Notas iniciais
Acho que tá na cara do que se trata esse cap, né? Bem, divirtam-se!

Já se passaram três semanas desde o dia em que descobri que estava grávida. Deus, você não imagina o abraço que mamãe me deu quando chegou, no aeroporto. Era tão apertado e tão cheio de carinho que me senti completamente feliz. Papai, ao aparecer na área de desembarque, estava com uma cara tão séria que me deu calafrios, mas quando finalmente ficou frente à frente comigo, abriu um sorriso enorme que me encheu de alegria. Lilian também veio, e estava tão alegre que assim que a vi soube que ela espalhou pela vizinhança toda que eu estou esperando um bebê. É a cara dela.

Agora, estou em minha nova casa — no caso a da Missi. Ela e Lil estão na cozinha com mamãe, aprendendo — ou tentando aprender, pelo menos — a cozinhar alguma coisa. Papai saiu para dar umas voltas no Central Park, algo insano nesse tempo de neve, e eu e Hector estamos sentados no sofá, minha cabeça deitada em seu ombro e ele afagando meus cachos.

— E esse almoço que não sai logo, hein? — Ele fala num tom mais alto, para que as meninas escutem. Escuto um murmuro das duas, mas não dá para entender.

— Eu que estou comendo por dois e você que está desesperado pra comer! — Brinco, apertando a mão dele. — Olha, a Lil e a Missi estão cozinhando praticamente sozinhas, a mãe tá só ajudando. Então não espere que saia cedo, ou bom.

— A GENTE ESCUTOU, VIU? — Escutamos Missi e Lilian gritam da cozinha, e eu e Hector caímos na risada.

— Desculpa. — Falo um pouco mais alto e depois viro-me para Hector. — Está com muita fome? Posso pegar umas maçãs para nós.

— É... Estou sim. Ele me dá um sorriso beem falso e coça a cabeça. Hector me parece um pouco nervoso.

— Sei... Tá escondendo algo de mim? — Falo. — Olha que eu sou muito boa em perceber essas coisas...

— Não! Claro que não, lindinha. — Ele me dá um selinho. — Vem cá.

Ele me puxa pela cintura e me deita em cima dele. Sabe, de uns tempos pra cá ele ficou tão carinhoso, tão amoroso comigo, que derreto-me cada vez mais por ele. Incrível, sempre pareceu-me que meu amor por ele não podia crescer mais. É, eu estava completamente errada.

— Ei, o almoço tá pronto! — Mamãe fala enquanto Missi e Lilian trazem uma travessa fumegante de lasanha. — Garanto que está bom.

— Aham, mãezinha, continue a aumentar o ego delas. — Falo ironicamente e Lilian me dá a língua. — Bem, acho melhor ligar pro pai, né?

— Não precisa, já cheguei! — Papai fala, atravessando a porta. O casaco dele esta coberto de flocos de neve. — Hum, que cheiro delicioso!

— Foi a gente que fez, pai! — Lil abraça-o.

Papai, que estava com um sorriso escancarado, fica com cara de pânico.

— Naomi, você as ajudou, né?

— Claro! — Ela sorri. — Não sou doida em deixar a Lil sozinha na cozinha e, pelo que vi nessas últimas semanas, a Melissa está na mesma categoria da nossa caçula.

Missi e Lil fazem uma cara de ofendidas, mas logo depois caem na gargalhada. Sentamos na mesa e cada um pega uma fatia. Não estou com tanta fome, então pego um pedaço pequeno. Todos estão nervosos, com uma garfada entre o prato e a boca. Eu sou a primeira a experimentar.

— Nossa... Está deliciosa! — exclamo e todos as aplaudem.

Todos, enfim, tomam coragem de experimentar. Os olhos deles mostravam que está bom mesmo. Ora, enfim elas aprenderam a cozinhar!

— Gente, gente. — Hector interrompe o burburinho que havia se formado. — Eu tenho algo a dizer. Ou melhor, a fazer.

O que será que ele está aprontando? Olho para mamãe, que tem um sorriso escancarado em seu rosto. Lil e Missi se entreolham, e ambas cochicham algo entre risadas logo depois de olharem para minha cara. Papai parece um pouco desconfortável, mas olha para Hector com o que só posso imaginar sendo orgulho. O que está acontecendo? Hector se levanta da cadeira e vai em direção ao meu pai, que se levanta também.

— Senhor Andersen... — Ele começa a falar. Deus, ele está muito nervoso. — Peço a sua permissão para pedir sua filha em noivado.

Levo minhas mãos à boca. Eu não acredito nisso! Ele está me pedindo em noivado! Minha boca está escancarada. A burra aqui não tinha percebido o quanto ele estava nervoso antes do almoço... Então era por isso! Ele sorri para mim e depois volta-se para papai.

— Você acha que eu iria dizer não? — Ele está sorrindo. — Vá em frente.

Ele agradece meu pai e depois vem até mim, ajoelha-se no chão e pega algo do bolso. Uma porta anel.

— Eu sei que eu errei muito contigo, Jessica, mas eu realmente quero me redimir. Eu te amo, Sica. Te amo mais que qualquer coisa nesse mundo, e estou disposto a te amar pelo resto da minha vida. — Ele enxuga uma lágrima. — Jessica Chloe Andersen, você aceita se casar comigo?

Estou chorando feito uma louca. Eu jamais esperava por isso, não hoje, pelo menos. Meu coração está tão agitado que até penso que vou ter um ataque... Sorrio para ele.

— Claro que sim! — Levanto-me. Ele fica em pé de novo e eu lhe dou o abraço mais apertado do mundo.

Missi, Lilian, mamãe, papai... Todos estão aplaudindo e assobiando. Olho para ele e encosto minha testa na sua. Ele, sorrindo, beija-me calmamente, o melhor beijo da minha vida. O mais feliz. Ele pega uma das alianças e coloca em meu dedo anelar direito, pego a outra maior e coloco nele. Caramba! Isso está acontecendo de verdade! Quando olho para o anel cintilante em meu dedo, Hector me dá um beijo na testa.

— Eu juro que não percebi nada! — Falo. — Você estava estranho, mas eu nunca poderia dizer que era por causa disso!

— Não era pra perceber mesmo. — Ele sorri.

Nesse momento, esqueço que estamos no meio de um almoço familiar. Esqueço que meus pais, minha irmã e minha amiga estão nos observando, provavelmente com olhares calorosos. A única pessoa com quem realmente me importo nesse exato segundo é Hector. Não consigo nem beijá-lo, só quero tê-lo em meus braços para sempre e sempre, sem deixar ele escapar de maneira alguma. No abraço, percebo que ele está tremendo. Ele devia estar tão nervoso... Como se eu fosse dizer não, de alguma maneira.

— Vem cá, essa aliança não é o que você ia dar pra Susan não, né? — Aproveito nosso abraço para sussurrar em seu ouvido.

— Claro que não! É outro anel, e bem mais bonito. — Ele fala. — Você merece o melhor.

Sorrio para ele, voltando a olhar para o anel. A aliança é linda, cravejada com pedrinhas brilhantes e outras roxas.

— Safiras e ametistas. — Ele explica. — Sei que azul e lilás são suas cores favoritas.

— É linda. Eu gostei muito, de verdade. — Enxugo as lágrimas que escorrem pelo meu rosto. — Eu te amo.

— Eu te amo mais. — Ele volta a me abraçar.

— Ai, gente, chega! — Missi dá um mini piti, nos tirando da realidade alternativa em que estávamos. — Essa baboseira de vocês ninguém merece, nem mesmo agora.

Pelo olhar da minha mãe, percebo que ela ainda não se acostumou com o jeito maluquinho da minha amiga.

— Deixa de ser chata, Missi! — Exclamo, dando a entender o tom de brincadeira de Missi. — Vai atrás do teu e para de reclamar!

— O Jack tá visitando os pais em Miami, então não adianta nada você me pedir isso.

— Ai, tá certo, chatinha. Bom, acho melhor continuarmos nosso almoço, não? Não iremos desperdiçar o que pode ser a única refeição boa feita pelas duas. — Aponto para Lil e Missi, que apenas riem.

Todos concordam e voltam a comer. Quando terminamos, papai vai até a cozinha. Todos aqui, com exceção de meus pais, não podem beber, mas mesmo assim papai pega uma garrafa de vinho e enche três taças, duas para eles e uma para Hector. Quando papai vai entregar a taça para ele, meu noivo recusa.

— Não vou poder aceitar, apesar de saber que essa marca é deliciosa... — Hector diz.

Sei que ele deve estar ansiando por uma gota sequer de álcool, mas fico muito agradecida por ele não aceitar. Sei que o que aconteceu com ele foi pesado demais para deixar sua recuperação arruinar por conta de algo tão bobo. Papai até insiste um pouco, mas dou um olhar para ele sugerindo que isso é uma má ideia.

— Quer, Melissa? — Mamãe pergunta.

— Eu aceito. — Minha amiga sorridente pega a taça e beberica um pouco do vinho.

Lilian faz menção de por um pouco da bebida numa taça vazia, mas papai a interrompe.

— Até parece, lindinha. Você é nova demais! — Ele dá um risinho, e Lil fica um pouco envergonhada.

— Will, um gole não fará mal. — Mamãe toma o lado da minha irmã. — Sem falar que, do jeito que eu conheço nossa filha, ela é capaz de nem gostar do sabor.

Papai sorri em derrota e põe dois dedos de vinho para Lilian. Ela bebe e, como mamãe previu, minha irmã acha a bebida forte e amarga demais. Nós rimos da expressão dela e depois de alguns minutos de conversa, meus pais e Missi não estão bêbados, mas muito cansados.

— Acho melhor a gente ir se deitar um pouquinho, né? — Mamãe fala para papai.

— É... Estou com sono. — Ele boceja. — Com licença, pessoal.

Ele se levanta e vão direto ao segundo quarto de hóspedes — são três — sem falar nada, somente abraçados.

— Vocês apostam quanto que eles vão fazer muito mais que dormir? — Lilian fala, dando um suspiro. Arregalo meus olhos, surpresa com o que ela falou, mas Hector e Missi riem feito dois idiotas. — Não riam! Nesse tempo que a Sica se mudou pra cá, eles não se desgrudavam mais lá em casa...

— Não, tem problema, Lilian. Deixa seus pais serem felizes — Missi fala. — Ei, que tal nós duas irmos ao shopping aqui perto? Te compro uns sapatos.

— Sapatos? — Ela fala, quase babando. Como Missi descobriu a paixão da minha irmãzinha? — Deixa só eu ir trocar de roupa.

Ela sai correndo para seu quarto, e depois de alguns minutinhos ela volta, totalmente produzida. Algo vem em minha mente.

— Lil, como vai Steven? — Pergunto, e ela sorri.

— Bem... ele está em Chicago, revendo os avós. — Ela suspira, perdida em seus pensamentos. Com certeza ela está apaixonada por ele. — Por quê?

— Por nada, Lil. Só uma curiosidade. — Falo. — Estou feliz por vocês.

— Bem, acho melhor irmos, não é? — Missi fala para Lil, que sorri e a acompanha.

Hector está segurando minha mão, e quando elas saem do apartamento, ele olha para mim.

— Ele está namorando sua irmã? — Ele pergunta, e eu assinto. — Puxa, eu jamais ia esperar isso.

— Como assim? — Pergunto.

— Sei lá, ele parecia tão apaixonado por você, que eu pensei que ele ia sofrer tanto com a separação de vocês... — Ele diz, dando de ombros.

— Ele sempre havia notado a Lil, sem falar que ela tinha uma queda enorme por ele. Acho que eu só fiz atrasar um pouco mais o relacionamento deles. — Murmuro. — Tenho certeza que ele não sofreu. Bem, claro que ficou triste, todos ficam, mas não sofreu. Não sofreu como você.

— Ninguém ia conseguir sofrer mais do que eu por você. — Ele beija minha testa. — Mas o que aconteceu que fez vocês dois terminarem?

— Ah, essa história eu só conto sob tortura. — Brinco, e felizmente ele não insiste.

Penso um pouco, olhando para ele. Seus cabelos antes naturalmente bagunçados e agora curtos porém bonitos, seus olhos azul-céu me encarando, suas bochechas fofinhas, o sorriso dele para mim... Ele é lindo demais. Sorrio com a ideia que vem à minha mente.

— Hector... — Passo a mão entre seus cabelos. — Porque a gente não tenta uma segunda primeira vez?

— Como assim? — Ele fala, sem entender nada.

— Porque a gente não transa de novo?

Ele fica vermelho, engasgado com a própria saliva, e depois fala.

— Você tá grávida, não pode. — Ele sussurra. — Se fizer mal ao bebê?

— Não vai fazer mal, mané. — Sorrio, abraçando-o. — Eu fui no médico e ele falou que eu posso sim. Só não vou poder lá pelo sétimo, talvez oitavo.

Ele olha para mim, sorrindo de lado.

— É isso que você quer?

— Claro. Sabe, primeiras vezes sempre são desconfortáveis, apesar de não me arrepender da nossa. — Acaricio a bochecha dele. — Doeu mais do que eu esperava, e além disso teve toda aquela história da mensagem, e sinceramente eu não quero mais lembrar daquele dia.

— Então tudo bem, lindinha. — Ele sorri e se levanta da cadeira, e faço o mesmo.

Ele me agarra pela cintura, quase me machucando, mas não me importo. Hector me empurra gentilmente contra a mesa, me fazendo quase sentar em cima da mesma. Ele me beija tão ferozmente que me deixa sem ar várias e várias vezes. Estou quase arrancando sua blusa, mas ele não deixa. Meu noivo me coloca contra a parede, beija meu pescoço e me faz suspirar tanto, que perco a noção do tempo. Entre beijos e carícias, ele me leva ao meu quarto.

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— Já são quatro horas, Sica. — Ele beija minha testa. — Acorda.

Lentamente abro os olhos e vejo o homem mais perfeito do mundo ao meu lado, olhando para mim. Sorrio e ele passa a mão pelos meus cabelos, sorrindo também.

— Boa tarde. — Falo.

— Ótima tarde. — Ele beija meu pescoço. — Eu já falei para você o quanto é maravilhoso fazer amor contigo?

Minhas bochechas ardem, e ele solta uma risadinha.

— Adoro quando você fica envergonhada. Você fica mais vermelha que seu cabelo! — Ele se levanta da cama. — Vamos sair daqui do quarto, antes que seus pais percebam que...

— Deixa eles, Hector. Eles podem pensar o que quiserem. — Levanto-me lentamente, ficando sentada e olhando para ele. Ainda assim, ele parece um pouco desconfortável por ter feito sexo comigo bem ao lado do quarto onde meus pais estão. Acaricio a bochecha dele. — Deixa eu só tomar um banho?

Ele concorda e pego minhas roupas do chão, colocando-as no cesto de roupas. Entro na banheira e assim que começo a relaxar com a água quentinha, escuto ele suspirar do lado de fora.

— O que foi? — Pergunto.

— Posso tomar banho com você?

— Você não se cansa não? — Falo, mas com um leve sorriso no rosto.

— Eu só quero tomar banho, prometo. Além do mais, você me deixou esgotado. — Ele entra no banheiro e tenta se sentar o mais confortavelmente na banheira, quase fazendo a água transbordar. Rio da cena e ele fica olhando para mim feito um bobo. Viro-me de costas à ele e ele pega uma esponja que está perto dele, e começa a ensaboar minhas costas antes mesmo de eu pedir.

— Você não imaginava mesmo que eu ia te pedir em noivado? — Ele pergunta.

— Não... Quer dizer, eu sempre soube que você ia me pedir em noivado, mas não hoje. — Viro meu rosto para olhá-lo de canto de olho. — Eu realmente me surpreendi.

— Ah... Pensei que você achava que eu ia ser seu namorado pra sempre. — Ele suspira, movimentando lentamente a esponja por minhas costas. — Eu quero ser seu marido pra sempre.

— Até mesmo quando eu ficar velha e rabugenta, cheia de rugas e com os peitos batendo lá no umbigo? — Brinco, e ele solta uma risadinha.

— Claro que sim. Até porque se você envelhecer, eu também vou. Mas amor não envelhece. — Ele beija meu pescoço.

Sorrio com a frase dele. Sei que Hector está sendo sincero em suas palavras, e meu coração se inunda de felicidade mais uma vez. Ele desliza suas mãos, já sem a esponja, para logo abaixo do meu umbigo, e ele beija minha nuca. A respiração dele no meu pescoço me faz arrepiar.

— Anda, vamos sair. — Digo. — Estou com fome.

— Falta você me ensaboar, lindinha. — Ele sorri de lado.

Sorrio também e ele se vira, pego a esponja e esfrego-a nele. Eu nunca tinha reparado em suas costas... Tão lindas! Acho que sou meio boba, porque tudo dele e nele é lindo para mim. Abraço-o por trás e fico assim por um tempo, até que nossos dedos ficam bastante enrugados. Saímos da banheira e visto uma roupa, enquanto ele vai correndo até seu quarto se vestir — Uma cena digna de uma gargalhada minha. Saio do meu e ele também sai do dele, e vamos até a cozinha atrás de algo para comer.

— Pão, bolachas... — Falo sem animação.

— Olha, tem bolo de chocolate que sua mãe fez ontem aqui. Ainda bem que sua mãe é ótima com comidas. — Ele fala, olhando dentro da geladeira. O telefone do apartamento toca, o interrompendo. Corro para atendê-lo.

— Alô?

— Boa tarde, aqui é da recepção do prédio. — Uma mulher fala. — Estamos ligando para avisar que há uma carta aqui para o senhor Andrew Daves. Estamos a enviando para o apartamento.

— Oh, claro. — Olho para Hector, que está me observando com curiosidade. — Obrigada por avisar.

— É a nossa obrigação, senhorita. Tenha um bom fim de tarde.

— Igualmente. — Falo, desligando o telefone e me virando para Hector. — Tem uma carta lá embaixo para o "senhor Andrew Daves".

— Senhor Daves? Essa é boa... — Ele sorri. — Tenho que ir buscar lá?

Antes mesmo que eu o responda, a campainha toca. O mesmo funcionário que ajudou Missi e eu a subir com as malas está segurando a carta para mim. Ele parece feliz, não sei porquê, mas ele sai antes que eu possa entrega-lo a gorjeta. Entrego a carta para Hector, mas não deixo de notar o selo de Washington. A carta veio de Seattle.

— Abre, deve ser seus pais.

Ele se senta no sofá e eu acompanho-o. Ele lê vagarosamente a carta, com um leve sorriso. Deve fazer muito tempo que ele não vê os pais. Quando ele chega ao final da carta, abre um sorriso tão grande que me dá um pouquinho de medo.

— Sica... Meus pais estão nos dando um apartamento aqui em Nova Iorque como presente de casamento!

— O quê? — Exclamo. — Sério? Ai, que incrível!

Abraço-o bem forte. Nossa, um apartamento! Eu jamais esperaria por um presente tão incrível como esse. Ele sorri para mim.

— Ei, mas eles sabiam que a gente vai casar? — Indago.

— Sim, eu tinha ligado pra eles pra falar que eu ia pedir sua mão. — Ele explica. — Você devia ter ouvido a reação da mamãe. Ela começou a cantarolar de felicidade!

— Eu não acredito! — Sorrio, ainda extasiada. Estou realmente surpresa!

— Pois é... Um apartamento só pra nós dois!

— Nós três, ou já se esqueceu? — Coloco a mão dele na minha barriga. — Ou quem sabe, no futuro, quatro, cinco...

— Seis, sete... — Ele brinca.

— Tá doido? Não quero mais que três filhos.

— Nem eu. — Ele sorri. — Criança dá trabalho demais.

— Ah, agora você concorda comigo?

— Você se lembra da minha priminha Julie? Ela é uma peste! Tomara que isso não corra na minha família! — Ele brinca, sorrindo para mim.

Bem, voltamos para a cozinha e comemos um pouco do bolo de chocolate que estava lá. No meio de tudo, simplesmente começamos uma guerra de bolinhas de papel com o bloquinho de notas da cozinha. Entre nossas risadas escandalosas, mamãe aparece na cozinha.

— Vocês fazem barulho demais... — Ela reclama, mas com um sorriso no rosto. — Onde está Lilian?

— Foi ao shopping com a Missi, fazer compras. — Eu a respondo. — Mãe, você nem imagina a novidade que temos que te contar.

— Fala logo, então! — Ela exclama. — Você sabe que eu detesto ficar ansiosa...

— Chama o pai, antes. Ele também tem que saber. — Sorrio.

Ela sai correndo e depois de alguns segundos ela volta à cozinha com o pai. Eles parecem bastante ansiosos.

— Mãe, pai... Os pais do Hector nos deram um apartamento de presente!

— Sério? Isso é maravilhoso, minha filha! — Mamãe me abraça e papai fica sorrindo para Hector.

— Com certeza! É aqui em Nova Iorque mesmo, então não vamos ter que viajar para outro estado.

— Isso é bom. — Papai fala, me abraçando. — Bem, acho que hoje é um dia de comemorações, não é?

Dia de comemorações... Uma antiga brincadeira que papai inventou há muito tempo, mas muito tempo mesmo. Quando tudo em um dia era feliz ou havia uma comemoração a se fazer, a gente fazia bastante pipoca e pegava um dos filmes antigos de terror da coleção de papai e ficávamos assistindo. Eu sempre gostei de filmes de terror.

— O senhor os trouxe? — Pergunto.

— Tenho que estar preparado para comemorações inesperadas, filhotinha. — Ele corre até o quarto e traz vários DVDs até a cozinha. — Estou com vontade de ver O Grito, apesar de não ser tão antigo.

— Eu também! — Exclamo. — Vem, mãe, vem fazer pipoca comigo!

Deixamos Hector e papai tentando desvendar como ligar o aparelho de DVD moderno e vamos atrás de pipocas de microondas para fazer. Doces, salgadas, lights... Temos de todas. Depois que estão prontos, vamos até a sala, onde eles conseguiram ligar o DVD. Sentamos no sofá e ficamos assim pelo resto da tarde, gritando de medo. Hector muitas vezes fica olhando pra mim, e sorrio para ele. Deus, nossa vida está se arrumando. Até que enfim.

Notas finais
Reviews?