Jar Of Hearts
7 Revenge - Past - Fear
Notas iniciais

Irlanda – 7 anos antes do casamento.
As investigações corriam a solta. Eu me sentia intocável. A Europa inteira estava em alerta a um serial killer. Eu saboreava pela televisão, internet e as vezes pelo rádio velho da confeitaria. Eu sabia que havia policiais de turnos em turnos vigiando a frente do apartamento. Também encontrei algumas escutas dentro de casa, foi divertido, porque pude me exibir algumas vezes fazendo chamadas quentes com a Heiner e fazer aparições na janela com pouca roupa. Mas a surpresa da jogada pela polícia europeia era com certeza a recente chegada de Marc. Será que de fato eles estavam pensando que Marc iria me impedir de fazer alguma coisa? Ridiculamente divertido isso. Aos poucos a próxima vítima estava em mais alcance do que qualquer um poderia imaginar. Heardgreaves e Cobe tinha sido apenas o início. Um pouco atrapalhado eu confesso. Mas cada passo que eu dava em direção ao final do plano, eu aperfeiçoava a técnica, a limpeza, a transparência com o que os crimes haviam sido cometidos. Algumas prostitutas foram sacrificadas no meio do caminho. Heiner estava evoluindo nesse processo. As vezes a sede dela era mais visível do que a minha. A sensação de ter ela ao meu lado era bom, mas teve duas ocasiões que senti que a vontade dela na maioria das vezes foi somente para me fazer feliz. Isso iria se tornar um problema. Então comecei a segunda parte do plano. Para alcançar Theo, eu teria que mudar completamente. Marquei minha passagem para Londres, precisava fazer um drama familiar com meus pais, algo que fizesse com que a mesa virasse de uma tal forma, que ninguém nos reconheceria.
—Lizzie, vou precisar fazer uma viagem. Nesse meio tempo as mortes não podem parar, mas você vai ter que ter o triplo de cuidado. Precisamos mudar o foco das investigações do jeito que combinamos. Precisa ser ágil. Não se esqueça dos detalhes.
—O que fará em Londres? Queria poder ir para conhecer seus pais.
Ela fez beicinho. Dei um beijo nela.
—Bom, você vai conhecê-los. Logo iremos nos casar e precisará conhecê-los.
—Isso terá um fim… Algum dia?
Me virei em direção a janela.
—Sim, poderemos viver nossa vida. No Brasil, Havaí, China… Aonde você preferir.
Me voltei a ela.
—E Como conviver com o sangue em nossas mãos?
Suspiro. Vou até ela e seguro em suas mãos.
—Não precisa. Eu vou te ajudar.
Beijo suas mãos e em seguida sua testa.
—Eu amo você, Ceci…
As palavras caíram fundo dentro de mim, eu estava vazia. Eu sabia que para ela era real, mas para mim eram como se fossem moedas caindo no fundo de um cofre vazio. Eu sou o cofre vazio e infelizmente nada pode mudar isso.
—Eu também te amo, querida.
Estávamos próximas a janela, percebi um carro diferente parado na frente do conjunto de apartamentos. Não eram os de costume. Eu sabia quem era. Marc teve que sair da sala confortável dele para ver de perto o que acontecia pela janela. Segurei o rosto de Heiner com as mãos e a beijei de forma intensa.
—Vamos trabalhar. Essa noite preciso deixar algo que vai deixar eles ocupados.
Heiner saiu pela porta do apartamento dizendo que me amava. Vi o carro dobrar a rua pela janela. Me sentei a frente do computador, coloquei uma música animada e alta. Abri um compartimento na minha mesa aonde deixei armazenado as digitais de Heiner em uma luva de látex. Precisei só colocar a luva, passar no carvão e colocar em uma carta que eu buscaria dentro da confeitaria, logicamente eu não faria isso em casa, não seria prudente. Mais um assassinato estava nos planos, mas dessa vez havia um fator surpresa que talvez a polícia não estivesse esperando. Dessa vez Heiner iria sozinha. Como sempre havia policiais de tocaia, precisávamos de um passo a frente a policia. Precisávamos de mais um acessório. E é ai onde entra Savanah Jaykings.
Londres – 13 anos antes do casamento.
Era uma manhã linda. O sol resolveu aparecer, nas poucas vezes que ele aparece em Londres. Decidi andar em um parque próximo a casa dos meus pais. Precisava sentir aquele ar livre correr pelos meus pulmões. Ao chegar no parque, vi Jaykings e Heardgreave estavam ali. Girei por cima do calcanhar como alguém que havia deixado a água do chá fervendo e esquecera. Elas começaram a andar em minha direção.
—Ceci…
—Patinho feio…
—Olha só, não vejo medo assim desde o pavoroso caso do Jack Estripador.
Elas riam de forma estridente.
—Como vocês são engraçadas. Agora preciso ir.
Foi a primeira vez que consegui revidar as palavras delas. Estava de saco cheio.
—O que você disse?
Fingi que não estava ouvindo. Em poucos segundos eu senti um impacto muito forte na minha cabeça, minhas vistas escureceram e eu só me lembro de acordar no pronto socorro tarde da noite. Eu não me lembrava de nada. Estava assustada e poucos minutos depois meus pais chegaram completamente desesperados. Ouvi o médico dizer a meus pais que duas colegas de escola me encontraram desmaiada no parque, que provavelmente eu estava caminhando cai e bati a cabeça em algum lugar. Isso me rendeu 10 pontos na parte de trás da cabeça. Mas eu sabia dentro de mim que algo havia acontecido. Ao retornar para a casa com meus pais, pedi que eles parassem próximo ao ponto no parque onde supostamente fui encontrada. Minha mãe esbravejou, disse que estava tarde e frio, porém meu pai parou o carro aonde eu me lembrava estar naquele dia mais cedo. Desci do carro e olhei em volta aonde percebi algumas gotas de sangue, andei um pouco afastada do carro.
—Vamos embora Ceci!
Ouvi minha mãe dizer não muito longe dali dentro do carro. Avistei uma pedra. Não era muito grande, mas como estava suja de sangue, pré supus que seria aquela a arma do crime. Ouvi um barulho nos arbustos, e fui entrando parque a dentro. Vi o que parecia duas pessoas, eu não estava enganada sobre o que havia visto. Ao me aproximar eu pude perceber… Era Savana e Theo. Eles estavam transando, se aproveitando da escuridão e do deserto do parque. Tirei o celular do bolso e fiz algumas filmagens. A ultima foto eu fiz com o flash do celular para eles terem certeza de que alguém havia visto e que esse alguém tinha capturado esse momento. Fui correndo em direção ao carro.
—Até que enfim.
—Podemos ir, acho que foi um acidente mesmo. Eu sou altamente desastrada.
Sorri de forma convincente. Ao chegar em casa fui direto para o banheiro. A menina virgem sentia uma revolta intensa e completamente indecência de seus próximos atos. Naquela noite eu aprendi a me masturbar para ambos, foi onde meu intenso desejo sexual aflorou, mas uma coisa coloquei em minha cabeça, foi a última vez que eles me magoaram daquele jeito.
Irlanda – 7anos antes do casamento
(Meu telefone toca).
—Cecilia?
—Sim. Quem gostaria?
—Ceci, aqui é…
Senti a pessoa exitar.
—Aló, tá ai ainda?
—Aqui é Jaykings… Savanah Jaykings. Seus pais me disseram que você estava na Irlanda… Estou aqui a trabalho, podemos nos ver?
Meus pais jamais diriam. Ainda mais para ela. Eu sabia que de alguma forma esse passo era da polícia.
POV – Marc
—Sei de alguém que pode ser decisivo nessa jogada contra elas. Ela pode se descontrolar. Se a intenção dela é atingir o Theo atraves das ex’s namoradas, tem uma que ela vai pegar fogo quando ouvir o nome.
—Fala logo homem! Eu não aguento mais ela nadar como se nada estivesse acontecendo.
Sorri pelo jeito afoito do meu parceiro ao ver que tínhamos uma carta na manga. Estavam todos envolvidos nessa força tarefa.
—Savanah Jaykings. Eramos colegas de turma. Melhor amiga da primeira vítima.
—E o que a Srta. Tommlison teria contra a Srta. Jaykings?
—Ela uma vez derrubou a Tommlison com uma pedrada na cabeça. Tommlison desmaiou e teve que dar 16 pontos.
—Como sabe que foi ela? Poderia ser uma invenção…?
—Jaykings se gabava disso como um troféu, naquela mesma noite ela e Theo transaram no parque, eles tinha convicção de que alguém havia filmado e tirado uma foto e que essa pessoa era ela, mas ela nunca usou isso contra eles. Podemos forçar ela a sair da toca. Se ela for a assassina, ela vai se sentir tentada a matar Jaykings e por vaidade ela tentará, e nos estaremos lá para ver isso.
{Mensagem}
{-Tique taque! (Emoji de relógio) }
—Wesley, o que deu o número de celular que te passei?
—Ainda estamos tentando rastrear.
—Tem como agilizar?
—É com o sistema Carmine!
—Ah… Ta bom, por hora preciso contatar Savanah, armar um circo e quando ela pisar em falso… Pegamos ela!
—Essa é a beleza de tudo. Ela será arrogante o suficiente para achar que vai nos enganar, que vai nos passar as pernas. Ela vai orquestrar um plano perfeito, mas o erro dela vai ser pensar e nos fazer idiota de uma forma nacional. Será o quadro pintado e ela será Van Gogh! Essa exposição egocêntrica colocará ela em nossas mãos de uma vez por todas.
Sai da força tarefa em direção a minha sala. Sentei olhando o mapa que se encontrava na janela atrás a minha mesa. Sentei na cadeira me recostando nela, esse plano precisava agir da forma que eu estava pensando. Cada pessoa no seu lugar, como soldadinhos e agir de forma sincronizada. Precisava de uma locação que fosse afastada da cidade, pouco usada e muito precária. Meus olhos viram Ballyfermot, um bairro conhecido pelos turistas, porém com um alto índice de criminalidade.
—Carter!
Logo o detetive apareceu em minha sala.
—Diga.
—Eu preciso de um galpão que esteja bem precário em Ballyfermot. É lá que vai ser o palco final da nossa prisão. Peça uma reunião agora, quero todos os parâmetros, quero cada oficial disponível nessa cidade. Se tiverem informantes nas ruas também quero que coloquem todos a nossa disposição.
—Acha que o superintendente vai permitir uma revolução tão grande?
—Acho que todos queremos uma coisa só… Pegar a assassina responsável por essas mortes. Se ele não aceitar, ligaremos para o Cobe, ele sim, tem motivos convincentes para querer essa criminosa presa! Estamos dando início a operação “Jarro de Corações.”
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