Jessica Chloe - Vitoriosa
25 Formatura
Olho para meu reflexo no espelho. Ainda estou tentando me acostumar com toda essa roupa! Estou vestindo uma beca, para a minha formatura do colégio. Nem acredito que já se passaram quase dois anos desde meu diagnóstico, desde minha mudança de escola... Tudo passou tão rapidamente que quase não percebi sua velocidade. Mamãe entra lentamente em meu quarto e beija meu rosto, tirando-me dos meus pensamentos.
— Grande dia, não? — Ela fala, sentando-se ao meu lado. – Estou tão orgulhosa... A formatura da minha moranguinho!
Sorrio. Eu já havia me acostumado com mamãe me chamando desse apelido enfadonho.
— Sim. Nossa... o tempo passou tão rápido! — Exclamo, alisando meu rosto.
— E como! — Ela põe suas mãos em meus ombros. — Eu estou tão contente por você... Você se mostrou para mim cada vez mais forte todo dia, desde quando descobrimos a doença.
Volto-me para ela, e percebo algumas lágrimas se formavam e ameaçavam desmanchar sua maquiagem.
— Nem me fale mais disso! Já basta eu ainda ter que ir no hospital todo mês para fazer exames. – Solto um suspiro, deitando minha cabeça em seu ombro. – Por que eu tenho que fazer isso por mais cinco anos?
— Porque a gente tem que ter certeza de que o tumor não vai voltar. — Ela explica para mim, pela milésima vez. – É assim mesmo, filha. A pior parte já passou, ainda bem.
— É verdade. Pelo menos meu cabelo cresceu de novo. — Falo, ajeitando meus novos e onduladíssimos cabelos vermelhos. Eu gostava de meus cabelos lisos, mas admito que fiquei bem mais bonita com cachinhos. Ela sorri.
— Ai ai... Mas e então, falou com a Melissa?
Passei quase seis meses convencendo minha família a me deixar morar com Missi, pelo menos até conseguir um apartamento para mim. Papai não gostou muito da ideia de me deixar ir logo quando ele voltava para nossas vidas, mas ele sabia que eu quero muito ir. Lilian ficou chateada no começo, mas logo achou maravilhoso ter uma irmã em NY para comprar presentes para ela.
Minha mãe foi a que demorou mais para aceitar minha ida. Ela nunca havia pensado na possibilidade de me deixar ir para outro estado, e mesmo eu já tendo falado para ela sobre minha vontade, sua ficha só foi cair quando Missi foi conversar com ela. Ela chorou tanto... Acho que ela ainda não quer que eu vá, mas pelo menos está conformada.
— Sim. Missi disse que ela vai para Nova Iorque daqui a um mês. — Falo, e ela faz uma expressão de tristeza. — Mãe...
— Eu estou triste. – Ela tenta desamassar a beca um pouco. – Queria que você ficasse comigo mais tempo.
— Mãezinha... — Puxo-a para um abraço. — Sempre que eu puder eu venho pra cá. Eu sempre quis conhecer lá, você sabe.
— Eu sei, sim. Siga seu sonho, meu amor. — Ela fala, enxugando uma lágrima do meu rosto e colocando o capelo em mim. — Você está linda, meu moranguinho.
— Obrigada, mamãe. — Me levanto e vejo Lilian parada na porta. Ela está linda. Nesse último ano, ela deu um disparo na altura e ficou um pouquinho mais alta que eu. Ela tomou mais ares de mulher, mais madura e responsável (Tá, isso ela sempre foi, mas não dava para dizer isso dela só de olhar; agora sim).
Ela chega mais perto de mim e me dá um abraço tão apertado que me deixa sem ar. Ela me solta e sorri.
— Parabéns, maninha. — Ela beija minha bochecha. — Hoje esse dia é especial para você. Está concluindo o Ensino Médio!
— Eu sei! — Sorrio, dando pequenos pulinhos. — Eu nem acredito que vou para a faculdade!
— Isso é tão demais! — Ela beija novamente meu rosto. — Você vai trazer umas lembrancinhas de Nova Iorque pra mim, não vai?
— Claro, sua boba! Mas eu só vou mês que vem, ainda falta muito chão...
— Claro que não! — Mamãe exclama, deixando transparecer sua tristeza. — Num piscar de olhos a gente vai estar no aeroporto se despedindo.
— Oh, mamãe... — Falamos ao mesmo tempo, enquanto caminhamos até ela. Abraçamos-a e ela fica toda feliz.
Escutamos uma buzina.
— É o pai de vocês. Ele deve estar apressado para conseguir bons lugares.
— Ué, então vamos logo! — Lilian fala e vamos para fora.
— Jessica! — Mamãe fala. — Onde está seu discurso?
— Eu vou improvisar. – Confesso. Papai havia tentado me ajudar a escrever um discurso desde que soube que ia ser a oradora, mas digamos que não estava dando muito certo. – Aquele que eu estava escrevendo não ficou bom, na hora eu invento um.
Ela encolhe os ombros e vamos para o carro. Papai está nos esperando com uma cara de ansiedade. Mamãe me deixa sentar no banco do passageiro, então eu sorrio para ele.
— Papai, até parece que é o senhor que está se formando...
— É que eu fiquei doente no dia da cerimônia, então eu não sei bem o que é isso. Eu estou ansioso.
— Ora, Will... Você não foi na formatura do Michael? Você sabe como vai ser. — Mamãe pergunta, referindo-se ao meu tio, irmão do meu pai.
— Fui, mas eu não sei qual é a sensação de subir no palco e pegar o diploma. — Ele desabafa, dando a partida no carro. — Bem, vamos logo.
Ficamos em silêncio durante todo o trajeto e logo chegamos no colégio. A cerimônia é ao ar livre, e várias cadeiras estão espalhadas pelo vasto espaço verde em frente ao prédio.
— Eu estou nervosa. — Falo, e mamãe sorri para mim. Descemos do carro e seguimos para o local onde será realizado a cerimônia. Alguns fotógrafos nos chamam para tirarmos algumas fotos e depois mamãe, papai e Lil vão para as cadeiras reservadas aos familiares, enquanto eu vou para a cadeira reservada aos estudantes.
Sarah e Jasmine, assim que me veem, correm para me abraçar.
— Ai, Sica! — Sarah praticamente grita em meu ouvido. — Eu não acredito! Enfim, liberdade!
— Enfim! — Eu e Jasmine falamos ao mesmo tempo, para depois rirmos feito loucas. Desde a morte de Gwen, ficamos mais próximas. Hoje eu posso dizer que elas são umas das minhas melhores amigas.
— Bem, eu estou um pouco nervosa. — Falo, e elas concordam. — Mas ainda assim estou feliz. Ah, eu esqueci de falar: Missi confirmou. Vamos nos mudar para Nova Iorque mês que vem.
— Já? — Jasmine fala tão tristinha que quase me dá vontade de apertar suas bochechas.
— Já. Missi vai pra lá mês que vem, e vou aproveitar pra ir com ela. — Quando eu falo, as duas fazem cara de raiva. – O que foi?
— E vai deixar a gente aqui, chupando o dedo? — Sarah fala, revoltada. — Eu adoraria ir morar em NY!
— E por que vocês não vão? – Pergunto, e uma ideia surge em minha mente. – Pelo menos a passeio, como comemoração pelo término do colegial...
— Hummm... Boa ideia! — Jas fala. — Minha mãe com certeza deixaria, sem falar que meu pai trabalha lá. E os seus, Sarah?
— Acho que eles aceitariam também, sei lá. — Ela fala, pensando talvez em como fará para convencer seus pais.
— Bem, acho melhor a gente se sentar. — Falo, e elas se sentam ao meu lado. A diretora Angelina sobe ao palco, sendo ovacionada por todos ali presentes. Ela agradece e começa seu discurso. Ela fala de uma maneira tão linda e graciosa que até eu, a mestra em desatenção, consigo ficar focada nela. Depois de mais algumas palavras de agradecimento e de entregar os diplomas, ela me chama ao palco, para meu discurso de oradora da turma.
Subo os pequenos degraus com o máximo de cuidado, para não correr perigo de cair e cometer uma gafe. Ela me olha com um sorriso convidativo, e entrega-me o microfone. Vou até a pequena bancada e olho para a pequena multidão que ali se formara. Pigarreio e começo.
— Primeiramente, eu queria dizer bom dia a todos que estão aqui presentes. Como a diretora Angelina falou, meu nome é Jessica Chloe Andersen. Bem, eu acho que alguns de vocês me conhecem da televisão, infelizmente.
Algumas pessoas dão umas risadinhas, talvez por que não sabem do que eu estou me referindo. Porém a grande maioria permanece em um silêncio sepulcral. Continuo.
— Bem, para mim é uma honra ser a oradora dessa turma. Sem dúvida esse ano foi um dos mais marcantes de minha e, creio eu, de todos os estudantes que aqui estão. — Falo, olhando para todos os meus colegas de classe. — Eu lembro do primeiro dia em que entrei nessa escola, no ano passado. Era tudo muito estranho para mim, por não conhecer ninguém. Mas eu posso falar com orgulho que várias pessoas me deram apoio. Infelizmente, — Minha voz começa a falhar. — nem todos estão aqui conosco, celebrando esse momento especial. Muitos se mudaram de escola, de cidade... Outros que nunca mais veremos.
As pessoas fazem, mais uma vez, silêncio. Avisto Jas e Sarah chorando baixinho. Isso me dá um aperto no coração...
— Mas hoje é um dia para celebrar, não é? Então nada de lembrar de coisas ruins. Uma vez, minha amiga Gwen — Olho para o céu por alguns segundos. — Me falou que não gostava de despedidas. Eu não considero esse dia como um adeus. Na verdade, sinto como se hoje todos nós déssemos um passo em direção ao nosso futuro.
As pessoas sorriem e balançam a cabeça em concordância. Mamãe e papai estão com sorrisos bobos, demonstrando toda o orgulho que eles devem estar sentindo também. Lilian sorri de orelha a orelha, me fazendo rir também.
— Eu posso dizer que estou muito feliz. Eu sei o que é estar fadada a incerteza de se vou ter minha vida completa ou não. Acho que mais do que ninguém eu posso dizer que, mesmo com todas as dificuldades que um jovem pode ter, a vida é bonita e curta demais para ser desperdiçada com bobagens de criança. Eu sinto que todos nós aqui estamos um pouco mais adultos. Claro, jamais devemos deixar nossa criança interior de lado, mas ela não pode prevalecer. E eu tenho certeza que todos os formandos aqui sabem e praticam isso.
Minha turma concorda, soltando gritinhos do tipo "é isso aí, Sica!" e também "falou tudo, ruivinha!", que me deixam encabulada.
— Para finalizar, eu queria dizer para todos aqui, pais, amigos e alunos, que devemos aproveitar a nossa vida. Todos nós, no fundo, sabemos disso, mas muitas vezes não fazemos. Eu mesma não dava tanto valor assim, e olha o que eu estou passando... Posso estar tecnicamente curada, mas nada é certo. A nossa vida por completo não é certa. Ela é uma estrada sinuosa na qual devemos ter todo o cuidado ao atravessar, para que não nos percamos no caminho. A vida nos prega peças todo dia. Aventuras e desventuras acontecem todo o tempo; isso é fato. Mas o medo não pode ser maior que a esperança, a alegria. Viva todos os dias como se fossem o último, porque pode ser mesmo. E nós, quase adultos, devemos saber disso desde cedo. Para que nós não tenhamos uma gota de arrependimento no futuro.
Uma nuvem que cobria o sol saiu da frente dele, iluminando mais ainda o verde da área verde. Fico emocionada ao ver várias pessoas chorando. A diretora Angelina me abraça.
— Isso foi lindo. — Ela sussurra em meu ouvido. — Você vai fazer falta, Jessica. Saiba que eu aprendi muito com você.
— Sério?
— Sim. Você é a garota de dezoito anos mais sábia que eu conheci. E tudo o que você me ensinou eu vou passar para as próximas turmas, com certeza.
— Obrigada, diretora...
— A partir de hoje é só Angelina. — Ela me interrompe e sorri para mim, enquanto descemos a escada. Papai e mamãe me abraçam e beijam minha bochecha. Lilian fala com Angelina, que sorri para ela e parabeniza pelo fim do primeiro ano que ela cursou.
— Eu estou tão orgulhosa do meu moranguinho! — Mamãe aperta minhas bochechas.
— Obrigada. — Respondo sorrindo.
— Você me fez chorar, filhotinha. — Papai beija minha testa. — Você tem que me ajudar a escrever livros.
— Qualquer dia, pai. Mas só depois da faculdade! — Exclamo logo antes que ele me leve para seu escritório e me tranque até escrever um best-seller.
— Por quê você não fica mais um tempo aqui, mana? — Lil pergunta. — Eu vou sentir tantas saudades!
Afago os cabelos dela.
— Eu também vou, maninha. Mas eu quero fazer uma faculdade boa.
— Então por que não a da Califórnia? – Ela pergunta, mas sei que há algo a mais em sua questão. – É mais perto de casa.
— Nem morta eu piso na Califórnia. — Falo, batendo na madeira do palco. Eu não quero ir para o estado onde ele mora.
Depois de mais alguns cumprimentos das pessoas que estavam ali, eu estava pronta para ir pra casa. Olho para mamãe, que parecia preocupada.
— Você está pálida, Sica. – Ela põe a mão em minha testa, querendo saber se estou febril. – Quer alguma coisa?
— Descansar. Desde que soube que ia ser a oradora, eu não tenho dormido muito bem.
— Meu Deus, então vamos para casa logo! Melhor, vamos no doutor Augustus. Já que você vai para outro estado, vai ter que arranjar outro médico para os check-ups. Ele pode te recomendar algum especialista de lá.
— Mas eu só vou mês que vem! Dá pra esperar um pouco, não? — Falo, suspirando.
— Dá. Mas mesmo assim devemos passar lá. Você está mais branca que o usual. Está pálida mesmo.
— Ai, está bem. — Falo, rendendo me aos seus pedidos.
Entramos no carro e papai dirige tão rápido que me faz sentir certo embrulho no estômago. Logo depois chegamos ao hospital. Eles insistem em me ajudar a andar, apesar de eu conseguir fazer isso sem esforça algum. Enquanto papai fala com a atendente, mamãe já me leva para a sala do doutor Augustus. Eu tenho prioridade aqui no hospital, desde minha pior recaída. Logo o doutor abre a porta e nós entramos.
— O que houve, Jessica? — Ele pergunta.
— Estou um pouco tonta. Nada demais, mas mamãe insistiu em me trazer aqui.
— Nada é demais, Jessica. — Ele pega aquele negócio que mede nossa pressão. — Você sabe que está em observação por cinco anos. É só o começo de várias visitas que nós vamos ver.
— Eu queria dizer ao senhor, doutor Augustus, que eu vou me mudar para Nova Iorque.
— Oh, isso podia atrapalhar um pouco. Deixe-me ver... — Ele pega uma agenda e começa a folheá-la. — Sim! Acabo de encontrar o endereço do consultório de meu amigo, doutor Flinn. Ele também é neurologista e poderia continuar seu acompanhamento, já que ele reside em Nova Iorque. Ele é um médico muito confiável, e eu posso mandar seu caso para ele analisar. Bem, é o que eu posso fazer em relação à isso.
— Claro, mas eu ainda me sinto um pouco tonta. Quanto deu minha pressão?
— Deu treze por oito. Não é caso de internação, mas você deve passar o resto do dia descansando, de preferência deitada. E nada de comida com muito sal, senhora Stuart.
— Sim senhor. Bem, vamos, Jessica?
— Vamos.
Ela me ajuda a andar e vamos até a recepção. Papai e Lil estão sentados lá, nos vendo voltar. Eles me apoiam e me levam até o carro. Sento-me ao lado de Lilian, quando o celular dela toca.
— Oi, Steven. — Ela fica olhando para mim. Pode ter passado muito tempo, mas ela ainda fica preocupada se eu fico com raiva quando ela fala com ele. — Sim... Hoje à noite? Tudo bem. — Ela desliga bem rápido e fica me encarando.
— O que foi? — Pergunto.
— Ele me chamou para sair... Tudo bem?
— Eu que pergunto. – Sorrio para ela. – Se você gosta mesmo dele, não ficaria receosa em sair num encontro.
Ela deixa seu sorriso bonito escapar.
— Eu gosto muito dele, e acho que ele gosta de mim de verdade. – Ela me encara, tentando analisar meus sentimentos. – Só quero saber se não há nada de errado, você sabe...
— Já faz um ano que vocês tem esse namoro, e você ainda me pergunta "tudo bem". Quantas vezes eu vou ter que falar que eu não me importo mais?
— Desculpa. — Ela fala para depois ficarmos em silêncio. Ao chegar em casa, percebo que esse tempo todo eu estava de beca, o que me pareceu constrangedor.
Subo para meu quarto e tomo um banho. Em vez de ir para o chuveiro, decido que um banho de banheira seria melhor. Pego meus sais de banho e relaxo na água quente. Eu nem acredito que terminei o ensino médio... E daqui a um mês vou para o outro lado do país, pela primeira vez! Estou ansiosa. Sei que conhecerei novas pessoas por lá, e isso me deixa contente. Minha vida anda meio parada, sabe?
Desde que terminei com Steven, eu fiquei sozinha esse tempo todo. Tá, um flerte aqui e outro acolá, mas algo sério mesmo, nada. Estou me sentindo um patinho feio, que infelizmente não vai se tornar um cisne.
De vez em quando penso em Hector. Mas os pensamentos estão mais voltados para a raiva do que para qualquer envolvimento amoroso. Ele, há alguns meses atrás, me ligou totalmente bêbado. Quando eu atendi e percebi que era ele, me deu uma vontade enorme de desligar. Mas a vontade de escutar a voz dele era tão grande, mesmo se pra escutá-lo eu tivesse que aturar ele falando Euh não prexiso maix de voxê e um Euh nunca tchi amei que me deixou sem chão.Sim, desse jeito mesmo. Ele devia estar em um porre muito grande.
Depois que desliguei, senti tanta raiva de mim... Eu devia ter desligado antes, não precisava escutar essas coisas. E foi nesse dia em que minha raiva passou a ser maior que qualquer outro sentimento que eu senti por ele.
Saio do banho. Eu estou um pouco diferente da Sica do ano passado. Fiquei ainda mais magra por causa da quimioterapia, o que me deixa com raiva. Minhas costelas estão tão ressaltadas que podia passar por uma modelo, se não fosse baixinha. É, a situação tá feia. Entrei numa dieta de ganho de peso. Acho que sou a única pessoa na escola que ficou feliz por ganhar cinco quilos.
Depois de me vestir, desço e fico olhando Lilian andar de um lado para o outro, esperando Steven. Eles não estão namorando oficialmente, mas estão saindo cada vez mais. Eles são aqueles casais um pouco lentos para avançar, mas todo mundo percebe que eles se gostam de verdade. Eu fico feliz por eles, minha irmã merece alguém como Steven. Lilian nunca esteve tão feliz quanto agora.
A campainha toca. Lilian corre para atender, e é ele. Ele a beija levemente, algo que ainda é um pouquinho estranho pra mim, mesmo que eu tente evitar. Ele me vê e sorri.
— Soube que sua formatura foi hoje. – Ele diz, depois de acenar para mim com a cabeça. – Parabéns.
— Obrigada, Steven. — Sorrio de volta. — E quando será a sua?
— Ano que vem, ainda falta um tempinho. — Ele diz e abraça Lilian. — Vamos?
— Claro. – O sorriso da Lil é contagiante. – Sica, avisa pra mãe que a gente já foi, por favor.
— Sim. — Sorrio e fecho a porta para eles.
Mamãe está na cozinha. Hoje é dia dela e de papai cozinharem, os dois juntos. Muitas vezes dá certo, mas tem outras que, Deus me perdoe, mas nem um rato conseguiria tragar.
— Lasanha para a formada! — Eles falam em um corinho muito estranho.
— Ai, ainda bem uma comida que vocês sabem fazer! — Brinco, enquanto eles fazem uma falsa cara de raiva.
Eles se sentam e comemos. A cara da mamãe é de tristeza. Para mim ainda falta tempo, mas para ela é como se fosse amanhã a minha partida. Sorrio para ela, mostrando que não é para ela se preocupar.
Nova Iorque... Quem diria?
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