Jar Of Hearts
8 Thought you saw me wink, no, I've been on the brink, so.
Notas iniciais

Irlanda – 7 Anos antes do casamento.
P.O.V – Heiner
Cecilia estava estranha. Por que eu tinha essa sensação de que ela iria me abandonar? Qual o motivo disso tudo? As vezes eu tinha medo dessa fome incensante dela. Não tinha limites. Eu pensava como ela, mas o meu objetivo não é a vingança, meu objetivo é o amor dela. Meus pensamentos estavam nublados enquanto eu via ela arrancar um dos corações. Naquele momento eu me via com um pouco de lucidez.
—Lizzie?
Ela sorria e parece que imediatamente eu caia em um transe profundo. Sua cobaia emocional, mas eu não estava nem ai, porque assim ela me supria.
—Sim.
—Entendeu como vai funcionar o plano? Você parece estar um pouco fora de si hoje!
—Eu só estou cansada, podemos terminar logo? Quero um banho quente, chocolate quente e você quente, Baby.
Ela sorriu. Nem sei mais quem eu era. A polícia chegava cada vez mais perto. Dessa vez o plano precisava de uma independência que eu não sabia se tinha competência para executar. Terminamos o que ela chamava de “Experimento”, ela é brilhante com um bisturi em mãos, e quando deixava o fogo subir sobre os corpos… Uau! Eu não estava louca, só estava apaixonada e faria qualquer coisa por ela. A polícia nos vigiava de perto. Escutas, campanas, policiais nos espreitando… Mas o gran finale iria ser surreal. Foi quando ela me contou sobre Jaykings e como essa fulana fez, juntamente a Hardgrave – Que descanse em paz…- Sorri. Ela pagaria, e a convenci que seria por minhas mãos, como um presente de aniversário de relacionamento. A viagem para Londres seria apenas para tirar a polícia da cola dela. Eu iria ao encontro de Savanah e não minha doce Ceci. Fui até o esconderijo pelo metrô. Ceci havia escolhido o Ballyfermot, era perfeito. Afastado da cidade e um local muito perigoso. Recebo uma mensagem de texto que pode ter mudado todo o curso da história.
{Ela só esta te usando. Ela não ama ninguém, a não ser ela mesma! A maior prova disso tudo é que ela está voltando para Londres, somente para ver a pessoa de quem ela supostamente quer se vingar… Ele vai casar com ela.}
Eu parei o carro no acostamento. Ela havia me contado os fragmentos, mas nunca a história toda. Eu sabia sobre o Rafael Theodore, mas não imaginava que ela ainda reservava sentimentos para ele. Eu ri. Essa mensagem era para me despistar, não me surpreenderia que pudesse ser a polícia atrás de mim para pegar minha Ceci. Ligo o carro novamente e percebo que há outra mensagem.
{Não acredita em mim? Veja por si só. }
Na imagem havia um print. Era uma conversa entre a Ceci e o Theo. Ele dizia que depois da morte de Chelsea, ele precisava encontrá-la para pedir perdão, que a vida era muito mais do que aquilo que ele havia vivido. Terminava com um poema que Ceci amava recitar de um filme “Os amores de verão terminam por todo tipo de motivo. Mas no final das contas, tem algo em comum: São estrelas fugazes. Um instante grandioso de luz nós céus, uma visão momentânea da eternidade que, num abrir e fechar de olhos, se vai. Te amo Cecilia e seremos felizes para sempre”. Me encontre em Londres.”
A mensagem tinha mais ou menos duas semanas, foi bem antes dela me dizer que voltaria para Londres. Liguei na agência de viagens, eu havia visto a passagem em cima da escrivaninha, arrumei uma desculpa e disse que havia me esquecido a data exata que eu fui marcar as passagens e confirmou o que estava escrito na mensagem. Eu surtei naquele momento parada na avenida. Eu não acredito que a Ceci iria vê-lo. Tive todos os sentimentos. Acelerei o carro e fui parar na borda do rio aonde Ceci havia cometido o primeiro assassinato, eu sabia tudo, eu sabia cada detalhe. Então resolvi ouvir. Coloquei o número de onde as mensagens estavam sendo enviadas e chamou.
—Ferrow…
Fiquei muda.
—Lizzie?
—Heiner.
—É um prazer finalmente conhecê-la, não pelas circunstancias é claro.
—Pode dizer o que quer?
—Você sabe o que eu quero.
—Mas não vai ter, não é mesmo?
—Vou se me ajudar.
—Eu não tenho como te ajudar, não tenho nada que seja útil.
—Eu acredito que você tenha algo a dizer Heiner…
—Minha namorada é inocente, Sr. Ferrow.
—Você acredita mesmo nisso?
Minha voz falhou. Nesse momento eu estava duvidando da única pessoa que me fez me sentir eu?
—Eu acho que tem dúvidas sobre ela. Todos nós temos.
—Não sei do que está falando… Por favor não ligue mais…
—Espera Heiner… Ela vai te abandonar, como fez com muita gente nessa trajetória. A prova disso é essa viagem dela para Londres. Pergunte ela. Pergunte porque ela te escondeu esse tempo todo dos pais dela? Mesmo os pais dela estando na Irlanda.
—Espera, o que disse?
O telefone ficou mudo por uns segundos.
—Você não sabia né?
—Um pouco depois que vocês voltaram da Suíça, os pais dela foram visitar ela. Vou mandar algumas fotos. Eles ficaram em um hotel, não muito longe do apartamento aonde ela mora. Muito estranho você amar tanto alguém, dividir ambições e não apresentar a família… Não acha?
—Você está mexendo com minha cabeça…
Coloquei as mãos nos olhos espremendo os mesmos.
—Para de fazer isso!
Desliguei o celular. Outra mensagem. Fotos da Ceci com os pais… Ela mentiu? Não. Ela mentiu! Hora da verdade, precisava confrontá-la. Eu rangia os dentes como se dentro de mim houvesse umas mil vozes e eu tentava parar elas. Decidi voltar. Cecilia me aguardava para deixar ela no aeroporto. Nesse momento minha lealdade cega estava trepidamente abalada.
P.O.V Heiner – Off.
Estava terminando de arrumar minhas malas quando a Heiner chegou. Ela chegou estranha. Esteve chorando. Segurei ela pelo braço direito.
—Lizzie? Está tudo bem?
Percebi também cheiro de álcool.
—Você mente pra mim?!
—Do que está falando?
—Por que escondeu de mim que seus pais estavam aqui?
Fiquei em choque, mas sentia que ela estava deslizando por entre meus dedos, precisava ser convincente, e descobrir quem contou a ela. Suspirei a atuação começaria em poucos segundos.
—É complicado.
—Não me diga! Tudo com você é Cecilia.
Eu fiz sinal por conta das escutas pela casa. Ela deu de ombros.
—Você nunca falou comigo desse jeito Lizzie, o que houve?
Abracei ela, mas com vontade imensa de quebrar o pescoço dela.
—Eu vi as fotos. Você escondeu isso de mim, omissão é mentira Cecilia.
—Fotos? Que fotos?
Ela estendeu o celular. Droga!
—Sim, eles vieram. Os meus pais não contavam com nosso amor durasse muito. Apesar de eu estar feliz, eles não estão. Eu precisava desmistificar eles antes de conhecerem você. Eles não entendem.
Sentei no sofá com as mãos no rosto, precisava que isso funcionasse ou colocaria tudo por água a baixo. Ela se aproximou.
—Qual o objetivo da sua viagem a Londres se você viu seus pais a semana que voltamos da Suíça?
Eu não esperava por essa pergunta.
—Vou levar os documentos de mudança de identidade pros meus pais. Já conversamos sobre isso.
—É só isso?
—Amor, eu juro que é só isso.
Abracei e beijei sua testa. Me sentia aliviada.
—Me desculpe. Eu tenho tanto medo de te perder.
Ela chorou. Perca de tempo. Ela era uma peça que precisava estar fora do tabuleiro.
—Vou preparar algo rápido para você comer antes de ir.
—Tudo bem, só não demore, ok? O Voo é daqui a pouco.
—Será rápido.
Não demorou e ela voltou com sanduíche natural e um suco de laranja. Me lembrei que a ansiedade não me permitia comer bem a alguns dias, meu estômago roncou quando vi a bandeja.
—Obrigada, amor.
Nos beijamos de forma calorosa. Fiquei excitada, mas não tinha tempo para isso. Londres me aguardava. Comi com muita gula, tudo estava muito gostoso. O que aconteceu a seguir é que foi inesperado. Minhas vistas foram ficando turva, eu fui desfalecendo. Deduzi nos poucos segundos que me restavam.
—Lizzie?
Ela me drogou.
—Bons sonhos, Ceci.
P.O.V Marc – On
—Droga! Ela conseguiu dobrar ela. Como pode?
Derrubei todas as coisas que estavam em cima da mesa.
—Calma, Ferrow.
Paola Novaes havia acabado de entrar na sala. Srta. Novaes era uma analista comportamental Brasileira. Uma loira com seus 27 anos, 1,70 de altura, curvas monumentais e uma autoestima profissional muito elevada. Me sentia meio atrapalhado perto dela.
—Você planta a semente em terra fértil para ver ela brotar mais tarde…
Estávamos conversando quando alguém chegou esbaforido.
—Ferrow, houve um barulho muito grande na sala, achamos que ou a Tommlison nocauteou a Heiner, ou ao contrário. A questão é que não se houve nada desde então.
—Savanah já chegou?
—Mais um policial chegou.
—Acabamos de falar com a equipe do aeroporto, Jaykings chegou tem uma hora e meia.
—Ótimo, e onde ela está?
O silêncio tomou conta da sala.
—Por que diabos ninguém responde?
—Senhor, Jaykings não foi encontrada. Ninguém sabe o paradeiro dela.
Em um surto de raiva peguei a luminária da minha mesa e arrumei na parede. Ninguém ousou falar uma palavra.
—Saiam todos.
Eles foram saindo, porém, Paola ficou. Fui até a janela da minha sala observando o tempo passar fronte aos meus olhos. Ouvi a porta se fechando atrás de mim.
—Você precisa relaxar. Já vi detetives promissores ficarem loucos e serem afastados de suas atividades.
—Estou a frente de muita incompetência, Paola.
Senti as mãos dela ir em direção a meus ombros. Ela começou uma massagem e aos poucos fui me entregando as mãos dela.
—Talvez você precise de alguém que seja competente…
Ela sorriu.
—Preciso.
Ela ficou frente comigo. Desabotoou a blusa social deixando seus seios levemente bronzeados a minha frente. Eu já estava suando. Alguém bateu a porta. Ela se recompôs.
—Ferrow, estamos prontos. Seguimos para Ballyfermot?
Respirei fundo.
—Seguimos para Ballyfermot.
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