Jessica Chloe - Vitoriosa
39 Casamento e desespero
Notas iniciais
— Andrew Hector Daves, é de livre e espontânea vontade que você deseja se casar com Jessica Chloe Andersen?
— Sim. — Ele fala, em alto e bom tom.
Não consigo desviar meu olhar do dele. Os olhos azuis de Hector não param quietos, sinto ele analisar cada movimento em meu rosto. Seu sorriso é terno e doce, e quando uma lágrima minha desce pela minha bochecha, ele a seca. O flash de uma câmera que capturava o momento espontâneo me acordou para a realidade novamente.
— Jessica Chloe Andersen, é de livre e espontânea vontade que você deseja se casar com Andrew Hector Daves?
— Sim. — Respondo, nervosa. Hector abre seu riso.
— Se existe alguém aqui que vai contra com essa união, que fale agora ou cale-se para sempre.
Olho para as pessoas, que ficam num silêncio poderoso.
— Então, — O padre, sorrindo, fala. — Agora é a hora dos votos finais.
O reverendo pega um microfone das mãos do pajem — que era o priminho pequeno de Hector — e entrega a Hector.
— Jessica, — Ele começa e sua voz chacoalha um pouco. — Você aceita se casar comigo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe?
Eu estou chorando tanto... De alegria, diga-se de passagem. Hector também deixa umas lágrimas descerem. Ele não está sorrindo mais, porém sua expressão de calma me deixa relaxada. Ele pega a aliança que a daminha de honra — Julie, a prima pestinha dele — e espera eu dar minha resposta.
— Aceito! — Exclamo, sorrindo feito uma boba.
Hector coloca a aliança no meu dedo anelar esquerdo. O padre pega o microfone e me entrega.
— Hector... Você aceita se casar comigo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe?
— Aceito até além da morte. — Ele brinca.
Alguns riem baixinho, mas a maioria solta um suspiro alto. Coloco a sua aliança em seu dedo anelar. Entrego o microfone ao padre e ele enfim diz:
— Então, eu os declaro, com a bênção de Deus, marido e mulher. O noivo já pode beijar a noiva.
Hector segura minha cabeça com as duas mãos, fazendo-me chegar mais perto dele. Ponho minhas mãos nos braços dele, e sussurro um "eu te amo" baixinho, que ele responde com um beijo, primeiramente minha testa e depois minha boca, cálido e puro. Ou seja, bem diferente dele mesmo.
Ele segura meu braço e me guia até o lado de fora da igreja. Todos os convidados aplaudem, alguns gritam entusiasmados e outros já se dirigiram para a saída da igreja, onde seguram sacos com arroz. Andando lentamente, chegamos até lá e as pessoas — principalmente nossos colegas e amigos — jogam arroz em nós. Apesar de ser uma cena completamente patética, é uma das coisas mais lindas que já vi.
Vamos em direção à limousine. Ele gentilmente abre a porta do enorme carro e eu entro, seguida por ele. Ele fecha a porta e o carro arranca.
— Enfim. — Ele fala, tirando uma mecha que caíra do meu penteado.
— Enfim. — Sorrio, e ele me beija na bochecha. Noto que o motorista aperta um botão que faz com que a divisória entre o motorista e a parte de trás se eleve. Bem, precisamos de privacidade.
— Como será que está nossa festa? — Pergunto.
— Bem... Nossas mães estão organizando tudo, então tenho certeza que está fantástica. A gente dá um pulinho lá e depois vamos para um... local especial. — Ele faz suspense, mas, sendo Hector, ele logo estraga a surpresa. — Comprei passagens para Paris. Sei que você queria muito conhecer lá para tirar várias fotos, então sei que será nossa melhor sessão de fotos.
— Ah meu Deus, Hector! — Sorrio para ele, o abraçando. — Você é mais perfeito que isso?
— Nós dois sabemos muito bem que estou longe de ser perfeito.
— É verdade. — Acaricio a bochecha dele. — Por isso eu te amo ainda mais.
Continuamos abraçados, ele me beija e coloca sua mão na minha barriga. Coloco a minha por cima da dele, que parece curioso por um momento. Antes que eu diga qualquer coisa, sinto uma pontada enorme bem abaixo do meu umbigo.
— Está chutando? — Ele pergunta, seus olhos brilhando.
— É a primeira vez! — Falo, com um sorriso enorme. — Vai var que ela quer um pouquinho de atenção...
Ela chuta de novo. Deus, essa menina vai ser jogadora de futebol!
— Oh, que lindo! — Hector exclama.
— Que doloroso, isso sim! — Falo, sorrindo.
O carro estaciona. Chegamos ao buffet. Hector me ajuda a descer e, nossa, já há muita gente esperando por nós!
Caminhamos até o salão de festas, onde mamãe e papai nos abraçam, juntamente com o senhor e senhora Daves. Cada um dos quatro beija nossas testas e sorriem como bobalhões.
— Finalmente posso dizer que estou feliz de novo. — Carlie fala, olhando nos meus olhos. — Sei que Gwen está muito feliz, onde quer que ela esteja.
— Também não tenho dúvida alguma. Ela com certeza deve estar dando pulinhos de felicidade e gritinhos agora! — Digo, o que arranca dela uma gargalhada.
— Não conversei muito com você ainda, Jessica, — O senhor Daves fala comigo, acho que só trocamos algumas palavras no decorrer dos preparativos. Sua voz é tão grossa quanto a de Hector. — Mas tenho certeza de que você será uma ótima esposa para ele. Carlie e eu estamos felizes por tê-la em nossa família, de verdade.
— Obrigada, senhor Daves.
— Chame-me de John. — Ele sorri.
Deus... Sinto uma forte tontura.
— Sica! — Ele exclama. — Você está bem?
— Estou. — Murmuro. — Acho que é a fome.
O rosto de Hector mostra sua preocupação, mas tento garantir a ele que estou realmente bem. Meus sogros parecem um pouco confusos, mas Hector abre espaço para mim e entramos no salão. Todos estão esperando tirar fotos conosco, provavelmente a um bom tempo, mas meu marido avisa aos convidados que logo estaremos aptos para posar. Antes de qualquer coisa, ele me senta em uma mesa e traz uma cestinha de salgadinhos para mim.
— Nossa filha está consumindo sua energia. — Ele sorri para mim. — Coma. Garanto que ficará melhor.
Não ouso falar nada, somente como praticamente toda a cesta. Ele ainda está ao meu lado, e sinto que ele quer rir muito da cena.
— Vá em frente, ria da minha cara de gulosa! — Sorrio para ele.
Hector, enfim, ri. Dou uma leve batidinha em seu ombro, e antes que eu perceba, estamos abraçados novamente. Deus, não quero soltá-lo nunca mais...
— Que tal a gente dançar um pouco? — Pergunto.
— Já está bem? — Hector põe sua mão em minha testa.
— Não estou com febre, bobo. — Sorrio. — Estou bem. Vamos?
Ele se levanta da cadeira e estende a mão para mim. Seguro-a e logo meu marido me conduz para o salão. Algumas pessoas que estavam dançando abrem espaço para nós, e andamos até o centro do local. Os músicos começam a tocar uma música clássica, e Hector começa a me guiar pela mão.
Seu braço esquerdo está envolto na minha cintura, sua mão direita segura a minha com firmeza. Seus passos estão um pouco duros, e não sei ao certo se é porque ele não sabe dançar ou se é por medo de pisar na barra de meu vestido. Beijo a bochecha dele de leve, deixando-me guiar pelo ritmo dos instrumentos. Tudo está indo muito bem.
Até que a tontura volta, ainda mais forte.
— Meu amor. — Escuto Hector murmurar, mas meu corpo enfraquece demais para me manter em pé. Ele me segura em seus braços.
Ouço o salão inteiro ir do burburinho ao silêncio. Sinto os olhos de todos em mim.
— Acho que não estou bem mesmo... — Falo, usando minhas últimas forças. — Me leva para um hospital.
Antes que ele fale algo, desmaio.
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