Jogando Com Prazer
7 Aoi
Notas iniciais
Ela disse que aceitava fics de presente, mas como essa fic consome toda minha criatividade vai ter que ser um chap mesmo.
Obrigado por me incentivar diretamente com seus comentários e indiretamente com suas fics maravilhosas. E parabéns!!!!!!
A todos os outros que acompanham e comentam meu MUITO OBRIGADO. Sem a ajuda de vocês essa fic não andaria.
Sem mais delongas...
Enjoy!
Se me pedissem para definir minha atual situação em apenas uma palavra, eu com certeza diria "inacreditável".
Meu cérebro ainda estava absorvendo todas as informações novas... E eu me sentia perdido dentro de mim mesmo. É como se o meu "eu" antigo tivesse desaparecido e eu precisasse me reencontrar, juntar os pequenos retalhos que sobraram.
Pensar que no dia seguinte eu teria de enfrentar as piadinhas de Reita, Ruki e Kai me assustava e irritava na mesma proporção, mas não chegava nem perto do medo que a palavra sexo me causava no momento.
Óbvio que eu sei como tudo funciona na teoria, e também sei que eu e Kouyou não estamos juntos nem há 24 horas, mas ele é intenso demais! Eu posso sentir isso em cada toque, cada beijo, cada palavra sussurrada ao pé do ouvido...
– Yuu, seus pensamentos não estão me deixando dormir — disse numa voz sonolenta.
Sim. Mais uma vez nós estávamos dormindo juntos.
– Me desculpe. Vou parar de pensar tão alto — brinquei.
Seus braços me envolveram em um abraço carinhoso, fazendo minha cabeça repousar em seu peito. Era bom ficar ali, apenas ouvindo as batidas cadenciadas do seu coração... Me acalmava.
– Pare de pensar no amanhã, Yuu. Curta o presente antes de sofrer por antecipação — beijou o topo da minha cabeça. — Dorme.
Poucos minutos depois sua respiração compassada denunciava que ele havia voltado a dormir.
Me acomodei melhor na posição em que me encontrava e fechei os olhos, aspirando seu perfume amadeirado.
Confortavelmente aquecido e vencido pelo cansaço, adormeci.
U&A
– Olha, as princesas resolveram aparecer.
Quem disse isso foi Kai. Nosso querido baterista de covinhas fofas, mas que se transforma num perfeito diabinho quando está bravo.
Bom, voltemos um pouco no tempo para que a situação seja compreendida: eu e Kouyou acordamos às 10h00, sendo que o ensaio estava marcado para o mesmo horário. Tentamos nos arrumar o mais rápido possível, e ainda assim só conseguimos chegar à PSC depois das 11h30, tudo isso sob ameaça de morte do nosso querido líder.
– Desculpa, Kai. Nós perdemos a hora — falei, sincero.
– Uruha, que roupa é essa? — perguntou Reita, malicioso.
Ah, sim! Devo citar que o loiro vestia o micro-short e a regata da perdição, ou seja: a roupa de ontem.
– Vocês passaram a noite juntos! — afirmou Ruki.
– Kai, você pode continuar com a bronca por favor? — pedi.
– Ah, então foi por isso que vocês se atrasaram?! Bom, eu vou relevar só porque vocês estão em lua-de-mel, mas não é pra acostumar hein?
Abri a boca indignado e fitei Uruha, pedinte.
O loiro pareceu entender o meu desespero, pois logo se pronunciou.
– Dá pra vocês parararem de zuar? É tudo muito recente e complicado pra nós dois!
– Shima, essa frase deveria ser do Yuu. O ex hetero aqui é ele, não você.
– Mas eu também já fui hetero, também já gostei de mulheres e sei muito bem o que ele está passando. E você também sabe! Ou será que esqueceu do seu passado, Akira?
O loiro de faixa enrubesceu sob o pedaço de pano.
Ele respirou fundo.
– Lamento, mas não vou permitir que a nossa vida pessoal se torne motivo de chacotas e brincadeiras. Sim, eu e Aoi estamos juntos. Sim, nós vamos tentar um relacionamento. Sim, eu estou muito feliz com isso. E não. Nós não transamos. Mais alguma pergunta?
Preciso mesmo dizer que a essa altura eu estava literalmente de boca aberta? Onde está o Kouyou calmo e aéreo? Será que eu convivi quase dez anos com um completo estranho?
– No more questions — disse Kai sorrindo, trazendo-me de volta à realidade.
– Eu tenho uma! — Ruki levantou o braço, imitando um aluno muito curioso. — Pro Yuu — completou.
Olhinhos brilhantes e sorriso malicioso? Tô fodido.
Suspirei pesadamente.
– Fala logo, Takanori.
– Ah, não é nada demais, sabe? Eu só queria saber se você prefere ser seme ou uke.
Fechei os olhos e prendi a respiração. Conte até dez, Yuu. Em ordem decrescente, de preferência.
Senti a mão de Uruha se entrelaçar à minha, fazendo um suave carinho com o polegar nas costas da mesma, acalmando-me.
Soltei o ar lentamente e encarei os olhinhos curiosos do pintor-de-rodapé.
– Sinceramente? Não te interessa. Isso é entre eu, o Uruha e a nossa cama, vocês não têm nada haver com isso.
– "Nossa cama", Yuu? Já está assim, é? — debochou Reita.
Antes que eu pudesse me pronunciar, Kai se intrometeu.
– Chega de papo! Hoje vocês vão jantar lá em casa, isso merece uma comemoração — intimou.
– Eba! Comida do Kai! — comemorou o vocalista.
– Eu topo — disse Kou. — Yuu?
Sorri pra ele.
– Claro.
– Ótimo! Todo mundo na minha casa às 21h00. Agora vamos ensaiar.
U&A
Já passava das 19h00 quando deixamos o prédio da PSC.
– Estou morto — reclamou Uruha.
– Somos dois. E o próximo mês vai ser ainda pior, você sabe.
– Sei. Gravação do PV de Remember, entrevistas, photoshoots, divulgação do CD que vai ser lançado logo mais, etc.
– Além da turnê que começa em outubro.
– O que basicamente significa que nós vamos acordar muito cedo e dormir super tarde. Fora que nosso tempo pra ficar juntos vai ser reduzido a zero! — fez bico.
Acariciei seu rosto enquanto ele parava em um semáforo.
– Nós damos um jeito. Sempre tem a sala de descanso, as escadas de emergência e os banheiros — refleti.
– Não sabia que você era tão criativo — comentou, malicioso.
– Nem eu — brinquei.
Poucos minutos depois já estávamos em frente ao meu prédio. É. Eu ainda estava sem carro.
– Aoi, quer ir dormir lá em casa hoje?
Suspirei.
– Kou, você não acha que nós estamos indo rápido demais?
Ele ergueu a sobrancelha.
– Devo dizer que foi você quem começou com essa história de nós dormirmos juntos?
Bufei de raiva.
– Porra, Uruha! Já é a 2ª vez que você joga esse tipo de coisa na minha cara! — explodi.
– Que culpa eu tenho se você é contraditório? — revidou.
Me livrei do cinto rapidamente.
– Vai se fuder, Kouyou.
Antes que meus dedos alcançassem a trava sua mão fechou-se em torno do meu braço com força.
– Solta — ordenei.
– Nem pensar.
Fui puxado com violência e segundos depois eu estava em seu colo.. Minhas mãos apoiadas em seus ombros, minhas costas contra o volante e seus dentes cravando-se na pele do meu pescoço sem dó.
– Insuportável — murmurou enquanto lambia as marcas, amenizando a dor.
– Estúpido — rebati.
Nos beijamos com urgência, as línguas tocando-se com ansiedade. Suas mãos firmes na minha cintura, arranhando de leve, fazendo um choque gostoso percorrer todo o meu corpo... Kami! Aquilo era insanidade pura.
– Venho te buscar às 20h30 ok? E você vai dormir lá em casa sim! Sem discussões.
Respirei fundo, tentando acalmar as batidas frenéticas do meu coração pelo êxtase do momento.
Dei-lhe um selinho breve.
– Até mais tarde então.
Não esperei resposta e saí do carro rapidamente, respirando aliviado. Que loucura!
Meu apartamento parecia quente demais, apertado demais ante todos os pensamentos que me atormentavam.
Fui até o banheiro e observei as marcas roxas em meu pescoço, algumas ainda doloridas.
Intenso. Não havia outra palavra para defini-lo. Eu poderia facilmente compará-lo a um furacão: arrebatador, devastador... Violento!
Onde eu fui me meter?
U&A
21h00... E nada do Uruha aparecer. Nesse meio tempo eu já havia tomado banho, me trocado e arrumado uma pequena mochila com pertences pessoais.
Meu celular acendeu, indicando que eu havia recebido uma mensagem. Abri-a rapidamente.
"Desce"
Argh! Abusado! E eu achando que ele era o cara mais tapado do mundo. Doce ilusão.
Assim que cheguei ao portão vi Kouyou do outro lado da rua, encostado no carro. Vestia uma camisa mangas 3/4, uma calça jeans que marcava suas coxas e tênis.
Me aproximei dele sorrindo.
– Já disse que você fica muito bem de branco?
Ele não respondeu. Seus olhos perscrutadores mediam-me de cima a baixo.
– Yuu, que roupa é essa?
Acompanhei seus olhos, procurando por algo errado.
– Tem algum problema?
– Você. Está. Muito. Gostoso.
Tive a decência de corar. Eu não sei de onde ele tirou aquilo, pois minha roupa era simples: uma calça jeans justa, uma blusa de manga comprida malha fina preta — que grudava de leve no corpo — e all star.
– Melhor nós irmos logo, Uru. Eu não estou a fim de ser morto pelo esfomeado do Reita — desconversei.
Um sorriso de canto adornou seus lábios.
– Tudo bem. Eu tenho a noite inteira pra me divertir com você.
Engoli em seco. Estou perdido!
Chegamos ao prédio de Kai vinte minutos depois.
– Nós estamos quase uma hora atrasados, Uruha! — reclamei enquanto esperávamos o elevador.
– E daí?
– E daí que se o Reita quiser nos matar eu faço questão de colocar toda a culpa em você!
– Relaxa, loiro. Eu te protejo — piscou.
Fiquei na dúvida entre rir ou esganá-lo, mas o elevador chegou, acabando com minha inútil reflexão.
Minutos depois nos encontrávamos em frente a porta do baterista, apertando a campainha.
Assim que a porta se abriu nos deparamos com um Ruki emburrado.
– Oh! Encontraram o caminho pra Nárnia, é? — satirizou.
– Desculpe pelo atraso, Ru-chan. Fomos interceptados pela feiticeira — disse Uruha.
– Ah, entendo.
Reita e Kai praticamente se materializaram ao nosso lado, ambos de avental.
– Ei! Desde quando você cozinha? — apontei para o loiro da faixa.
– Bom, você agora está tendo um relacionamento com um homem, certo? Por que eu não posso tentar cozinhar? Obrigado, Aoi. Você fez com que eu ampliasse meus horizontes.
A sala explodiu em risadas, obrigando-me a sorrir também.
– Babaca.
Ele bagunçou meus cabelos.
– Vou pegar as garrafas de vinho — disse Kai.
– Vinho, é? Como estamos refinados hoje — sorri.
Nosso líder riu, exibindo as covinhas.
– Vocês merecem. Eu estou muito feliz com esse relacionamento.
– Ei! Você não fez comemoração quando eu e Reita começamos a namorar — disse Ruki.
– Mas o de vocês já estava na cara que ia acontecer! Aoi e Uruha não. Se há três meses atrás alguém me dissesse que eles estariam juntos eu com certeza internaria essa pessoa no hospício.
É. Eu entendia muito bem esse sentimento.
O loiro me enlaçou por trás, depositando um beijo suave em meu rosto.
– O importante é que nós conseguimos nos entender mais ou menos.
Reita franziu o cenho.
– Mais ou menos?
– Sim. Yuu ainda é um animalzinho selvagem, precisa ser domesticado.
Naquele instante percebi que eu havia perdido algum tipo de piada particular, pois Reita e Ruki sorriram maliciosamente. Kai pareceu entender tanto quanto eu.
Dei uma cotovelada em sua costela, afastando-o.
– Caralho, Yuu! Machucou!
Dei de ombros.
– Foi essa a intenção. Da próxima vez que me chamar de animalzinho eu arrebento a tua cara, entendeu?
Ele franziu o cenho.
– Eu estava brincando, Aoi.
– Pois não pareceu. Eu não sou uma fangirl, Uruha. Não tenho a menor paciência pras suas idiotices!
– Dá pra parar de ser infantil?!
Nem me dei ao trabalho de responder, eu não estava a fim de discutir.
– Bom jantar pra vocês. Até amanhã.
Saí pela porta e escolhi a escada ao invés do elevador. Cheguei ao térreo com a respiração descompassada, mas pelo menos eu não havia encontrado o loiro pelo caminho.
Decidi ir pra casa andando. Eram quase quarenta minutos de caminhada, mas eu não me importava. Minha cabeça doía. Os pensamentos e as frustrações se misturando, deixando-me desesperado.
Eu sentia meu celular vibrando de minuto em minuto, mas eu não iria atender. Eu não queria ouvir sua voz, suas desculpas, suas explicações... Meu único desejo era chegar em casa.
Só percebi que estava chovendo quando as gotas tornaram-se grossas e incessantes. Sorri. Não havia coisa melhor para lavar a alma e aliviar toda a tensão. Diminuí o passo, aproveitando toda a água que caía do céu.
Quando finalmente cheguei em casa eu estava encharcado da cabeça aos pés. Tirei os sapatos rapidamente e despi a blusa molhada. Larguei o celular sobre o sofá e me dirigi ao quarto. Eu precisava de um banho bem quente e demorado.
Já debaixo do chuveiro voltei a pensar em Kouyou. Nós éramos incompatíveis, isso estava mais do que claro. Estávamos juntos há menos de dois dias e já havíamos tido duas brigas, uma atrás da outra.
Suspirei pesadamente e fechei o registro. Vesti apenas uma boxer negra, logo em seguida saindo da suíte, jogando-me na cama.
Merda! Eu sabia que não iria dar certo, mas mesmo assim resolvi tentar... E me enganei. Exatamente como eu sabia que aconteceria.
Fechei os olhos e afundei a cabeça no travesseiro, sentindo duas lágrimas solitárias molharem meu rosto.
–Eu te odeio, Uruha!
Notas finais
Reviews e chocolate me fazem feliz *-*
Até segunda amores!!!!
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