Jogo Com Especialistas
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Nem demorei gatos.
Capítulo 3.
Os olhos frenéticos de DiNozzo no volante do seu Corvette amarelo – muito chamativo por sinal – indicava a indiferença que sentia. Seu rosto era um misto de raiva e sono, seus olhos com pequenas olheiras quase imperceptíveis eram realmente admiráveis. O sorriso debochado no rosto indicava que estava se divertindo com a situação. Estava prestes a chegar na delegacia, estava prestes a encontrar com a mulher que tentava atrapalhar seus planos de acabar com o caso, prender o assassino e ir para uma boate qualquer pegar uma vadia. Parou no sinal vermelho. Seus olhos foram direcionados para o painel do carro, onde pode se observar uma espécie de pulseira pendurada. Ele sorriu ao vê-la e seus pensamentos foram direcionados a ela.
~~ Flashback
O corpo da mulher sangrando a sua frente era torturante. O desespero claro em seus olhos era assustador. A única coisa que pôde fazer foi cair de joelhos. Ele não sentia nada, absolutamente nada... Poderia levar uma facada ali mesmo e nada iria sentir. Seus olhos ardiam e o desejo de chorar o invadia. Ele a pegou no colo e levou até o carro ignorando tudo o que sentia, e usando seu treinamento.
~~ /Flashback
A buzina do carro de trás, fez com que seus olhos se direcionarem para a estrada novamente. Aqueles pensamentos não invadiam sua mente há algum tempo, o que fez que ele sentisse raiva de si mesmo por voltar a pensar nisso. Ele olhou para suas mãos e elas estavam tremendo... Tremendo como as de um drogado com abstinência a sua droga, afinal era o que ele era. Era o que ele sentia, era o que Anthony DiNozzo sentia. Seu coração estava acelerado e já estava suando aquela altura. Sua mão foi direcionada até o porta-luvas. Foi um pouco difícil abri-lo, tremendo daquela forma, no entanto ele abriu e pegou um vidro com alguns comprimidos. Abriu e jogou dois de vez em sua boca. Aquela sensação passou depois de alguns minutos. E logo ele havia chegado a delegacia. Saiu do carro e respirou fundo. Sorriu em seguida, mostrando que o DiNozzo havia voltado. Caminhou calmamente até a delegacia e adentrou o elevador junto a algumas mulheres que lhe deram um olhar confuso, se questionando talvez o que o famoso Anthony DiNozzo fazia em uma delegacia como aquela. Ele devolveu o olhar para elas de uma forma bem mais sensual, arrancando um sorriso lateral de uma delas. As portas se abriram e as mulheres saíram, todas elas trabalhavam na parte administrativa da delegacia. As portas se fecharam e Tony deu uma piscada de olho para a mulher que havia sorrido. Tony gargalhou com a situação, como ele adorava aquele tipo de flerte. Havia chegado no andar desejado e a expressão séria e clássica já havia voltado ao seu rosto. Saiu do elevador e foi até uma atendente.
– Ziva David. – pronunciou o nome com um certo nojo em suas palavras.
– E você é? –perguntou a atendente, mesmo sabendo a resposta.
– Poupe-me. Quero falar com ela agora. – respondeu sério com uma postura autoritária.
– Ela já espera pelo senhor, na sala dela. – rebateu a mulher.
– Obrigada. – disse DiNozzo com aquele deboche conhecido por todos.
Caminhou até a sala indicada pela moça. Abriu a porta sem ao menos bater dando de cara com uma mulher jovem, bonita. Nada do que esperava. Ela nem se mexeu com a entrada barulhenta de DiNozzo. Continuava virada de costas, escrevendo algo em uma lousa. A suam sala não era como nas outras partes da delegacia onde era possível ver praticamente tudo pelo vidro, era escuro, porem tinha uma grande janela de vidro. O silencio foi cortado por DiNozzo.
– Então essa é a famosa Ziva David. – afirmou DiNozzo, mostrando a raiva que sentia em cada letra de seu nome.
– Então esse é o famoso chefe de Kate Todd. – repetiu suas palavras, substituindo as necessárias, mostrando o mesmo desprezo que ouviu.
– Eu quero que você me acompanhe até a sede do FBI. Precisamos conversar.
– Bom, se não está vendo. Estou muito ocupada e não posso ir. Contate seu oficial e peça um mandado. Terei todo o prazer de acompanha-lo. – Disse ela, sentindo a raiva que Anthony passava somente com o olhar.
– Quem você pensa que é? – perguntou Tony.
– “A famosa Ziva David” – respondeu ela imitando ele.
– Você vai me acompanhar e levar todos os arquivos de Hassen, que você possui. – afirmou ele mostrando segurança em cada palavra proferida.
– E o que faz você pensar isso DiNozzo? – questionou ela com um sorriso no rosto.
– O fato que seu chefe irá me dar se eu apenas estalar os dedos.
Ziva gargalhou, fazendo com que DiNozzo sentisse ainda mais raiva.
– Vá em frente. – o desafiou.
Antes que DiNozzo pudesse dizer qualquer coisa um lazer vermelho em Ziva o chamou atenção. Ele logo pulou em cima dela e vários tiros foram ouvidos. O vidro da janela foi quebrado automaticamente. Tony segurou no rosto de Ziva e perguntou:
– Você está bem?
Quando ela confirmou com a cabeça mais tirou foram ouvidos, dessa vez do outro lado do prédio. Era um ataque múltiplo. Ambos se levantaram e foram para fora da sala. O desespero das pessoas correndo para todos os lados era agonizante.
– Desça. – ordenou Ziva.
– Desde quando recebo ordem de uma mulher? – outros tiros foram ouvidos fazendo com que ambos se abaixassem.
– Agora porra. – gritou Ziva.
–Eu não vou sair daqui. – afirmou Tony.
Ziva respirou nervosa.
– Ok, vá até o andar de baixo e certifique que todos estão bem... Desça com as pessoas. Se a confusão não estiver acabado volte.
– Essa sim é uma boa proposta.
Tony caminhou em direção ao elevador.
– Pelas escadas seu idiota. – gritou Ziva, fazendo Tony se sentir realmente um idiota. Ele sentiu que teria volta aquilo.
Tony foi até as escadas e as desceu. Logo os tiros cessaram. Seu rosto suado devido a situação foi direcionado por uma visão horrível. Luke estava morto. Seu chefe estava morto. Foi caminhando até eles para se certificar que estavam mortos. Eles estavam mortos. Havia ainda várias pessoas correndo por todos os lados. Ziva fechou os olhos tentando se acalmar e um barulho de tic tac a chamou atenção. Ela seguiu o barulho e viu uma bomba montada e com o temporizador marcando 40 segundos para detonar. Ela gritou para que todos corressem, dizendo que havia uma bomba. Foi caminhando em direção a escada, quando ouviu um choro. Era uma criança de menos de 10 anos, provavelmente uma testemunha de algum caso. Ela estava baleada. Correu em direção a criança, ignorando todos os seus pensamentos de ser humano e seguindo o de policial. Pegou a criança – que não era tão pesada assim – no colo e correu em direção a uma sala. Colocou a criança debaixo da mesa e se colou em seguida. O barulho da bomba foi ouvido por todos que estavam fora do prédio. O corpo de Ziva foi atingido pelo impulso que a bomba causou. Ela estava tonta, sua visão era turva. Ela olhou para a criança e sentiu o pulso da mesma. Morta. Ela foi caminhando – ou tentando caminhar – até as escadas. Suas pernas não obedeceram. Ela caiu e o preto invadiu sua visão.
Notas finais
E será que a nossa Ziva David está morta?
Fale com o autor