Notas iniciais
Eu sei, eu sei
Um século depois eu volto
Maldade não?
Eu não morri gente, mas se vcs quiserem planejar algo, eu aguento, eu mereço u.u

Capitulo III

Sabe quando você é pego de surpresa e apenas fica assustado? Isso não aconteceu comigo.

Fui pego de surpresa sim, mas não só fiquei assustado, como também nervoso, pasmo, assustado, paralisado e acho até que meio paranoico. Por que? Simples. Foi muita informação para pouco tempo!

Tenho uma filha que foi enganada pelo Beckett mirim e agora quer vingança, a mãe dela morreu, deixando-a sem ninguém a não ser: eu. Sem esquecer, é claro, que ela é uma feiticeira quase deusa.

Esse é sem duvida o dia mais louco que eu já tive em toda a minha vida. Isso porque eu já enfrentei animais mitológicos, esqueletos vivos e até mesmo uma deusa do mar, sem esquecer o polvo gigante que quer me devorar, vivo. A mente de Jack Sparrow estava bem ocupada... e confusa.

— Algum problema? — questionou Lizzie se aproximando.

— Só estou pensando...

— Você? Pensando? Isso é novidade — zombou ela rindo.

— Ha ha, muito engraçado — ironizou o capitão.

― No que está pensando?

― Apenas em uma forma de manter minha vida daqui para frente...

― Um pensamento profundo para alguém como você ― comentou Lizzie sorridente.

― Para alguém como eu? ― questionou Jack olhando para a mesma.

― Um pirata nato que só vive atrás de mulheres e bebidas ― respondeu ela implicante.

— Hey vocês dois — chamou Jessie impaciente — Podem deixar o papo para depois e nos ajudar aqui.

Ela indicou uma espécie de mesa onde Turner, Calypso, Barbossa e o Capitão Teague estavam reunidos, analisando o que parecia ser pedaços velhos de pergaminhos. Jack e Lizzie se aproximaram hesitantes.

— O que temos aqui? — questionou o pirata indiferente.

— Um mapa bem interessante e revelador — respondeu Turner sem deixar de fitar o mapa.

— E o que ele tem de tão especial? — ironizou Jack.

— O que há ao norte de Port Royal? — quis saber Jessie fitando o pai.

— Água — chutou Jack sem hesitar — Só água do mar. Talvez algumas pedras no fundo...

— Não, não — negou Calypso com um sorriso de canto.

— Ao norte de Port Royal há uma pequena ilha. Ilha Kinsalle — esclareceu Jessie.

— Pequena? Deve ser minúscula — comentou Jack — Nunca ouvi falar...

— Pequena o suficiente para não aparecer nos mapas comuns — corrigiu ela — Lá está o representante da primeira família que iremos buscar.

— Fazer o quê... — resmungou o capitão e logo ordenou — Redirecionem as velas!

Jack humildemente achava que aquela busca era perca de tempo. O Capitão Teague, seu pai, poderia livremente encontrar a segurança que quisesse para essas famílias, ele não teria o trabalho de pedir para que um único navio fosse buscar por mais seis adolescentes, e pior, mantê-los em segurança.

― Vamos conseguir, não vamos? ― questionou Jessie se aproximando do pai.

― Talvez ― respondeu Jack indeciso ― Será uma tarefa um tanto difícil...

― Difícil? ― desacreditou Turner ― São só adolescentes Jack.

― Você ouviu o que disse? ― exaltou-se Jason Brian juntando-se ao grupo ― São adolescentes.

― São seis adolescentes ― replicou Jack bufando ― Não é muito fácil proteger seis adolescentes que por acaso estão sendo caçados para serem mortos, savvy?

― Já pensaram no quanto vai ser difícil? ― questionou Elizabeth preocupada.

― E não é disso que estamos falando amor? ― respondeu Jack sarcástico.

― O que vocês estão falando é o quanto vai ser difícil segurar sete adolescentes e mantê-los em segurança ― replicou a loira impaciente ― Mas até agora não levaram em conta de quem devemos protegê-los.

― E quem seria? ― quis saber Jason desinteressado.

― Ah você vai adorar eles... ― disse Jessie a ele, sarcástica.

― Deuses do mar ― respondeu Jack indiferente.

Jason arregalou os olhos.

― Divindades do mar loucas por poder ― acrescentou Jessie implicante.

Entre todos ali, só ela sabia o tamanho do medo que Jason tinha por Deuses em geral, mas principalmente os do mar, já que é o local onde ele passa a maior parte do tempo.

Mas ela também não podia ir longe demais.

Quando Jessie ainda tinha dez anos e Jason doze, estavam a bordo de um navio da Companhia das Índias Orientais, no meio do percurso o navio naufragou devido a uma tempestade, exceto por eles dois, todos morreram. Por mais de dois meses ambos ficaram à deriva em uma ilha até hoje desconhecida por eles. Durante esse tempo, vários deuses visitas irritantes. A cada visita insistiam para desistirem da vida e matassem uns aos outros, até que certo dia algo aconteceu, no entanto, ambos não se lembram de muita coisa. Tudo o que possuem daquele dia são consequências e traumas, pesadelos e fobias que até hoje não conseguiram explicar.

Ao se lembrar de tudo isso, Jessie imediatamente perdeu seu sorriso debochado e pediu:

― Desculpe... fui longe demais.

Mas Jason não parecia ouvi-la mais, com os olhos fixos no vazio, apenas sentou onde estava e fitou o mar, certamente tendo lapsos nada agradáveis. Jessie sentiu pena, não queria estar no seu lugar, mas sabia como era sofrer com algo que não pode explicar.

Todos olhavam de Jessie para Jason esperando, em vão, uma explicação. Confusos, viram Jessie se aproximar cautelosamente do garoto, agachar-se ao seu lado e tocar-lhe o ombro.

― Brian ― ela chamou hesitante.

Ele mais uma vez não a ouviu. Ela suspirou cansada, pegou em sua mão e chamou novamente:

― Jason olhe para mim.

O garoto então a olhou triste e sem pensar duas vezes ou se preocupar com a reação dela, abraço-a.

― Não se preocupe... ― disse Jessie carinhosamente ― Isso logo vai passar. Quando ficar em terra firme logo vai esquecer esses traumas do mar.

― Ainda estamos terminando o primeiro caminho e eu já tive uma recaída ― resmungou ele voltando a fitar o mar agitado.

― Eu sei que é frustrante, eu sei ― concordou a morena forçando um sorriso ― No entanto, tudo o que podemos fazer é sermos fortes e enfrentar de cabeça erguida, porque você sabe que se desistirmos é pior.

― Pelo menos para isso sua mente serve Sparrow ― replicou Jason tentando soar arrogante, mas seu sorriso discreto o denunciava.

Jessie fingiu-se de ofendida.

― Que cretino! Eu aqui, na paz, tentando ajudar você e é assim que me agradece?

Ele segurou uma risada, mesmo sabendo que logo voltariam a brigar, aquela trégua veio em uma boa hora...

Distraídos, ninguém percebeu um filete de agua que deslizava pelo convés, a cada centímetro que percorria o filete tornava-se cada vez mais denso, transformando-se segundos depois em um material parecido com borracha. Discretamente o filete arrastou-se sobre um dos pés de Jessie e deu varias voltas em seu tornozelo.

A garota logo sentiu algo frio no lugar.

― Mas o que...?

Sem dar mais tempo, ela sentiu ser puxada com força. O grito chamou a atenção de todos.

Com toda força Jessie foi puxada em direção ao mar, Jason apressou-se e tentou pega-la, mas so pôde observar a garota afundar mar a dentro.

― O que aconteceu aqui? ― questionou Jack exasperado.

— Jessie foi puxada para dentro do mar! — exclamou Jason pálido.

— Quem puxou? — quis saber Barbossa se aproximando.

— E isso importa agora? — rebateu Jason desesperado — Me ajudem!

Ele fitou o mar, buscando coragem e força para pular. Ele queria, mas não conseguia. As lembranças ainda estavam vivas demais...

— Ah saiam da frente — anunciou Jack e entregou seu chapéu à Calypso — Vou salvar minha filha... de novo.

No entanto, antes que pulasse, Jason o impediu.

— O que é isso na água?

A água estava se tornando vermelha a partir do ponto em que Jessie fora puxada. Isso não devia ser um bom sinal...

— Isso é sangue? — questionou Lizzie assustada.

— Não — respondeu Calypso rapidamente — Claro que não é sangue.


Jessie buscou a superfície, mas algo a puxava para ainda mais fundo, graças a Calypso ela conseguia um certo folego embaixo d’agua, mas não ilimitado, caso não saísse dali, em alguns minutos já estaria sem ar. Ela olhava para baixo em busca do que a puxava, mas tudo o que encontrava era mais água. Agarrou-se às algas para tentar uma nova fuga, mas sem sucesso. Olhou para cima e percebeu que a superfície possuía uma cor avermelhada, olhou em volta e grande corte que estava se formando em seu tornozelo.


Droga, xingou mentalmente.

De repente alguém a puxou abruptamente para o lado. Segurando seu pulso estava uma mulher de longos cabelos, usando um vestido azul. Jessie não conseguia ver seu rosto, pois a mulher apenas a puxava sem olhar para trás. Livre do que a puxava para o fundo, Jessie agora se via aproximando de uma suposta ilha. Quando alcançou a superfície, respirou fundo agradecendo por respirar novamente.

— Onde estamos? — quis saber quando chegaram a ilha. Olhou em volta e não conseguia mais ver o navio — Que lugar é esse?

A mulher a sua frente possuía uma expressão serena, olhos calmos e de um azul intenso.

— Está é a Ilha Kinsalle — respondeu ela suavemente, como se não tivesse nadado.

Jessie arqueou uma sobrancelha, questionando. Essa é a ilha que procuravam?

— E você, quem é?

— Martina. Você deve ser Jéssica — ela suspeitou — Estávamos a sua espera.

— Ah é? Por quê? — questionou Jessie tentando melhorar suas roupas que estavam encharcadas.

— Recebemos um aviso que você e seu pai estavam a procura da nossa ilha — respondeu Martina se aproximando — Para proteger minha filha, Celeste.

Jessie olhou ao redor e se deparou com um castelo que se destacava entre algumas árvores.

— Você está aqui, mas onde esta seu pai?

— Está a caminho em seu navio... eu acho — respondeu a garota vendo o vazio no horizonte.

— Venha — chamou Martina já começando a caminhar — Vou lhe dar roupas secas e apresentar minha filha.


— Somos a linhagem do mar, a mais antiga entre as outras — esclareceu Martina enquanto passávamos por um dos corredores do castelo — Sem nossa família o mar estaria ao léu e qualquer um poderia doma-lo com facilidade.


— E por isso essa linhagem não pode ser extinta — completou Jessie analisando os quadros que representavam o mar.

— Exatamente — concordou Martina. Então entrou em um quarto e indicou uma roupa que estava sobre a cama — Vista-se e me encontre na sala no final do corredor.

— Tudo bem, obrigado — agradeceu a garota entrando.

— E... será que pode me fazer um favor? — pediu Martine ainda na porta.

— Sim.

— Proteja minha filha — suplicou ela com um olhar cansado — O mar agradece.

O mar agradece.

Essa frase se repetiu na mente da garota varias e varias vezes... O que Martina queria dizer com isso? Seria de uma forma literal? O mar poderia, realmente, agradecer?


— Como assim não tem ninguém lá embaixo? — questionou Jack indignado — Tem que ter alguém lá em baixo: minha filha!


— Desculpe Capitão, olhamos tudo no fundo do mar também — respondeu Gibbs correndo atrás de Jack — Não tem nada lá... Sentimos muito.

Jack parou e abruptamente voltou-se para todos:

— Não sentem nada, encontrem Jéssica, agora!


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.