Notas iniciais
Nada a declarar no momento... Espero que leiam e gostem!!!

She told me in the morning

She don't feel the same about us in her bones

It seems to me that when I die

These words will be written on my stone

–Como é? – Perguntei, confuso. O homem postado a minha frente usava terno preto com o breu e gravata escarlate como o sangue. Vestia-se como se estivesse pronto para um casamento ou algo do gênero em plena tarde de verão do Rio de Janeiro. Tirou os óculos escuros estilo aviador e me fuzilou com seus olhos azuis penetrantes.

–Uma proposta. – ele repetiu, erguendo a maleta de couro que segurava com a mão direita. Eu acabara de chegar de uma manhã cansativa e estressante de trabalho. Cinco períodos, o equivalente a cento e vinte alunos mal-educados, mesquinhos e sem o menor senso de respeito. O que eu mais queria, naquele momento era comer, tomar um banho e dormir. Talvez assistir qualquer filme que estivesse passando na HBO. – Irrecusável, a meu ver. – Completou. Respirei fundo antes de responder, de cara torta, para o misterioso visitante:

–Sobe. – Morava em um prédio de vinte e dois andares na Vila da Penha, região norte do Rio. A escola que trabalhava ficava na Barra da Tijuca. Eram trinta quilômetros todo dia, ida e volta, ônibus, metrô e os próprios pés trabalhando sem parar. Nos tempos em que a gasolina sobe de preço essa é a solução.

O elevador demorava para chegar e o silêncio dominava o hall de entrada do prédio. Ficava analisando o cara, pensando que proposta irrecusável seria aquela que ele me faria. Seu cabelo era preto mesclado com algumas mechas grisalhas da idade que se compreendia entre trinta ou quarenta anos, aproximadamente. Sempre fora um grande observador e era obvio, sem a menor sombra de dúvidas, que aquele homem não tinha nenhum anel em nenhum dedo sequer. Era possível perceber, mesmo por baixo de todo aquele pano, que haviam algum pouco de músculo em seus braços.

A maleta que segurava parecia aquelas de filmes policiais em que estavam em jogo milhões e milhões de dólares que, por mágica, cabiam em uma pequena pasta preta carregável. Tudo nele parecia confidencial, desde os olhos franzidos, o nariz pequeno, a boca com lábios um tanto mais grossos que o normal e uma pequena covinha no queixo. Seu olhar era focado e se alguém o visse poderia muito bem dizer que estava dormindo de pé com os olhos abertos.

–Quem é o senhor? – Interroguei-o, no mesmo segundo em que um bipe sonoro indicava que o elevador chegara. O fulano entrou, como se fizesse isso todo dia, na maior normalidade. Segui-o, pensando comigo mesmo que diabos havia feito para aquilo aparecer a minha porta. Sorri falsamente quando ele não me respondeu e apertei o botão com o número quinze. O sacolejo impercebível da grande caixa de metal sempre me fizera sentir um tanto mal. Fechei os olhos e inspirei, fundo, e depois soltei o ar. Percebi que estava suando, mas me concentrei na música ambiente que tocava, algo parecido com rock alternativo e somente senti o corpo dando sinais de trégua quando a porta finalmente se abriu com um sopro misericordioso.

Saí primeiro do elevador com passadas firmes, sem tomar nota de que havia um homem estranho me seguindo. Hesitei um momento ao colocar a chave na fechadura e abrir a porta. Como poderia confiar no ser que se postava atrás de mim. E se ele fosse um ladrão que ao menor sinal tiraria uma arma carregada e pronta para atirar daquela valise misteriosa. Ou talvez um matador de aluguel, ou um serial killer, ou um maníaco por sangue, talvez um psicopata? Limpei minha cabeça daquelas ideias toscas, e finalmente dei abertura para o cara passar e entrar.

–Pode sentar. – Disse, apontando para uma cadeira vazia perto do sofá. Este, por sua vez, estava inundado de livros, canetas, marcadores de texto amarelos e folhas pautadas, boa parte delas com esboços de um suposto novo livro que eu estaria escrevendo. Já tinha um publicado, e a editora me pedia inútil e freneticamente uma continuação. Apesar de todos os esforços nada me vinha a cabeça. Meu livro havia sido escrito como um volume único e, superando as expectativas, vendeu mais do que o esperado. Agora, para sair da cova que ela mesma escavara, precisava de mais um que vendesse muito mais que o primeiro, ou tanto quanto. Muito para mim.

Observei o homem sentar, sem a menor timidez, equilibrando o malote sobre as pernas. Fiz o mesmo, jogando minha mochila e empurrando para o lado a bagunça exagerada sobre o sofá. Meus olhos voaram quase que inevitavelmente para meu relógio de pulso digital. Eram 13h34. O que eu mais queria naquele momento, e o meu estômago também, era um bom prato de comida. Qualquer coisa. O misterioso visitante abriu a valise e tirou de lá de dentro um emaranhado de folhas. Fechou-a e alisou os papéis por cima dela.

–Somente assinta quando estiver certo e negue quando estiver errado. Simples, entendeu? – Abri a boca com a perspectiva de falar quem aquele homem pensava que era, estando na minha própria casa e querendo mandar em mim. Decidi somente assentir. Quanto mais rápido me livrasse dele, melhor. – Sr. Thiago Fernandes Paiva. – Assenti. – Professor de línguas e filosofia na escola de Ensino Médio Martin Alves na Barra da Tijuca. – Assenti. – Escritor de “A santa mulher do padre”, publicado pela Editora Mara Luz, em 2010, que mostra a vida por trás de uma faxineira paroquial apaixonada pelo pároco. – Assenti, assenti e assenti novamente. Tudo o que o homem falava era como uma biografia não autorizada escrita sobre mim para mim. As dez páginas foram folheadas com informações detalhadas sobre a minha vida pública, privada, profissional, amorosa... Enfim, tudo. No final, acabei não me segurando:

–Senhor... Qualquer que seja seu nome. – Interrompi-o. – Não quero ser mal educado. Na verdade essa é a última coisa que eu quero ser, mas o senhor chega dizendo que tem uma proposta irrecusável para mim e eu o deixo entrar. Sem mais nem menos começa a me fazer perguntas sobre minha vida sem nem dizer o próprio nome. Porque eu deveria continuar respondendo? – O homem, sem pressa, reagrupou as folhas e as guardou na maleta, depois ficou em silêncio por alguns instantes. Quando finalmente falou novamente, sua voz saiu suave e melosa:

–Eu entendo sua preocupação quanto a mim, Sr. Paiva. Mas tudo poderá ser explicado, sem dúvidas. – Eu o fitei, sem entender bulhufas. – Grande Mestre. É assim que sou chamado pelos que me conhecem. Mas na verdade, me concederam primordialmente o nome de Lisías dos Santos. – Tenho vontade de rir, mas não o faço. – Sou o líder de uma nova seita religiosa que prega, acima de tudo, a verdade. Nada de vida após a morte, heresias, pecados mortais. Nada disso. Nosso lema é “viva a sua vida, acima de tudo, a sua vida”. Estamos mais para um modo de viver, um jeito de pensar ou agir. Algo do tipo.

Oi? eu pensava, a minha confusão aumentando gradativamente, minha mente se enchendo de perguntas e respostas sem nexo. Nova seita religiosa? Modo de viver? O que era aquilo? Será que eu estava ouvindo bem?

–Você está querendo dizer que é o fundador de uma nova religião, das milhões que já existem no mundo? – Idiotice ao extremo. – Está bem, vamos fingir que eu acredito. Uma pergunta: aonde eu entro nesta história? – Aquele homem estava mais para louco fugido do hospício do que para serial killer psicopata, como eu havia imaginado.

–Eu entendo sua confusão. Vejo ela como um processo evolutivo de absorção de novas ideias. – O QUE? – Eu não chamaria de religião, a propósito. Estamos fazendo o contrário do que uma religião faria. Deixando as pessoas livres e desimpedidas para, como eu disse, viverem a sua vida sem a ideia de que estão pecando. Amarem seu próprio eu, sem ter medo de dormir mais cinco minutos ou de comer mais um pedaço de pizza, transar com a perspectiva de que você está fazendo aquilo por bel-prazer. – Eu continuava olhando para ele com a mesma expressão sarcástica e debochada que havia aprendido com os meus alunos. Toda aquela história parecia ideia de criança que cansara das regras que os pais haviam imposto. – Chegamos ao ponto pelo qual eu estou aqui. – Disse ele, como um aperitivo para minhas perguntas. – A nossa rede de informações se estende por todos os países do mundo. Temos investidores em vários países do hemisfério norte que embarcaram em nossa causa. Tudo que fazemos é pelo bem mundial. Temos fichas, como essas, — Lisías aponta para dentro da mala. – Que nos dão o perfil completo de várias pessoas capacitadas – Franzo a sobrancelha. – Avaliamos todas elas até que chegamos a você. Sr. Thiago, segundo nossas fontes você é o mais preparado, humana e psicologicamente para suportar o trabalho que temos a lhe oferecer.

–Trabalho? Você está tentando me oferecer um trabalho, sendo que eu já tenho um? – Um louco fugido de um hospício que fala com palavras grandes e desconexas, com um discurso pronto e uma valise suspeita. Tudo apontava para o caos.

–Sim, sim. Eu entendo sua confusão. – Ele se levantou da cadeira e minha perna começou a tremer. Socorro, o que eu coloquei dentro de casa? – Mas o trabalho que temos a lhe oferecer é mais que um trabalho. Podemos chama-lo de diversão limitada! – O homem abriu novamente a mala e tirou de lá de dentro uma pasta com documentos pautados, prontos, percebi, para serem assinados. – Ao assinar estes papéis você estará disposto a viajar para praticamente o mundo todo para, como posso dizer, disseminar o que eu chamei de novo modo de vida.

–Hummm! – Exclamei, sem nada mais para dizer. Eu tinha escutado bem? Viajar? Para o mundo todo? Disseminar? Que porra louco era aquela? – Você está querendo dizer, se é o que foi que eu ouvi, que se, somente se, eu assinar isso que você chama de contrato eu estarei me dispondo a viajar onde esta coisa me levar?

–Simplificando, isso mesmo. – Suas palavras soavam como se tudo o que o homem havia dito até o momento fosse sério.

–E você quer que eu simplesmente acredite? – Levantei-me também, ficando cara a cara com o sujeito. – Eu: um professor mal remunerado que precisa aguentar montes de alunos irritantes todos os dias com um livro publicado que no momento é o que compra minha comida. – Olhei para ele, meu rosto tomado pela raiva, vermelho. – Isso é uma pegadinha, certo? Aonde estão as câmeras? Eu vou aparecer no programa do Silvio Santos, é isso?

–Por favor, lhe rogo, não desonre meu sobrenome. – Ele joga os documentos sobre a mesinha. – Só depende do senhor, Sr. Paiva. Você pode achar tudo uma besteira, mas posso lhe afirmar que a coisa é séria. Tudo surgiu a três anos. Foi algo brasileiro sabe, uma ideia que surge de uma hora para a outra sem o menor fundamento. Três amigos sem nada para fazer. Pois é. Então começamos a difundi-la, tudo em segredo. Contatamos os mais diversos poderosos internacionais que poderiam vir a se juntar a nossa causa. A maioria aceitou de bom grado nossa ideia. Outros a repudiaram como está fazendo no momento. Em exatamente três anos conseguimos montar nossa sede, unir mais de duas mil empresas em todo o mundo e dispor de verbas para refazer mais três copas do mundo exageradas no Brasil. Tudo em segredo.

–Toda essa história, — eu disse, olhando-o como se estivesse passando por uma ressonância. – Se estiver mesmo falando a verdade, vamos supor, o que eu teria que fazer? Quero dizer, para que eu serviria?

–Falar. – Convencidamente ele sorriu. – Primeira parada Nova York, EUA. Segunda parada Roma, Itália. Terceira parada Cairo, Egito. Quarta parada Pequim, China. E quinta e última parada de volta para o Brasil: Praia de Copacabana, Rio de Janeiro. Viajaríamos eu, você e mais uma comissão com o único intuito de falar. Contar para as pessoas o que fazemos, o nosso método. O que queremos, o porquê de elas aderirem a nossa causa. Está me entendo?

A minha vontade era de falar NÃO alta e claramente e mandar aquele cara sair dali o mais rápido possível. Mas tudo o que ele falava, o modo que ele falava; Não parecia uma história inventada. Era difícil de acreditar, mas também não era impossível. Fiquei em silêncio assimilando minha decisão de deixar ele ficar e então assenti, sem dizer nada. Queria ouvir mais, saber o que a loucura poderia fazer com o cérebro da pessoa.

–Então... – Ele continuou. – Você deve estar se perguntando porque justamente você. Bem, é simples. Professor conceituado. Doutorado em letras. Mestrado em filosofia. Um sucesso literário. Sabemos como o trabalho de um professor é difícil, mas mesmo assim o senhor nunca abandonou a profissão. Nem mesmo para dar aulas em uma universidade ou algo do tipo, onde seria melhor remunerado e muito mais bem tratado. Estávamos a procura de uma pessoa despreocupada, que não fosse maluca por peixes e onças. No momento que lemos sua ficha, soubemos que você era o certo para fazer isso.

–Oh.... Então você... vocês... sabem o nome da minha bisavó materna? Vocês sabem qual era minha disciplina favorita na escola? Vocês sabem quem foi minha primeira namorada? – O homem não podia estar falando sério. Toda aquela história... Não. Não podia ser verdade. Mas... e se fosse?

–Sim. Sabemos tudo isso. – Ele abriu o malote a tirou para fora novamente as folhas com as minhas informações. Aquelas folhas. Como tinham tido acesso a tudo aquilo? O sujeito folheou-as até chegar a certa página. – Maria Ávila Fernandes, sua bisavó. – Passou mais duas folhas. – Literatura brasileira, sua matéria preferida e aliás, física era a que o senhor menos gostava. – Voltou cinco folhas. – Vanessa Dias, sua primeira namorada. Temos seu perfil completo aqui, Sr. Paiva. Tudo, desde o dia em que você nasceu, sua árvore genealógica, seu currículo escolar e profissional. Tudo!

–Mas isso não poderia ser considerado algum tipo de crime? – Pedi, enfurecido e boquiaberto. Quem aquele cara pensava que era. Já havia eliminado a ideia de um louco. As alternativas que me sobravam eram de ele estar falando verdade. Ou tudo não passar de um joguete, uma vingança.

–Na verdade, não. – Ele sorriu, sentando-se novamente. Fiz o mesmo. – Quando as pessoas não sabem que suas informações pessoas e impessoais foram habilmente pesquisadas, não há porque ser considerado um crime. Acredito que o senhor não irá me deletar.

–Não... – Talvez. Mas não no momento. Precisava saber se tudo aquilo era verdade ou não passava de uma mentira deslavada. – Por acaso eu posso dar uma olhada nisso? – Ele balançou a cabeça e me entregou. Passei meus olhos pelo branco amarelado das folhas e me espantei. Havia coisa escrita alí que nem mesmo eu lembrava. Coisas como a hora que tinha nascido, o hospital em que fizera minha cirurgia do apêndice, as matérias que atrasada e reprovara em ambas as faculdades. Era impressionante. Respirei fundo e devolvi as folhas para o engravatado. – Seu banco de informações é grande demais para quem quer deixar as pessoas livres...

–Entendo... mas, não. – Ele respondeu, sorrindo. – O que pesquisamos é nosso afim principal. As nossas pesquisas são minuciosas e completas. Temos encarregados para essas funções em diversos lugares espalhados por todo Rio de Janeiro e mundo afora. Tudo o que queremos... nós conseguimos, Sr. Paiva. – Aquilo deixou no ar um quê de se você não aceitar nossa proposta nós o caçaremos até lhe termos morto”. Tremi na base, pensando no que tinham me metido. Inutilmente, eu não tinha escolha. Aquele homem tinha cara de que conseguia tudo o que queria. Mas aquela história ainda me deixava com a pulga atrás da orelha. Mas... AI MEU DEUS! Dúvida cruel!

–Se eu, por algum mero acaso, assinar sua proposta... O que eu ganharei com isso? – Era uma pergunta válida. Apesar de todos os esforços eu ainda não tinha ideia do que eu tiraria de proveito.

–Simples. Poder viajar sem custo algum para quatro cidades lindas, com diversos pontos turísticos. Poder almoçar, jantar e, se quiser, até mesmo tomar café-da-manhã nos melhores e mais finos restaurantes. Estadia em hotéis cinco, senão seis estrelas. Quer mais alguma coisa? Estamos a postos para lhe servir! – Devolvi a ele as folhas com minhas informações. Ele abriu a maleta, colocou-as lá dentro e tirou uma caneta esferográfica cor de obsidiana, preta como breu com detalhes em ouro. Parecia uma daquelas canetas de estimação, usadas somente para ocasiões especiais. Lisías, se é que aquele era mesmo o nome dele, a segurou pela extremidade cônica da ponta e me ofereceu.

Ponderei. Antes de aceitar, pegar a aquela caneta e pingar meu nome naquele papel, minha mente fez uma viajem no tempo até duas semanas atrás. Se aquele sujeitinho tivesse me ofereci aquela proposta quinze dias antes, eu nunca teria aceitado. Afinal, Sophia ainda estava comigo, eu estava feliz, minha vida era um mar de rosas. Mas então tudo acabou. Ela pedira um tempo. Dois anos e três meses de relacionamento desfeitos em quatro palavras. Futilidades da vida. Depois daquilo decidi dedicar todo o tempo de sobra que eu tivesse ao meu novo livro. Resultado: dor de cabeça, olhos ardidos e abstinência sexual. Diziam que quando a vida nos dava uma oportunidade feito aquela, somente ignorantes recusavam. Eu não era um ignorante. Precisava mudar. A resposta para isso estava a minha frente. Aceitei, desconfiado, aquela caneta dos sonhos.

–Onde eu assino? – Perguntei, pegando a pasta, e respirando fundo. O homem sorriu toscamente e foi indicando os lugares enquanto a tinta preta molhava o papel com minha caligrafia arranhada. Foram dez assinaturas ao todo. Quando finalmente terminei, minha mão parecia mais pesada, porém minha cabeça mais leve. Minha fome havia ido embora, escapado por cada abertura do meu corpo.

–Que bom que cooperou, Sr. Thiago. – Ele pegou a pasta, dando metade do bolo de papel para mim e tirando de dentro da mala mais uma quantia de folhas que daria para reviver umas três árvores. Jogou-as sobre a mesinha. – Tudo está melhor explicado no texto. – Apontou para os papeis que acabara de se desfazer. — O voo para Nova York sai em dois dias. Lhe contataremos dizendo o horário e o local do voo. Tenha uma boa tarde. Até breve. – Despediu-se, levantando-se da cadeira e indo em direção a porta. Não mexi um músculo até ele sair do meu apartamento, deixando para trás uma leve fragrância de limão e alecrim.

Joguei o contrato sobre o sofá, tirando o celular do bolso e indo até a lista de contatos, descendo até o S. O nome Sophia sz reluzia em preto brilhante, pronto para ser apertado e discado. Foi o que eu fiz. Coloquei o celular no ouvido e esperei os três, quatro, cinco toques, até ela atender. Sua voz era linda, assim como seu rosto, seu corpo. Toda ela. “Thiago, não, agora não, depois eu ligo, por favor...”, disse. Sem nem mesmo um oi ou um alô.

–Sô, não. Espere. – Eu estava ofegante, não sabia o porquê. Quem sabe o simples som doce e baixo da voz dela me deixasse sem ar. – Precisamos conversar, é urgente! – Disse, girando a chave duas vezes na fechadura da porta até me sentir utopicamente seguro.

***

Notas finais
E então??!! Espero que tenham gostado. Sabem, né? Comentem, favoritem, acompanhem. Quanto mais reviews mais rápido o próximo capítulo sai!!!