Jar Of Hearts
16 Remember how to put back the light in my eyes
Notas iniciais

Estávamos de frente um para o outro. Meus olhos cintilavam a emoção contínua do casamento. Os convidados emocionados – Ah por favor – Isso aqui não passava de uma convenção social. Rafael Theodore Willians o solteiro da alta sociedade mais cobiçado, com a recém descoberta medica, Dra. Amelia Hailey. Eu sorria, mas o casamento não era o motivo. Alguns estavam com uma grande interrogação na testa a respeito do meu discurso recém feito. Os fotógrafos não paravam, haviam câmeras por onde quer que eu olhasse. Estava sendo televisionado.
—Eu passei por vários países. Alguns procedimentos estéticos… E voi lá, a mulher perfeita para um Willians, mas eu não era na minha adolescência, não é mesmo Ângela?
Ela me olhou com uma grande interrogação na cara.
—Amelia?
—Podemos fazer a troca de alianças antes do meu presente?
Ele sorriu aliviado.
—Com esta aliança, eu te recebo Amelia Hailey, para amar e cuidar até o último dia da minha vida.
A Aliança entrou em meu dedo como um objeto de legalidade, apesar de já termos nos casado mais cedo e eu já ser oficialmente sua esposa.
—Com esta aliança, eu te recebo Rafael Theodore Willians, para amar e cuidar até o último dia da minha vida.
Eles aplaudiram, ele me beijou orgulhoso. Entreguei meu buque para uma moça que era minha madrinha e me direcionei a estrutura montada do lado do altar.
—Senhoras e senhores, o motivo de termos trago vocês patetas da alta sociedade não chega nem perto do que vocês imaginam.
Meus sogros olhavam com a cara espantada enquanto eu pronunciava minhas palavras. Ângela se levantou.
—Sente-se que a sua hora vai chegar sogrinha! Continuando. Theo meu amor, você não se lembra, mas nos conhecemos em nossa adolescência. Ele me olha confuso.
—Querida, você deve ter bebido algo antes do casamento, está aparentemente alterada…
—Não querido, eu estou plena e não ingeri álcool hoje.
Eu caminhava mal aguentando a pressão interna da minha deusa interior. De longe Marc apenas me observava, afinal ele era o detetive recém-condecorado da Scotland Yard e eu tinha um histórico, certamente ele estava ali para me vigiar. Mas eu aproveitei bem a presença dele de tarde eu estava parcialmente alimentada.
—Quero mostrar a todos, o que estava debaixo dos seus olhos esse tempo todo. A garota excepcional que passou todos para trás, inclusive a Scotland Yard!
Sorri histericamente. A esse ponto Theo se aproximou e me segurou pelo braço.
—Amelia, Não tem graça.
Ele falou entre dentes.
—Solta a porra do meu braço… Marido.
Puxei meu braço e caminhei até a estrutura. Observei uma movimentação, a polícia estava aqui. Puxei o tecido que cobria a estrutura de ferro com detalhes em vermelho. Quado eu puxei o tecido, apareceram cinco jarros com cinco corações humanos. Sim, meu troféu, primeiro coração estava ali, o coração da Heardgraves. Meu sorriso ia de ponta de orelha a orelha.
—Bem vindos a atração, jarro de corações.
Eu pude ouvir um conjunto de vozes em negação ao presente do meu marido. Olhei para o Theo e ele estava sem cor.
—Em primeiro vemos o coração de Chelsea, se lembra dela Theo? E de como vocês me humilharam no baile de formatura? Bom, acho que ambos nunca mais vão poder humilhar ninguém. O segundo é da Cobe.
Passei os dedos sobre o vidro.
—Eu realmente gostava dela, ela foi muito gentil na noite em que sua mãe me humilhou no Pompadour, mas ela era uma peça no me tabuleiro. Depois de viajar seus passos assim que eu fui para Irlanda, eu percebi que algumas vezes você havia visitado a Suíça, fiquei chocada quando percebi que a Cobe havia virado garota de programa, e sabia que você havia ido visitar ela. Assim que você a visitou eu entrei em cena. Levei ela pro mesmo galpão aonde você estava com ela minutos antes. Ela foi muito escandalosa, foi quando Heiner entrou para a jogada, mas apesar dela já dominar a própria psicopatia, ela foi só uma marionete em minhas mãos.
Theo caiu sobre os joelhos e vomitou. Eu tinha só começado, estava me divertindo.
—O Terceiro? Jaykings… Eu me lembro da tarde em que ela e Heardgraves me provocaram, a pedra que cortou minha cabeça? Ela quem tacou. Você já me mandava bilhetes naquela época na intenção de me deflorar, não é mesmo? Mas você transou com ela naquela noite, bem no parque, se lembra?
—Ceci…
—O que querido? Eu não te ouvi.
Me aproximei dele.
—Cecilia…
—Cecilia morreu na noite do baile, Theo. Você a matou arrancando o coração dela fora. Eu como boa protetora dela, só estou retribuindo o favor. Gosta de arrancar corações Theo e colocar em seu jarro pessoal? Então, faça bom uso.
—Você é louca, você precisa de ajuda…
Sorri de forma histérica.
—Ajudar? Agora você quer me ajudar? Aonde estava sua cabeça quando você deixou que tudo isso acontecesse? Eu não preciso de sua ajuda, eu sou livre! Olhe pra mim…
Ele respirava fundo olhando para o chão. Peguei em seu maxilar fazendo com que ele olhasse nos meus olhos.
—Olha a mulher que me tornei, a deusa dos meus próprios dias. Nem mesmo a polícia foi capaz de me segurar. Eu preciso ser estudada, eu sou a evolução individual da humanidade. Vocês seres pateticos correndo atrás de status. São estruturas falhas.
—CECILIA!
Minha mãe havia se levantado de seu lugar.
—Você… Sua doente!
—Doente mamãe? Vamos disputar quem é mais doente? Eu ou você? Com o tempo você passou a tomar os meus remédios? É, aqueles que você colocava em minha comida, para enganar a mim e ao papai? Você criou parte do monstro que se alimenta de mim Margaret. Vamos falar dos nossos problemas familiares mamãe? Você destruiu minha alta estima, minha positividade, minha essência. Se não fosse pelo meu pai, as coisas teriam começado em casa, mamãe.
—GUARDAS, TIREM ESSA PSICOPATA DA MINHA CASA!
—Ah sogrinha, eu não me esqueci de você e do meu sogro.
Me aproximo da estrutura novamente.
—O coração da Heiner não poderia faltar, pois ela é parte essencial disso tudo e merece visibilidade também. Fora que a transa com ela era essencialmente orgásmica.
Dei um beijinho na tampa. Havia um pequeno controle remoto em cima da bancada, eu o peguei e apontei para o telão que até então passava fotos nossas.
—Sra.’s e Sr.’s, Angela Willians e Theodore Willians com seus amantes, drogas e rock in roll.
Apertei um botão e apareceu cenas deles fazendo troca de casais com Martin e Barclay… Theo e Martin se pegavam enquanto as mulheres se beijando observavam. O uso excessivo de drogas com duas pessoas quase quarenta anos mais jovem, aquilo seria repercutido para todo o país.
—Trouxe os corações deles para vocês também, sogro e sogra! Um presentinho de gratidão pela merda de vida que vocês levam, e pelo filho de bosta que vocês criaram.
—CHEGA!
Theo gritou com os joelhos no chão enquanto os pais dele se lamentavam por um todo.
—Você vai pagar por tudo isso!
Me aproximo novamente.
—Eu amei você… Amei sim! Mas a única coisa que eu pensava todos esses anos enquanto transávamos, era como você sagraria se eu cortasse o seu pau naquele momento.
—Amelia Hailey, você está presa!
Era a voz de Marc.
—Marc? Vai ter que me pegar.
Ele me apontou a arma.
—Você não vai correr, se correr eu tenho permissão para atirar.
—Vocês ainda não entenderam? Eu não tenho medo de nada, nem de você e nem de ninguém.
Comecei a correr em direção ao penhasco que dava para o lago que cercava parte da propriedade. Marc berrava atrás de mim. Logo pude ver um helicóptero por entre as árvores. Eu sabia que Marc estava muito próximo, então eu cortei um caminho chegando na beirada do penhasco.
—Não tem mais para aonde correr.
—Eu não estava tentando escapar Ferrow. Estou na mira da sua arma. Ou eu pulo e fujo com uma lancha que tem aqui em baixo, ou você me mata.
—Eu nunca quis isso. Eu só queria cuidar de você, te amar. Eu ainda posso fazer isso, se deixar que eu te leve comigo.
—Para onde? Uma clínica? Eu não estou doente, vocês é que estão. Eu sou a grandeza. Olha pra mim, o que me tornei. Vocês só sabem o que aconteceu, porque eu estou contando. Todos engoliram a história da Heiner. Você sabe Marc, eu vou sair daqui viva, você pode me matar ou conviver com isso.
Chego mais perto do barranco, posso ver lá embaixo a lancha.
—Cecilia…
Eu o olhei e um tiro me acertou. As lágrimas desceram em meus olhos.
—Só teve duas pessoas que eu amei na minha vida Marc.
O sangue começou a sair.
—Você e meu pai. Vocês foram os grandes amores da minha vida.
Coloco a mão no local recém-acertado pelo tiro. Minhas vistas começam a escurecer.
—Mas eu não posso ficar.
Junto o pouco de força que me sobrava. Jogo meu corpo sobre o rio.
—CECILIA.
Ouço longe o grito do Marc. Sorri e senti meu corpo bater na água gelada. Assim como o ar, o pouco de vida em mim estava começando a ir embora, mas dentro de mim havia felicidade, eu consegui!
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