Jennifer Petrovic, entre dois mundos. (HIATUS)
4 Não é um beijo é apenas selar os lábios!
Notas iniciais
Acordei no dia seguinte me sentindo disposta, acendi a luz do quarto, já que o mesmo não possuía uma janela, nem se quer uma brechinha para a entrada do sol. Ao olhar para a mesinha, tinha uma fatia de pão com queijo por cima e uma tigela com salada de frutas e um suco de maracujá – Milagre não ser nenhuma água milagrosa. — Meus olhos e barriga se encantaram ao ver aquilo e sem pensar duas vezes devorei a refeição de imediato e só depois notei um papel que estava escrito algo.
“Me desculpe, você ficou sem comer o dia todo, mas aqui está algo.
Espere que goste.
–Nataniel.”
Sorri e agradeceria depois, quando o encontrasse.
Caminhei até o banheiro e fiz minha higiene matinal e demorei uns trinta minutos naquela banheira.
Assim que me retirei do banheiro fui até o guarda roupa, e puxei uma calça preta skinny e uma blusa branca com a seguinte frase “Tudo que você precisa é amor” e revirei os olhos.
–Se existir alguém que possa lhe dar.
Me vesti e soltei os cabelos que estavam escovados, fiquei de pé descalços e tive coragem de sair do quarto e o sol rapidamente deixou meus olhos irritados, levei minhas mãos a eles e esfreguei com força e minutos depois consegui abrir os olhos, mas com uma breve dificuldade.
Dessa vez o chão não era de vidro, era uma grama totalmente aparada e verdinha e com um caminho de pedras, vi alguns anjos me olhando e me senti constrangida, e notei que cochichavam olhando pra mim, fiquei irritada e pensei em voltar para o quarto, porém vi a Lisa acenar para mim.
Fui a sua direção e ela parecia alegre, me deu um abraço e começou a tagarelar.
–Não sei se você sabe, mas hoje você começa o seu treinamento e como você é uma anja rara você terá que treinar sozinha e seu professor pediu que eu lhe levasse até a central de treinamento. –Ela sorriu, segurou meu braço e me puxou.
Decidi não reclamar e a acompanhei ate a central de treinamento, no caminho o lugar era adorável, vários bancos de granitos sobre a grama verdinha aparada, o lugar parecia que não tinha fim, adiante eu só via um morro com um castelo, quando olhei para trás percebi que os vários quartos ficavam distantes um do outro e o meu era o único menor e feito de porcelana, e para os outros que dormiam em grupos, seus cômodo eram bem maior, uns eram feitos de madeiras, outros de pedra, argila, granito e assim ia...
Cada porta tinha um símbolo mostrando a origem dos anjos que residiam ali. O lugar estava cheios de pés de maçã e flores de vários tipos que pareciam decorar o lugar.
A luminosidade do sol estava radiante, mas não forte, estava razoável, não causava calor, nem fazia com que meus olhos ardessem e lugar tinha cheiro de chuva com uma mistura de chocolate quente.
Mais adiante vi um morro e nele tinha um castelo enorme branco com um enorme portão preto e vários detalhes da cor dourada e tinha duas estatuetas enormes de anjos, cada uma segurando uma espada apontando-a para cima inclinadamente, fazendo com que as duas se cruzassem.
–Oque é aquele castelo? –Perguntei.
–É onde treinamos e estudamos.
Semicerrei os olhos e aquele castelo não me era estranho.
–Castelo Hearst, localizado na Califórnia... William Randolph Hearst... –Lisa respondeu a duvida que cercava minha cabeça.
–Oque ele está fazendo aqui? –Perguntei curiosa.
Lisa soltou um suspiro e começou a explicar.
–Mortal, nós conhecemos William Randolph Hearst, ele foi o criador do castelo, tenho certeza que você sabe... –Ela me encarou e eu assenti. – Bem os anjos queriam um jeito mais fácil de sair do céu e ir para terra, então os Anjos de classe média decidiram procurar um lugar e ficaram encantados com o castelo Hearst, mas para fazer uma ligação do céu para terra tinham que ter o consentimento e total sigilo do dono e ele deixou depois de muitos pedidos e um dos fatores para ele permitir é que ele tinha o dom de falar com anjos e várias outras coisas...
Fiquei deslumbrada, o Castelo era algo que dava gosto de ver, ele era realmente lindo, era a primeira vez que eu o via fisicamente, só o vira por fotos algumas vezes, mas nunca o visitei.
–O castelo foi adaptado um pouco aqui, quartos foram transformados em salas de aula, salas de jantar foram estendidas e vários outros cômodos também!
Assenti como se estivesse prestando atenção e ela se calou como se estivesse terminado sua explicação.
Assenti como se estivesse prestando atenção e ela se calou como se estivesse terminado sua explicação.
Ao entrarmos no castelo fiquei encantada, subi uma pequena escada e vi uma enorme piscina com azulejos em formas de quadrado no chão e várias estatuas de alguns anjinhos segurando um arco e flecha, colunas enormes com algumas estatuas que pareciam anjos também... Lembrava um pouco a arquitetura da Grécia. Algumas espreguiçadeiras e uma vista linda que parecia não ter fim, mas qualquer um que caísse daquela sacada teria uma morte horrível.
Mais adentro uma enorme sala com uma lareira e alguns banquinhos.
–A decoração na terra não é assim... –Avisou Lisa.
Até ela me levar à sala do meu treinamento particular, passamos por uma sala enorme com outra piscina, uma enorme sala de jantar e vários outros cômodos, por um breve momento achei que Lisa tinha se perdido, porque ela parou e ficou olhando para os lados e reclamou que o castelo era grande demais... E coloca grande nisso!
Ao chegarmos à sala de treinamento ela era enorme, o teto era de vidro e o chão era de madeira, arcos-flechas, espadas e vários outros acessórios para luta estavam pendurados na parede e alguns jogados no chão.
Um rapaz com uma cara de uns cinquenta anos, cabelos grisalhos castanhos, uma calça jeans aparentemente velha e uma blusa polo verde estava falando com o Nataniel que estava com os cabelos molhados de suor, um sorriso
divertido se depositava em seu rosto e pareciam estar conversando sobre algo interessante.
–Olá Ronald! –Disse Lisa totalmente eufórica e em seguida se dirigiu a Nataniel. –Olá Nataniel... Aqui está a peça rara!
O homem que tinha o nome de Ronald me olhou dos pés a cabeça e coçou o queixo.
–Não creio que eles dizem que ela não filha da Meredith... Os olhos, cabelos, lábios é tudo da mãe!
Sorri envergonhada e acenei.
–O sorriso... Eu identificaria sua mãe só pelo sorriso, mas agora vendo o seu, não sei quem é quem!
–Liga não, ele tinha ou ainda tem uma queda pela Meredith. –Cochichou Lisa em meu ouvido.
–Bem, pode ir Lisa, você tem coisas a fazer agora! –Ordenou Ronald.
A garota assentiu, acenou e se retirou da sala.
–Bem garota, para você que não me conhece eu me chamo Ronald, vou ser seu professor por um longo tempo, vou lhe ensinar todas as coisas que um anjo tem que saber e que um anjo cupido também tem que saber. E o Nataniel está aqui para ajudar.
Assenti e fiquei sem saber oque falar ou fazer.
–Bem, como não possuo paciência, Nataniel irá lhe ajudar com os arcos e enquanto isso vou ali comer algo.
O cara se virou em direção à porta e saiu fechando-a.
–Escolha um! –Mandou Nath passando a mão na testa para retirar o suor e usando a outra para apontar em direção aos arcos.
Caminhei em direção aos arcos e puxei um feito de madeira, mas ao mesmo tempo bem resistente.
–Ninguém gosta desse, falam que é péssimo.
–Continuarei com ele!
Ele deu de ombros e pediu que eu me posicionasse em frente a uma listra vermelha que estava pintada no chão, em seguida ele se posicionou atrás de mim e me afastei rapidamente.
–Você... Você está suado... –Murmurei.
–Sério? Você também vai ficar, não pense que o treino vai ser besteira não!
Ele voltou a se posicionar atrás de mim e ajeitou o arco em minhas mãos, fiquei nervosa e desconfortável com sua respiração em meu rosto, mas preferi não expressar isso.
–Bem, segure o arco com firmeza, puxe a corda e olhe bem para o seu alvo que é o circulo vermelho a sua frente.
Suspirei e tentei ficar calma.
–Respire calmamente, e quando sentir que está pronta solte a corda com calma.
Bem, como meu alto nível de inteligência eu continuei segurando a corda e soltei o arco que fez com que o Nataniel sorrisse.
–Mais uma vez...
Ele se posicionou atrás de mim e me mostrou como segurar o arco, portanto dessa vez ele continuou segurando o arco comigo até a hora d’eu soltar, mas a flecha caiu no chão e não no alvo.
–Mais uma...
E lá fomos nós dois novamente, cheguei a perder a paciência algumas vezes, mas Nataniel me repreendia e eu tentava... Tentava e tentava... Felizmente teve uma hora que eu consegui acertar o alvo e pulei de felicidade e dei um abraço surpreso no Nataniel.
–Ainda não! Mas foi bom para uma iniciante.
Revirei os olhos e me posicionei novamente na listra vermelha, suspirei e segurei o arco tentando manter a calma, puxei a corda com calma mas a mantive bem esticada, fechei os olhos e quando os abri soltei e acertei a flecha bem no meio do circulo vermelho.
–É... Nada mal para uma iniciante!
–Isso, depois que ela tenta umas cem vezes, nada mal mesmo... Já estava na hora!
Fiz um biquinho de raiva e revirei os olhos com raiva.
–Bem isso só foi um teste para o arco, vamos de espada?
–Não, arco tá bom pra mim!
–Quer dizer que você só quer aprender com o arco? –Perguntou desacreditado.
Assenti e ele deu de ombros, mas voltou à ideia para que eu aprendesse, mas não quis, tinha certeza que não me sairia bem com a espada.
Me sentei no chão e Nataniel fez o mesmo, mas Ronald chegou em seguida.
–Arco ou espada? –Perguntou encarando o garoto.
–Arco, ela não treinou espada, não quer.
O velho caminhou em minha direção e parecia desapontado.
–Você vai se arrepender disso futuramente. –Sussurrou olhando friamente em meus olhos e eu senti um arrepio na espinha, mas preferi ficar calada. –Mas agora vamos aprender um pouquinho dos seus poderes de anjo do amor... Anjos do amor tem o poder da sedução, quem se voluntaria para ser seduzido?
Fiquei sem expressão e não sabia oque falar, então segundos depois o rapaz continuou.
–Nataniel? Ah sim!
Ele negou, mas o rapaz o repreendeu e o garoto cedeu.
–Primeiro passo da sedução é olhar diretamente nos olhos da sua vítima.
Mordi o lábio inferior e fiquei confusa.
–Está esperando oque? Encare o garoto.
Arregalei os olhos e o cara me puxou bruscamente e eu fiquei em pé, com uma cara de bunda horrível, como assim seduzir? Sei fazer isso não.
–Como você sabe disso? –Perguntei estralando os dedos.
–Querida, sou o professor que tudo sabe nessa escola! –Falou se vangloriando e preferi não retrucar, já que eu era nova ali e ao mesmo tempo um ninguém naquele mundo de anjos.
Revirei os olhos e dei de ombros.
–Seu primeiro passo, vai ser seduzir, aproxime-se do garoto.
Engoli seco e fui na direção do Nataniel que parecia está um pouco envergonhado... Se ele estava com vergonha, imagina como eu estava certamente
vermelha como um tomate maduro.
–Não tenha vergonha, apenas encare.
Abaixei a cabeça e respirei fundo e em seguida olhei nos olhos do Nat, fiquei alguns minutos olhando, mas eu tenho certeza que não sou seduzível.
–FOCO, GAROTA! –Gritou Ronald me dando um breve susto. –Sorria e pense em como seduzi-lo vai ser algo bom!
SOCORRO! QUERO SER ANJO NÃO!!!! COMO ASSIM SEDUZI-LO VAI SER ALGO BOM??
Engoli seco novamente e o encarei com um sorriso desconcertado no rosto e vi seus lábios se movimentarem, me falando algo do tipo “Você consegue, não se preocupe.”
Respirei fundo e olhei intensamente nos olhos azuis do garoto que passava confiança e ele acreditava que eu conseguiria seduzi-lo e eu me concentrei, eu podia fazer aquilo.
Minutos depois o fitando vi seus olhos brilharem e um sorriso froixo brotar em seus lábios.
–Isso garota! Agora ele está praticamente aos seus pés, o encanto da sedução irá se quebrar quando você quiser.
–E como eu quero? –Perguntei sem saber.
–Sussurrando no ouvido do garoto, falando que já chega.
Assenti e me aproximei para quebrar o encanto, sussurrei um “já chega” quase silencioso e o garoto balançou a cabeça como se estivesse voltando de um sono profundo.
–Agora você irá seduzir e ler oque quiser da mente dele, saber o passado dele, oque ele está pensando, e se quiser arrancar alguma informação dele é só perguntar, você pode saber oque quiser.
Nataniel pareceu ficar assustado e fez um não para o professor.
–Não se preocupe, ela não vai consegui ver, está tudo bloqueado e ela ainda é uma iniciante, teria que ser como a mãe dela para poder ver aquilo tudo.
Uma curiosidade enorme tomou conta de mim, do que diabos eles estavam falando? Mas como o Nataniel ficou assustado, preferi não perguntar, poderia ser um segredo só dele e do professor, então era melhor deixar para lá.
–Pronta? –Perguntou e eu assenti.
Encarei o Nataniel novamente e dessa vez não demorou muito, ele já estava seduzido, eu sabia disso por que da primeira vez que o seduzi, seus olhos transmitiam uma chama vermelha.
–Como eu leio? Fico olhando pra cabeça dele? –Indaguei e logo arranquei uma risada de Ronald.
–Não, colando seus lábios no dele.
Arregalei os olhos, neguei e sorri sarcástica.
–NEM PENSAR!
–Nem pensar? –Arqueou as sobrancelhas e ainda parecia calmo, mas mesmo assim me deixava com medo com aquele olhar áspero e maldoso. –Você está aqui para fazer oque eu mandar, você é uma anja do amor, isso é necessário.
–Sou obrigada a beija-lo? -Indaguei incrédula.
–Em momento algum falei em beijar... –O rapaz sorriu malicioso e se aproximou de mim. –Falei em encostar os lábios, mas se você quer beija-lo fique a vontade, já que é oque você quer.
Que descarado, em momento algum pensei nisso... Mereço!
Nataniel era atraente, bonito um anjo em todos os sentidos – mas na escola ele não era bem assim... -, mas nunca tive esse pensamento, que professor idiota.
–Não foi isso que eu quis dizer! –Retruquei irritada.
–Então FAÇA OQUE EU ESTOU MANDANDO! –Seu tom de voz alto me deixou assustada e eu engoli seco assentindo.
Cerrei os punhos e suspirei tentando me acalmar, esse velho estava me tirando do sério.
Aproximei-me de Nataniel e ele sorria encantado para mim, parecia está apaixonado, sorri em meus pensamentos, não sei por que, mas eu achei divertido vê-lo com uma expressão “apaixonada” no rosto.
–Sele os seus lábios no dele.
Eu obedeci, e fiquei encarando o garoto e num movimento rápido selei nossos lábios e ainda o encarei assustada, fiquei com medo de ele me empurrar ou fazer algum movimento com os lábios, mas ele não fez nada, apenas fechou os olhos e me senti bem.
–Agora pense no que você quer dele.
Eu realmente não consegui pensar em nada, apenas fechei os olhos e pensei em qualquer coisa do seu passado, como ele era antes, mas o estranho era que tudo estava coberto com uma fumaça negra que parecia atrapalhar minha visão dentro dele.
Decidi me afastar e não gostei nem um pouco daquela nuvem negra, me senti apertada e sem fôlego, mas decidi não falar nada disso, talvez fosse por que eu nunca tinha lido os pensamentos de alguém antes.
–Já basta. –Sussurrei para o garoto.
Ele acordou do transe e parecia perdido.
–Chega por hoje! –Pronunciou um pouco irritado, melancólico e perturbado e se retirando da sala.
Fiquei um pouco preocupada, mas decidi falar com ele depois, talvez ele quisesse um tempo sozinho, olhei para o professor e ele parecia um pouco distante, então dei de ombros e sair da sala, oque fosse que estivesse acontecendo entre os dois era melhor eu não saber... Ou quem sabe procurar descobrir depois... Ou simplesmente deixar para lá.
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