Jar Of Hearts

1 Eu não posso dar um passo a mais em sua direção.


Notas iniciais
Bom, eu sempre tive um sonho de construir uma história nesse estilo.
Espero que gostem!

Enjoy

Xoxo - Ruiva (Red).

Estava muito frio naquela manhã de domingo. Minha mãe me questionou várias vezes o “porque” de eu casar em um domingo no meio do frio rigoroso de Londres. Mas aquilo não era um casamento, aquilo era um fim de um ciclo. Vestida com uma Carolina Herrera minha, beleza como sempre se destacara das demais mulheres. Mas nem sempre foi assim. Era a última prova do vestido naquela manhã. Apesar de o casamento ser à noite, alguns convidados já se instalavam na mansão Out of The Woods. A mansão pertencia à família do meu noivo Rafael Theo James Willians. Reencontrei Theo depois de 16 anos e não demorou muito que seu coração apaixonado me pedisse em casamento aquilo me fez chegar ao ponto máximo que eu podia. A satisfação de ter o Theo comigo, a paixão ardente que tanto esperei no dia do meu casamento. Aproximo da janela que havia um pequeno véu. Dali eu podia ver os convidados com sua elegância invernal. Na escola eu partilhei a frustração de ser excluída e rejeitada pela maioria deles, agora eles estavam aqui para aplaudir a minha ascensão. O tempo me fez um bem danado, porque isso me fez crescer estando meio viva. Na época da escola Poucos notavam a minha presença e os que notavam estavam ali pra tornar minha existência um pouco mais miserável. Então eu me mudei. Passei uma longa temporada na Irlanda e logo em seguida na Escócia estudando e cuidando do pouco de mim que ainda existia. E foi assim que eu me recuperei e voltei para minha querida Londres e prometi que não me perderia novamente. Ao retornar para Londres percebi que eu não poderia mais viver rejeitando quem era e muito menos quem havia me tornado. Olhei para a mesinha de centro e percebi um jornal daquela manhã de domingo.

“Serial Killer ataca novamente!”

A Europa estava sendo atacada por um serial Killer. Eu me sentia extasiada. Primeiro começou atacando em Portugal, foram três mulheres todas com o mesmo perfil, morenas entre seus 20 e 30 anos. Autênticas. Algo que as diferenciavam das demais.

A porta se abre.

—Deseja comer algo Cecilia?

—Amélia… Me chamo Amélia!

Quando me mudei para Irlanda eu pedi a autorização dos meus pais para mudar meu nome. Cecilia é meu nome de batismo, porém fiz com que eles assinassem um contrato impossibilitando eles e qualquer um da família de me chamar pelo nome de batismo.

—Hoje é seu casamento, pelo menos hoje deixe me lembrar de que seu nome quem deu foi sua avó Ceci.

—Eu já não sou a Cecilia a muito tempo mãe. Então por favor.

—Tudo bem Amélia. Como quiser. Eu nunca vou entender o porquê de ter apresentado a família ao seu noivo com o meu nome de solteira e não o nome do seu pai. Eu só espero que haja um bom motivo pra nos esconder com tanto segredo.

E realmente tinha. E isso começou em agosto 2005. Conheci Theo na escola e ele era o típico sonho inglês. Moreno, alto, esportista, família rica e popular. Como de se esperar ele foi meu primeiro amor. Mas me rejeitou. Então cumprindo o piegas do amor High School, eu me tornei a garota rejeitada que futuramente ele se apaixonou porque deu uma repaginada, cresceu e se tornou uma mulher desejada e cobiçada. Eu serei a futura Sra. Willians. Ou, pelo menos, todo esse circo serve pra isso. Lá embaixo eu via o meu presente de casamento sendo colocado ao lado do altar. Isso vai ser uma bomba de emoções a todos os presentes em nosso casamento. Uma mulher de pensamento fixo aceita perder tudo na vida por um amor. Uma mulher de pensamento fixo aceita passar por qualquer situação em prova de seu amor… Uma mulher humilhada por causa de seu coração que se entrega a vontade e ao desejo de realizar e ser…Bom, essas não merecem definição de uma mente sã. O meu momento estava próximo. Trabalhei uma vida inteira pra que fosse ótimo. Passando pela Irlanda estudei medicina, em Portugal Direito, na Escócia me especializei em psicologia, e alguns meses antes de marcar a data do meu casamento, eu estava me formando em Londres… Psicologia Forense. Eu tive foco e me orgulhei muito da mulher que me tornei, mesmo com todos os meus pecados me assombrando.

—Quero frutas. Apenas frutas.

—Amélia, você precisa comer algo mais forte. Você está a semanas só comendo fruta.

Desisti da minha pose de durona, segurei minha mãe pelas mãos e as beijei. Ela afagou minha bochecha com o polegar.

—Eu sinto muito mãe. Eu sei o quanto você gostaria que eu fosse Cecilia hoje, o quanto você gostaria que a vovó estivesse aqui, mas eu preciso concluir o que comecei. Não tem mais volta. Quero que saiba que eu amo muito vocês e que sempre vou amar. Agora vai. Trás pra mim algumas frutas e algumas gostas de rivotril, eu não dormi nada essa noite, depois do tratamento de pele eu iriei repousar.

—Os pesadelos voltaram?

Suspirei fundo.

—Eles nunca vão embora mãe.

Sempre os pesadelos. Não eram bem pesadelos, estavam mais para realizações pessoais que me perseguem. Eu vivi por isso durante 12 anos. Agora acontecia exatamente como o planejado. Finalmente eu estava com o jarro em mãos. A moça que cuidaria de mim naquele dia chegou. Louise. Cabelo, maquiagem, pele, massagem e o resto de um dia de princesa, segundo ele tudo o que a mulher que ele ama necessita. Vou me alimentando só de frutas enquanto tudo é feito de forma altamente e perfeccionista. Depois de algumas gotas de Rivotril, eu dormi de forma plena e sem pesadelos. Algumas horas mais tarde sou despertada por Louise. Estava quase na hora. Ela deu os últimos retoques. Enquanto isso meu coração acelerava gradativamente.

Alguém bate a porta.

—Amélia…?

A voz de meu futuro marido atravessava o quarto silencioso até chegar meus ouvidos.

—Posso entrar?

—Querido… Nunca te disse que é proibido ver a noiva antes do Enlace Matrimonial?

—Amo você Amélia, nada poderá nos separar, depois dessa noite não haverá nada que irá nos separar.

—De fato, essa noite vai ficar algo marcado na história das nossas famílias. Mas não, você não pode entrar.

—Então pede alguém pra pegar os presentes que lhe trouxe.

Sai só de lingerie ao encontro dele. Ao lado dele o padrinho/melhor amigo. Mantive a porta aberta sentindo o olhar de ambos percorrerem todo o meu corpo. Theo se colocou na frente para impedir a visão de Marc Carmine Ferrow. Me lembro bem de Mr. Marc. Quando Theo me rejeitou uma hora antes do baile, ele me levou em casa. Naquela noite Marc me amou como mulher, e depois dele eu nunca mais consegui me satisfazer com outro homem. Ver a cara dele naquele momento em que eu abri a porta me deixou molhada por inteiro.

—Pode entregar pra mim amor.

Meu sorriso era de um cinismo impressionante.

—Adoro seus joguinhos Amélia. Esse não é um deles.

Entregou-me a caixa e pediu com um aceno de mãos que eu voltasse pra dentro.

—Um prazer revê-lo Mr. Ferrow. Parabéns por sua graduação na Scotland Yard. Meu noivo supre um orgulho radiante de você.

—Bom, não era assim que esperava revê-la Mrs. Hailey… Agraço pelo carinho a minha mais recente vitória.

Por uma fração de segundos ele passou a língua sobre o lábio inferior de forma que o Theo não podia ver. Nesse momento um flash instantâneo das noites que passamos juntos foi compartilhado por um olhar.

—…É um prazer também Mrs.

Entrei e fechei a porta com a visão de Marc entre minhas pernas.

—Quero que todas saiam. Preciso de 30 minutos sozinha.

—Mas Mrs. Hailey, o casamento é daqui a pouco… A muito a ser feito ainda se não…

—Fora!

Meus olhos fixavam os dela sem que ela pudesse compreender a urgência na saída da equipe. Aos poucos a suíte foi ficando vazia. Lá embaixo eu ouvia uma delas falando ao Theo que eu gostaria de ficar 30 minutos sozinha. Não demorou muito para Marc atravessar a porta procurando por mim. Eu estava com a lingerie da lua de mel. Ele parou embasbacado com o meu corpo, afinal eu não tinha mais 16 anos, agora a mulher poderosa e maravilhosa que eu havia me tornado. Ele me pegou pela cintura e me pressionou na parede. Seus lábios me procuravam com uma necessidade conhecida. Uma química perfeita. Empurrei-o fazendo com que ele se sente na cadeira mais próxima. Em frente ao espelho comecei a dançar de forma sensual desconhecida por ele. Coloquei o pé em cima da cadeira e fui tirando a meia branca olhando pra ele. As mãos dele foram de encontro ao meu bumbum o que me fez desequilibrar e sentar no colo dele sentindo o membro dele quase estourando de excitação na calça. Nos beijamos ardentemente enquanto os dedos dele brincavam com minha intimidade me fazendo gemer entre os beijos. Ouço passos e o Theo bateu à porta.

—Amy? Querida?

Coloquei o indicador sob os lábios dele e com uma das mãos coloquei o membro dele pra fora e pincelei na minha intimidade e penetrei de forma forte. Arfei mordendo os lábios.

—Sim querido?

A intimidade do Marc me tomava com propriedade enquanto meu noivo se encontrava do lado de fora aguardando ansiosamente para me desposar.

—Você pediu que todos saíssem… Você está bem?

Marc me segurava pelas nádegas e me puxava de encontro com o corpo dele… Extasiante.

—Eu só preciso de alguns minutos a sós com meus pensamentos querido. Logo estaremos a todo…

Soltei um gemido descontrolado quando ele empunhou força sobre meu corpo.

—Amelia! Abra a porta. O que está havendo ai dentro?

—Calma Theo. Eu quase derrubei a cristaleira de doces aqui dentro. Apenas esbarrei nela.

Marc ria embaixo de mim como se estivesse satisfeito com o que havia acabado de acontecer.

—Está bem. Você tem alguns minutos. Mas lembre-se que estamos esperando há muito tempo por isso, espero que não desista.

E com essa desesperada tentativa de não me perder e os movimentos orquestrados por dois corpos sedentos de desejo, Marc chegou ao ápice sem preocupar em ainda estar dentro de mim, eu também não me fiz rogada e deixei que meu corpo se entregasse a um prazer conhecido. A carga elétrica passava por membros inferiores e superiores fazendo com que Marc me segurasse enquanto o processo violento de prazer do meu corpo de dissipasse em seus braços.

{Algumas horas mais tarde}

Luzes por todos os lados, flores cobrindo o caminho. A noiva estava deslumbrante com seu vestido em perfeita sintonia com seu corpo. Mais parecia com uma princesa. Sua cascata ruiva descia de forma encaracolada pelas costas da noiva, até chegar ao decote canoa bordado a mão com algumas pedrarias cintilantes. Sua cabeça era coroada por flores de cor bem branquinha. Os convidados olhavam de forma estupefata a quão bela a noiva estava. Os flashes começaram a surgir diante de seus olhos, e a marcha nupcial orquestrada por um quarteto de cordas que soavam com a musica do céu. Amélia caminhava como quem caminhasse em direção à lua, que entre a noite fria e trevosa de Londres. O lago que cercava o castelo foi iluminado com muitas velas, e a passarela até o altar acompanhava até a parte mais alta do jardim. Diria que da parte mais alta, até a profundidade do lago daria em torno de quase dez metros. Lá em cima os convidados apreciavam minha subida ao ritmo instrumental que logo foi dando lugar a uma épica sonata trilada pelas notas da música ‘Total Eclipse of the heart’. Quem olhava via meu noivo enxugando as poucas lágrimas que desciam sobre o seu rosto emocionado. Em meus lábios, um sorriso maroto que se estendia com gentileza. Dentro de sua mente os neurônios sem reuniam na beleza em torno do show que se instaurava a cada passo que ela dava em direção aos holofotes montados para mim. Ao chegar ao altar, o noivo com os olhos de forma cintilante tomou sua mão direita e a beijou olhando no fundo dos seus olhos, como se agarrasse a uma esperança.

Tolo! A dama o envolvia com sua beleza e charme totalmente pulsante dentro dela.

A cerimonia ocorria como planejado. Os votos foram algo de matar. Mas o que viria a seguir faria com que aquilo fosse inesquecível. O vento gelado percorria por entre nos com direitos de um convidado. Minha ansiedade pulsava através do meu peito como quem me convidava para uma dança em direção a felicidade. Uma cerimonia tradicional, com pompa e circunstância, até chegar à parte mais desejada em meu coração. Os votos. Theo chorou como uma criança expondo sentimentos que eu esperei a vida inteira para sentir um desejo em meu coração. Ao som de Cannon in D pelo quarteto de cordas, ele se derramava de uma forma puramente sincera. Eu acreditei. Mas… Não era hora de voltar atrás. Peguei um papel onde continha todas as palavras de verdade e banhadas em sentimentos que se passaram dentro de mim durante todos esses anos.

—Theo… Em meu peito houve um pesar. Uma pedra instalada acima de mim que me perturbava noite após noite. Na garganta, um nó que jamais poderia ser desfeito, a não ser com determinação, esforço e foco… Assim eu nasci. O belo cisne que se tornou reverenciado, não só por ser belo, mas também pelo medo. Em minhas passagens por todos os países que visitei, evolui como mulher e também desci em conceitos. Mas hoje, diante da elite de Londres e uma rede televisionada, eu quero mostrar pra você o que o amor pode fazer com uma pessoa que um dia quis ser muito amada, e lutou pra conseguir isso, da pessoa que mais ama.

Olho para meu noivo. As lágrimas de emoção tomam conta dos olhos deles.

—Antes de terminar Theo… Tenho um presente para você!

Notas finais
É uma terra desconhecida, espero que gostem.
Amelia/Cecilia, tem muito a nos contar e nos ensinar.
Talvez esse presente irá nos deixar surpresos como Theo ficará.

Xoxo - Ruiva (Red).