Jessica Chloe - Vitoriosa

40 Alegria e tristeza por dois


Notas iniciais
Atenção, leitoras! Quero divulgar mais minha fic, mas como eu tenho pavor de spam em caixas de entrada ou em reviews - detesto fazer isso com as pessoas, detesto meeesmo! - eu dependo totalmente de vocês! Divulguem a minha fic nas suas fics, ou fale comigo para fazer isso pra você também!

Acordo na cama do hospital, já vestida com a bata médica. Minhas pálpebras estão praticamente inertes, como se meu corpo não quisesse acordar, contrariando meu cérebro. Quem trocou minhas roupas? Minha cabeça dói mais do que acho que deveria. O ar frio do quarto me deixa desconfortável. Deus, eu não queria estar aqui...

— Hector? — Balbucio, esperando ouvir alguma resposta.

Ele, que pelo visto estava sentado na poltrona em frente à cama, se levanta e vem correndo até mim.

— Sica... — Ele beija minha testa. — Como você está?

— Fraca, cansada, com enxaqueca e triste por não poder estar na festa agora.

— A festa foi cancelada, bebê. — Ele sorri, acariciando meu cabelo. Detesto pensar que eu estraguei a festa de todo mundo... — Agora que você acordou, o doutor disse que quer fazer alguns exames.

Exames... Deus, que não seja o que estou pensando.

— Senhorita Andersen, ou melhor, senhora Daves! — O doutor Flinn entra no quarto.

— Boa noite, doutor. — Eu falo, forçando um sorriso em meu rosto.

— É uma infelicidade tê-la por aqui. — Ele ri em comiseração. — Sinceramente, adoraria que você estivesse comemorando e se divertindo agora, ao invés de ficar presa nessa cama.

— Eu também, doutor.

— Bem, vamos ter que fazer alguns exames que a senhora conhece bem...

— Tomografia?

— Não. Não podemos fazer uso da tomografia, sendo que a senhora está grávida. — Ele se senta na poltrona mais próxima da cama. — Esse exame tem radiação, que faz mal para pessoas normais, e muito mais mal para um ser que tem uma multiplicação celular enorme, ou seja, bebês.

— E se...

— Se for o tumor? — Ele põe em palavras o meu medo. — Podemos fazer o exame de sangue muito detalhado, que mostra até as anomalias mais sutis nas células. Mas antes precisamos ver como está a gravidez. Como não é minha especialidade, vou chamar a doutora Gillies, para fazer uma ultrassom.

Assinto e ele sai, deixando-nos sozinhos novamente. Hector está com os olhos fixos em mim, e sua mão passeia pela minha barriga.

— Vai dar tudo certo, meu amor. — Ele sussurra. — Confie em mim. Vai dar.

— E se não der? E se eu estiver condenada àquela doença horrível? — Começo a chorar. — Não quero passar por tudo de novo!

— Sica, não chora...

— Eu nem sei quantas vezes eu fui hospitalizada durante a quimio. — Continuo, minhas lágrimas já não me incomodam mais. — Perto do final, quase pensei que eu ia morrer... Não posso passar por isso novamente.

Ele beija minha bochecha, tentando me acalmar.

— Não pensa nisso agora. — Ele diz, um pouco autoritário. — Não será nada demais.

A doutora Gillies aparece na porta antes que eu comece a chorar de novo.

— Recém Senhora Daves. — Ela sorri, apertando minha mão. — Vamos para a sala de ultrassom?

— Posso ir com vocês? — Hector pergunta.

— Pode sim, se ela concordar.

— Sim. — Falo, segurando firma na mão dele.

Eles me ajudam a levantar da cama, e me colocam numa cadeira de rodas. Contra a minha vontade, claro, por que eu estou relativamente bem, o bastante para andar. Ele empurra minha cadeira até a sala, e eles novamente me ajudam a deitar na cama. A doutora abre a bata — que é daquelas que a abertura é para a frente — e liga a máquina. Ela pega o gel e espalha na minha barriga, enquanto Hector segura minha mão.

Ela levemente passa o aparelho em mim. Infelizmente o monitor está virado totalmente pra ela, e eu não enxergo nada da minha menininha. Ela termina de examinar, sorrindo.

— Tudo bem com eles, pais.

— Eles? — Hector indaga antes de mim. — Como assim, eles?

— Os bebês. — O rosto dela parece confuso com nossa pergunta. — São gêmeos... Me parece uma menina e um menino. O menino está escondido atrás da irmãzinha, talvez seja por isso que o outro médico não tenha visto ele.

Ela nos mostra o monitor e, no meio daquelas manchas, consigo ver claramente duas cabecinhas e quatro bracinhos. Cubro minha boca.

— Meu Deus! — Hector está sorrindo feito um bobo. — São dois! Eu falei que era menino!

Eu não achava que poderia estar mais feliz que agora. Puxo meu recém-marido para um beijo rápido.

— Só um deles, bobão! A outra é menina, como eu falei desde sempre.

— Você teve muita sorte. A maioria das pacientes que passaram por quimioterapia têm muita dificuldade em engravidar, e algumas vezes o feto pode ter algum problema, mas os seus bebês aparentam ser muito saudáveis. — A doutora interrompe. — Vou levá-los agora para a sala de coleta. Ordens do doutor Flinn.

Assinto com a cabeça, e eles me ajudam a sentar na cadeira. Assim que entramos na sala de coleta, vejo o doutor assinando alguns papéis.

— Olá novamente, senhor e senhora Daves. — Ele sorri. Ainda é um pouco estranho escutar meu novo sobrenome. — Venha, vamos retirar algumas amostras.

Ele gentilmente me leva à cadeira especial e retira as amostras de sangue. Acho que Hector pensa que tenho medo de agulhas, pois ele fica olhando para mim apreensivo. Assim que termina, ele me conduz até o quarto.

— Onde está mamãe? — Pergunto, notando que eu não a vi até agora.

— Foi na casa da Missi, mas já deve estar voltando. — Hector explica. — Imagina a cara dela quando descobrir que são gêmeos!

— Ela vai ficar muito feliz. — Sorrio fracamente. — Mas eu ainda estou preocupada com esse meu desmaio.

— Não é nada. — Ele sussurra na minha orelha. — Não foi nada...

Ele acaricia minha bochecha e ficamos olhando um para o outro em silêncio por mais tempo do que consigo imaginar.

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Acordo com muita tontura novamente.

— Ah, Deus...

— O que foi, Sica? — Vejo minha mãe se aproximar, junto com papai e Lilian.

— Estou um pouco tonta. — Tento me sentar na cama, mas falta força em meus braços.

— Deite-se... — Papai afofa o travesseiro e me obriga a ficar deitada. — O doutor falou que o exame de sangue saiu. Ele foi buscar.

— Hector falou que você tinha uma novidade... O que é? — Mamãe, curiosa como só ela, pergunta.

Ele não contou ainda? Ai, Deus!

— São gêmeos. — Falo, acariciando minha barriga.

Olho para papai que

— Gêmeos? — Ela fica boquiaberta. — Como assim?

— Parece que o outro bebê, que é um menino, estava escondido atrás da menininha. — Sorrio, e ela coloca as mãos na minha barriga. — Consegue acreditar?

— Ah, minha nossa, um casal de uma só vez! — Ela sorri. — Ih, teremos que dobrar o chá de baby!

Sorrio. Nem me lembrava desse detalhe financeiro... Vejo o doutor Flinn entrar no quarto.

— Senhora Daves. — Ele me saúda. — Você está bem?

— Um pouco tonta. E então, doutor? O que eu tenho?

Ele retira os óculos, um pouco receoso. Deus, o que será que ele tem pra falar? Pelo seu semblante, não me parece nada bom. Olho para mamãe, que está segurando minha mão firmemente. Papai está a abraçando, como se a confortasse. Lil está encarando o médico. Onde está Hector?

— Sinto muito, senhora Andersen. — Ele pigarreia. — Infelizmente o tumor reapareceu.

Notas finais
não me matem! P.s.: Quero reviews!