Jessie, Uma Nova Pirata
2 Revelando o necessário
Notas iniciais
Vou tentar ser mais rapida ok?
JESSIE P.D.V. ON
Ainda era cinco da manhã e eu já estava de pé. Quase não consegui dormir a noite inteira e tudo por causa do Beckett mirim! Idiota. Jason despertou em mim uma raiva que eu não sentia ha anos, me trouxe lembranças que eu prometi a mim mesma que iria esquecer. Mas quando o vi... foi como se tudo voltasse de uma só vez. Culpado. É isso que ele é. Culpado pela maior parte dos desastres que ocorreram na minha vida. Quando vou perdoa-lo? Quando Barbossa implorar de joelhos por perdão a Jack, é o mesmo que NUNCA.
— Pode me explicar o que ocorreu ontem? — quis saber Jack sentando ao meu lado.
— Bom dia Capitão — saudei forçando um sorriso.
— Esqueça as formalidades, me chame apenas de Jack, acho que posso deixar que me chame assim depois de ontem — respondeu ele meneando a cabeça.
— Acho que perdi a paciência ontem... — admiti cabisbaixa.
— Você acha? — ironizou o Capitão.
— Desculpe.
— Não precisa se desculpar querida, todo mundo tem um momento para explodir e o seu foi ontem.
— Na verdade, eu nem explodir tanto assim...
— Sério?
— Sim, há alguns anos Jason realmente teve problemas quando eu aprendi a usar uma arma.
— Qual é o motivo de odiá-lo tanto? Além de ele ser um Beckett, é claro.
Pensei muito antes de responder, qualquer palavra errada colocaria tudo a baixo.
— Foi ele que me entregou ao Lord Beckett, é o responsável pelos meus dois anos de sofrimento e minha quase morte, e me entregando também entregou minha mãe. Então passamos a ser propriedade do Lord e o inferno só começou.
— Ele é mesmo um idiota — concordou Jack tomando mais um gole de rum — Só não entendi como ele te entregou. O que exatamente ele contou?
Conto ou não conto? Conto. Não, não conto. Mas será melhor se eu contar. Mas mesmo se eu contar ele não vai acreditar. Conta logo Jessie! Não! Sim! NÃO! SIM!
— Jessie?
— Oh sim, desculpe.
— Vai contar?
NÃO!
— Não vai acreditar — falei me levantando.
— Eu já vivi muitas maluquices na minha vida, incluindo um polvo gigante e esqueletos vivos, nada mais me assusta — disse Jack sorrindo.
É o que pensa...
— Tem certeza que quer saber mesmo? — insisti.
— Claro, querida, por isso estou pedindo.
— ... Meu pai abandonou minha mãe sem saber que a mesma estava gravida, ele foi funcionário da Companhia das Índias Orientais, mas ocorreu um problema e ele se tornou um pirata.
— E Beckett odeia piratas.
— Isso mesmo. Jason contou ao irmão que meu pai era um pirata e ferrou tudo.
— Mas Beckett nunca odiou tanto os piratas para fazer tudo isso... Em exceção de mim, é claro.
— Na verdade ele odeia mais um pirata em especial: meu pai, hoje em dia ele é um dos piratas mais procurados pela Companhia.
— Eu me comparo muito a ele, adoraria conhece-lo, seriamos ótimos amigos.
— Acho que o conhece — concordei insegura — Porque... hã... é você.
Jack virou-se bruscamente na minha direção.
— O que disse?
— Hã... eu... bom... já que eu contei, acho que...hum... está na hora de me mandar. Tchau.
Sai praticamente correndo dali. Pronto, contei! Satisfeita consciência?
Percebi que Jack me seguia pedindo explicações, eu simplesmente não sei mais o que dizer, então decidi ir para o porão do navio.
— ESPERE, GAROTA! PRECISO DE EXPLICAÇÕES! — gritava ele acordando a todos.
— O que está acontecendo? — ouvi Elizabeth questionar.
— TIA CALY! ME AJUDE! — gritei para Calypso.
— O que houve? — perguntou Elizabeth assustada — Jack, o que está fazendo?
— Resolvendo alguns probleminhas querida — respondeu Jack ainda correndo atrás de mim.
Quando entrei no porão, tranquei a porta. Jack ficou esmurrando a porta enquanto gritava:
— ABRA ESSA PORTA AGORA GAROTA!
— NÃO MESMO.
— ABRA, AGORA!
— JÁ DISSE QUE NÃO!
— O que está acontecendo? Expliquem — ouvi Will quase ordenar.
Idiota.
— Isso não é problema seu Turner. Eu mereço as explicações e não você — cortou Jack.
— Ainda bem que eu herdei muito dele — murmurei quase aliviada.
— Ela disse que sou o pai dela! Isso é uma grande mentira! — exclamava Jack parecendo irritado.
E quem disse que ele deixou de espancar a porta, errou. Nunca pensei sobre o fato dele ter força suficiente para quebrar uma porta, mas estou começando a mudar de ideia...
— Jack... que tal você escutá-la primeiro? — tentou tia Caly.
— Mas é impossível eu ter uma filha.
— Por que?
— Porque ela teria que ter no mínimo...
— Dezessete anos? — completei temerosa.
— Ai meu Deus! — ouvi ele exclamar baixinho — JESSICA SWANN ABRA ESSA PORTA AGORA.
— Na verdade é SPARROW — corrigi abrindo a porta discretamente e me afastando um pouco.
Ele abriu a mesma rapidamente e me encarou por um tempo antes de repetir:
— O que disse?
— O meu nome verdadeiro é Jéssica Sparrow — revelei sem graça.
— Finalmente está abrindo o jogo de verdade — comemorou Tia Caly.
— Não estou entendo nada... — comentou Elizabeth.
— Minha mãe se chamava Arabella Smith e Jack é meu pai — revelei a todos — Olhem bem pra mim, com quem pareço?
Durante longos minutos todos, em exceção de Calypso, ficaram me olhando atentamente.
— Com Jack — concordou Lizzie fazendo todos olharem pra ela — Admitam: os olhos são iguais e ela parece uma versão feminina dele.
— Ninguém nunca reparou nos meus olhos — comentou Jack.
Reparei que um leve rubor tomou conta do rosto de Lizzie.
— Eu reparei — desconversei dando de ombros — E a tia Caly também.
— Quem é tia Caly? — perguntou Barbossa.
— A deusa-ninfa e feiticeira do seu lado — ele olhou para Calypso como se ela fosse de outro mundo.
Lizzie me lançou um sorriso em agradecimento.
— Aceite de uma vez: sou sua filha.
— Impossível. Jack jamais teve filhos — interferiu Will.
— Você nem o conhece direito — cortei impaciente.
— Conheço o suficiente para saber que ele jamais deixaria isso acontecer. Ele é um pirata nato, jamais criaria laços tão fortes com alguém.
— Isso é o que você diz.
— É a verdade!
— É o que você pensa.
— É filha dele mesmo — concluiu Will sorrindo.
— Tem a audácia e a insistência irritante do pai — complementou Barbossa.
— Hey — protestei ao mesmo tempo que Jack.
— Viu? Idênticos até na defesa — brincou Will.
— Precisa acreditar em mim... — pedi me aproximando de Jack.
— Por que deveria? — questionou ele sério.
— Porque eu tenho o seu sangue e o seu gênio, e a única pessoa que pode e consegue me confrontar é você, porque só você me entende... — falei na tentativa de convencê-lo — Porque eu e minha mãe sofremos por você e em seu nome, sempre soubemos sua localização, mas nunca falamos a ninguém, sendo que podíamos simplesmente nos libertar somente com essa informação...
— Sua mãe morreu? — foi a primeiro coisa que ele perguntou.
— Sim, e antes me disse o que sempre dizia a você: o amor destroi tudo, tanto barreiras quanto nossos maiores esconderijos, por isso não podemos nos esconder dele e nem esconder ele dentro de nós mesmos, pois ele sempre vai encontrar um jeito de se libertar, mesmo que traga dor e sofrimento, você nunca escapa dele.
— Nunca entendia quando ela falava isso... — comentou Jack cabisbaixo.
— Mas está começando a entende-la, não é?
Eles apenas suspirou e levantou-se para ir embora, mas eu o impedi.
— Espere!
Comecei a perceber que a temperatura ambiente estava mudando. Abracei a mim mesma e perguntei:
— Está frio ou é impressão minha?
Tia Caly olhou misteriosamente para cima, ela melhor do que ninguém sabia o que acontecia quando eu entrava em contato com algo muito gelado.
— Acho que está ficando frio mesmo — disse Lizzie.
— É melhor ficar aqui embaixo com Jack — sugeriu tia Caly.
— Nem pensar — protestamos em uníssono.
Passei a frente de todos e apressadamente sai daquilo que chamam de “aposentos”. Logo que abri a porta senti o vento frio bater no meu rosto e reparei que a neve já estava caindo.
— Está nevando?
NARRADOR P.D.V. ON
— Como pode estar nevando? Hoje mesmo o sol estava presente — desacreditou Barbossa.
A neve caia como se estivesse no meio do inverno, sendo que nem estão perto do mesmo.
— O mar já está congelado — surpreendeu-se Elizabeth.
— Como isso foi possível? — questionou Barbossa.
— Nereu — concluiu Jessie com temor.
— Quem é esse? — quis saber Jack.
— Não sou a única divindade do mar Jack — alertou Calypso.
— Estamos no território dele? — perguntou Jessie olhando em volta.
— Nem perto — respondeu Calypso.
— Então como?
— Ele quer falar com você — avisou Calypso.
Jessie se aproximou da borda do navio e começou a fitar mar congelado, então, bem perto de onde estava Jessie enxergou algo que chamou sua atenção.
— O que é aquilo?
Todos se aproximaram para enxergar melhor, Jack nem acreditou no que viu:
— Sou eu!?
— Não, é o seu corpo — corrigiu Calypso — Jessie não olhe, é uma armadilha.
Já era tarde demais. Jessie enxergava apenas aquele suposto corpo de Jack. Seus olhos desfocados entregavam seu estado de transe em que se encontrava.
— Jessica, olhe para mim. Aquele não é seu pai, é uma ilusão da sua cabeça — Calypso disse forçando a garota a olha-la.
Jessie a ignorou e se soltou da mesma. Fitou o corpo por um tempo antes de pular, literalmente, do navio, o gelo trincou sob o peso do corpo, mas ela não pareceu ligar.
— Espera Jessie, não faça isso — alertou Elizabeth urgentemente.
A garota a ignorou.
— Jack faça alguma coisa! — ordenou a loira.
— O que você quer que eu faça? Quem sou eu para interferir nas decisões dela? — protestou Jack impaciente.
— Você é o pai dela — rosnou Elizabeth.
— Nada disso está provado — negou Jack mas para si mesmo.
— Jack Sparrow! Vá até lá e salve sua filha, AGORA!
— Tudo bem, eu vou, sua chata — concordou Jack resmungando — Segure meu chapéu. Ah — ele entregou o chapéu a ela — Tome conta dele, querida.
Jack desceu do mesmo modo de Jessie e se aproximou da garota com cuidado. Quando a mesma se ajoelhou ao lado do corpo, ele estava bem atrás dela e pôde ver quando a garota meteu a mãos em um dos bolsos do suposto Jack e retirou uma bussola idêntica a do verdadeiro Jack.
O que está havendo aqui?, perguntou Jack sem entender mais nada. Jessie abriu a bussola e quando Jack viu os ponteiros se mexerem loucamente, o gelo sob seus pés começou a trincar lentamente.
— Jessie, temos que ir — disse ele tentando puxar a garota sem sucesso.
— Meu pai — ela apontou debilmente para o corpo — Não vou!
— Não, filha acorda! — ele apontou para o corpo — Clone malvado... — apontou para si mesmo — Papai vivo!
— Pai? Jack? Por que está falando como se eu fosse uma criança teimosa? — questionou Jessie saindo do transe.
— Porque no momento você está se comportando como uma — replicou Jack indiferente.
— Vamos sair daqui — disse a garota se levantando.
— É o que eu estava tentando fazer — aborreceu-se Jack.
Nesse momento o gelo se partiu fazendo com que Jack e Jessie fossem engolidos pela água congelante.
— PAI! — chamou Jessie enquanto tentava respirar.
Sparrow sentiu que a água era o mesmo que milhares de facas entrando em seu corpo, mal conseguia respirar e pelo o que via Jessie também não. Quando encarou a garota de novo, surpreendeu-se e por um momento pensou que aquela não era Jessie. A garota semiconsciente tinha os cabelos num tom branco incomum.
— Jessica?
A garota forçou-se a abrir os olhos e Jack percebeu que os mesmos estavam no mesmo tom que o cabelo.
— O que houve com você? — questionou ele.
Antes que Jessie pudesse responder foi puxada para o fundo do mar gelado. Jack mergulhou, mas não conseguiu enxergar quase nada, agradeceu mentalmente pelos cabelos dela estarem brancos agora ao vê-los um pouco mais ao fundo. Apressou o nada sem se importar com a falta de folego, alcançou a garota já inconsciente e forçou-se a voltar à superfície, mas parecia que algo puxava para a garota para o fundo.
— Me ajudem! — pediu ao chegar mais perto do barco.
Vários marujos rapidamente pularam no mar, na tentativa de ajudar o Capitão e sua suposta filha. Filha. Jamais pensariam que essa palavra estaria no vocabulário e na vida de Jack Sparrow, logo ele que prefere não manter laços com ninguém por muito tempo.
Calypso e Lizzie trouxeram toalhas para secar e embrulhar a garota. Aos poucos, o cabelo branco de Jessie foi voltando à cor original, o mesmo ocorreu com seus olhos.
— O que aconteceu aqui!? — exclamou Jack histérico.
— Foi apenas um probleminha... — tentou Jessie trêmula.
— Probleminha? Chama isso de probleminha? — questionou Barbossa exaltado — Quem é você!?
— Ela é Jéssica Sparrow, filha do Capitão Jack Sparrow e Lady dos Mares — respondeu uma voz rouca e conhecida por muitos ali.
Quando viraram-se em direção a origem da repentina voz, encontram não só uma pessoa, mas um grande e antigo navio ancorado bem ao lado do Perola Negra, uma espécie de ponte ligava os dois navios e por ela passou um pirata conhecido por todos os lados.
— Capitão Sparrow? — assustou-se Jessie ficando de pé em um sobressalto.
— Mantenha-se sentada milady — disse Teague calmamente.
— Milady? Por que ele te chamou de milady? — questionou Barbossa curioso.
Teague Sparrow arqueou a sobrancelha, descrente e questionou:
— Durante todo esse tempo você não contou nada a ele?
— Contei que ele é o meu pai — tentou Jessie.
— Será que eu tenho que fazer tudo por aqui? — murmurou ele aproximando-se.
Jack pigarreou, estar na presença de seu pai nunca foi uma de suas melhores experiências.
― Sparrow? O senhor é pai do Jack? ― questionou Elizabeth confusa.
― Pelos mares! Vocês estão tão desatualizados assim? ― desacreditou o capitão, então agarrou Jack pelo pescoço de forma quase carinhosa ― Sim! Esse aqui é um Sparrow legitimo! Puxou tanto ao pai...
― Er... papai? ― chamou Jack tentando se soltar do mesmo.
― Sim Jack?
― Por que chamou a Jessie de milady?
― Ora, por que ela é uma Lady dos Mares, assim como você é um Lord ― respondeu Teague como se fosse o obvio.
― Lady dos Mares? Um Lord? Sou apenas Lord do Caribe, lembra? ― questionou Jack já pensando que o pai havia enlouquecido de vez.
Jessie suspirou e respondeu:
― A família Sparrow é uma linhagem que lidera os mares há um bom tempo, essa autoridade pode ter sido esquecida com o tempo, mas nem por isso deixou de existir. Então pelo sangue, eu sou uma Lady dos Mares e você um Lord.
― Esperou Jessica aparecer para mencionar esse pequeno fato, papai? ― ironizou Jack revirando os olhos.
― Você ouviria a história completa se não tivesse decidido sair de casa ainda adolescente ― respondeu Teague indiferente.
― Caso não lembre... ― começou Jack sarcástico ― Foi você que me expulsou de casa.
― Foi mesmo! ― lembrou-se Teague ― Você era um garoto muito levado.
― E ainda sou ― convenceu-se Jack.
― Vovô ― chamou Jessie — O que, realmente, veio fazer aqui?
— Vim visitar minha família, é claro — respondeu Teague que Jessie percebeu ser com falsa alegria.
— O senhor não me engana — cortou a garota fazendo a expressão do pirata tornar-se séria.
Teague suspirou de forma cansada e revelou:
— As divindades do mar estão se unindo para derrubar os humanos, mas especialmente aqueles que possuem um grande poder, tanto no mar quanto naqueles que o frequentam.
— Como os Lordes — traduziu Calypso.
— Isso mesmo — concordou o Capitão mais velho — Os Sparrow não é a única linhagem de poder do mar, no entanto, é a mais forte e que tem a maior chance de ganhar respeito.
— Apesar de ser a menor — complementou Jessie.
— Sendo a família considerada a mais poderosa, as escrituras antigas nos dão uma missão — revelou Teague.
— Que escrituras?
— As mesmas que acompanham desde o inicio de nossa linhagem.
— E que missão é essa? — questionou Jack temeroso.
— As linhagens estão espalhas por todo os sete mares — avisou Teague — Se não fizermos algo, elas serão extintas pelas divindades. Nosso trabalho é encontra-las e protege-las.
— E como iremos proteger famílias inteiras? — questionou Jessie assustada.
— Não iram — negou o Capitão — Todas as linhagens receberam a ordem de escolher uma pessoa, de preferencia jovem, para representar toda a família e dar continuidade a família. Já estavam preparados para isso, pois é um decreto do Código.
— Então... quantas pessoas teremos que proteger? — quis saber Jack.
— Sete e isso inclui a Jessica.
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