Notas iniciais
Espero que esteja bom, aproveitem!

1.

Inglaterra, Ducado de Greenland — 15/11/1720.

A apreensão toma conta de todos os viventes do castelo Brock. O sentimento não se deve a torrencial chuva que recai sobre as terras do ducado pertencente à família Scott, mas pelo fato de o primogênito do casal Charles e Cecille, atuais Duque e Duquesa, estar nascendo neste momento.

Após tempos de agonia, finalmente, o Duque está desfrutando algumas e grandes felicidades.

Há pouco mais de três anos, Charles Scott viu o pai morrer. A mãe, em consequência da tristeza por perder o marido, faleceu poucos meses depois. Além disso, as finanças e prestígio da família estavam em declínio.

Quando a doença pulmonar de Phillip Scott, o até então Duque de Greenland, foi descoberta muitos se mostraram solidários com a família. Porém, com o passar dos meses e a fortuna dos Scott se esvaindo em tratamentos e medicação, ao ponto de não ser possível o pagamento dos estudos de Charles, os amigos e parentes se afastaram e viraram as costas.

Depois de ser constrangedoramente expulso do conservatório onde estudava, pelo não pagamento das mensalidades; perder ambos os pais; se tornar um órfão; carregar toda a responsabilidade de um ducado; receber uma herança falida; e, não poder contar com ninguém, Charles achava estar no final da linha. Mas a ajuda veio.

***

Edward Hastings, um velho amigo de Phillip, escritor bem sucedido e ex-sapateiro da família Scott, apareceu oferecendo abrigo, uma família e ajuda ao jovem Charles.

- Charles Scott, filho de Phillip. – Diz Edward em tom de reverência. – Vossa Excelência não deve me conhecer, mas sou Edward Hastings, um amigo antigo de Phill. Meus pêsames pela perda de seus pais.

- Obrigado senhor Hastings, pode dispensar o tratamento oficial, por favor. Vamos, sente-se. Perdoe-me, mas nunca ouvi meu pai falar do senhor, como o conheceu? E, sem querer ser rude, me diga o motivo de ter vindo aqui agora depois de tanto tempo.

- Agradeço a gentileza, Charles. Conheço seu pai desde quando éramos crianças. Ele, filho primogênito e único do duque, e eu filho do sapateiro oficial da família. Tínhamos quase a mesma idade e brincávamos juntos. Ao sairmos da infância continuamos próximos, mesmo com a enorme diferença de classe, seu pai sempre foi meu melhor amigo. Quando demonstrei um incrível dom com as palavras, ele acreditou em mim e investiu certa quantia em minha carreira. Consegui uma ótima oportunidade para trabalhar em meu novo romance, porém teria de me mudar e viver em Paris. Resolvi aceitar e desde então nunca retornei à Inglaterra. Nunca mais tive contato com seu pai.

- E por que voltou agora que ele não está mais aqui?

- Fiquei sabendo tarde demais da moléstia e da delicada condição financeira de Phill. Assim que soube, tratei de vir para cá. Pretendia ter chegado antes do pior, como vemos, não consegui. Garoto! Quero ajudar-te, farei tudo o que puder e o que não puder para isso. Não apenas para saldar a dívida de anos que tenho com seu pai, mas pela amizade que tive com ele.

- Posso perguntar como pretende me auxiliar senhor? Como já sabe a família Scott, formada unicamente por mim, está totalmente derrocada.

- Quero que venha morar comigo...

- Senhor Hastings, não posso deixar o castelo Brock, e não quero morar na França.

- Não rapaz, há algum tempo venho pensando em voltar para Inglaterra. O maior motivo de eu continuar em Paris era minha amada Louise, contudo, ela morreu e deixou a mim e nossa filhinha. Desde seu falecimento penso em retornar para o lar. E, a propósito, não seria nada ruim morar em um castelo, hein! Minha pequena graça, Cecille, iria amar morar como uma princesa de verdade. – Mudando da expressão alegre e sorridente para uma séria, mas ainda divertida, Edward resume:

- Então Charles, o que acha da troca? Eu te auxiliarei a cuidar e recuperar suas finanças e em tudo mais que precisar, enquanto você me permite, com minha filha, morar aqui.

- Edward, eu poderia lhe pedir um tempo para pensar e fazer-me de superior, contudo, estou tão desesperado que não quero correr o risco de você mudar de ideia. Proposta mais que aceita.

- Ótimo! Para começar vamos resolver sobre seus estudos.

- Não quero voltar para o St. Andrews! Na verdade, depois de ter sido imensamente envergonhado, não quero voltar para nenhuma instituição de ensino de Londres. Vou continuar aqui em Greenland, onde ainda tenho o mínimo de orgulho.

- Como queira. Acho até melhor que fique aqui, você vai precisar mergulhar nos negócios se quiser recuperar sua fortuna e prestígio de sua família. Claro que, para isso, também precisará de bons estudos e uma excelente educação. Alguma sugestão para este dilema?

- Posso ficar sem estudar e você me ensina o que for preciso.

- Nossa! Que brilhante ideia! Evidente que não garoto espertinho! Oh! Como não pensei nisto antes? Vamos contratar um professor particular, assim minha doce e pequena Cecille também poderá ter aulas de qualidade. Não se preocupe com dinheiro, por enquanto eu pago os honorários.

***

Charles se encontra encostado no batente da porta principal do castelo, afim de dar boas vindas aos novos moradores do local, enquanto Edward, sua filha, seus empregados e a, aparente infinita, mudança estão chegando.

Cecille, impaciente e ainda contrariada por ter de deixar sua amada França, vê, de longe, seu futuro lar. Fica impressionada com a imponente beleza do castelo e, por isso, um pouco menos chateada com a drástica mudança.

“Além de precisar me mudar para um lugar tão diferente, ainda terei que suportar o garoto que irá roubar meu querido pai de mim! Nem o conheço, porém já o detesto, Charles, bobão, Scott!”

A enorme comitiva Hastings para e Charles, como ótimo e educado anfitrião, vai de encontro a carruagem onde o amigo de seu pai e a filha estão para saudá-los.

Edward abre a porta e ajuda Cecille a sair do meio de transporte. Charles, neste exato momento fica atônito, surpreso, encantado e apaixonado pela moça.

“Agora sei que os sentimentos descritos nas histórias que li não eram invenções! Achei que a filha de Edward era uma criança, contudo vejo se tratar de uma linda jovem, a mais bela e angelical que já vi! Acabo de conhecer a futura duquesa de Greenland, se ela assim desejar, e se o pai dela assim permitir!”

“Nossa! Acredito que o garoto, além de roubar meu pai, se apossou de meu coração também. Já não o detesto tanto assim Charles. Charles e Cecille. Eu, duquesa Cecille Scott, soa bem… Pare com idiotices garota! Ele é um duque, você apenas filha do ex-sapateiro. Mesmo sendo um ex-sapateiro rico que o ajudará, ainda sim é quase impossível que Charles se interesse por você, ele deverá se casar com alguém de título nobre como ele. Na melhor das hipóteses a tratará como uma irmã!”

Notas finais
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Obrigada!! ~.~