziu o cenho quando ela mordeu o lábio como fazia quando tinha uma ideia nova para um quadro. — Com licença.
Ela se aproximou, colocando as duas mãos por dentro do terno e o tirando devagar para não o amassar. Gaara piscou, paralisado, e segurou a peça quando Ino lhe pediu. Ela sorriu, animada, desabotoando o colete. Deu para sentir a pressão da mão dela em seu abdômen e em seu peito enquanto o tirava, descendo-o pelos ombros. Sem perceber, respirou aliviado, e Ino piscou-lhe em resposta antes de puxar um pouco o cós de sua calça e colocar a barra da camisa vinho para fora. Pegou o terno de sua mão e o ajudou a vestir novamente. O corpo dela estava tão próximo que quase podia se lembrar de como era tê-lo de fato contra o seu.
Ela ajeitou o terno e deslizou as mãos para a gola, subiu pelo seu pescoço e parou em seus cabelos. Os dedos se emaranharam nas mechas ruivas, pode ver pelo espelho que Ino arruinava o penteado que Hinata havia feito. E fazia isso com notável satisfação. Graças ao salto, ela estava quase da sua altura, e a boca se encontrava ali, um pouco abaixo de seu queixo, entreaberta, de tão fácil acesso que, quando Ino desceu as mãos para sua nuca e os olhos pararam sobre os seus, não pensou duas vezes antes de beijá-la.
Era desesperador sentir tamanha satisfação por enfim apertar a cintura fina em suas mãos e tomar para si os lábios doces. O corpo dela se uniu ao seu rapidamente, as pernas intercaladas enquanto as mãos dela bagunçavam ainda mais seus cabelos. Lamentou não poder fazer o mesmo com os dela e conteve-se por lhe acariciar o seio escondido pelo vestido e, então, segurá-la pela nuca.
Não quis parar. Impulsionou-se para frente e girou Ino para prensá-la contra o espelho do elevador. Ela sorria entre os beijos, mordendo de leve seu lábio inferior e esfregando o corpo propositalmente no seu.
O balanço do elevador os alertou de que haviam chegado ao térreo e que as portas se abririam. A contragosto, separaram-se a tempo. Ino riu, passando os dedos ao redor da boca de Gaara para limpar o batom que havia manchado a pele dele.
Saíram do elevador. Gaara lembrou-se de pegar o colete e a bolsa de Ino esquecidos no chão enquanto ela verificava a própria maquiagem no espelho da recepção do prédio.
— Agora sim, prontos! — ela disse ao pegar a bolsa de mão.
Gaara negou, descrente, e passou o braço pela cintura de Ino, conduzindo-a até o carro. Enquanto isso, o coração ria e tentava convencer a mente de que o evento não poderia ser tão ruim assim... Mas, bem, não é como se o coração acertasse muitas vezes, não é mesmo?
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