Notas iniciais
Tá, dessa vez eu demorei DEMAIS, me perdoem. Bem, aqui está a segunda parte. Não sei se vou narrar o casamento todo, provavelmente não, mas garanto que virá mais surpresas - boas e ruins.

— Olha, esse foi o penteado que me passaram. — Ele me passa uma das fotos do catálogo e para numa delas. — Não é lindo?

Realmente... É muito lindo. Tecnicamente simples, mas lindo. Pequenas tranças que se unem em um coque, que prende o resto do cabelo, enfeitado com flores minúsculas brancas. Lindo. Ela acertou!

Ele começa a lavar meu cabelo, e depois o seca. Nossa, é a primeira vez depois da quimioterapia que vejo meu cabelo liso de novo. E de repente me vêm a mente: Como seria minha vida se eu não tivesse mudado de escola? Se eu não tivesse tido câncer? Onde eu estaria agora, o que eu estaria fazendo? Eu jamais iria conhecer Hector... Não. Eu não vou chorar. Hoje é um dia de alegria, sim?

Ele faz tranças finas que se juntam com um coque previamente feito. Depois de vários grampos, muito laquê e brilho por todo lugar, ele termina, dizendo que vai buscar meu maquiador.

Fico olhando para o espelho. Eu estou radiante, mais do que nunca. Agora que a minha ansiedade aumenta, como se finalmente a ficha tivesse caído para mim. Vou me casar!

— Filha? — Ouço a voz da minha mãe. Olho para trás e ela está toda arrumada. — Seu cabelo está lindo!

— Obrigada. O cabeleireiro foi chamar o maquiador. — Levanto-me da cadeira e abraço-a. — Estou nervosa.

— Eu sei, querida... — Ela fala. — Vai dar tudo certo. Você precisa ver como a igreja está linda...

— Boa tarde. — Um homem alto chega perto de nós. — Eu sou Harry, seu maquiador.

Oh, ainda bem. — Falo. — Mãe, que horas são?

— Cinco e meia. Vai dar tempo. — Ela fala.

— Claro que vai. A maquiagem dela é bem simples para dar ênfase na beleza natural dela, e sua pele parece ótima para fixação de produtos. — Ele diz, mas não entendo que ele quis dizer com isso.

Sento-me e ele prepara minha pele. Depois de quinze minutos ele termina de me maquiar. Minhas bochechas estão coradas, meus cílios estão longos — e minhas olheiras desapareceram — e meus lábios têm uma cor rosa tão linda que me sinto um anjo. Agradeço-o pela maquiagem.

— Agora, seu vestido. — Ele se dirige à minha mãe. — Você o trouxe, sim?

— Sim. Vem, Sica, vamos vestir você.

Levanto-me e ela me leva até uma sala reservada. Entramos lá e ela pega o vestido da caixa que estava segurando. É uma roupa linda... Visto-a com a ajuda dela, para não manchar a maquiagem e desmanchar o cabelo. Tem uma parede toda espelhada, e me olho. Sei lá, passou-se pouco tempo. Até um dia atrás eu tinha 16 anos, vivendo uma vida normal. Aconteceram muitas coisas, várias horríveis, mas superei. Superamos. E agora tudo está feliz.

Aliso minha barriga. Pensar que há uma pequena criaturinha vivendo aqui me causa medo. Um medo assustadoramente incrível. Como ela vai ser? Vai se parecer comigo ou com o pai? Será que ela vai ser carismática como ele, ou inteligente, modéstia à parte, como eu? Sorrio feito uma boba. Mamãe fica me olhando, com certeza chorando baixinho. Ela se aproxima de mim e me abraça.

— Eu me orgulho muito de ser sua mãe. — Ela sussurra. — Acho que você já está cansada de tanto ouvir isso, não?

— Ai, mãe! — Falo, olhando para o teto. — Não me faz chorar!

— Desculpa, meu amor! — Ela fala. — Não chore, senão vai borrar...

— A maquiagem, eu sei! Bem, que horas são?

— Seis e vinte. Acho que devemos ir, todos já devem estar por lá, ou pelo menos a maioria!

Saímos da sala e vamos até a recepção. Várias mulheres ficam me olhando, o que eu detesto, mas hoje deixo passar. Algumas sussurram, não tão baixo, o quanto eu estou linda, outras até vêm até mim e me parabenizam. Mamãe paga o dia e olho para fora.

— Mãe... Aquilo ali é uma... Li-limo...

— Limousine? É sim. — Ela sorri. — Alugada especialmente para nós. Olha quem está lá dentro!

Assim que ela fala, papai sai do enorme carro. Ele fica muito elegante de smoking escuro.Ele se aproxima de mim e beija minha testa.

— Filha, você está tão linda quanto sua mãe em nosso casamento. — Ele olha para ela de relance, eu não deixo de sorrir para ela. Mamãe parecia um pouco envergonhada. — Estou muito orgulhoso de você.

— Obrigada. — Sorrio, abraçando-o.

— Olha, se algum dia você ver que ele não é o homem certo pra você, pode vir falar comigo, que eu dou um sopapos nele.

— Will! — Mamãe o reprova.

— Ora, pai, eu amo Hector. Ele é o amor da minha vida, e tudo vai dar certo.

— Se você diz... Anda, vamos entrar.

Ele segura minha mão, me conduzindo à limousine. Quando entro, mamãe entra e fecha a porta. Lentamente seguimos até a igreja, que é um pouquinho longe. Pergunto as horas ao motorista, seis e quarenta. Bem quando ele me responde, ele avisa que chegamos.

Estou tremendo. Eu não estava muito ansiosa. Se você quer saber o que é se sentir ansiosa e nervosa de verdade, experimente se casar. Você vai ficar muito, mas muito nervosa mesmo. Papai percebe a palma das minhas mãos suadas, e ele me dá um sorriso em comiseração. Assim que chegamos, mamãe beija minha bochecha de leve para não manchar minha maquiagem.

— Eu desço primeiro, vou avisar ao padre. — Ela fala.

— Tudo bem. — Eu e papai falamos ao mesmo tempo.

Ela desce e, depois de cinco minutos, mamãe volta dizendo que podemos descer. Dou meu braço a ele, que me leva até lá. Ficamos bem em frente à igreja. Noto os músicos começarem a marcha nupcial. Engulo em seco.

— É agora, meu bebê. — Ele suspira, enxugando uma pequena lágrima que desceu dos seus olhos.

— Sim. É agora.

Subimos os pequenos degraus da igreja e andamos lentamente pelo tapete vermelho. Ensaiamos isso várias vezes, mas ainda sim tenho medo de tropeçar e cair. Lembro-me das palavras de Hector, quando disse para ele sobre esse meu medo. "Você não vai cair, mas se isso acontecer, prometo que lhe segurarei." É com esse pensamento que continuo andando em frente.

Aos poucos vamos chegando perto do altar. As pessoas olham para mim, admiradas. Alguns amigos da minha escola antiga — Eles vieram! — e outros da minha última escola, além de vários familiares, desde distantes aos mais próximos. Vejo Missi, juntamente com Jack e, pasmem, meu chefe! Vejo Lil sentada ao lado de Steven. Ele está sorrindo para mim, e sorrio para ele.

Mas a pessoa que eu queria ver mesmo está bem ao lado do padre. Hector está nervoso, posso ver pela sua expressão, mas ele faz força para sorrir. Quase me dá um ataque de riso a cara de pânico dele, mas me controlo. Essas coisas só devem ser feitas depois da cerimônia.

Chegamos ao altar. Hector se aproxima de meu pai, que se vira pra mim e beija minha mão, para logo depois me entregar à meu quase marido. Ele beija minha bochecha, e, rapidamente sussurra:

— Eu disse que você não ia cair.

— Seu bobo. — Respondo com um sorriso enorme em meu rosto.

Ele sorri e ficamos diante do padre.