Jar Of Hearts
15 And everything you love will burn up in the light.
Notas iniciais

Londres – 1 ano e meio antes do casamento.
Um jantar formal na casa dos Willians. Os pais de Theo, sempre foram muito cortês a ponto de nos oferecem umas das maiores mansões em Londres para o nosso casamento. Marc estava em Portugal desde a morte da Paola. Eu estava entediada, isso não era bom. Cada momento era um momento, cada oportunidade era uma oportunidade, eu poderia colocar tudo a perder se não me controlasse. Mas depois de algum tempo está se tornando quase insuportável ficar com as mãos atadas. Todas as noites as minhas mãos estavam em volta do pescoço dele. Mas a morte para ele seria algo reconfortante.
—Não é mesmo Amelia?
A voz da mãe do Theo me tirou dos pensamentos.
—Desculpe Ângela, estou levemente distraída hoje.
—Aquele paciente ainda?
Theo segurou em minha mão. A faca estava do lado direito, senti meu sangue ferver e quase pude me ver cortando a garganta dele ali na sala de jantar.
—Sim, querido. Ainda o tenho em minha mente. Se não se importa vou me retirar, eu estou exausta depois de um plantão de 36 horas.
—Permita que te leve pelo menos um suco, juro que não entendo essa sua dieta de frutas e carne. Uma mulher tão linda e elegante.
Meus olhos se fixaram nela. Puxando o meu saco e babando ovo para cima de mim. Quem a vê tão dócil, perfeita sogra e dedicada, não imagina o que essa velha me fez passar. Mas eu tenho um presentinho para ela, que ela não perde por esperar.
Londres – 12 anos antes do casamento.
Andando por aquela casa eu ficava maravilhada. A família Willians era uma das famílias mais ricas da sociedade inglesa. Diferente de mim que meus pais trabalhavam muito para me dar o melhor, Theo nasceu em um berço de ouro. A mãe do Theo é uma socialite que cuida da parte beneficente das empresas do pai dele. O pai dele por um outro lado, é um CEO. Sua empresa acarreta um milhão de dólares por minuto. Para eles eu não era só a garota desajeitada e esquisita, para eles eu também era a garota pobre. Os pais dele sediaram um jantar em prol de crianças com câncer em UK. Theo me pediu para acompanhar ele. O evento seria no salão Pompadour, um dos salões de festa mais elegante e chique de Londres.
—De jeito nenhum Cecilia!
Vociferou minha mãe.
—Não temos dinheiro para gastar em um vestido para você brincar de princesa com esse rapaz. Nos damos tudo a essa menina e nada esta suficiente para ela, quando vai descer desse carrossel que você se colocou e entender que você não serve para ele?!
As palavras dela sempre me feriam, por que me feriam? Por que ela não cuida de mim? Me protege?
—Você é pobre Cecilia, ele é um garoto rico que pode ter o que e quem ele quiser, você é só um passatempo para ele.
—Margaret, acho que você está indo longe demais. Acalme seus nervos.
Meu pai olhava de forma calma para minha mãe.
—Você a mima muito.
—Ela só te pediu um vestido, Margie!
—Sempre voltamos a isso! Eu falo não e você a defende com unhas e dentes. Está criando um monstro.
—Você esta descontrolada Margaret.
Todas as vezes que eles brigavam, eu ficava fora de mim, como se eu estivesse em outra atmosfera. O Carro do Theo buzinou na porta. Eu sai correndo. Atrás de mim eu só ouvia os gritos. Entrei no carro com a face avermelhada, fervendo em raiva.
—Você está bem?
Segurei Theo pela nunca e o beijei com força.
—Wow, tem muita raiva envolvida ai. Quer me contar o que houve?
—Só me tira daqui. Pode me levar ao esconderijo?
—Com toda certeza!
Ele sorriu maliciosamente. Eu apenas encostei minha cabeça no vidro. Adormeci.
Londres – 1 ano antes do casamento.
Minha futura sogra saia todas as quartas-feiras e sempre voltava no mesmo horário. Se eu entraria para essa família de víboras, eu deixaria eles em minhas mãos. Entre um plantão e outro, eu resolvi dar uma espiadinha nela. Nas primeiras semanas não vi nada que a colocasse em uma saia justa, a mulher era impecavelmente sem rastros de maldade, uma santa até. Mas todo mundo escorrega não é mesmo? Toda família tem um podre em teu centro de equilíbrio. Angela Willians tinha um amante quase da idade do seu filho. Theodore Willians também tinha uma amante universitária, fora as festas regadas a drogas bebidas e prostituições. Expor eles um para o outro me fez pensar que não seria uma novidade, porém expor eles para a sociedade Londrina? Seria um escândalo. Então resolvi brincar um pouco com a família Willians, o psicológico deles seria minha alimentação enquanto não posso colher corações.
Depois de quase um ano observando a família do meu futuro ex marido, pude perceber coisas grosseiras que passavam despercebido de todos, até mesmo do meu pobre Theo.
Londres – 12 anos antes do casamento.
Theo me beijava de forma luxuriosa. As mãos dele passeavam por todo meu corpo. Nos afastamos por falta de ar. Vi Theo arrumar seu membro dentro da calça, logo em seguida acender o cigarro.
—Eu vou comprar o vestido para você. Quero que vá comigo!
—Meus pais estão surtando, duvido eles me deixarem ir.
Ele passou o cigarro pra mim, mas eu acabei tossindo muito, ele segurou meu rosto em mãos.
Selou nossos lábios.
—Estou planejando uma noite maravilhosa para nos dois. Preciso que vá.
Ele me prensou na parede e eu pude sentir sua masculinidade pulsar próxima a minha. Eu estava excitada, muito excitada, desde o dia do parque com a Jaykings, eu queria aquilo, eu queria os dois, saciar aquele mostro molhado dentro de mim.
—Eu vou. Nem que tenha que sair as escondidas.
—Essa é minha garota!
Londres – 1 ano antes do casamento.
Meu sogro passou por mim deixando aquele elogio barato.
—Está belíssima, Amelia. Meu filho não poderia ter feito uma escolha melhor!
Dentro de mim eu sorria. Homens burros controlados por seus desejos. Quem escolheu seu filho sou eu babaca drogado! — Minha deusa interior vibrava e sorria – E o fim dessa família se aproxima.
—Realmente, a escolha foi perfeita Theo.
—O vestido fui eu quem escolheu.
Ângela se sentia orgulhosa. Tola. Eu havia encomendado o vestido, ela só achou que havia escolhido, e pagou. O vestido custou doze mil euros. Algo simples para eles, não chegaria nem perto do que gastariam para meu casamento. Em seguida eu fui até a porta do salão de Pompadour e aguardei minha atração principal da noite chegar. Ele chegou vestido em um terno azul marinho, estava extremamente elegante, era um homem muito lindo. Quando minha futura sogra colocou os olhos no meu acompanhante, ela quase engasgou.
—Sr e Sra Willians. Damphrey Matin, meu residente e apoiador da causa para os médicos nas partes mais pobre da África.
Meu sogro ficou imediatamente pálido.
—Martin é o idealizador do projeto na verdade. Eu estou só pegando carona com o dinheiro de vocês.
Sorri para Martin, enquanto Theo e Ângela pareciam ter visto um fantasma, o que me intrigou. Fiquei pensando se meu sogro saberia do Affair da minha adorada sogra?
Rafael Theo havia ido buscar a segunda parte do meu plano.
—Desculpe a demora amor.
Ele beijou meu rosto.
—Peguei um leve transito até aqui.
—Senhoras e senhores, Evelyn Barclay. Ela é responsável pela ala infantil em um hospital que eu fiz estágio em Portugal.
As caras e bocas só melhoravam.
Londres – 12 anos antes do casamento.
—Você está linda minha filha, parece uma princesa.
Theo havia me comprado um vestido rosa, com detalhes em dourado. Meu pai estava muito feliz por mim, já minha mãe nem fez questão de me olhar.
—Estou linda mamãe?
O olhar duro dela para mim respondeu tudo. Rafael buzinou.
—Lembre-se do que conversamos, certo?
—Pai…
A noite passada ele havia sentado na cama para conversar comigo sobre sexo e rapazes. Foi constrangedor, ainda bem que meu pai era meu melhor amigo.
—Cadê o spray de pimenta?
—Papai…
—Por favor, Ceci.
—Está na bolsa, papai.
—Vá querida.
O Pompadour era maravilhoso, parecia uma tela feito a mão, e nos eramos a sua pintura.
Quando apontei na entrada acompanhado de Rafael, vi a feição de seus pais irem ao chão. Fomos nos aproximando e eles vieram sorrindo como se estivessem normais. Ao chegar perto do filho Ângela segurou Rafael pelo braço.
—O que pensa que está fazendo? Sabe quem está aqui? O amigo do seu pai, o superintendente Richard Cobe, você deveria acompanhar a filha dele.
—Mãe, eu estou com a minha namorada.
—Esse pedaço de banha de porco? Sua namorada? Por favor Rafael! Ela nem faz o seu tipo.
Eu estava ali. Ouvindo tudo.
—Trate de se livra dela.
—Sem chance.
—Rafa!
Um senhor barrigudo veio andando pelo salão, com uma mulher linda e elegante, que deveria ser sua esposa, e agarrada ao seu braço, uma linda moça. Deveria ser a filha deles.
—Cobe.
—Superintendente Cobe.
—Pare com isso Ângela, já passamos dessa fase. O garoto pode me chamar como quiser. Essa é sua garota?
Que vontade de sumir.
—Sim, Sr. Richard Cobe, essa é minha namorada…
Ângela apertou o braço dele, ele a fitou como se fosse fuzilar ela. Ele voltou os olhares a família Cobe.
—… Cecilia Tommlison.
—Uma bela moça. Essa é minha Lena, Cecilia, se conheçam, acho que vocês vão se dar bem!
Eu sorri para a moça, que de forma cordial, sorriu de volta.
—Cecilia, querida, pode vir aqui um instante?
—Não mãe, ela não vai, eu ela e Lena, iremos nos retirar para dançar, certeza que Marc já está aqui.
Garotas?!
Ele nos estendeu o braço.
Londres – 1 ano antes do casamento.
—Garotas?
Rafael nos estendeu o braço, andávamos lindamente pelo salão. Notei que me sogro e minha sogra se retirarão. Logo em seguida vejo o segurança cochichando no ouvido de Martin e ele também se retirou. Olhei no relogio para ver o quanto tempo eles demorariam lá dentro. Se passaram 15 minutos e vi Martin arrumando a gravata.
—Est-ce que tout va bien? Você sumiu! *(Francês: Você tá bem?)*
—Tudo sim, senhorita Amelia.
—A atenção de todos!
Rafael estava no palco.
—A aproximadamente quase três anos, eu puder encontrar alguém que me desse asas para voar. Essa noite memorável diante da sociedade de Londres, eu gostaria de fazer um pedido.
Amelia, sobre aqui.
Eu andava com aquela cara de emoção, mas a única emoção sentida, era que, meu plano se aproximava cada vez mais do fim. Fiquei de frente a ele, com os olhos dos convidados em mim.
Foi piegas, ele se ajoelhou, segurou em minha mão.
—Aceita se casar comigo?
Olhei em volta. Eu queria sorrir e gritar, mas permaneci com os olhos marejados e o sorriso feliz.
—Sim, eu aceito.
Londres – 12 anos antes do casamento.
—Olhe, Cecilia.
Ângela me fez olhar para o Rafael e para a Lena, ele havia acabado de tirar ela para dançar.
—Veja um casal que nasceu para ser.
Eu não deixaria ela me abalar.
—Eles nasceram para ser, você é somente um contratempo. Uma pedra no meu sapato extremamente caro. Observe com atenção, a futura senhora Willians.
Ele parecia bem. Isso não me afetaria. Ele sorriu para mim.
—Ele me contou dos seus problemas mentais.
Ela cheirava a Bourbon.
—Está bebada, Sra Willians.
—Faça um favor pra mim e pra sociedade, aproveite a marca em seus braços, e se mate. Você nunca será uma Willians, nunca garota estúpida.
Ela gargalhou.
—Veremos.
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