Notas iniciais
Olá! Este capítulo vai descrever as características físicas dos Scott.

5.

– O Phillip pensa que me engana! Algo o está preocupando além da possibilidade deste filho. Antes mesmo de eu contar sobre minha possível gravidez ele estava com uma expressão de fim dos tempos. Eu sei que ele quer me contar alguma coisa. Será que não me ama mais e desistiu de dizer depois que soube da gravidez? — Pensa Joan cheia de dúvidas e preocupações.

Phillip tentou manter distância de Joan nos últimos dias, não sabia o que fazer, ou o que dizer, ou como contar.

– Vou esperar Edward chegar, ele é muito mais vivido e experiente. Vou contar tudo sobre mim e Joan e torcer para que ele tenha um conselho útil para me dar. Preciso sair desta situação desconfortável. Preciso de ajuda, não quero decepcionar meus pais, mas também não posso magoar ou desistir de Joan. — Pensa Phillip.

***

Edward adentra nos limites de Greenland. Em vez de ir direto para o castelo, resolveu fazer uma breve parada na casa de Madame Josephine, o tradicional bordel de Greenland. Informou a mudança de trajeto para o cocheiro e, sorridente, recostou-se displicentemente no banco do veículo, feliz só de pensar nos prazeres que terá antes de rumar para casa.

Edward chega no bordel. Quando entra no local, todas as garotas o notam deliciadas e esperançosas para serem escolhidas pelo rapaz. Ninguém reconhece Edward, que há muito tempo não retornava para casa nas férias. Ele nunca passou despercebido, em nenhum lugar. Sua vasta lista de amantes se deve em grande parte pela aparência física abençoada, comum dos Scott.

Charles e Cecille Scott já poderiam ser considerados espécimes magníficas, em termos de beleza. Charles, com características aristocráticas típicas, porte austero, traços retos e angulosos; cabelo extremamente liso e cheio com seus fios dourados; olhos azuis, quase lilases.

Cecille, uma doçura descomunal, com suas feições delicadas e singelas; o cabelo, única parte de Cecille que era excesso, uma juba exuberante de fios encaracolados e negros como azeviche; seus olhos verdes, de formato felino, contrastavam de modo único e primoroso com sua pele levemente bronzeada. Os herdeiros Scott receberam, cada um, uma combinação perfeita das melhores características dos pais.

Edward recebeu as feições do pai, cabelos negros, como os da mãe, com cachos grandes e revoltos, olhos, também vindos de Cecille, verdes e felinos e um olhar, apenas seu, atrevido e sagaz.

Phillip herdou os traços delicados e a cor do cabelo de sua mãe, os olhos lilás e o cabelo escorrido, igual ao do pai, na altura dos ombros quase nunca era penteado, um olhar doce e carinhoso e uma boca atraente, bem delineada, que ninguém saberia dizer de onde veio.

Anne, assim como sua personalidade, tem a aparência da nobreza, todas as características aristocráticas oriundas de seus ascendentes paternos. Muito pouco herdou da aparência de Cecille, apenas o formato dos olhos, como os de um gato recebera de Cecille. Loira e olhos azuis, é uma versão feminina e jovem de Charles. Muito parecida com sua falecida avó, homônima, Anne Scott e, assim como a avó, mantinha suas pesadas e sedosas madeixas, levemente onduladas, sempre muito compridas.

Louise, por sua vez, é o clone em miniatura de Cecille. Com exceção do formato dos olhos, que mais pareciam dois faróis gigantescos e encantadores, todo o resto era de Cecille. Os cabelos volumosos, encaracolados e negros, os olhos verdes e a aparência delicada. Algo que apenas Louise tinha era o sorriso esperto e desconcertante, ninguém, nunca, conseguia negar algo que a pequena pedia.

Enfim, a formosura dos Scott era amplamente conhecida e invejada. Quando Ed se apresentou para, a já em idade avançada, Madame Josephine esta rapidamente compreendeu a fonte de toda a beleza do rapaz.

– Garoto, lembro-me de seu pai. Minha grande decepção nesta vida foi o fato de Charles Scott nunca ter posto os pés em meu estabelecimento! Muita pena!

– Bom, eu sou um Scott, e filho de Charles, posso servir de substituto para meu pai. Ajudaria com sua decepção?

– Você aqui piora! Além de não ter conhecido intimamente seu pai, sou velha demais para ter você em meu leito! — Brinca Josephine.

– Eu sinto Madame, mas acredito que serei um assíduo frequentador de seu estabelecimento. Posso ver que a senhora trabalha com as garotas mais lindas de toda Europa. Nem em Londres eu vi pares de… Olhos. — Diz Edward rindo. — Tão formosos e suculentos.

– Acho muito bom, ter clientes tão distintos como o senhor. Me diga rapaz, e seus pais? O que eles acharão de suas visitas a minha casa?

– Eles não tem que achar nada! Não vou me privar das maravilhas da vida por nada nem ninguém! Aliás, senhora Josephine, meu pai realmente nunca frequentou um bordel?

– Eu não sei Edward. Aqui ele nunca veio. Pode ter frequentado os de Londres, considerando que morou algum tempo por lá. Só tenho certeza que ele nunca entrou em nenhum dos bordéis de Greenland e redondezas. Quando veio do colégio, da capital, estava muito preocupado com a doença de seu avô para estes assuntos e, depois, estava muito apaixonado por sua mãe para dar atenção a qualquer outra mulher. Um homem honrado e respeitador seu pai!

– Com certeza não puxei isto dele! Perder o interesse em tudo isso, — Ed sinaliza o bar e as garotas do bordel. — por conta de uma, somente uma, mulher? Não faz meu feitio.

– Um garoto estúpido você é. Como todos os homens, a propósito! Seus pais são raridade nesta época, principalmente entre os nobres. Você nasceu e cresceu em uma união repleta de amor e respeito e isto está arraigado em ti, mesmo que você, ainda, não tenha percebido. Vai conhecer o amor de sua vida e, devido às influências de seus pais, vai abdicar da vida libertina que tem hoje.

– Nunca Madame! Nunca!

– És também um garoto teimoso! Verá que estou certa, eu sempre estou certa. Pergunte ao amigo de seu pai, Quentin Howard, o duque de Norfolk, como eu sempre estou certa!

***

Edward nunca fora um homem comedido. Ficaria apenas uma tarde no prostíbulo, contudo, após algumas/muitas doses de whisky, acabou por ir embora apenas na madrugada daquele dia. Quando resolveu partir, Madame insistiu que lhe chamaria um coche para levá-lo até o castelo porém Ed recusou totalmente.

Estava tão alterado pela bebida que, a poucos metros do bordel, quando os postes começaram a atravessar seu caminho e vinham em sua direção, quando o chão, maldoso, começou a se movimentar e quando percebeu que o vento, inexistente, fazia suas pernas bambearem a ponto de não conseguir controlar seus passos, decidiu sentar em um banco próximo e esperar estas intempéries sobrenaturais irem embora.

Edward acabou adormecendo naquele banco, dormiu como uma pedra. Foi assaltado, suas roupas levadas e nem percebeu. Sem dinheiro, documentos e apenas com as roupas de baixo, fora acordado pelo guarda que o levou para o posto policial.

– Estou perdido! Consegui outro escândalo e mais vergonha para a família Scott em menos de vinte e quatro horas em Greenland! Meu pai vai querer me matar!

Notas finais
Qual será o castigo que Charles dará para Edward? Até mais!