7.

– Diga logo, Edward! Qual sua ideia?

– Antes de eu dizer, me conte. Você realmente não conseguiria assumir sua relação com esta garota? Você diz que a ama, porém não tem coragem de enfrentar nossos pais para ficar com ela?

– Você não sabe de nada! Ficou longe de nós por tanto tempo, nem liga para o fato de suas ações nos prejudicar, e nunca se interessou pelos negócios da família!

– Seu bastardo! Estou aqui, tentando lhe ajudar e você age como o papai, me acusando!

– Me desculpe. Sinto muito, estou cheio de problemas e isso me deixa nervoso.

– Tudo bem. O que tem a ver, minha falta de interesse nesta família com o fato de você não poder revelar seu amor pela empregada?

Phillip desvia o olhar do irmão, tenta disfarçar e procura uma maneira de mudar de assunto. Edward percebe e não deixa que o irmão fuja da resposta.

– Diga logo, Phill! Nem tente me enganar!

– Foi logo após o jantar no qual nossos pais me avisaram sobre o possível casamento com Margaret Lennox. No mesmo instante que nossa mãe me contou eu repudiei a ideia. Quando fui para meu quarto, decidi que, mesmo com meu medo de decepcionar nossa família, não iria abrir mão da minha felicidade, de ter uma vida com a Joan.

– E o que fez você mudar de ideia, irmão?

– O papai apareceu em meu quarto, estava com uma expressão triste, preocupada… Me pareceu até que ele estava com vergonha. O que me disse, abalou minha decisão de ficar com a Joan, mudou tudo.

– Diga logo Phillip! O que nosso pai falou para você? Deixe de enrolar!

– Nossa família está a beira da falência! Estamos devendo muito, para algumas pessoas. Frank Ford, nosso contador, nos roubou, deu um desfalque em nossa contabilidade. Fugiu com o dinheiro e deixou a família Scott com muitas dívidas.

– Desgraçado! Eu vou atrás dele! Deixe comigo!

– Não será possível! Ele já deve estar no novo mundo, sob outra identidade e com dinheiro suficiente para se esconder. E, nós, não temos condições de custear uma perseguição para encontrá-lo.

– Canalha!

– Concordo. Nosso pai viu minha expressão quando o noivado foi citado, sabia que iria recusar. Quando entrou no meu quarto, contou sobre nossos problemas e me disse que o casamento com Margaret é o único modo de sairmos da atual situação. Os Lennox são uma família muito rica, os negócios deles são basicamente na agricultura e o duque Thomas quer se aventurar na indústria e aceitou uma união entre nós.

– E você vai sacrificar a sua felicidade e a da Joan?

– Meu irmão, você sabe que nosso pai sempre temeu reviver a humilhação e desprezo que sofreu quando rapaz, após a morte do pai dele. Eu estava naquele quarto, pude ver o pavor nos olhos dele enquanto me pedia para aceitar o casamento com Margaret.

– Aceitará apenas por conta do medo que nosso pai tem em ser ignorado pelos abutres que nos cercam?

– Nosso pai não tem medo por ele! Você consegue pensar em nossa mãe? Ou pior, em nossas irmãs? Elas seriam mal tratadas e nunca arranjariam um casamento digno. Eu amo a Joan, contudo também amo nossa família. Por isso vim te pedir ajuda, não quero prejudicar ainda mais a mulher que amo.

– Phillip. Se é isso, eu posso me casar com a tal de Margaret! Aí você estaria livre para ficar com a Joan e seu filho. Caramba, um filho! Não tinha pensado nisso, você será PAI, Phillip!!

– Agradeço sua boa vontade Ed. Mas você não acha que nosso pai tentou casar-lhe primeiro? Afinal, você é o herdeiro do título. Thomas Lennox, que estava com vantagem na barganha por conta de nossas dificuldades, recusou a ideia de entregar a única filha mulher para você, com seu histórico cheio de vergonhas.

– “Com meu histórico cheio de vergonhas”?

– Palavras ditas pelo próprio Thomas. Não são minhas!

– Eu realmente peço desculpas, Phillip. De todos os problemas que arranjei com minhas facetas, esta é a única vez que sinto arrependimento de verdade e é amargo. Se eu não fosse tão irresponsável, você estaria feliz com seu amor. Sou pior que o desgraçado do Frank Ford!

– Não se culpe, meu irmão. Como você poderia sequer imaginar? Ninguém poderia. A culpa é toda daquele mal caráter do Ford! Agora, eu estou desesperado para garantir uma vida digna para Joan e meu filho, ela não pode, e não merece, ser desonrada. Meu irmão, qual foi a saída que você encontrou? Estou pronto para ouvir.

– Uma das regras estúpidas que nosso pai me impôs foi casamento, com qualquer garota, ele não exigiu uma pretendente com sobrenome.

– Porque, aparentemente, as famílias mais distintas e tradicionais recusam você. — Pontua Phill.

Ed dá de ombros.

– Pois é! Então, eu preciso de um casamento urgente, contudo quero continuar com minha liberdade, logo, seria necessário um casamento de mentira. Você quer proteger a honra da Joan. Grávida, ela precisa se casar com alguém que assuma a criança.

– Está propondo se casar, você mesmo, com a Joan?! Pergunta Phillip mais como uma confirmação.

– Exatamente. — Responde Edward encabulado.

Phillip nunca viu o irmão constrangido daquele jeito e se surpreendeu.

– É uma saída perfeita, considerando as condições em que estamos. Você cumpre as regras sem abdicar de sua vida, a Joan não será manchada, meu filho não será um bastardo e terá meu sobrenome. — Resume Phillip

– E você salvará nossa família. — Diz Ed. — Além disso, você poderá manter seu relacionamento secreto com a Joan, eu não me importarei.

– E trair Margaret?!

– Hora, meu irmão! O pai dela poderia simplesmente ajudar nossa família, como amigo. Contudo, preferiu vender a própria filha, enfiando ela em através de nossas goelas. E tem mais, você não faria diferente da maioria dos homens casados, acredite! E também tem seu filho, você vai poder participar, de perto, da infância dele.

– Como tio dele?!

– Qual é a alternativa? Ele crescer sem pai, sem família e você sem vê-lo?

– Tem razão! Eu aceito! Veremos se a Joan aceitará!

– O melhor para ela e, principalmente, para a criança que nascerá é aceitar nossa proposta!

***

Joan passou o dia alheia a tudo. Ficara entorpecida com o que Charles dissera sobre o casamento de Phill. Suas companheiras de trabalho e sua tia, Sam, não puderam deixar de notar a tristeza da garota, mas resolveram não violar o espaço da menina. A jovem estava cumprindo seus afazeres, lavando a roupa suja dos Scott, e nem percebeu quando Phillip, consternado e pálido, e Edward, sem graça, se aproximaram dela.

– Joan. — Chama Phill em suplicante angústia.

Ela, assustada, se vira para os Scott. Lança um olhar magoado para Phillip e um olhar curioso para Edward.

– Precisamos conversar, Joan. — Diz Phillip decidido.

Quando Phillip terminou de contar os motivos que o levariam a aceitar o matrimônio com Margaret e de fazer a proposta, Joan não poderia acreditar. Ficou ofendida e recusou no mesmo instante. Phill, nervoso e sentindo-se com as mãos atadas, não conseguiu argumentar. Edward, que até então se mantivera calado, apenas apoiando silenciosamente o irmão, tomou a direção da conversa.

– Joan, serei claro e objetivo! Você é uma mulher solteira e está grávida! Phillip precisa, e irá, se casar com outra! Não acho que você se encontra em posição de recusar nosso plano! Você será rechaçada pela sociedade, a criança também e muito pior. Quer que seu filho cresça sem pai, sem condições e humilhado?! Acredito que não!

Joan se espantou com o modo grosseiro que Edward a tratou. Ele foi cruel e quase agressivo. Edward não gostou de ter falado daquela maneira com a pobre garota, ela estava na pior das situações, entretanto era necessário ser enérgico.

– Eu aceito. — Responde Joan acuada e rendida.

“Ao menos Phill não me abandonou totalmente, não é?” — Pergunta a menina para si mesma. Com péssimas impressões do futuro falso marido.