Jasminum Polyanthum

2 Capítulo 2: Spanish Sahara, por Jasmine Silverstone


Notas iniciais
Oiee! Segundo capítulo! Obrigada a todos que leram até agora! (apesar de que foi só um capítulo,mas tudo bem. Um capítulo já é demais pra mim) Eu não tenho certeza de que revisei esse capítulo muito bem, então se encontrarem qualquer errinho, me avisem por favor. É isso e espero que gostem. Vejo vocês nos comentários!

Mais tarde, naquela noite, eu perceberia que havia uma bolsa de mão no chão próximo ao banco do passageiro do meu carro. Então eu pegaria a bolsa, a abriria e descobriria que continha seis cadernos de capa preta, sendo três deles finos, um de tamanho médio e dois maiores.

Ao abrir um dos cadernos na primeira página, eu li a inscrição em letra cursiva, dizendo:

Spanish Sahara

um conto por Jasmine Silverstone

Então eu virei a página e li a história inteira naquela mesma noite. Talvez porque fosse curta, talvez porque fosse boa demais, mas assim que terminei de ler o conto me senti um pouco culpado por fazê-lo sem permissão e me convenci a não ler nenhum dos outros cadernos até falar com Jamie de novo. O complicado era justamente isso, pois eu teria de ir até a casa dela em um horário que ela estivesse lá sem saber quando seria isso.

— Alex! Telefone para você! — Minha mãe gritou da cozinha, provavelmente com o telefone na mão.

— Já vou! — Gritei de volta, guardando os cadernos.

Saí do quarto e fui até a cozinha. Quando ia pegar o telefone da mão de minha mãe, ela recuou o braço, me impedindo de alcançá-lo, e falou:

— É sua irmã, cumprimente-a de forma decente.

Ela sempre dizia isso. Na verdade cumprimentar minha irmã de forma “decente” significava soar animado e chamá-la pelo apelido, sem parecer o zumbi que eu sempre parecia ao atender o telefone. Assenti, concordando, e ela me entregou o aparelho.

— E aí, Kate Delay! — falei, me jogando em uma poltrona da sala e recebendo um olhar reprovador de minha mãe por maltratar os estofados dela.

E aí, Debialexóide?!— Kate gritou do outro lado da linha, empolgada como sempre. — Adivinha quem conseguiu um novo emprego? É, isso aí, EU!

Certo, Kate sempre gostou de jogar as conquistas dela na minha cara, então eu fazia o mesmo com ela. Acontece que eu não tinha nenhuma conquista grandiosa para esfregar na cara dela, então resolvi zoar.

— Adivinha quem conseguiu colocar cinco séries do Netflix em dia?! — as risadas foram imediatas por parte de Kate.

Quais séries?— ela perguntou.

— Demolidor; House; Friends; Breaking Bad; e Jessica Jones.

Boas escolhas, mas não se esqueça de “The Office” e “How I met your mother”.

— É claro que não. Então, qual é a do novo emprego?

Uma loja de antiguidades. Você iria gostar. Parece o lugar em que você comprou aquele seu violão Giannini e tem máquinas de escrever, telefones de disco e tudo o mais. Sério, é muito legal. Já até sei o que vou te dar de presente de aniversário e vai vir daqui— eu podia ouvir algum tipo de jazz tocando atrás de Kate. Era bem a cara dela.

— Bem, eu só espero que não seja uma bola de futebol velha. Eu já tenho uma — comentei.

Não é. Fique tranquilo, eu ainda me lembro da sua “bola Wilson imitação de 'O Náufrago' ” — ela falou. - Mas e você? Alguma novidade? Namorada? Namorado?

— Namorado é o caramba! — berrei, ouvindo as gargalhadas. — Só para sua informação, eu estou saindo com a garota mais bonita do ensino médio! — pois é, Alex, você acaba de mentir e agora tem que transformar essa mentira em uma verdade. Vai ter que chamar a Melanie para sair, vacilão.

Ha! Sabia! Ela é loira?

– Como você sabe?

Você sempre teve queda por loiras. Loiras que nunca te amariam, devo ressaltar. Não deixe ela te ferrar, Alex. Apenas um aviso de sua irmã de vinte e quatro anos que já tem alguma experiência com corações partidos. Tenho que ir! Diga a mamãe e ao tio George que mandei abraços!— E desligou. Dramática e exagerada como sempre foi.

Essa era minha irmã, Katherine, seis anos mais velha que eu, formada em Engenharia Mecânica e arranjando empregos em lojas porque gostava de ficar vadiando quando não tinha clientes.

— Quem é a “garota mais bonita do ensino médio” com quem está saindo, Alex? Você não me falou sobre ela — Minha mãe perguntou. Pode parecer que ela quer me dar uma bronca, mas é bem capaz que ela queira me zoar por estar saindo com uma garota que só quer quebrar minha cara no final.

— Melanie Leminnier — respondi. — E eu já te falei sobre ela, quando nós saímos pela segunda vez. Faz tempo — falei, sem muita animação ou orgulho. — Não se empolgue. Não é nada sério por enquanto — completei, vendo o sorriso de desdém se formar nos lábios de Débora Albertinni, minha mãe. — Não se empolgue — repeti. Então dei o telefone a ela e voltei para meu quarto.

Peguei o celular e procurei o número 3013-4270. Precisava chamar Melanie Leminnier para sair.

~*~

— Eu sempre achei que esse café era caro, até a Érica me levar no Starbucks. Aquilo é caro — Mel sorriu, apontando a xícara cheia até a borda com cappuccino e canela em pó.

— Eu nunca venho aqui — falei, ao olhar para meu café com leite totalmente sem graça.

Estávamos no café La Vie en Rose, popularmente conhecido como Rose’s por quem o frequentava. Era um tanto caro graças às bebidas e comidas cheias de frescuras e música acústica ao vivo. Naquele momento alguém que eu não conhecia tocava Santa Monica Dream, de Julia Stone. Eu sabia tocar aquela música.

— Ei, Alex — Mel me chamou e eu olhei para ela.

Estava parecendo uma Barbie canadense de olhos enormes e verdes, com o batom rosa, cílios longuíssimos e pele perfeita. Os cabelos louros e longos presos em uma trança lateral.

— Você gosta de mim? — a pergunta me pegou desprevenido e quase derrubei o café. Era óbvio que ela não estava falando de amizade. Era Mel, afinal de contas.

— Eu… — Murmurei, sem resposta. — Sim, Mel, eu gosto de você, mas…

— Não — ela falou. — Não gosta. Não tanto assim, não é?

Encarei-a. Estava séria, com a xícara entre as duas mãos e os olhos bem abertos. Ela esperava que eu dissesse que a amava e a pedisse em namoro ali mesmo, naquele momento. E eu sabia disso porque tinha ouvido gente o suficiente falando que era isso que ela fazia com os caras que namorava. Depois de algum tempo, quando ela enjoava do brinquedo novo, o largava e passava para o próximo. Essa era uma das razões pelas quais nunca tive um relacionamento sério com ela. Mark costumava me dizer que escolher ser apenas amigo de Mel era a melhor escolha que eu tinha feito em minha vida.

— Se você realmente gostasse de mim já estaríamos namorando há um bom tempo, não é? — ela continuou. — Mas eu sei o que você pensa de mim; o que todos pensam de mim: que eu vou descartá-lo igual fiz com todos os outros. Pensam que eu sou uma daquelas garotinhas populares de filmes de Hollywood. Bem, eu não sou, Alex, e é por isso que estou falando isso para você.

Mel soltou a xícara e segurou minha mão livre entre as dela. Estavam quentes depois de segurar a xícara de cappuccino por tanto tempo.

— Esse é nosso último ano de ensino médio. Vamos fazer dezoito anos e começar a fazer nossas próprias escolhas. Todo mundo tem que crescer um dia. Crescer significa fazer escolhas duradouras e parar de brincar com a vida porque ela não está de brincadeira com você. Todos aqueles meus namorados eram brincadeiras, Alex, mas eu realmente gosto de você e resolvi que não quero que você seja só uma brincadeira. Eu resolvi crescer para você. E eu achei que, se você soubesse que não estou brincando, poderia considerar a possibilidade. Não precisa me responder agora. Pode pensar. Eu não me importo de esperar. Só me importo de ficar sem resposta.

Ela se levantou, segurando a bolsa, e foi em direção à saída atrás de onde eu estava antes mesmo que eu pudesse responder. Perto da porta, olhou para mim e acenou. Não acenei de volta e me virei para frente de novo.

Melanie não era uma Barbie, ou uma típica garota popular. Não mais. E eu a havia tratado como se não a amasse desde o começo. Talvez devesse me desculpar, mas não podia dizer que realmente a amava porque não era verdade. Talvez eu devesse dizer que fui um babaca o tempo todo e que quem estava brincando com ela era eu, mas eu nunca tive nada sério com ela justamente porque achava que ela não queria nada sério comigo, não sabia se seria diferente se eu soubesse a verdade o tempo todo.

Levantei o olhar para o assento vazio à minha frente e notei a mesa além da minha. Tinha duas cadeiras, mas apenas uma pessoa estava sentada lá, com uma xícara de café, fones Bomber e escrevendo em um caderno de capa vermelha. Foi um susto. Imediatamente notei os cabelos castanho-escuros ondulados e longos e os olhos da mesma cor. “Maiores que os olhos da Mel” eu havia pensado na primeira vez que a vi, cinco dias antes.

Jamie.

Notas finais
O capítulo três já está pronto, então, daqui a duas semanas, dia primeiro de Junho, posto o próximo. Obrigada por lerem e até logo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.