Jogando Com Prazer
19 Ruki
Notas iniciais
Enjoy!!!!!
Eu simplesmente não conseguia dormir. Me revirei na cama inúmeras vezes, tentando achar uma posição que me agradasse, mas o esforço foi em vão. O sono se recusava a me arrebatar, o que estava me deixando muito irritado.
Com um suspiro resignado desisti de procurar pelo sono, apoiando as duas mãos sob a cabeça e olhando o teto com demasiado interesse.
Fiquei pensando no que estaria acontecendo entre Aoi e Uruha, me perguntando se os dois já tinham conseguido se entender. Sinceramente eu esperava que sim. Porque eu sabia que se eles se acertassem minhas chances com Reita seriam aumentadas em 80%. Naquele exato momento minha felicidade dependia da deles.
Não deixava de ser estranho pensar que apenas por querer ajudar dois amigos, tudo que eu construí ao longo de quatro anos desmoronou.
Reita não tolerava mentiras. De nenhum tipo, gênero ou tamanho. Não importava se era a invenção de uma simples dor de cabeça para se livrar do sexo ou uma traição oculta. Ele não perdoava e ponto. Mas naquela época eu não tinha opção, pois sabia que se lhe contasse meus planos ele iria correndo contar para Aoi, e eu não podia correr esse risco.
Fechei os olhos, sentindo um início de enxaqueca se pronunciar. Foram emoções demais pra um único dia. Meu corpo estava esgotado, e minha mente cansada, mas a porra do sono se recusava a aparecer!
Lamentei o fato de Akira não estar ali, me envolvendo em seus braços protetores e fazendo uma massagem em minhas têmporas que fazia qualquer enxaqueca sumir.
Em um ato impulsivo peguei o celular sobre o criado-mudo e disquei o número que eu sabia de cor, sendo atendido no segundo toque.
- Fala, Taka.
Bom, pelo menos sua voz não estava sonolenta.
- Te acordei? — perguntei só por educação.
- Não. Aconteceu alguma coisa
Suspirei.
- Será que você pode vir aqui? Minha enxaqueca resolveu aparecer do nada e eu estou me sentindo meio carente... Não me deixe sozinho, Aki.
Ok. Eu estava fazendo uma cena altamente patética, mas sou um cara absurdamente apaixonado querendo o perdão do namorado, qual o problema?
- Já estou indo. Deixe a porta aberta.
- Hai. Obrigado.
- Não por isso.
Desliguei o telefone e destranquei a porta, afinal, nossos quartos eram lado a lado.
Menos de cinco minutos depois Akira adentrou o aposento, sorrindo-me carinhosamente.
- O que foi chibi?
- Quero colo — fiz meu melhor bico manhoso, arrancando-lhe uma risada baixa.
- Você não existe, Ruki. — aproximou-se, plantando um beijo em minha testa.
Suspirei com o ato, querendo mais do contato de seus lábios em minha pele.
Ele se sentou na cama, batendo sobre as próprias pernas, em um gesto que pedia claramente pra que eu me deitasse.
E eu o fiz sem pestanejar, logo sentindo sua mão acariciar meus cabelos.
- Qual é o problema, Ru-chan? Sua dor de cabeça só ataca quando você está muito preocupado com algo.
- Eu estou. A turnê, minha voz, a repercussão do incidente de hoje na mídia, Aoi e Uruha, nós dois... Tudo isso anda tirando meu sono e me deixando meio perturbado.
- Bom, Kai me mandou uma mensagem há mais ou menos uma hora dizendo que do quarto de Aoi estavam vindo barulhos... Comprometedores. Quanto a isso acho que você pode ficar tranquilo.
Me levantei de um pulo, encarando-o com um sorriso malicioso.
- Você acha que...
- Sim. Acho que eles se entenderam.
Segurei sua mão entre as minhas.
- Rei-chan, e nós? Vamos continuar separados?
- Você mentiu pra mim, Ruki. Mesmo sabendo que eu não tolero esse tipo de coisa. E sua "brincadeira" por pouco não teve consequências mais graves para todos os envolvidos.
- Eu tive um motivo para fazer o que fiz, Aki. Era o único jeito, não havia outra opção.
- Mas você sabia que os resultados poderiam ser desastrosos.
- É claro que eu sabia! Só que na minha cabeça o final seria diferente.
- Bom, graças a Kami tudo deu certo, mas poderia não ter dado.
Abaixei a cabeça, envergonhado.
- Eu sei que o que eu fiz foi errado, mas eu só queria ver todo mundo feliz! Se eu pudesse prever como isso iria terminar jamais o teria feito. Você me desculpa?
Meu queixo foi erguido e seus olhos negros penetraram os meus.
- Promete que nunca mais vai mentir pra mim, Taka?
- Prometo. Já tive minha lição, não vou repetir o mesmo erro.
- Ótimo. Então amanhã você vai nos explicar por que diabos propôs essa aposta ao Uruha, certo?
- Hai — abracei-o com força, enchendo seu pescoço de beijos. — Aishiteru.
- Aishiteru mo, chibi.
Me desvencilhei delicadamente de seu abraço, atacando seus lábios sem demora, minha língua sendo muito bem recebida pela sua.
Foram apenas algumas semanas de distância, mas o suficiente pra me fazer enlouquecer. Eu o amava de todo o coração, e pensar na minha vida sem Reita ao meu lado parecia uma ideia deveras absurda.
Seus braços envolveram minha cintura, apertando-me entre eles, fazendo um calor gostoso envolver todo o meu corpo.
E eu só podia suspirar entre o ósculo, apertando sua nuca com mais força, puxando-o para mim.
Fui deitado sobre o colchão macio, recebendo-o entre minhas pernas, não deixando seus lábios em momento algum. Só que infelizmente meus pulmões doíam, clamando por ar, exigindo o término do beijo.
Encerrei o ósculo depositando vários selos em seus lábios, me contentando em esconder o rosto na curva do seu pescoço em seguida.
- Podemos deixar a reconciliação oficial pra amanhã? Eu estou morto! — confessei.
- Claro que sim, Ru-chan. Hoje eu só quero dormir agarradinho com você.
Me virei de lado, repousando a cabeça em seu peito e puxando o edredom sobre nós.
O dia seguinte seria longo. Só de pensar na possibilidade de ter que encarar Uruha e Aoi eu já sentia meu estômago se agitar em uma ansiedade gritante. Eu só esperava que eles entendessem meus motivos e não me julgassem precipitadamente.
- No que você está pensando, chibi? — acariciou meu ombro.
- Na conversa de amanhã.
- Está com medo?
- Acho que a palavra correta seria ansiedade.
Ele acariciou meus cabelos.
- Não se preocupe. Eu vou estar lá segurando sua mão.
Sorri contra seu peito, lembrando-me do dia em que faríamos um teste para a PSC. Eu estava absolutamente nervoso, mas Reita estava ali, segurando minha mão.
E eu sabia que pra mim nada podia ser mais importante. Porque desde que ele estivesse comigo, tudo daria certo.
R&R
Fui acordado com diversos beijos no rosto. Abri os olhos preguiçosamente, esfregando-os para tentar me situar.
- Que horas são?
- Já passa das dez, e Kai está nos esperando pra tomar café.
Apoiei-me nos cotovelos para poder sentar mais confortavelmente.
- Kai?
- Hai. Fomos convidados para tomar café no quarto do líder.
- Que privilégio — brinquei. — Aoi e Uruha também estão lá?
- Estão.
- Ok. Vou tomar um banho e nós já vamos.
- Eu também vou fazer isso, só que lá no meu quarto. Não quero correr riscos.
Ele estava certo. Seria meio estranho se alguém o visse saindo do meu quarto com os cabelos molhados.
- Tudo bem. Prometo não demorar muito.
- Vou fingir que eu acredito — beijou-me profundamente, quase me fazendo perder o chão. — Te espero lá em cima.
- Certo. Até mais.
- Até.
Assim que ele fechou a porta me dirigi ao banheiro, arrancando as roupas rapidamente, entrando sob a água quente.
Meu corpo relaxou quase de imediato ao sentir a temperatura agradável da água. Eu poderia ficar ali o dia inteiro, se eu não soubesse que minha pele ficaria totalmente enrugada. Então me banhei o mais rápido possível, desligando o registro assim que terminei.
Vesti uma roupa confortável, sequei os cabelos e passei uma maquiagem leve. Sim, eu sou um poço de vaidade. E daí?
Vinte minutos depois eu me dirigia ao andar de cima, parando em frente ao quarto de Kai. Respirei fundo e dei três leves batidas na porta.
A fechadura girou e a primeira coisa com a qual eu me deparei foi o sorriso reconfortante do nosso líder. Tão espontâneo e brilhante que era impossível não retribuir.
- Ohayo, Ru-chan. Entre.
- Ohayo, minna — cumprimentei o casal 20, me sentando ao lado de Reita.
- Ohayo, Ruki-chan — disse Uruha em um tom brando.
Aoi fez apenas um aceno de cabeça. Ele ainda estava chateado.
Observei meu amigo de longa data deitar a cabeça no ombro do namorado, recebendo um beijo na testa em seguida.
E de repente qualquer dose de arrependimento havia sumido. Eles estavam bem, felizes e unidos. Se eu não tivesse feito o que eu fiz provavelmente nada teria mudado, o máximo que eles teria seria uma convivência pacífica, e esse nunca foi meu objetivo.
- Amor, quer café?
Voltei meus olhos para Akira, notando aquela preocupação única que ele tinha para comigo.
- Hai.
- Ei, vocês viram o noticiário? — perguntou Kai.
Então iniciou-se uma conversa amena sobre os acontecimentos matinais, deixando o clima mais leve e despretensioso.
Depois de algum tempo — estando todos devidamente alimentados — Aoi resolveu se pronunciar.
- Vamos aproveitar que estamos todos reunidos e colocar logo os pingos nos "i"s. O que você pretendia com esse lance de aposta, Ruki?
Engoli em seco, segurando a mão de Reita, apertando-a com certa força.
- Acho que pra você entender é preciso que eu explique uma parte da minha história com Reita.
- O que isso tem a ver?
- Só me deixe explicar ok?
- Certo — cruzou os braços. — Comece.
- Bom, eu comecei a gostar do Akira há muito tempo atrás, antes da GazettE existir. Pode chamar de amor a primeira vista se você quiser... Só que havia um problema: ele era hetero. Literalmente homem com H maiúsculo. Na verdade vocês eram muito parecidos. Ambos machistas e homofóbicos...
" Eu levei mais de um ano para contar a ele que era gay, mas nunca tive coragem de demonstrar meu sentimentos. E sabe por quê? Porque ele me aceitou, mesmo não gostando da ideia. Disse que éramos amigos e que não queria perder minha amizade por conta de um "defeito" meu.
"O tempo passou e a GazettE foi formada. Eu sabia que devia esquecer o maldito sentimento que nutria por Reita, até porque ele vivia trocando de namorada. Eu nunca teria chance. Foi aí que eu comecei a ficar mais depressivo, bebendo todos os dias, tendo vários casos sem nenhum compromisso...
" E então Uruha se aproximou. Com um jeito meio distraído, algumas brincadeiras idiotas e um namoro mal sucedido. Não me arrependo de dizer que tivemos um caso. Foi ótimo enquanto durou, mas provavelmente você já conhece essa parte da história.
- Eu sei — confirmou.
- Ótimo. Continuando: eu não conseguia tirar Akira da minha cabeça. Ninguém conseguia despertar em mim algo tão forte, e isso me irritava profundamente.
" Em uma noite qualquer, depois de tomar todas, eu resolvi ir até o apartamento de Reita me declarar. Falei tudo que estava entalado na minha garganta desde o dia em que o conheci, jurando que ia levar um belo soco na cara. E qual não foi minha surpresa ao vê-lo suspirar, dizendo que eu estava muito bêbado? O fato é que ele não acreditou em uma palavra do que eu disse.
" Depois disso Kou entrou em cena mais uma vez, atuando como um ótimo cupido, servindo de mediador algumas vezes. Foi ele que fez Akira acreditar nos meus sentimentos, e foi ele que disse ao amigo que não havia nada demais em ficar com um homem. Não foi fácil, mas um ano depois Reita resolveu me dar uma chance, e desde então nós estamos juntos."
- Ainda não consigo entender o que eu e Uruha temos a ver com isso.
- Hum... Vou tentar ser claro então. Eu sempre me preocupei com o futuro amoroso do Kou, já que ele sempre foi alguém... Estranho em termos de relacionamento. Nunca se apaixonou de verdade, sempre vivendo uma vida promíscua.
- Ei! — protestou meu amigo.
- É a verdade, Uru! Enfim, depois que eu comecei a namorar com Akira algumas coisas passaram a ficar mais claras pra mim. E foi em um dos nossos lives, enquanto vocês faziam um fanservice, que eu me dei conta do quão radiante vocês estavam. Sorrisos espontâneos, olhos brilhantes! Mas eu sabia que aquilo não era apenas empolgação por conta do show... Que merda! Eu sinceramente achei que vocês fossem perceber sozinhos, mas me enganei.
- Taka, agora quem não está entendendo sou eu — disse Kou.
Joguei as mãos para o alto, exasperado.
- Ô coisas lentas, vocês sempre foram apaixonados um pelo outro! Desde o primeiro ano de banda! Os olhares trocados, os sorrisos compartilhados dentro e fora do palco, aquele seu afastamento proposital, a entrevista fatídica do Yuu em 2008, o modo como ele ficou irritado ao te ver com outro cara, a sua mania de não revidar tudo o que ele dizia... Isso sempre foi amor, porra!
Aoi passou as mãos pelo rosto.
- E onde entra a aposta no meio disso tudo?
- Depois que Kai deu aquele sermão em vocês e eu os vi conversando no estacionamento, só precisei pensar em um modo de aproximá-los. Kou sempre foi apaixonado por desafios, então eu usei isso a meu favor e propus qu ele lhe conquistasse em três meses, o que pra mim era mais do que o suficiente pra vocês se darem conta dos próprios sentimentos.
- Foi um ato inconsequente, Ruki! Isso poderia ter acabado com a banda — disse Kai, suspirando.
- Eu sei! A intenção era que os dois se apaixonassem e Yuu jamais soubesse sobre o desafio. A primeira parte deu certo, já a segunda... Me desculpem. Eu só queria que vocês percebessem o que eu já havia notado há anos.
Ambos se entreolharam, conversando em silêncio. Alguns minutos depois Yuu voltou os olhos em minha direção.
- Eu te desculpo, Ruki. Agora já está tudo resolvido, não vai adiantar nada nós brigarmos. Só não faça isso de novo ok? Por pouco você não causou uma tremenda confusão.
- Não vou fazer mais. Eu juro! — estava me sentindo uma criança sendo repreendida pelos pais. — Kou-chan?
Uruha sorriu.
- Eu também errei, Ru-chan. Estamos quites. Você é quase um irmão pra mim, e isso nunca vai mudar.
Sorri, sincero.
- Obrigado, Kou.
- Cara, vocês são tão... Gays! — disse Kai nos fazendo rir.
E então deu-se início a uma nova onda de zuação, Aoi fazendo questão de infernizar o nosso líder. Eu só pude respirar aliviado, agradecendo a Kami por tudo ter terminado bem.
Reita segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos. Os olhares se encontraram, e então trocamos um sorriso cúmplice.
É. Agora tudo estava em seu devido lugar.
Notas finais
O próximo só na segunda que vem ok? Eu ainda nem comecei a digitar, mas se eu terminar antes posto logo que o Yu betar pra mim ok?
Reviews e chocolate me fazem feliz *-*
Até segunda amores ♥
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