Jiban End

22 Não podemos ficar aqui parados!


Halley ouviu o telefone do Centro de Controle tocar. Achou estranho, pois aquela era uma linha restrita, da qual pouquíssimas pessoas conheciam o número, e ele tinha certeza de que não era nenhuma delas quem estava ligando.

Seus pequenos dedos, que mais pareciam gravetos, não tinham sido projetados para segurar coisas, então, em vez de tirar o telefone do gancho, ele apenas apertou um botão e colocou o aparelho no viva voz.

- Alô? – atendeu o robozinho.

- Alô. Eu preciso falar com o Naoto. É urgente! – disse a voz masculina agitada e ofegante do outro lado da linha.

- O senhor por acaso já viu que horas são? No momento ele está dormindo e não poderá atender. – respondeu Halley, desligando logo em seguida, sem dar chance para que seu interlocutor pudesse dizer mais alguma coisa.

Do outro lado da linha, Seichi ficou em silêncio por alguns segundos, atônito, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

- Aquela lata velha teve a audácia de desligar na minha cara?! Mas não é possível… – resmungou o policial, indignado, enquanto discava os números novamente.

- Alô? – atendeu o robozinho outra vez.

- Escuta aqui, sua lata de sardinha, se você desligar de novo, eu faço questão de descobrir o caminho para chegar até aí, só para poder te desmontar e jogar todas as suas peças no ferro velho! – explodiu Sechi.

- Com toda essa educação, só pode ser o Sr. Seichi. – concluiu Halley.

- Ele mesmo! O Sr. Yanagida está aí na base? Posso falar com ele?

- Sim, ele está. Preferiu passar a noite aqui para observar o quadro de Naoto.

- Ótimo! Então chama ele.

- Ele também está dormindo e…

- Então acorda ele!

- Ok, se o senhor tivesse dito isso antes…

Seichi respirou fundo, para tentar se acalmar um pouco, antes de continuar a conversa.

- Tá bom. Chama ele pra mim, por favor. – tentou ser um pouco mais educado no pedido.

- Aguarde um instante, vou chamá-lo.

Alguns minutos depois, Yanagida já estava na sala de controle atendendo a ligação.

- Eu estou ouvindo, Sr. Muramatsu. O que foi?

- Ah, que bom que o senhor está aí. Desculpa ligar assim tão tarde. É que eu precisava falar com o Naoto, mas a lata velha disse que ele está dormindo.

- Ele ainda precisa de repouso, mas Lezon, Bican e Spiras estão a postos. Em que nós podemos ajudar?

- É que houve uma emergência. A Ayumi e a Yoko foram capturadas por Biolon e por mais que eu deseje encontrar elas sozinho, isso vai ser quase impossível. Eu preciso da ajuda de Jiban.

- Mas como assim, Sr. Muramatsu? A Ayumi também? Vocês haviam encontrado ela?

- Não exatamente... O Ryu Hayakawa sofreu um acidente e a Yoko e a Ayumi acabaram se encontrando lá no hospital em que ele está internado, mas parece que o Biolon estava de tocaia e conseguiu pegar as duas. Eu acho que Yoko pode estar ferida.

- A Yoko está ferida? – perguntou uma voz preocupada, vinda da porta da sala de comando. Era Naoto que havia acordado e tinha escutado o final da conversa.

- Naoto, é você? – perguntou Seichi.

- Sim, Seichi. Mas me conta direito o que aconteceu. O Hayakawa está no hospital?

- Está. Antes de ontem ele sofreu um acidente, mas achamos que ele, na verdade, estava tentando proteger a Ayumi. Ele a salvou naquele dia, mas acabou não conseguindo evitar que ela fosse capturada dessa vez. Ela foi visitar ele no hospital, mas aqueles desgraçados deviam estar escondidos, só esperando ela aparecer. A coitadinha foi inocente. A Yoko também estava preocupada com ele e foi até lá. As duas devem ter se encontrado e Biolon aproveitou a oportunidade.

- Mas você sabe como está a Yoko? Você disse que ela pode estar machucada...

- As testemunhas disseram que ela estava inconsciente quando foi levada, mas eu tenho certeza de que não foi nada sério. A Yoko é durona e vai proteger a Ayumi custe o que custar.

- Sim, eu também confio na Yoko, mas precisamos achá-las o quanto antes! Onde você está, Seichi?

- Eu ainda estou aqui no hospital, mas estou voltando para a Central de Polícia.

- Ok. Te encontro lá.

- Combinado.

Assim que a ligação foi encerrada, Yanagida tratou de repreender Naoto.

- Você por acaso perdeu a cabeça, Naoto? Você ainda não está em condições de sair por aí. Mal consegue andar sem ajuda!

- Eu sei, mas elas precisam de mim. Eu não posso me dar ao luxo de ficar aqui esperando que algo pior aconteça! – retrucou Naoto, mesmo sabendo que Yanagida tinha razão. – Se eu puder retribuir a generosidade do Dr. Igarashi dando essa vida que ele me devolveu em troca da segurança da Ayumi e da Yoko, eu farei. Eu nem deveria mais estar nesse mundo… Eu sou muito grato por esse “tempo extra” que ele me deu, mas se esse tempo chegou ao fim, eu aceito, resignado.

- Não diga isso, Naoto! Ele jamais desejaria que você desperdiçasse sua vida dessa forma. Sempre há uma alternativa e nós vamos encontrá-la.

Era nítido que o policial ainda sentia dores, mas, apesar de tudo, Yanagida sabia que nada do que ele dissesse ou fizesse seria capaz de impedir Naoto de sair de lá naquele momento.

- Parece que eu não vou conseguir te convencer a ficar, não é mesmo? – teve que reconhecer Yanagida.

- Sinto muito, mas não vai.

- Então, se eu não posso te convencer a ficar, eu também vou com você. – decidiu-se o cientista.

- Obrigado, Sr. Yanagida. Então vamos, porque não temos tempo a perder.

Decididos, os dois se dirigiram ao local onde Lezon estava estacionado. Pela primeira vez, depois de quase ter sido morto, Naoto voltava a se transformar em Jiban e assumia o volante de seu super carro, com Yanagida no banco do carona.

Lezon saiu cantando pneus, e eles seguiram imediatamente para a Central de Polícia.