Jar Of Hearts
17 Why you so obsessed? Reason!
Notas iniciais

Londres.
A mansão ainda estava cheia de policiais.
Marc veio andando com sua arma em mãos. Os olhos dele eram frios e distante.
—Encontraram o corpo dela.
Eu precisava ver com meus olhos. Ele olhou para trás e respirou fundo. Eu sabia o que ele estava sentindo. Apesar de sua postura profissional, eu era detentor do secreto amor e admiração que ele tinha por ela.
Acho que ele até estava me odiando naquele momento. Logo atrás dele, dois policiais traziam consigo uma maca com um corpo. Estava coberto, mas ainda podia se ver o vestido branco pelas bordas. Caminhei desnorteado até a maca.
Marc me segurou pelo braço.
—Não vale a pena.
—Não…Vai quebrar meu nariz de novo?
Puxei meu braço com força. Nós encaramos por alguns segundos e ele saiu da frente. Puxei lentamente a capa que cobria seu rosto, estava machucado, talvez pelos galhos dentro do rio, toquei ela e ela estava gélida. Eu tinha essa sensação estranha dentro de mim, por que parecia e não parecia ela?
—Você pode até não acreditar, mas eu realmente gostei de você… Eu não planejei o que aconteceu no baile, mas eu era imaturo o suficiente pra alimentar o meu ego e não ir atrás. Os danos causados pela nossa juventude tirou várias vidas… Tirou a sua e agora…
O nó na garganta veio.
—…Tirou a minha.
Beijei os lábios frios dela.
—Essa não é minha noiva.
Olhei para Marc.
—Amigo, você passou por muito, está confuso e…
Soquei a cara dele. Me senti bem, eu tinha que machucar alguém, então eu descontei o meu nariz quebrado há 16 anos.
—ESSA NÃO É MINHA NOIVA!
Dois policiais me seguraram, eu senti uma picada no meu pescoço. Então tudo se apagou. Os próximos dias são como borrões em minha mente. Minha mãe fumava umas 2 carteiras de cigarro para acalmar a ansiedade pois os tabloides Londrinos nós sabatinaram por semanas.
Meu pai agiu de forma fria e pediu afastamento de suas funções. Não acharam os corpos dos amantes deles. Eu passei a cheira cocaína desenfreadamente. Uma noite pensei que fosse morrer, mas Marc chegou a tempo de me salvar. Enquanto dormia, sonhava com ela. Sonhava com ela arrancando meu coração. Até que aconteceu.
Marc não parecia abalado com tudo que havia acontecido. Bom, ele havia sim sido punido, mas pela Scotland Yard, em seguida veio uma promoção. Minha noiva não era Amélia, e sim, a Cecília. Ela me fodeu e conseguiu deixar o Marc na melhor. Então me lembrei do dia do meu suposto casamento e como eles se olharam pela porta, era como se… Se ela se exibisse para ele.
—Theo!
Marc estalava os dedos na minha cara.
—Tá alto?
—Estou sóbrio.
Traguei o cigarro. Hábito aderido por todos na casa.
—Pensou na reunião que te falei?
—Não sou um viciado.
—Não é pra viciados, é um grupo de apoio.
—Ah, claro, superdiferente. E o que eu vou dizer Marc? “Oi, eu sou um puto ferrado que a namoradinha ferrada do ensino médio, uma puta reprimida, se sentiu no direito de tirar várias vidas pra no final foder com a minha!"? Eu passo.
Ele travava o maxilar quando estava nervoso, eu o vi fazer isso quando chamei ela de puta. Era eu que precisava de ajuda? Que tesão é esse em endeusar essa psicopata? A não ser que ele saiba algo!
—Me responde uma coisa Ferrow… Encontrou Cecília quando estava investigando ela na Irlanda?
—Sim, uma vez após a morte do pai.
—Transou com ela?
—Não!
Ele continou a refeição e lá estava o maxilar denunciando ele de novo.
—Não aconteceu nada?
Ele largou os talheres.
—O que tá fazendo?
—Você gostava dela!
—Eu estava a trabalho, e sim eu me compadeci da morte do pai dela, mas não, eu não dormi com ela. Satisfeito?
Ele jogou o guardanapo na mesa.
—A conta por favor.
Ele direcionou pra mim.
—Você precisa se achar de novo. Está obcecado. Vejo notícias sobre ela, vejo como a retratam, e o quanto é injusto, mas ultimamente, a única diferença entre ela e você, é que ela não reprimiu quem era, mas você… Reprimiu a vida inteira e agora vive como se fosse vítima? Você sendo quem sempre foi… O hipócrita.
—E você o filho querido, que anda sempre na linha? Corta essa Marc. Você pretendia ajudá-la? Quando? Visitas íntimas na cadeia? Sua terapia seria fazer ela engasgar com seu pau?
Todos estavam olhando. Marc me deu as costas. Virei a mesa aonde estávamos jantando fazendo tudo cair no chão.
—Senhor?
—Me deixa porra! Eu vou pagar.
Joguei o dinheiro na cara dela, saindo dali. Fui direto buscar mais cocaína pra me perder na noite. Estava comprando coca quando vejo de longe Marc abraçado a uma mulher de cabelos vermelhos, parecia sangue.
—AMELIA!
Se parecia com ela. Eu comecei a correr em direção a eles, eu precisava tocar ela, eu sabia, sabia que ela estava viva. Ao chegar segurei ela pelos cabelos.
—Theo?!
Marc me segurou pelo braço.
—Ficou louco? Amélia era ruiva laranjada, o que pensa que está fazendo??? Tá drogado?
Olhei para a garota e não era ela. Não era ela…? Minha respiração ficou funda. Eu me afastei do local deixando ele e a mulher para trás.
Os dias que se passaram eu fiquei obcecado com a imagem que eu havia visto. Eu tinha convicção de que ela estava viva, desde o dia que o vi o corpo saindo da água. Passei a pesquisar e ler sobre os crimes, cada detalhe era importante naquele momento. Parei e pensei sobre a reação do Marc aquele dia no restaurante e depois na rua. Na minha cabeça, se eu quisesse encontrar ela, eu teria que encontrar que stalkear o Marc.
POV Marc – Londres – 7 meses depois.
Abro a porta da casa e sinto o cheiro delicioso de Bulgolgi.
—Comida coreana? De onde veio essa inspiração? Estamos comemorando algo especial?
Caminhei pelos corredores da casa. Não havia sinal da minha noiva, a não ser pelo cheiro da deliciosa comida.
Então sinto me agarrar por trás, havia um pequeno espaço entre nós causado pela barriga.
—Como estão minhas duas garotas favoritas?
—Famintas!
Me viro para ela selando nossos lábios com amor. Passo pelo escritório que está com a porta aberta.
—Esteve no escritório hoje?
—Sim, querido.
—Está vigiando algo ou Alguém?
Olhei ela por cima do ombro enquanto ela andava dançando pela cozinha.
—Você está grávida, não devia trabalhar!
—É só um passatempo meu amor. O caráter de curiosidade.
Vou até o bar e me sirvo de um pouco de whisky.
—Como foi no trabalho, querido? Novidades?
—Nada demais, ultimamente tem sido relatório atrás de relatório. Sinto falta do campo.
—É só pedir para deixar de ser superintendente e se tornar detetive novamente. Quer ajuda para isso?
Olho ela por cima do ombro.
—Brincadeira, Marc. Você anda tão sem senso de humor.
—Só estou cansado. Você sabe que eu fico assim.
Me aproximo dela novamente sentindo o cheiro floral de minha esposa.
—Podemos transar um pouco.
Ela me olhava com um sorriso perverso no rosto.
—O médico disse para esperarmos, se lembra?
—Só irmos devagar…
Ela fez um bico.
—Da última vez que decidimos ir devagar, fizemos a nossa pequena, se lembra?
—Ah… Me lembro.
Ela umideceu os lábios.
Já decidiu o nome dela? Você mesma me disse que queria escolher, mas já está de sete meses e nossa filha não tem um nome.
—Queria ser inspirada. Que tal colocar o nome de sua mãe?
Ela disse sorrindo.
—Bom, não gosto de passar nome de pais para filhos. Pra mim... da azar.
—E que tal… Cecilia?
—Por que Cecilia?
Olhei no fundo dos olhos dela. Ela apenas sorriu para mim.
—Era o nome da minha vó…
—Está mentindo? Cecilia. Você não podia ser um pouco menos narcisista, Amelia?
Ela deu de ombros.
—Acho que nunca saberemos.
Jantamos o Bulgolgi. Estava muito bem-feito. Os pés dela estavam começando a inchar, me sentei na beirada da cama com um creme de baunilha, o único que ela não ficou enjoada com o cheiro.
Ela estava bem, desde a descoberta da gravidez ela tem estado calma e serena. Não assisti TV e nem lê os jornais. Vê vídeos de botânica porque adora jardins e resolveu criar um por si só no fundo da nossa casa em um condomínio de luxo em Londres. Sai com o carro, cumprimentei meus vizinhos e fui em direção ao escritório que ficava do outro lado da cidade. Eu já havia andado 15 minutos quando olhei no banco do passageiro e não vi minha pasta. Tive que ligar pro escritório e dizer que atrasaria. Fiz o retorno de volta para o condomínio. Na rádio tocava “Can’t buy me love” dos beatles, eu cantarolava e tamborilava os dedos no volante. Uma chuva fina começou a cair. Passei pela guarita o guarda sorridente me disse:
—Algum problema Sr. Ferrow?
—Esqueci a pasta, como diz minha esposa, vivo no mundo da lua.
Dirigi vagarosamente pelas suas do condomínio já que estava atrasado mesmo, não adiantaria me estressar. Ao chegar na entrada de casa, percebo que a porta da frente está aberta.
—Amelia, amor, já disse para não deixar a porta aberta! Amelia?
Ao passar pela porta, saco minha arma que estava no meu coldre por debaixo do paletó. A casa havia sido revirada de cabeça para baixo como se houvesse tido uma luta ali. Minha esposa estava grávida, mas era ágil ainda. Ela resistiu. No espelho que havia no corredor do quarto estava escrito.
“Você nunca mais a verá novamente!”
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