O dia seguinte havia passado rápido demais. Eu havia gastado o dia inteiro conversando com Steven, que fazia de tudo para me distrair dos meus pensamentos mais recorrentes. Conversar com ele sobre coisas além da morte me deixava, de certa maneira, absorta. Ele havia aceitado sair comigo no dia seguinte, que, no caso, é hoje.

Quando acordo, percebo que são seis da manhã. Nossa, isso é muito cedo! Levanto-me e vou direto para a cozinha, comer alguma coisa. Ninguém em minha casa ainda acordou. Subo e vejo a porta de Lilian entreaberta. Vejo-a deitada tão calma que parece um pequeno anjinho. Entro em seu quarto e beijo de leve sua testa. Ela se movimenta um pouco, mas não acorda. Saio de seu quarto e fecho a porta.

— Filha? — Papai sai do quarto da mamãe. — O que faz acordada tão cedo?

— Nada, pai. — Sorrio e o abraço. — Eu nem te vi chegar ontem.

— Cheguei lá pela meia-noite, florzinha. — Ele beija o alto da minha cabeça. — Eu adoraria estar dormindo agora, mas não posso. Tenho que trabalhar na minha nova história.

— Já está escrevendo outro livro? — Fico surpresa. — Como você consegue ter tanta criatividade?

— Eu não sei! — Ele brinca.

— E a mamãe, onde ela está? — Falo.

— Dormindo. — Ele fala, ficando um pouco corado.

— Cansada da noite passada? — Brinco com ele, com um sorriso malicioso.

— Quem é você e o que fez com minha filhinha pura e que não sabia de nada sobre esses assuntos? — Ele fala, e eu realmente não sei se ele estava brincando ou falando sério.

— Ora, pai... Você sabe quantos anos eu tenho? — Pergunto.

— Quinze? — Ele olha para mim, confuso.

— DEZESSEIS! — Falo eu um tom mais alto, mas logo algo surge em minha mente. — Você esqueceu?

Ele havia passado tanto tempo longe da gente que não seria estranho ele esquecer minha idade. Minha idade, meu prato favorito, minha cor preferida... Não sei o quanto papai se lembra de mim e de Lilian, e acho que somente com a nova convivência nós voltaremos a fazer parte dos conhecimentos dele. Acho que ele ficou um pouco assustado com minha expressão, pois logo ele me cutucou de leve no braço.

— Não esqueci, mas parece que você esqueceu que dia é hoje.

Não entendo o que ele diz. Hoje é dia dezessete, não é?

— Hoje é dia dezenove de setembro. — Ele fala, e fico com uma cara de boba. — Como assim você esqueceu seu aniversário?

— Quê? Não, hoje é dezessete... — Falo, pegando o calendário digital que estava na mesinha do corredor. Dia 19. Eu esqueci meu aniversário!

— Eu pensava que fosse dia 17... Acho que é de tanto faltar a escola! — Brinco. Como eu consegui esquecer?

— Parabéns! — Ele me diz, abraçando-me novamente. Agradeço-o e vejo mamãe sair do quarto, usando uma camisola pra lá de curta.

— Filhinha! Parabéns, meu amor... — Ela se junta ao abraço.

— Ela esqueceu o próprio aniversário, Naomi. — Ele ri da minha cara. — Está ficando velha e gagá!

— Sério, Sica? — Mamãe pergunta.

— Sim. – Sorrio, ainda sem acreditar em mim mesma. – Eu jurava que hoje fosse 17.

Ela sorri, e volta para o quarto. Acho que subestimei meu pai. Ele parecia se lembrar de mais coisas que deixava transparecer. Depois de um tempo ela volta com uma caixa enorme. Ela me entrega e abro o enorme pacote.

— Meu Deus... Um notebook novo!

— Sim, para você. — Ela fala. Agradeço-a e papai olha para mim.

— O meu eu entrego mais tarde.

Assinto e vou para meu quarto, tomar um banho. Como está muito cedo, resolvo andar pela vizinhança. Se eu não correr, talvez não me faça mal. O tempo está muito frio, então eu ponho um casaco de couro, que ganhei há muito tempo atrás. A vizinhança está linda: as folhas estão amareladas e algumas caem, já vermelhas. O céu está meio laranja, o que deixa a paisagem ainda mais bonita. Ah, como eu adoro o outono! Eu acho incrível essa mudança de cores, a passagem de vida para a morte, e logo depois do inverno o renascimento...

Vejo uma movimentação mais pra cima da rua. Vejo Hector pegar algumas malas e colocar no carro dos pais. O senhor e a senhora Daves estão na calçada, cabeças abaixadas. Ando um pouco mais depressa, tentando alcançá-lo antes que ele vá.

— Hector... — Falo, e ele se vira em minha direção.

— Jessica. — Ele fala e me abraça, assim que me aproximo mais dele. — Parabéns.

— Esse é o pior presente que eu poderia ganhar. — Desabafo, deitando minha cabeça em seu ombro.

— Eu sei, mas fazer o quê. — Ele levanta minha cabeça e olha fixamente nos meus olhos. — Saiba que eu jamais esquecerei de você.

— Você vai sim. — Olho para cima, afim de que as lágrimas não rolem. — Você vai encontrar uma garota linda, simpática, divertida e inteligente... E que acima de tudo, te ame.

— Eu já encontrei. – Ele sorri com tristeza. – Mas ela vai se esquecer de mim também. Eu espero.

— Eu não quero te esquecer, Hector! Fica aqui, comigo... — Começo a chorar muito. — Fica... Por favor.

Ele parece se desesperar com meu choro, mas ainda assim ele me afasta.

— Eu não posso. Eu não consigo nem mais respirar o ar dessa cidade. Eu não consigo... Entenda, por favor.

— Vou tentar. — Olho para ele. — Prometo que vou tentar.

Ele parecia estar cansado e triste, como se lutasse mentalmente com os próprios atos.

— Você vai ser muito feliz com ele. — Ele diz, sua voz falha por causa do que acabou se tornando um choro reprimido. — Detesto dar o braço a torcer, mas ele me pareceu um bom cara. Ele vai ser bem melhor que eu.

— Eu iria ser mais feliz com você.

Ele suspira e olha para o relógio. Acaricia a minha bochecha e sorri tão depressivamente que me parte o coração.

— Eu tenho que ir, agora. — Ele olha para o chão. — Mas tenho algo para você.

— O que é? — Pergunto, curiosa.

— Você me pediu um último beijo. — Ele dá um sorriso de lado. Incrível como isso ainda me afeta... — Acho que não poderia dar outro presente.

Ele segura a minha cintura, apertando-a levemente. Primeiro ele dá um leve beijo na minha testa, depois na ponta do meu nariz e enfim um selinho. Ele arrasta pelo meu corpo uma de suas mãos até o meu pescoço, me fazendo aproximar ainda mais (o que me faz questionar aquela lei de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar). Eu gemo baixinho, e isso faz ele sorrir, sem afastar os lábios dos meus.

Quando paramos, deito minha cabeça novamente no seu ombro. Ele passa a mão nas minhas costas, me fazendo arrepiar. Ele está um pouco ofegante. Eu aperto seu ombro, e ele volta a olhar para mim.

— Eu realmente vou sentir muita saudade de você, Sica. Saudade dos seus beijos, do seu perfume, do seu sorriso... Você me faz feliz, me deixa completo. — Ele fecha os olhos por um breve momento, depois os abre, cheios de lágrimas. — Mas, ao mesmo tempo que você me faz bem, você me faz mal. Sei que é difícil entender, na verdade nem eu entendo, mas por favor... me deixe ir. Para o nosso bem.

— Eu não vou mais discutir, Hector. — Falo, enxugando uma lágrima e ficando séria. — Faça o que você quer.

Ele fica frustrado, talvez querendo que eu aceitasse tudo numa boa. Mas eu jamais vou aceitar numa boa.

— Eu realmente tenho que ir. — Ele fala. — Boa sorte em sua vida.

— Boa sorte para você também. — Falo, me distanciando dele. O senhor Daves entra no carro, no banco do motorista. Carlie vai na frente e Hector senta no banco de trás. Vejo o carro se afastar em direção ao aeroporto.

Volto para casa, lágrimas quentes descendo pelas minhas bochechas. Eu jamais vou vê-lo, e isso me dá um nó tão grande... A minha vontade é de me ajoelhar no chão e gritar, mas as palavras não saem. Quando chego no meu quarteirão, mamãe está lá, me esperando.

— Eu não quero ir pra escola hoje. – Sussurro. – A única coisa que quero fazer é enfiar meu rosto em meu travesseiro e chorar bastante.

— Tudo bem. — Ela fala, me abraçando. — No seu aniversário eu deixo.

Sinto uma vontade enorme de rir, já que eu passei bom tempo sem ir para aula alguma. Entro em casa e vejo Lilian estressadíssima no telefone.

— Não, eu sei muito bem que você fez isso. — Ela faz uma pausa. — Claro, todo mundo sabe da corna que eu sou... Não, idiota! Como você é um filho da puta, mesmo, hein?... Escuta aqui: tá tudo acabado! TUDO! — Ela desliga o telefone, chorando.

— Lil... O que aconteceu?

— O puto do Chris. – Minha irmã está frustrada. – Ele foi visto pela Gil numa balada com a Victoria. Beijando ela!

E, pelo visto, as irmãs Andersen não têm sorte no amor.

— Ai, Lilian... Ele me parecia tão legal... — Falo, abraçando-a.

— Eu não quero mais saber dele. – Ela prende seus cachos dourados num coque malfeito. – Ele já estava se tornando um pé no saco, mesmo. Estava achando ele muito meloso, e agora... Meloso e mentiroso!

— Esquece ele. Sei que é muita ironia eu estar te falando isso, mas esqueça-o. É o melhor para você.

— Eu sei. Vou fazer isso, com certeza. — Ela me abraça e sai seguindo mamãe, que iria deixá-la na escola.

Vou para meu quarto, assim que preparo um suco de maracujá para mim. Bebo-o todo e deito-me na cama, tentando relaxar ao máximo. Hector... eu vou sentir tanto a sua falta...

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Depois que acordo, almoço e curto meu presente. Mando tantos emails para meus amigos da antiga escola... Depois de tudo o que aconteceu comigo, quase não consegui manter contatos com todos, mas agora que tenho esse tempinho, tento lembrá-los de que eles ainda são importantes para mim. Quando dá cinco e meia, Lilian me ajuda a colocar o vestido.

— Eu ainda não acredito que você vai sair com ele, Sica. — Ela fala, de cara amarrada.

— O que foi, Lilian? — Falo, zombando dela. — Sei que você queria estar no meu lugar, já que já faz um tempo que você está interessada nele...

Ela se afasta de mim. Eu tentei fazer só uma brincadeirinha boba, mas será que eu a ofendi de alguma maneira?

— Não... — Ela fala, um pouco tensa. — Claro que não, eu não iria querer sair com ele. Ele é muito velho.

— Ah, sei... Muuuuito velho. — Falo, sorrindo. — Ele tem a minha idade, se não for mais novo, já que fiz 17.

— Então ele é mais novo que você? — Ela fala, perplexa. Com as mãos, ela pede que eu sente na cadeira para que ela comece a me maquiar. — Ele me parecia tão maduro quando o vi. Maduro, inteligente, centrado...

— Como você acha tudo isso dele se mal trocaram algumas palavras? — Brinco com ela. — Eu acho que...

Novamente ela interrompe suas ações.

— Não, você não acha nada. — Ela me corta. — Saia com ele, mana. Eu tenho certeza que ele lhe fará bem. Segundo, agora que eu não estou mais com o Chris, acho melhor ficar quieta em relação à garotos. E terceiro, ele está caidinho por você. Eu queria que os garotos ficassem assim por mim também...

— Eles ficam, Lil. — Beijo sua bochecha. — Você que não percebe.

— Ah, tá. — Ela desdenha, subindo o zíper do vestido.

Estou me sentindo deslumbrante... O vestido jeans azul-mar é muito lindo. Coloco um cinto vermelho na altura da minha cintura, e um pequeno salto azul claro.

— Você está deslumbrante, maninha. — Ela fala, olhos brilhando. — Você vai arrasar o coração dele.

— Exagerada. — Falo, mas sempre é bom escutar essas coisas.

Ela termina com a maquiagem e estou pronta. Eu e Steven vamos em um restaurante chique no centro da cidade. Apesar de estar, de certa forma, vestida bem simples, é o suficiente para causar boa impressão. Quando ele chega, beija minha bochecha e sorri.

— Você está... Maravilhosa. — Ele fala. — Como você vai?

— Bem, obrigada. — Sorrio para ele. — E você?

— Estou ótimo. — Ele sorri, mas percebe que eu estou um pouco triste. — Anda, o que foi?

— Nada, é só que... ele foi embora hoje. — Digo, e ele parece beeem desapontado. — Desculpa, eu não devia ficar falando dele.

— Não, você deve sim. A história de vocês ainda é recente. Eu que devia deixar meu ciúme de lado. Um ciúme sem noção, já que nós não temos nada.

— Ainda. — Falo para ele, sorrindo. Ele parece feliz e me abraça novamente. — Não ainda, Steven.

Ele entra em casa para falar com a minha mãe.

— Oi, senhora Stuart. — Ele sorri para ela. – Bom ver a senhora de novo.

— Boa noite, Steven. — Ela sorri. É incrível como mamãe fica boba perto de garotos bonitos. — Vocês já vão?

— Já. As reservas são para daqui a 40 minutos.

— Então tudo bem. Até logo, filha. E tenha muito cuidado. — Ela fala e automaticamente lembro do assalto. Digo para ela que vai ficar tudo bem. Ela beija minha bochecha e nos leva até a porta. Steven me leva para seu carro (ou do seu pai, não perguntei) e nos leva até o restaurante. No caminho, conversamos um pouco mais sobre nossas famílias, e é interessante ver como outras pessoas reagem a um câncer de um parente.

Acho incrível a quantidade de adolescentes por lá, já que é um restaurante quase chique,mas não questiono. Ele fala seu nome para um homem muito bem vestido e ele nos indica a mesa. Nos sentamos e ele olha para mim.

— Já que a festa surpresa não deu certo, – Ele puxa assunto, olhando para mim. – Fico feliz que pelo menos pude jantar com você.

— Você não sabe guardar segredos, não é?

Ele nega com a cabeça.

— Eu não gosto de esconder nada, nem pensamentos, nem planos... – Ele sorri. – Nem sentimentos.

Engulo em seco. Aquilo era uma indireta para mim, com certeza. Acho que ele percebeu meu desconforto, então ele desvia de assunto.

— Você me parece bem melhor desde a última quimio.

— Estou sim. Acho que estou me acostumando com ela. — Falo, sem muita certeza e com uma pontinha de nervosismo, ao lembrar-me de minha ultima sessão. Minhas veias ainda arderam, os remédios me deram ânsia de vômito e tudo mais... Não consigo nem pensar em como vai ser a próxima.

— Isso é bom. Depois você nem percebe tanto os sintomas.

O garçom chega e nos pergunta nossos pedidos. Olhamos no cardápio e pedimos um peixe metido a fresco e um suco de laranja de nariz empinado. Ele anota nosso pedido e sai, nos deixando novamente a sós.

— E você? – Pergunto. – Pelo visto decidiu raspar a cabeça também...

— Acho que você me inspirou um pouquinho. – Steven sorri. – Assim que cheguei em casa, naquele dia da quimioterapia, peguei a máquina e raspei tudo. Não conheço algo que é mais libertador que sentir o vento na cabeça, sério.

Não consigo deixar de rir. Eu também achava a sensação boa.

— Você fez uma boa escolha. – Sorrio. – Fica muito mais bonito assim.

O assunto para. Ele fica olhando para meus olhos tão intensamente que me deixa um pouco constrangida. Sem dúvidas eu tinha alimentado ainda mais as esperanças dele, mas sei que nada me impede disso. Sorrio, tendo a certeza de que meu rosto está muito vermelho. Ele ri e abaixa os olhos.

— Isso é meio constrangedor... — Ele fala. – Eu fico pensando no que fazer se o assunto acabar.

— Eu penso nisso também. — Falo, e ele ri novamente. — Mas eu gosto de estar aqui com você, mesmo que seja para ficar em silêncio.

— Sério? — Ele pergunta, realmente curioso.

— Claro, por que não? Você é uma ótima companhia. — Sorrio para ele, e o garçom vem com nossa comida. Ele nos serve e comemos em silêncio. De vez em quando ele olhava para mim, e eu fingia que não percebia. Caraca... Ele estava quase hipnotizado! Depois de um tempo, eu não pude mais segurar o riso.

— O que foi? — Ele fica rindo da minha reação.

— Nada... É que você fica bonitinho olhando para mim de canto de olho. — Sorrio, e ele fica muito envergonhado. Que bonitinho!

— A-ah, é q-que e-eu... — Ele gagueja.

— Está nervoso? — Provoco, e ele fica ainda mais vermelho. — Não precisa ficar assim, vermelho. Eu gosto que você me olhe.

Ele sorri tão docemente que derreto por dentro. Eu jurava que só Hector podia fazer isso comigo... Espera, eu não vou ficar lembrando dele agora, não é? Isso seria uma burrice tremenda! Gosto muito de Steven, e sei que vou ficar bem com ele. Não importa o tempo que dure, eu sei que ele não vai me machucar. Ele me entende.

Pedimos um sorvete sem lactose de sobremesa, comemos e ele paga a conta. Sinto-me estranha por não ajudá-lo com a conta.

— É nosso primeiro encontro, Sica. Eu pago. — Ele fala quando o questiono. Saímos do restaurante e ele nos leva para a minha casa.

Quando chegamos, ele abre a porta para mim (que cavalheiro!) e ficamos parados na porta antes de entrar.

— Eu gostei muito de sair com você. — Eu falo para ele, que fica muito alegre. Eu o tento beijar na ponta do nariz, mas ele conseguiu ser mais rápido que eu e inclinou a cabeça para trás, me fazendo dar um selinho nele. Fico muito envergonhada e ele sorri, vitorioso.

— Por quê não entramos? — Eu falo, tentando disfarçar minha vermelhidão.

Ele concorda. A casa parece muito vazia, então eu chamo minha mãe, meu pai e Lilian. Ninguém em casa. Olho na mesa da cozinha e vejo um pequeno bilhete.

Jessica,

Eu e seu pai fomos para a casa de sua avó, parece que ela caiu e a Gertrudes nos ligou pedindo para levá-la ao médico para saber se ouve algo grave, mas não se preocupe, pelo visto ela está bem. Deixamos Lilian na casa de uma amiga dela, e vamos buscá-la somente amanhã. Tranque as portas e acorde cedo, voltaremos amanhã. Se cuide! — Mamãe.

Eles saíram... Minha avó caiu em casa. Que terrível!

— Nossa. — Ele fala, se aproximando. — Não devia ligar para a sua mãe, para dizer que chegou? Ela deve estar preocupada.

— Tem razão. — Falo para ele, sorrindo.

Ligo para mamãe, avisando que já estou em casa. Ela fala que vovó está bem, mas mesmo assim chegará amanhã. Ela me fala mais uma vez sobre trancar as portas e acordar cedo. Depois que desligo, vejo Steven sentado no sofá. Ele me parece um pouco cansado, mas está alegre. Eu vejo isso.

Aproximo-me dele e me sento ao seu lado. Steven fica olhando para mim, e beija minha bochecha. Eu, entrando na brincadeira dele, viro minha cabeça para o lado quando ele tenta pela segunda vez, e ele acaba me beijando. Mas ele parecia que sabia que eu ia fazer isso, e ele não para no selinho. Ele começa a me beijar de verdade, e me sinto algo dentro de mim, uma sensação muito boa... Eu chego mais perto dele, e intensificamos ainda mais o beijo. Como eu amo isso...

— Sica... — Ele sussurra no meu ouvido. — Eu adoro ficar com você. Adoro mesmo.

— Pensa que eu não sei? — Brinco com ele. — Eu também gosto. Gosto muito mesmo.

Fico abraçada com ele, e todos os pensamentos ruins saem de minha mente. Dou graças a Deus por ele não entrar no assunto "confusão emocional". Ele diz que vai para casa, mas eu o puxo antes de ir.

— Ei, Steven! — Chamo-o. — Você não quer dormir aqui?

Acho que ele quase engasgava com a própria saliva.

— Como? — Ele fica com cara de dúvida, para abrir logo um sorriso.

— Deixa de ser bobo, não é isso! — Bato no seu ombro. — É pra você ficar no quarto de hóspedes, para eu não dormir sozinha. Eu estou com medo de ficar aqui sozinha.

— Medo? — Ele entra de novo em casa. — Não, eu fico sim... Mas eu não tenho roupa.

— Que nada, eu pego algo do meu pai. — Falo para ele. — Vão ficar um pouco folgadas, mas vão servir.

Ele assente e vou buscar uns pijamas de papai. Quando volto, vejo que ele está conversando com sua mãe no telefone, tentando explicar como ele ficaria bem se passasse uma noite fora de casa. Assim que ele convence ela, entrego algumas roupas para ele. Mostro o caminho para o quarto e ele se troca, saindo logo depois.

— Boa noite. — Ele fala para mim, me beijando. — Ah, e se eu invadir seu quarto, você vai achar ruim?

— Depende... — Falo, maliciosa. Beijo sua bochecha, caminhando lentamente à sua orelha, e a mordisco. — Mas você não vai fazer nada, não é?

Claro que não...— Ele fala, irônico. — Sério, não precisa se preocupar. Eu sei respeitar.

— Que bom. — Dou mais um beijo em sua bochecha, e deixo-o entrar novamente no quarto.

Oh, Deus... Por quê não existem mais homens como ele?