Jar Of Hearts
5 Collecting jar of jearts.
Notas iniciais

Suíça – 7 anos antes do casamento.
Eu sabia que a polícia estava na minha cola. Com certeza havia várias partes do meu depoimento que ficou sem esclarecimento. Então resolvi dar um tempo e organizar melhor a próxima caçada. Marquei uma viajem com a Lizzie, afinal de contas, guardamos nossas demonstrações de afeto para momentos só nossos. Estava aguardando o momento certo para assumir nosso relacionamento em publico. Fomos para suíça, em um festival de jazz, a beira do lago Léman. Montreux é conhecida pelo festival é claro, mas também por seu clima ameno, suas flores, esculturas e seu castelo medieval, aonde se encontra a capela e as mais belas obras do século XIV. Lizzie (Heiner), ficou encantada, apesar de não ser a primeira vez ali. Lá andamos livremente expressando nosso “amor”, afinal de contas estávamos juntas a dois anos. Eu não sentia nada. Sempre acordava no meio da noite para ver ela dormir, porém eu sentia uma vontade enorme de enlaçar minhas mãos em volta do seu pescoço. Ela era um objeto necessário, ninguém podia chegar perto, nem mesmo fingir interesse, não deu certo uma vez, eu perdi o controle, não quero que nada se coloque entre mim e meus planos. A noite, após Heiner ir dormir eu sai para caminhar. O clima podia ser ameno ao longo do dia, porém a noite as coisas começavam a esfriar. Havia repassado o plano várias vezes, mas precisava saber a lealdade de Heiner. Não demorou muito e meu telefone tocou. Não atendi. Entrei em uma casa de luz vermelha de lá sairia minha próxima vitima. Essa noite a peruca loira me acompanharia novamente, a mesma que usei nos últimos anos. Essas casas noturnas não são conhecidas por sua segurança e a noite passada eu havia estado ali com a Lizzie, realizamos umas fantasias e então decidi que aquele lugar era perfeito para o meu proposito. Meu tabuleiro girava em torno do que eu queria, e apesar dos holofotes que girava em torno dos desaparecimentos, eu precisava me tornar cada vez mais cuidadosa e profissional em meus assuntos de morte. O Padrão estava formado, mas ainda eles não tratavam como serial killer. Era engraçado. A policia se tornou motivo de chacota em minha cabeça. Desde Heardgraves até aqui, já foram 5 mortes em um intervalo de três anos. Fui até o bar e tomei dois shots de tequila, brindei com o vento os recentes sucessos, até aparecer a primeira candidata. Dei uma de bêbada alucinada que só precisava alguém para me escutar. Precisava de alguém que ninguém fosse notar a falta, pelo menos não cedo. Depois de conhecer mais a história de Jack o estripador, eu sabia aonde deveria procurar as vítimas necessárias para concluir meus experimentos até chegar aonde eu queria. E ela chegou. Lena. Não sei ao certo se esse era o nome real dela, mas era o cervo que eu tanto aguardei ao longo da noite. Disse a ela que eu tinha uma fantasia reprimida e que gostaria de realizar. Saímos pelos fundos, essa saída é especial para clientes que pagam a mais para não serem vistos com prostitutas. É como se fosse a segurança de homens e mulheres casados. Fomos próximo ao lago, lá havia um galpão que eu havia preparado. A garota tinha um tom inocente, andou pelo galpão e viu um grande biombo de plástico aonde entrou curiosa. Meu telefone tocou novamente. Heiner. Deixei tocar.
—Namorado?
—Namorada.
—Então… Qual a sua fantasia?
A pele dela arrepiava. Por um momento passou pela minha cabeça em fazer daquele momento apenas uma experiência sexual, mas existia algo dentro de mim que era bem mais forte: A sede por sentir o coração quente dela palpitando em minhas mãos. Abri um sorriso largo.
—Pode virar de costas?
Ela se virou rindo.
—Confesso que aqui é um pouco medonho, porém tá me excitando.
Abracei ela por trás e segurei ela pelo pescoço.
—A arte do fetiche consiste em pegar o que te faz sentir desejo e externalizar com uma pessoa que entende e esteja disposta a te realizar. Alguns vão chamar de magia, outros chamam de perversão… Eu prefiro chamar de meio.
—Meio? Por que meio?
—Porque os meios, levam aos fins.
Beijo o topo da cabeça dela.
—Não sei se entendi.
Peguei a seringa com a droga utilizada para imobilizar minhas vitimas.
—Oh… Querida, não temos tempo para explicação… Só para ação.
Cravei a seringa no pescoço dela. Ao sentir ela se desvencilhou dos meus braços e caiu no chão.
—Você me drogou? O que vai fazer comigo?
Rindo de forma estérica eu disse.
—Vou sentir seu coração pulsar em minha mão de excitação.
—Você é a assassina? Não é? Não me mate por favor!!! Eu faço qualquer coisa. Eu te dou qualquer quantia de dinheiro… Eu imploro.
Ela começou a chorar. Me ajoelhei perto dela.
—Eu estou te libertando, homem nenhum ou até mesmo mulher abusará de você novamente, você não terá que viver esse martírio… Me chame de deus.
—Ceci?
Olhei para trás e Heiner estava na entrada do galpão. Eu havia ligado o GPS do celular para que ela pudesse me encontrar. Deixei a garota no chão e fui até ela. Segurei ela pela mão e a puxei pra dentro fechando a porta do galpão.
—Lizzie, quero que conheça Lena.
—O que é isso Ceci?
Heiner disse aos sussurros.
—Por favor me ajuda…
A garota disse quase sem forças, o remédio estava fazendo efeito.
—Me ajude a colocar ela na mesa. Pegue pelos pés.
Ela ficou olhando de forma estática.
—Heiner! Preciso de você aqui, acorde.
Espalmei minhas mãos a frente do rosto dela com intenção de tirar ela daquele choque momentâneo. Ela olhou e pegou a garota pelos pés e eu pelos ombros.
—O que acontece agora?
—Eu te mostro quem realmente sou.
Coloquei um par de luvas e um face shield para não espirrar sangue em mim. Heiner ficou encostada apenas observando tudo acontecendo. O corte foi preciso. Ela permanece imóvel enquanto me movia no galpão. Aos poucos a sedação foi passando e a garota começou acordar.
Ainda tonta a dor começou a correr por seu corpo tornando ela cada vez mais ruidosa.
—Por favor…
Ela disse entre lágrimas. Ignoro. Meu olhar se volta para Heiner para ver qual a reação dela a tudo isso. Nossos olhares se cruzaram e por um momento.
—Você acha que me assusta?
Ela caminhou para perto de onde eu havia deixado algumas ferramentas.
—Eu já disse, você é muito ingênua.
Ela ia cravando a faca no peito. Segurei a mão dela.
—Aprenda a andar, depois você corre.
Ela sorriu de canto.
—Você me subestimou até agora, deixe-me te mostrar como funciona as coisas.
E jamais me subestime novamente Tommlison.
—Não estou te subestimando Heiner. Eu quero o coração, o mais vivo possível. E depois vamos conservar ele. Planos futuros.
—Certo. Mostra o caminho então.
Depois do serviço terminado, a adrenalina assentou no corpo das duas, mas ainda podíamos sentir a eletricidade percorrer por todo nosso corpo. Segurei Hener pelos cabelos e meus dedos percorreram sua intimidade. O corpo estendido sobre a mesa fria não nos inibiu de fazer o sexo mais louco e selvagem desde que começamos a namorar. Eu soube que havia conseguido uma parceira. Mas apesar de todo esse suposto laço, era só mais uma peça andando sobre o tabuleiro da minha perseverança, nem ela nem ninguém poderia me parar. Eu estava com as mãos sobre o coração do Theo cada vez mais perto eu podia sentir. Daqui para frente agora, cada passo me deixa mais perto do objetivo final e mais próximo a morte.
Londres – 7 anos antes do casamento.
Caminhando de forma tranquila trajando meu uniforme, percebo que há uma reunião no gabinete principal. Parei na porta e o capitão me manda entrar.
—Dêem as boas vindas a Marc Carmine Ferrow. Estou mandando ele de imediato para a Irlanda. Ferrow observará de longe a vida da principal suspeita até agora. Nossa suspeita é Cecilia Tommlison.
Meu estômago afundou.
—Você deve conhecer ela, né Ferrow? Estudaram juntos no colegial e ela foi namorada do seu melhor amigo, Rafael Theodoro.
—Conheço vagamente. Mas não será difícil para mim se aproximar dela.
—Nem preciso mencionar que se você fechar esse caso, a promoção estará na sua mesa no dia seguinte, entendeu? Mais uma coisa Ferrow, não sabemos se a namorada é apenas um acessório ou de fato uma cúmplice, fique com os olhos bem abertos, pode estar lidando com psicopatas, mas certifique que elas não serão julgadas como doentes mentais, pago para ver elas apodrecerem na cadeia.
—Fique tranquilo Capitão, será um show que vocês jamais esquecerão.
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