Jasminum Polyanthum
1 Capítulo 1: Eu dei carona para uma jasmim
Notas iniciais
Essa é a primeira vez que posto um romance original aqui e eu tentei fugir o máximo possível do cliché que todo mundo conhece, mas não sei se ficou bom então isso é basicamente um teste.
Mas eu também escrevi esta história porque eu queria ler algo em um estilo que eu não encontrava em lugar nenhum e resolvi fazer a minha própria, e também porque eu nunca li uma história que falasse de uma escritora comum como tantas outras meninas talentosas por aí.
Enfim, é isso e espero que gostem. Vejo vocês nos comentários!

Eu conheci Jasmine quando eu, Ethan, Melanie, Érica, Jared, Carl e Mark resolvemos fazer alguma coisa no parque porque nossas férias de verão estavam ficando entediantes.
Nós passamos boa parte do dia conversando e fazendo piadas idiotas. Então almoçamos em uma lanchonete e voltamos para o parque. Mas, diferente de meu melhor amigo, Ethan, que era um completo vagabundo desocupado, eu sabia que tinha que ajudar minha mãe e meu tio em casa, então avisei a todos que estava indo embora.
— Sério? Você precisa mesmo ir? — Jared perguntou. — Não quer ouvir mais algumas asneiras saindo da boca do Ethan?
— Quem fala asneiras aqui é você! Não pense que tem moral para me julgar! — Ethan rebateu. — Além do mais, se não fosse realmente necessário, tenho certeza de que ele ficaria aqui para ouvir minha genialidade, não é, Alex?
— Eu não teria tanta certeza disso se eu fosse você. Principalmente sobre a parte da genialidade — respondi, rindo. Na verdade, Ethan tinha um talento especial para fazer todo o tipo de burrice que você pudesse imaginar.
— Ei, Alex. — Melanie me chamou, sorrindo de forma que seus olhos verdes pareciam ainda mais brilhantes. — Eu queria te dar isso: — ela pegou um livro na mochila e me mostrou. — A divina comédia. Você comentou que queria ler e eu tinha em casa.
— Que tipo de pessoa lê Maquiavel hoje em dia? — Mark perguntou. Ele estava largado em cima de um banco com o cabelo loiro caindo na cara. Tinha os cabelos e os olhos da mesma cor que os da irmã gêmea, Melanie.
— O tipo que é mais inteligente que você. A divina comédia é de Dante, não Maquiavel, seu debiloide! — Érica falou, fazendo Mel rir discretamente. Érica estava sentada em cima da mesa de piquenique com Jared ao seu lado, o braço dele contornando a cintura dela. Fazia seis meses que eles namoravam.
— Obrigado, Mel. Mas não precisava, mesmo. Eu ia comprar — falei.
— Não, não, eu nunca li ele mesmo, pode ficar — ela colocou o livro em minhas mãos. Não pude deixar de notar o papel dobrado junto à capa.
Desdobrei o pequeno pedaço de papel e li o que estava escrito:
Dante é bom, mas eu sei que você só quer ler isso por causa daquele jogo de videogame. Como era o nome? Devil maysei lá o quê? Não importa o nome, você não engana.
De qualquer forma, fiquei sabendo que gosta de música acústica, que tal um encontro uma hora dessas no Rose’s?
Me liga! — 30134270
De alguma forma, naquele momento, Ethan e Carl — que obviamente não estavam prestando atenção no que estava acontecendo — começaram uma discussão sobre marcas de hambúrguer de micro-ondas e conseguiram chamar a atenção de todos exceto Mel, que olhava para mim com os enormes olhos verdes.
Ela estava sentada ao meu lado, sobre a mureta, com a mochila perto dos pés e os cabelos loiros voando ao redor do rosto artisticamente. Mel sempre foi bonita a meu ver.
Aproveitando o momento de distração de todos, ela se inclinou para perto de meu ouvido e sussurrou:
— Me responda mais tarde, sim? A verdade é melhor do que o silêncio.
Assenti em resposta e me levantei.
Melanie era o tipo de garota que causava inveja em metade do colégio. Nós havíamos ficado juntos algumas vezes, quando ela arranjava desculpas para sairmos — as quais geralmente começavam com “fiquei sabendo que” -, mas não podíamos dizer que namorávamos de verdade. Nenhum de nós estava interessado em se ocupar com relacionamentos duradouros porque nos ocupávamos com outras coisas.
— Certo, estou indo embora. Vejo vocês um dia desses — Anunciei, me dirigindo ao carro enquanto colocava a mochila nas costas.
Agora chega a parte estranha dessa narrativa, porque, independente de onde você viva e qual seja sua cultura, nunca é muito aconselhável dar carona para pessoas estranhas. Principalmente quando elas parecem o tipo que está prestes a roubar seu carro — que era como Lorraine parecia quando analisava meu carro novo. Mas talvez Jasmine tenha me cativado desde o começo, quando eu a vi junto com Lorraine em uma esquina, segurando uma maleta de viagens antiga e pedindo carona.
Depois de alguns minutos de conversa, descobri que eu passaria por onde ela morava e resolvi dar uma carona a elas. Provavelmente, foi nesse momento em que um caminho com ela se abriu em minha frente e eu escolhi segui-lo, sem hesitar e quase sem perceber. Mas eu nunca me arrependeria disso, nem por um único segundo.
— Então, vocês são fotógrafas? — Perguntei para puxar conversa.
— A Lo é fotógrafa, mas eu não — Jasmine respondeu, apontando para a amiga no banco de trás.
— Ela é só a minha principal modelo — Lo completou. — A melhor, devo dizer. E mais fotogênica.
— E vocês estavam fazendo uma sessão de fotos lá?
— Sim. É para um álbum que estou montando para meu trabalho da faculdade. A Jamie é viciada em coisas do estilo vintage e está me ajudando — ela falou, sorrindo.
— E você? Faz alguma faculdade? — Jasmine perguntou, ao meu lado. Reparei que ela parecia tão artística quanto Mel, no vestido listrado branco e vermelho ao estilo anos 60 acompanhado da maleta e de uma bolsa de mão.
— Último ano do ensino médio — falei. — Estou considerando me dedicar a ser músico, embora não seja o mais recomendável para minha situação financeira — meu comentário a fez rir um pouco. — E você, Jasmine?
— Por favor, me chame de Jamie. Estou no penúltimo ano de ensino médio, mas quero ser escritora. Publico histórias amadoras na internet.
— As quais não são nem um pouco amadoras — garantiu Lorraine.
Elas eram descontraídas, sorrindo e fazendo piadas uma com a outra o tempo todo. Lorraine parecia ser a garota ambiciosa que não se importava com a opinião alheia, considerando os cabelos repicados e desorganizados e as roupas que não tinham nenhum tipo de harmonia ao serem combinadas. Jamie era como um retrato da menina corretíssima, com boas maneiras e muito educada vinda dos filmes. Tinha os cabelos castanhos presos com presilhas e a maquiagem nem um pouco exagerada, apesar de eu não saber se era por causa do ensaio de fotos ou porque ela gostava assim.
Quando parei o carro na frente da casa de dois andares que ela morava e as duas saíram, ela olhou para mim, permitindo que eu notasse que ela tinha olhos castanho-escuros ainda maiores que os de Melanie, se é que isso era possível. Então sorriu e disse:
— Obrigada pela carona. Tchau — e fechou a porta.
Notas finais
Beijos!
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