Jennifer Petrovic, entre dois mundos. (HIATUS)
5 O barco misterioso.
Notas iniciais
Depois desse treinamento cabuloso, comecei a perambular pelo castelo e notei vários quadros com o estilo da época renascentista, vi até a pintura de Vênus, e ao lado outra pintura de uma mulher do mesmo jeito, só que seus cabelos eram pretos como os meus e os olhos azuis bem chamativos, ela possuía um sorriso marcante e um olhar penetrante.
–Linda não? –Escutei uma voz firme e baixa vim do fundo do corredor.
Olhei na direção e lá estava o Nataniel com o olhar fixo no quadro, mas estava distante.
–Sim, mais bonita que a verdadeira Vênus.
Ele sorriu brevemente e me encarou.
–Bem a verdadeira “Vênus” é essa dos cabelos negros, a anjo do amor, sua mãe.
Sorri meio desconcertada e minha mãe era bem mais bela do que eu, agora entendi o porquê do Ronald ser realmente apaixonado pela minha mãe.
–Eu juro, que quando eu vi você na estação do metrô, eu jurava que era ela, mas seu olhar é diferente, você tem um olhar distante, lembra alguém que eu conheço...
–Então eu sou bonita! –Afirmei convencida e sorrindo.
O garoto deu de ombros e não afirmou nem negou nada.
–Quem seria a pessoa que tem o mesmo olhar que o meu? –Perguntei curiosa.
Ele ficou calado e murmurou algumas coisas incompreensíveis e preferi deixar para lá, talvez ele não quisesse tocar no assunto.
–Fale-me sobre ela. –Pedi me aproximando do garoto.
O rapaz piscou os olhos fortemente e começou a rir, parecia ter boas lembranças da minha mãe.
–Bem, ela era muito ativa, extrovertida, tinha um jeito legal de mandar nas coisas e era a única que conseguiu impor regras nos Anjos maiores, ela era muito respeitada todos a amavam, porém toda pessoa tem seus defeitos...
Parei por alguns minutos e fiquei pensando em minha mãe agir, certamente era uma mulher perfeita, mas eu não conseguia imaginar nenhum defeito nela.
–Defeitos? Parece impossível!
O garoto sorriu e deu de ombros.
–Ela era um pouquinho... –Parecia um pouco sem jeito, semicerrou os olhos e fez um bico estranho. –Er, um pouquinho oferecida!
Finalmente concluiu oque parecia ser difícil.
–Como assim? –Questionei sem entender.
–Não sei se você sabe, Afrodite era uma vadia não?
–E oque isso tem... –Parei alguns minutos para raciocinar oque ele tinha dito e caiu a ficha. –Você tá querendo dizer que minha mãe era uma... Uma... –Como falar isso de uma forma elegante em? –Uma mulher que prestava serviços sex...
–NÃO! –Me cortou sorrindo. –Ela era uma vadia, diferente disso aí!
–Bem qual a diferença “disso aí” –Falei gesticulando as mão formando aspas no ar. –Para uma vadia?
–Bem, não uma vadia, sim uma mulher que gostava de uma diversão com caras diferentes, ou até mesmo mulheres.
–Oh gosh, ela era uma vadia!
Ótimo, descubro um pouco da minha mãe, tem tudo para ser perfeita e a megera é uma VADIA!
–Bem, é normal dos seus filhos terem essa parte dela, não julgue vai que v...
Semicerrei os olhos e fiz um “o” com a boca, cerrei os punhos e me segurei para não lhe dar um tapa.
–Já não quero ser uma anja, imagina uma vadia, seu imbecil! Vai tomar no seu cu!
Bufei irritada, o garoto me olhou espantado e logo em seguida segui um caminho oposto ao do garoto, era só oque me faltava ser chamada de vadia por causa de uma “mãe” morta!
Quando finalmente achei a saída do castelo, caminhei sem direção, estava irritada com tudo que estava acontecendo e sentia que as coisas não seriam tão fáceis assim.
Depois de alguns minutos longos caminhando avistei um rio que realmente fiquei encantada, sua água era transparente. TRANSPARENTE MESMO! Tão limpa que eu conseguia ver oque tinha sob ela, uma areia amarelinha e várias pedras encantadoras.
Me sentei na beirada do lago e coloquei meus pés nele, senti uma vibração boa e meu pés refrescaram de uma forma gostosa, era realmente um lago tentador.
Olhei mais a frente e notei um bote velho, que flutuava calmamente era estranho vê-lo ali sem ninguém dentro, uma enorme curiosidade cresceu em mim e eu fiquei louca para entrar nele, logo me contive.
Me deitei na beirada e fiquei contemplando a vista do céu que estava sem palavras, os humanos tinham razão de chamar um lugar como esse sem conhecer de “paraíso”.
Vários pensamentos vieram em minha mente, e nele minha “família” estava no meio, é realmente difícil de entender toda essa situação.
Um nó se formou em minha garganta e suspirei forte tentando não chorar, podia está nesse lago sozinha, porém sentia que estava sendo observada.
“Venha comigo!” Escutei uma voz masculina macia e muito sedutora me chamar, fiquei um pouco atordoada e olhei ao redor e não tinha o sinal de nenhum anjo.
Procurei me deitar novamente, certamente era coisa da minha cabeça, mas antes que eu fizesse isso o bote chamou a minha atenção mais uma vez, mesmo ele estando um pouco longe eu conseguia ver um símbolo nele. E a curiosidade berrava em mim.
“Escute a voz da sabedoria.”
–Quem está ai? –Questionei olhando aos redores.
“Quer mesmo saber? Então vá até o bote.”
Fiquei tentada, de onde diabos vinha esta voz? Se fosse um anjo eu já teria visto, e o lugar estava calmo, se estava por aqui estava muito bem escondido!
–APAREÇA! –Ordenei um pouco irritada com essa brincadeira de merda. –OLHA NÃO ESTOU COM PACIÊNCIA PARA ISSO!
“Calma, vou aparecer se você for ao bote, eu estou aqui, no bote!” O tom da sua voz continuava calma e ao mesmo tempo sedutora.
Almejei tentando manter a calma e entrei no lago por completo, portanto antes tirei minha calça skinny e deixei a blusa, para minha sorte ela era enorme.
A agua daquele lago era muito boa, sinceramente fiquei relutante em entrar no barquinho, dei alguns mergulhos e me sentia um pouco mais alegre, como se meus problemas fossem levados embora.
Antes de entrar no bote, notei ele possuía um símbolo que parecia um olho – eu já tinha visto isso em algum lugar-, passei a mão de leve e entrei no bote e ele estava vazio, antes que eu protestasse a mesma voz ecoou em minha mente novamente.
“Calma, agora você só precisa fechar os olhos!”
Chiei irritada que brincadeira idiota e eu ainda estava cedendo, fechei os olhos e cruzei os braços, antes que eu reclamasse de algo, uma voz que estava mais presente, e não em minha mente, pediu que eu abrisse os olhos.
Arregalei os olhos com curiosidade e vi um homem sentado a minha frente, certamente era o dono da linda voz, e ele não possuía apenas a voz linda não, ele era muito lindo, pode acreditar ou não, mas ele era tipo Afrodite versão feminina, nunca virá homem mais lindo na minha vida.
Seus cabelos pretos levemente bagunçados e olhos castanhos, porém eu via um pequeno tom de vermelho nele, talvez fosse apenas ilusão, ele tinha um tom de pele clara, mas estava levemente bronzeada, sua barba bem feita, sentado conseguia ser bem maior que eu, certamente tinha um metro e noventa.
–Olá. –Disse o rapaz com um sorriso no canto dos lábios, mas o olhar fixo em um lugar qualquer, exceto em mim.
Fiquei hipnotizada por aquele homem, era quase impossível lembrar-se de respirar perto dele.
–Jennifer? Jennifer Petrovic? –O cara me tirou daquele transe, mas quase entrei em um novamente, porém me contive.
–Quem...
Antes que eu continuasse a falar notei que não estava mais no lago, e sim em uma caverna, dava para ver o céu com um grande buraco sobre o teto da caverna, sua água era azul clara, porém não era como a do lago anterior, olhando as paredes dava para ver pequenas gotas e o som de gotejo no lago era um pouco irritante.
–Que lugar é esse? –Questionei desconcertada.
–Tenha calma, você ainda se encontra no paraíso! –Era possível notar um grande tom de sarcasmo em sua fala.
Não sou tarada não, mas acho que qualquer lugar que eu fosse e esse homem estivesse por perto seria o paraíso!
–Quem é você? –Perguntei.
O rapaz sorriu e entrelaçou os dedos um no outro, e ficou um tempo calado, eu só conseguia ouvir o som de nossa respiração e o gotejar da água.
–Quem eu sou? Tem certeza que quer saber? Não quero que se assuste. –O rapaz me olhou firmemente e seu sorriso continuava presente.
–Sim, por que me assustaria? Não acho que vai ser algo pior que já aconteceu nesses últimos dias. –O encarei e dessa vez sem cair em transe. –Diga-me, quem é você?
O rapaz rolou os olhos e me fitou atentamente, parecia ler minhas emoções, pensamentos, tudo em mim.
E sua resposta foi realmente surpreendente.
–Lúcifer. Eu sou Lúcifer.
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