Jar Of Hearts

2 Mas eu fiquei forte demais.


Notas iniciais
E o frenesi continua. Não pude parar de pensar e escrever. Muitos sentimentos alimentam a escrita. Espero que gostem. Enjoy.

Irlanda – 10 anos antes do casamento.

—Apertem os cintos de segurança e fechem as mesas a sua frente, em poucos minutos aterrizaremos.-

Eu havia deixado um mundo para trás. Minha família estava preocupada que eu atentasse contra minha vida novamente. Eles entraram em acordo de que seria melhor que eu me mudasse para Irlanda, trabalhar e estudar, manter minha mente focada naquilo que eles queriam para mim, um futuro. Na noite passada Marc veio me ver. Foi doloroso para ambos, afinal de contas queríamos ficar juntos, mas se tudo corresse de forma como eu já estava planejando a algumas semanas, preciso que ele esteja em posição no futuro também. No momento eu só tinha algo em mente, vingança! A primeira tentativa foi com pilulas, eu nem precisei tomar. Procurei um remédio que deixasse meus sinais vitais reduzidos o resto eu joguei pelo ralo. Esperei pacientemente enquanto ele fazia efeito. Me aproximei da escrivaninha enquanto o remédio começava a fazer efeito e cai derrubando tudo que estava em cima dela, alertando minha mãe que havia algo errado.

A segunda vez foi mais dolorosa.

Mas pra mim foi só um meio para um objetivo final. A lâmina passou em meu braço e foi ardendo até onde eu queria. Meu pai bateu a porta e então eu deixei meu corpo cair no chão. Ele arrombou a porta com os pés e me encontrou sangrando pelos pulsos. Imediatamente fomos para o hospital, e ouvi os médicos dizerem -Foi um corte na horizontal, se tivesse sido na horizontal, não tinha como suturar -Eu havia pesquisado. Depois de algumas sessões com o psiquiatra, ficou claro que eu me sentia presa aquele lugar, então ele sugeriu uma mudança de ares. Foi aí que eu surgi com a ideia de estudar na Irlanda. Lá os estudos não eram tão caros, e tínhamos um apartamento lá. Depois de alguns dias deliberando a minha proposta, meus pais aceitaram. E cá estou eu em um vôo que aterrissará em poucos minutos na terra do pote de ouro. O que eu também tinha em mente é que nas noites emocionalmente aquecidas da minha querida Irlanda, eu tomaria uma decisão que jamais teria volta em minha vida.

Ao descer do avião permaneci com os fones no ouvido, a música clássica me mantinha dentro do meu quartinho do pensamento, aonde eu elaborava todos os meus planos ode forma fria e calculista.

Quando percebo que alguém toca meu braço afetuosamente. Quando levanto meus olhos, um presente dos deuses estava a minha frente, nada poderia ser melhor.

Depois de ter me encontrado com meu presente no aeroporto, peguei um táxi e fui para o centro de Dublin. A O'Connel street não era bem no centro de Dublin, mas tinha uma vista linda para os lagos mais famosos da cidade, Irish Sea e Liffey. O apartamento estava fechado a muito tempo. Mas eu me senti completamente feliz, ali era meu lugar no mundo durante algum tempo.

Desci para comer algo e me deparei com um clima gostoso de Junho. Diferente de Londres e da costa oeste da Irlanda, Dublin não era tão chuvosa ou tempestuosa, esse tempinho de junho favorecia os dias de sol, que não era muitos, mas eram necessários. Não demorou muito e meu telefone começa a tocar. Mãe.

—Mãe…

—Você não ligou Ceci, quer nos matar de preocupação?

—Mãe eu acabei de chegar, nem consegui comer ainda! Eu entendo sua preocupação, mas eu juro que estou bem.

—Não se esqueça, amanhã é sua entrevista na universidade, você irá se sair bem querida, mas siga as normas do sucesso.

—Eu entendi mamãe… Agora posso me alimentar? Te ligo assim que desfazer as malas.

—Eu e seu pai te amamos muito Ceci!

—Também amo vocês.

(Mas precisam manter distância, eu já tomei minha decisão).

Ao desligar o telefone percebi que eles eram os únicos que podiam tentar me impedir de fato, mas eu precisava deles longe, eu não podia desistir de tudo que um dia eu planejei. Terminei meu lanche e voltei ao apartamento. Comecei uma faxina longa. Não pisamos os pés aqui desde que minha Nana morreu. Tinha muita coisa para trás. Fotos, cartas, mobília e livros antigos. Certamente um chamou minha atenção

“O diário de Jack O estripador”

Não sabia que minha avó curtia esse tipo de história.

Sentei sobre a cama que a pouco havia trocado os lençóis e imergir naquele cenário caótico sanguinário de 1977 quando Jack o estripador fez sua primeira vítima. Aquilo foi o segundo presente desde a minha chegada a Irlanda. Fiquei horas lendo ele e mal percebi quando o sol já apontava no horizonte. Eu não havia dormido. Logo o despertador me lembrou que eu tinha um compromisso muito importante, minha entrevista com a universidade. Da O'Connel street até a Universidade de Dublin era 15 min de carro. Chamei um Uber, assim que terminei de me arrumar. Coloquei um vestido preto, não muito funeral, nem muito casual, nem que diga que eu sou festeira (Porque eu não sou), mas também que não diga que eu prefiro lugares escuros e sombrios. Para quebrar o preto eu coloquei um Cardigans branco, o colar de pérolas da minha vó e prendi os cabelos em um coque. Enquanto ao sapato coloquei um estilo boneca que fosse apenas 5 cm, o suficiente para mostrar a elegância que ainda eram praticadas as noites em meu quarto. Dentro de mim a certeza de que era isso o que eu queria. Coloquei os fones e mentalizei todo o sucesso de tudo que eu havia planejado. Eu havia feito 18 anos a dois meses atrás e corria atrás dos meus sonhos.

A entrevista foi bem-sucedida como era de se esperar.

Assim que sai porta afora na universidade, recebi uma mensagem no meu celular.

{Jantar hoje a noite?}

Pensei por alguns segundos.

{Claro! Me encontre às 20:00 horas no Chapter One 18-19 Parnell Street}

Fui correndo de volta para o meu apartamento. Mas… O que vestir? Abri o meu guarda-roupa e ele estava inundado de roupas pretas. Eu precisava de algo mais angelical e vulnerável. Mexendo no guarda-roupa da minha Nana encontrei um vestido. Um pouco fora de moda, mas com alguns cortes e outros ajustes eu consegui deixá-lo apresentável. Peguei meus documentos e passei os olhos sobre o livro em cima da cama. Estava quase na hora de encontrá-la.

Londres – 12 anos antes do casamento.

Faltava poucas horas para o Theo vir me buscar. Eu sentia borboletas no meu estômago. Será que isso mesmo estava acontecendo? Eu finalmente iria ao baile com o grande amor da minha vida desde o primário?

Eu já estava arrumada desde muito cedo.

Minha ansiedade estava me matando.

Se passou uma hora, duas e três… O baile estava para começar a qualquer momento e o Theo não dava sinais de vida.

Resolvi ligar. Ele não atendeu. Pedi meu pai que me deixasse na porta da escola, ele não entendeu muita coisa, mas ele acabou me deixando lá. Vários carros estavam presentes, inclusive a limosine que Theo havia alugado. As vezes ele havia acabado de chegar e estava tentando ligar na minha casa informando que algo aconteceu.

Entrei sozinha em meu baile de formatura. Aos poucos fui perdendo minhas forças. Eu vi Theo sentado com os amigos em uma mesa, e em seu colo Chelsea Hardgreave dançava de forma lasciva. Marc estava em um canto observando com o par dele. Quando Chelsea me avistou na porta do baile com um vestido azul-celeste, ela correu em minha direção com um copo de ponche na mão jogou ele em cima de mim, o manchando imediatamente de vermelho, em seguida me empurrou no chão.

—Sabe pra onde todas as garotas boas vão Tommlison? Pro inferno!!!

Todos começaram a rir de mim naquele momento. Eu era a Carrie a estranha deste baile. Ela rasgou meu vestido em várias partes quase me deixando nua. Me levantei as pressas esbarrando em tudo e todos que eu via pela frente. Ao passar pelo estacionamento, deixei meu corpo sofrer o impacto com o chão. As lágrimas desciam de forma rápida, eu era uma piada para todos eles. Ouvi alguns passos na minha direção.

—Me deixa em paz…

Quase não tinha força para concluir a frase. Braços fortes me envolveram e eu comecei a me debater com o restante de forças que eu tinha.

—Calma Ceci… Me deixa cuidar de você.

A voz era do Marc. Ele sempre foi gentil e educado comigo. Mas no momento eu não tinha certeza em quem confiar, mas que escolha eu tinha? Como chegar em casa minutos depois que meu pai me deixou aqui, com a roupa destruída e suja. Ele insistiria em falar com a direção do colégio e ia ficar pior.

—Confia em mim Ceci… Eu só quero te ajudar.

Eu fiquei ali, encolhida nos braços dele nem sei por quanto tempo. Eu só queria sumir.

—Não quero ir para casa assim, e também não quero ir pra sua.

—Meu pai havia me alugado um quarto no Snoozebox Canary Wharf… Podemos ir pra lá. Eu posso dormir no sofá e você na cama. Amanhã cedo procuramos algumas roupas para você voltar pra casa. De acordo?

Olhei para o rosto do Marc, tão próximo ao meu e senti algo dentro de mim… Confortabilidade.

—Sim, nos temos.

Irlanda – 10 anos antes do casamento.

Havia reservando uma mesa em um dos restaurantes referencia em Londres. Chapter One, a comida não era nada barata, porém eu adorava aquele clima aconchegante com cheiro da comida que minha avó tinha costume de fazer. O ponteiro do relógio já marcava 20:01, significa que minha companhia estava atrasada, por que eu não estava surpresa?

—Tommlison?

Olho para trás, e lá estava ela. Bem no ponto caótico que eu queria. Um presente caprichado dos deuses em minha jornada de autoconhecimento. Exito pessoal me preencheu de forma voraz quando fazendo com que as coisas acontecessem ali, em publico.

—Hardgreave.

Notas finais
Bom pessoal é isso! O que vem pela frente? Porque Amelia está tão feliz com o encontro com a Chelsea? Que grande mudança é essa que vem por ai? Xoxo - Ruiva (Red).