Notas iniciais
Já estamos no chap 8? Sério? Uau! Parece que comecei a escrevê-la ontem...
Bom, obrigado pelos reviews de sempre amores ♥
Sem mais delongas...
Enjoy!

– Seu idiota! — esbravejou Ruki logo após Aoi ter saído. — O que você tem na cabeça, Uruha? Como você pretende conquistá-lo falando um monte de abobrinhas?


Apoiei o rosto entre as mãos.


– Eu não sabia que ele ia reagir assim!


– E você queria que ele reagisse como? O Aoi quase não te conhece, Kou. Ele não sabe nada sobre você — disse Reita.


– E vice-versa — completou Ruki.


Kai pousou o telefone sobre meu colo.


– Liga pra ele.


Assenti e disquei o número conhecido. Um toque... Dois... Três... Quatro. Deixei tocar até ser encaminhado pra caixa postal.


– Não atende — informei.


– Vai tentando — incentivou Reita.


Perdi as contas de quantas vezes eu tentei, e em nenhuma ele atendeu.


– Desisto.


E eu nem sabia direito do que realmente eu estava desistindo. Eu não sabia se estava desistindo apenas das ligações ou se também estava deixando de lado o maldito desafio.


– Cara, onde eu fui me meter? — expressei em voz alta o que não saía da minha cabeça.


Ruki sentou-se ao meu lado e puxou minha cabeça para repousar em seu ombro.


– No começo sempre é difícil, Kou. O Yuu é um cara complicado, bipolar, muitas vezes ranzinza, mas tem um coração de ouro! Ele só está com medo de se envolver. Experiências homossexuais já são complicadas por si só, imagine quando se é um músico famoso que está saindo com o companheiro de banda? A cabeça dele deve estar um nó!


– O chibi está certo. Vocês nem eram amigos, pra começo de conversa. E agora estão envolvidos num relacionamento amoroso, dias depois de voltarem a se falar após três anos de briga! Você já tem a sua sexualidade muito bem resolvida, mas o Aoi não! Tudo isso é novo e difícil pra ele, tanto quanto foi pra nós no começo — disse Kai.


Reita deu um leve tapa em minha perna.


– Pega leve, Shima. Não vá com tanta sede ao pote.


Mordi o lábio inferior.


– Não está fácil controlar. Eu estou há mais de um mês sem sexo e... Vocês viram a roupa que ele estava hoje?! — exasperei.


Ruki revirou os olhos.


– Então converse com ele sobre isso, Uru. Explique a situação e diga como você está se sentindo.


Sorri, amargo.


– Não consigo me imaginar falando com o Aoi sobre sexo.


– Mas uma hora ou outra vocês vão ter que conversar. A não ser que vocês estejam pretendendo transar por telepatia — disse Akira.


– Quer um conselho? — perguntou o líder.


– Hai.


– Aborde o assunto pelas beiradas, aos poucos, faça-o se sentir confortável. De qualquer maneira, há várias brincadeiras que não exigem penetração... Acho que esse é o melhor caminho.


Me levantei, sentindo-me mais confiante.


– Obrigado, pessoal.


– Olha, como eu estou de muito bom-humor vou dar o dia de folga pra vocês amanhã. As próximas semanas serão corridas e nosso tempo vai ficar restrito.


– E você está louco pra passar um tempo a sós com certo baterista não é, Kai? — Ruki questionou.


– Assim como eu sei que você está louco para ser fodido pelo Reita — respondeu o líder.


– Bom, não quero mais atrapalhar essa conversa tão... Peculiar. Vou passar na casa do Aoi, quero me desculpar pessoalmente.


– Não vai jantar? — perguntou Akira.


– Não. Eu passo em algum restaurante pelo caminho e pego algo para nós dois.


– Vai lá. Estamos torcendo por você — o chibi fez uma figa.


Sorri.


– Obrigado, Ru-chan. Até depois de amanhã, amigos.


Kai me acompanhou até a porta.


– Boa sorte, Uru.


Suspirei.


– Eu vou precisar.



U&A



Cheguei à casa do moreno quase uma hora depois. Por sorte o porteiro me reconheceu e permitiu que eu subisse sem precisar da autorização do dono da casa.


Parei em frente à sua porta e respirei fundo. Eu tinha que estar preparado para qualquer coisa.


Apertei a campainha e esperei. Nada. Pressionei o botão uma segunda vez e de novo não houve resposta. Depois do sétimo toque eu resolvi tentar o celular, pois sabia que ele estava em casa. Eu ouvia o aparelho chamando — e tocando... Tinha alguma coisa errada.


Testei a fechadura só por precaução, e fiquei surpreso ao ver que a porta se abriu com facilidade. É. Tinha alguma coisa muito errada. As luzes da sala, da cozinha e do quarto estavam acesas. Como ele não se encontrava em nenhum dos cômodos visíveis decidi ir para o quarto. Eu só não esperava encontrar aquilo.


O loiro estava de bruços, vestindo apenas uma boxer preta, com os cabelos encobrindo-lhe uma parte da face.


Soltei um gemido baixinho. Aproximei-me da cama a passos lentos e toquei-lhe o rosto de leve, apreciando o tom levemente rosado de sua pele. Lindo. A boca deliciosamente pecaminosa estava entreaberta, tão convidativa...


Não resisti e colei meus lábios aos dele, sentindo a textura macia.


– Yuu? — chamei, acariciando sua nuca.


Ele se remexeu, agarrando-se a mim no processo.


Toquei sua cintura fina em um carinho suave.


– Acorda, lindo.


– Hummmm — resmungou, ainda adormecido.


Pus a mão em sua testa, me surpreendendo com a temperatura alta. Aoi estava queimando em febre.


– Yuu, acorda! — sacudi-o veementemente.


Seus olhos abriram-se lentamente.


– Que foi? — perguntou, sonolento.


Beijei-lhe o rosto repetidas vezes.


– Você precisa ficar acordado, meu anjo. Está com febre.


– Estou com sono! — reclamou, enroscando-se mais ao meu corpo.


Calma, Uruha. Controle seus hormônios. Ele está com febre e não está raciocinando direito, não ouse molestá-lo!


Acariciei seus cabelos.


– Prometo que te deixo dormir depois que você comer um pouco e tomar algum remédio.


– Não quero comer, Uru.


Suspirei, resignado.


– Ok. Pelo menos o analgésico então.


Recebi como resposta apenas um aceno afirmativo.


Procurei a necéssaire no local já conhecido e peguei um copo d'água na cozinha, entregando-lhe em seguida.


Ele se apoiou no colchão com dificuldade, mas engoliu o comprimido sem reclamar.


Deslizei a mão por seus cabelos, escorregando até o pescoço, fazendo um carinho suave por ali.


– Você tomou chuva?


Seus olhos se fecharam, escondendo de mim as esferas ônix que eu adorava.


– Hai.


Minha mão fez o caminho inverso, indo em direção ao seu rosto, tocando a pele apenas com o polegar.


– Por que não pegou um táxi?


– Eu queria andar — murmurou.


Selei seus lábios brevemente.


– Será um grande problema se você ficar gripado.


Meneou a cabeça.


– Não vou.


– Vai sim! Principalmente se ficar apenas com essa peça — apontei a boxer.


Só então ele pareceu recordar-se de sua semi — nudez, pois cobriu-se com o lençol.


– Ahn... Primeira gaveta do lado direito.


Sorri de lado e segui as orientações. Peguei uma camiseta cinza e uma calça de moletom preta.


– Obrigado — agradeceu, tímido.


– Não há de quê. Tem certeza que não quer comer nada?


– Tenho.


– Bom, vou jantar e deixar você se vestir em paz ok?


– Certo.


Antes que eu chegasse à porta sua voz preencheu o ambiente.


– Uruha, eu não quero conversar hoje.


– Tudo bem, mas eu não vou te deixar sozinho. Posso dormir no sofá se você quiser...


– Não! — protestou. — Fica comigo... Por favor.


E naquele instante eu soube: se ele me pedisse pra pular de um prédio, com aquele tom de voz tão... entregue, eu o faria sem hesitar.


– Eu fico.


Não esperei resposta e me dirigi à cozinha. A comida estava fria então simplesmente coloquei-a no micro-ondas, meu estômago já doendo de fome.


Sentei me à mesa minutos depois, comendo com calma, degustando o sabor que invadia meu paladar...


E eu precisava pensar rápido.


Porque eu estava numa maldita sinuca de bico!


Haviam duas coisas das quais eu tinha certeza:


1 — ele se lembrava das minhas — errôneas — palavras.


2 — e com certeza me cobraria explicações.


Eu não tinha ideia de como abordar assuntos tão complicados, principalmente com alguém como Yuu. Tão tímido, tão convencional, tão impregnado de tabus!


Repousei a testa sobre o mármore frio, procurando por um meio termo, uma forma sutil de lhe explicar tantas coisas, mas sem assustá-lo. Seria uma conversa longa e complicada, um movimento arriscado no jogo que — na minha cabeça — já estava ganho. Doce engano.


Mais uma vez a vontade de desistir se fez presente. Eu poderia jogar tudo pro alto e contar-lhe sobre o maldito desafio, mesmo correndo o risco dele me odiar pelo resto da vida, mas eu sabia que jamais o faria. Sou covarde demais pra isso.


Um espirro vindo do quarto me fez voltar à realidade. Yuu estava doente, e precisava de cuidados. Era meu dever cuidar dele. Como amigo, como companheiro de banda... E como algo que nós ainda não havíamos nomeado.


Lavei a louça que eu havia usado rapidamente e voltei ao quarto, encontrando o loiro encolhido sob as cobertas.


– Ainda acordado? — questionei.


– Todo o meu corpo está dolorido — respondeu, fraco.


Deitei-me ao seu lado e logo seu rosto afundou-se na curva do meu pescoço, o nariz gelado roçando na minha pele quente, causando uma sensação gostosa.


Acariciei seus cabelos gentilmente. Eu queria ficar em silêncio, e pelo visto Yuu compartilhava do mesmo desejo.


Não demorou muito até que seu corpo relaxasse por completo e o sono o arrebatasse.


Respirei fundo e me levantei lentamente, fazendo o mínimo de barulho possível para não acordá-lo. Rabisquei um bilhete num bloco de notas qualquer e me dirigi à sala, calçando meus tênis em seguida.


Eu precisava ir embora. Precisava da minha casa, da minha cama, do meu espaço! Eu precisava dormir sem sentir seus braços ao redor do meu corpo, sem seu cheiro me inebriando, tirando a pouca sanidade que eu ainda mantinha.


Peguei meu carro na garagem do seu prédio e dirigi calmamente pelas ruas — àquela hora quase desertas — de Tokyo. Apreciei o ar puro da noite tranquilamente, sem me importar com os riscos, mas consegui chegar em casa a salvo.


Destranquei a porta e me joguei no sofá, eu estava tão cansado!


Peguei meu celular que estava no bolso da calça e não resisti em mandar-lhe um SMS.


"Me desculpe, Yuu. Eu sou um covarde filho da puta. Espero que entenda"


Larguei o aparelho sobre a mesa de centro e me dirigi ao quarto. Tirei a roupa rapidamente, ficando apenas de boxer, vesti uma regata cinza e me joguei na cama.


Eu só não esperava que meu sono fosse tão agitado por conta do motivo que eu raclamara anteriormente: a falta dos seus braços envolvendo meu corpo.



U&A



Celular tocando. Celular tocando repetidas vezes... E eu não estava nem um pouco a fim de atender.


Porque eu sabia quem era.


Me permiti ficar mais um pouco na cama, tentando retomar o sono que fugira de mim quase a noite inteira, mas eu não consegui.


Tomei uma ducha rápida, vesti uma roupa confortável e fui preparar meu café, porém, aquele não parecia ser o meu dia de sorte.


A campainha soou, estridente, e eu me adiantei para abrir a porta. Eu esperava que fosse Reita, Ruki, Kai, até mesmo Aoi, mas não ele.
– Jun?! — exclamei, surpreso.


Ele sorriu.


– Boa tarde, Uruha-san. Eu o acordei?


Boa tarde? Boa tarde? Que merda de horas eram?


– Ahn... Olá, Jun. Quem te deu meu endereço? — não havia modo de ser delicado.


O moreno corou.


– Ruki-chan... Eu o incomodo?


– Não! É só que... eu estou muito surpreso. Entre.


– Desculpe não ter avisado, mas Ru-san disse que não tinha problema.


Nota mental: matar o Ruki no ensaio de amanhã.


Sorri, forçado.


– Não se preocupe. Mas... O que te traz aqui em plena semana? Você não deveria estar trabalhando?


– Hoje é nosso dia de folga, então eu pensei em passar pra dar um oi — corou, abaixando a cabeça em seguida.


Me sentei no sofá, conduzindo-o até nós estarmos um de frente pro outro.


– Jun, eu posso ser lento, mas não sou idiota. Você não viria aqui, no seu dia de folga, apenas para dar um oi. Eu quero a verdade.


Seu rosto ruborizou ainda mais intensamente.


– E — Eu só queria compensar o dia da balada.


E a compreensão se fez em um minuto. Sexo. Era esse o motivo da sua visita.


Sorri, malicioso. Só Kami sabia o quanto meu corpo precisava de algum alívio. Tirar Yuu da minha cabeça, esquecer aquele maldito desafio... Só deixar o momento fluir.


Enlacei seu pescoço com uma das mãos, subindo para sua nuca, puxando os fios de cabelo com uma certa violência.


O moreno apenas gemeu, entreabrindo os lábios.


Não resisti ao convite mudo e colei minha boca à sua, pedindo passagem com a língua sem delicadeza alguma. Ele correspondeu da forma que podia, almejando não me decepcionar, tentando seguir o ritmo insano que eu impunha.


Minhas mãos deslizaram para sua cintura, marcando a pele sob a fina camiseta, arrancando gemidos doloridos de seus lábios.


– Uruha-san — moveu-se, tentando se soltar.


Mordi seu pescoço com força suficiente para deixar uma bela marca.


– Cala a boca!


Eu não me importava se o estava machucando. Meu ser estava repleto de raiva, frustração e mágoa... E ele era apenas uma válvula de escape.


Mas não estava dando certo.


Os lábios não eram grossos o suficiente, as mãos não eram tão firmes quanto eu desejava, o corpo não era tão bem trabalhado... E ele não tinha aquele rebolado que me enlouquecia.


Afundei os dentes em sua clavícula ao mesmo tempo que fincava as unhas em sua coxa.


– Pa — Pare — sua voz era chorosa.


Senti mãos brutas me puxando pelo cabelo e segundos depois eu estava no chão, longe do corpo de Jun.


– Agora também resolveu virar estuprador de garotos, seu merda?


Ergui os olhos para o rosto transfigurado de raiva à minha frente.


– Boa tarde, Aoi-chan — minha voz pingava cinismo.


– Vá embora, Jun — disse sem tirar os olhos dos meus.


O garoto se levantou rapidamente, enxugando as lágrimas. Menos de um minuto depois nos encontrávamos sozinhos.


Não me atrevi a levantar. Preferi ficar ali, esperando pela explosão que eu sabia que viria.


Yuu passou a mão pelos cabelos, nervoso.


– Se você tivesse me dito que nosso relacionamento — fez aspas com os dedos — era aberto eu já teria fodido umas vadias gostosas, Uruha.


Joguei a cabeça pra trás, rindo.


– Que decadência, Aoi! Agora você precisa pagar pra ter um pouco de prazer, é? Ser guitarrista de uma banda famosa não basta?


Ele se aproximou perigosamente, encaixando-se entre minhas pernas, puxando meu cabelo com violência e sussurrando ao meu ouvido.


– Não, Uruha. E sabe por quê? Porque sempre há putas como você dispostar a dar o rabo.


Empurrei-o com força, socando seu rosto no processo.


Me levantei, enraivecido.


– CALA ESSA BOCA IMUNDA!


Aoi limpou um filete de sangue que escorrera.


– Vem me fazer calar, benzinho — provocou.


Foi a gota d'água pra mim. Eu estava cansado, irritado e com uma ereção entre as pernas. Meu limite finalmente havia chegado.


Me aproximei dele lentamente, em passos ferinos, enlaçando-o por trás. Mordi seu pescoço com força, arrancando um gemido dolorido de seus lábios.


Colei minha boca ao seu ouvido, fazendo questão de pressionar minha ereção contra suas nádegas.


- Sabe o que é BDSM, Yuu?





Notas finais
Oh! Capítulo tenso hein? Eu sofri muuuuuuuuito pra escrever.
Só pra avisar: o próximo é QUENTE. Pra valer. Se preparem porque vai rolar um pseudo-lemon huahuahua.
Reviews e chocolate me fazem feliz *-*
Até segunda amores!!!!!!