Jar Of Hearts

14 A shadow at my feet


Notas iniciais
Hello! Cheguei de novo. Hoje começaremos com um comunicado diferente. **NÃO FAÇAM ISSO EM CASA** A intenção da historia é concientizar sobre atitudes e algumas doenças sensiveis ainda aos olhos da humanidade. Não mexam com medicações sem prescrição medica, não ingerir e nem manipular sem a prescrição de um profissional formado. —____________________________________________________ *****ALERTA DE GATILHO***** Alguns capítulos podem conter relatos fictícios com muita violência, uso excessivo de drogas, abuso fisico e mental. Então se você for sensivel a esse tipo de coteúdo, recomendo que não leia essa estória. Enjoy.

Londres – 3 anos e meio antes do casamento.

Ela acabou com a minha vida. Eu to morando em um quartinho, abaixo de uma escada em Londres. Não consegui nem retornar para o Brasil. Trabalho em um centro comunitário para desordeiros. O salário eu teria que pensar exatamente em o que fazer. Ou eu pagava um lugar bom para dormir, ou eu passava fome… Advinha quem ganhou? Mas em momento algum deixei de acompanhar a minha carrasco. Cecilia havia se formado na Irlanda, mas não usava mais o nome Cecilia, agora é Amelia Haley. Eu sei porque tenho um amigo que trabalha no serviço de proteção a testemunha, ela teve o direito de escolher o nome que usaria. Nunca vi alguém ter tantos benefícios em seu entorno. Mas eu continuava de olho, meu instinto de detetive não havia se desligado desde então.

—Bom dia Srta. Novaes.

Disse a dona da pensão.

—Chegou flores essa manhã para a Srta. tem até um cartão. Deixei na porta do seu quarto.

—Obrigada, Sra. Brandy.

Flores? Quem poderia ter sido? Ao chegar na porta do meu quarto havia uma porção de Lírios laranjados. Entrei no meu quartinho do desespero e abri o cartão.

*O tempo passou e eu percebi que fui muito rude com você. Espero poder te encontrar hoje e reparar os erros do passado.

Que tal um jantar? Ás 20:00 horas.

Com carinho – MCF.

Chelsea – B304

Marc? O Marc quer concertar as coisas entre nos? Por que ele acha que me enviar flores depois de três anos e uma carreira destruída, concertaria as coisas?

—Chelsea – B304? Porra… Amélia!

Isso era muito obvio. Ela não viria atrás de mim em Londres. Ela não seria louca o suficiente de me procurar em Londres, a vista de todos. Será que eu a reconheceria? Ela fez procedimentos estéticos em todo rosto. Meu amigo do serviço de proteção a testemunhas disse que não havia fotos disponíveis para a jurisdição dele. Por outro lado poderia ser paranoia da minha cabeça e ser só o Marc mesmo. É um endereço no meio de Londres. Eu me prepararia, talvez fosse ela, e se fosse, essa é minha oportunidade de voltar a ativa. Me dirigi mais cedo ao local do encontro, era um pequeno restaurante, não muito movimentado, porém elegante. Fiquei de tocaia a maior parte do dia, mas não vi nada fora do normal. Voltei para meu quarto e tirei um dos poucos vestidos que haviam me sobrado para a ocasião. Ele era vermelho, sim, feito para chamar atenção na minha pele bronzeada artificialmente. Juntei meus cabelos em um coque, e fiz uma maquiagem negra nos olhos e nude na boca. Eu não passaria aos olhos das pessoas despercebida. Eu estava na porta do restaurante no horário combinado, mas decidi esperar um pouco mais para ver se notava algo estranho. Ele chegou. Marc tinha uma aparência mais jovial, seus cabelos tornaram a crescer, deixando ele do mesmo jeito de quando nos vimos a primeira vez. Eu estava sendo paranoica o suficiente. Respirei fundo e sai do carro.

—Tem reserva?

—A reserva está no nome de…

—Paola Novaes… Tão linda quanto a primeira vez que a vi. A reserva não está no meu nome, a reserva está no nome do meu amigo. Rafael Theodore.

Rafael? O Rafael?

—Pensei que tivessem se afastado.

—Depois da promoção na Irlanda, resolvemos deixar nossas diferenças de lado. Eramos como irmãos, nada poderia desfazer esse laço.

—Entendo.

Não, não entendo não.

—Theo, essa é…

—Paola Novaes, a brasileira que mexeu com o coração do meu irmão! A ideia dos lírios foi minha.

—Não acredite em nenhuma palavra do que ele diz. Ele não é conhecido por dizer a verdade, não para mulheres. Afinal de contas, onde está sua namorada?

—Bom, ela é médica sabe?! Vai demorar um pouco, porque teve uma intercorrência. Vamos tomar um vinho?

Passaram-se uma hora desde a minha chegada, a namorada do Theo não apareceu. Pedimos a comida e vi Theo impaciente ao pegar no celular.

—Bom, minha namorada não vai conseguir vir, acho que vou segurar vela.

Ele sorriu sem graça.

—Uma pena ela não poder vir. Eu vou viajar para Portugal e só volto no próximo semestre.

—O que vai fazer em Portugal?

—Ocorreu uns assassinatos lá, eles me querem no caso.

—Assinatura?

Ele olhou para o Theo.

—Entendi, confidencial.

—Não tem assinatura. Pode ser alguma gangue de rua…

—Então porque te chamaram?

—Não devemos falar de trabalho…

Theo interveio. Fui ao banheiro antes que a sobremesa chegasse. Me olhava no espelho e estava deslumbrante, mas o meu cansaço mental ou o vinho estavam me deixando um pouco foram de órbita. Voltei a mesa e os rapazes conversavam entre si, sobre posses e mansões.

—Acho que eu já vou.

—Pensei que…

Marc começou.

—Ele pensou que você iria para casa com ele.

Marc riu sem graça.

—Bom, se pudermos ir então. Eu bebi muito vinho e você sabe, eu fico muito calorosa quando bebo.

—Claro.

Ele levantou o dedo pedindo a conta.

A rua estava barulhenta, uma espécie de festa acontecia ali não muito próximo. Enquanto os rapazes se despediam, eu senti um baque em minhas costas, o que me fez cambalear em direção a rua. Luzes altas vieram em minha direção. O impacto foi o suficiente para me arremessar contra uma vitrine de uma loja próxima. Ao fundo, eu ouvia as vozes a minha volta… Eu vou morrer? Eu preciso prender a Amelia? Será que isso foi ela?

—Saiam da frente, eu sou médica, saiam todos da frente! Srta. pode me ouvir?

Uma silhueta longilínea estava acima de mim. Eu não estava enxergando muita coisa, mas eu podia ver algo, os cabelos ruivos.

—Q-qual o seu nome?

—Eu sou a Dra. Amelia Hailey e eu vou cuidar de você!

Era ela? Então as luzes se apagaram.

(POV Marc).

Andava de um lado para o outro dentro daquele hospital, até então eles não haviam me dado notícia sobre nada. Era minha culpa, eu não devia ter deixado ela sozinho a muito tempo. O motorista que dirigia o carro, bateu a cabeça no volante, teve um traumatismo cranioencefálico e morreu quase que imediatamente. A vida da Paola estava em risco, e tudo por conta de um jantar idiota para fazer as pazes. A quem eu tava tentando enganar? Eu estava tentando esquecer a Cecilia, usando de uma pessoa que só queria o meu bem. Por sorte a Dra. Hailey chegou a tempo de conseguir ajudar. A namorada de Theo não me era estranha, certamente eu a conhecia de algum lugar, mas não sabia dizer exatamente de onde.

—Senhores.

Ela adentrou a sala. Por que eu tinha essa sensação dentro de mim?!

—Bom, eu lamento informar, mais a Srta. Novaes acabou de vir a óbito.

As palavras dela caíram fundo dentro de mim.

—O que houve?

Perguntei distante.

—Os ferimentos eram muito graves, ela fraturou várias costelas, o fêmur, tinha uma hemorragia cerebral. Tentamos salvá-la, porém no último minuto ela ficou bradicárdico e parou. Fizemos tudo que estava ao nosso alcance. Eu sinto muito.

—Sinto muito Marc… Eu sei que ela não era sua namorada, mais era sua amiga.

Theo abraçou o Marc.

—Ela tinha família?

—A Família dela está no Brasil.

—Bom, deveria contatar alguém. Se me dão licença, eu tenho que assinar a papelada.

Paola, estava viva a poucos segundos atrás, será que eu estou fadado a terminar… Sozinho?

(Amelia POV).

(Ligação ON)

—Preparem a sala de cirurgia. Nossa paciente tem uma fratura nas costelas, aparente fratura de fêmur, um possível traumatismo craniano, está inconsciente. Precisamos ser ágeis.

(Ligação OFF)

Chegamos ao hospital e fui até um colega cirurgião passar o caso, eu poderia auxiliar ele, mas não cuidar de um centro cirúrgico por mim mesma. Ao entrar na sala, percebi que ela estava acordada. Para quem sofreu um acidente como o dela? Isso era praticamente impossível. Me aproximo dela, e ela olha pra cima assustava. Estava imobilizada.

—Paola? Consegue me ouvir?

Ela sussurrou uma frase.

—Eu sei quem você é, e sei que vai me matar, Ceci. Se for fazer? Faça rápido, porque se eu sair daqui, você vai para prisão. Assassina.

Ela tossiu um pouco de sangue.

—Então tá pronta, não tá? Pra descer pro seu lugar no inferno?

Ela arregalou os olhos. Deduzi que ela não sabia exatamente que era eu, agora ela sabia.

Dr. Hamfrey entrou na sala. Ela não conseguiu mais falar, para minha sorte eu acho. Corremos para cirurgia para ela. Eu tinha algo preparado. Quando o Dr. Hamfrey estava terminando a cirurgia que permitiria que ela vivesse por mais alguns anos. Conforme a equipe foi deixando o local, eu de forma discreta apliquei uma quantidade significativa de potássio. Não demorou muito os aparelhos começarem a apitar. Dr. Hamfrey voltou as pressas.

—Preparem-se RCP.

Eles fizeram tudo que podiam, mas eles não podiam muito. Quando todos saíram da sala, eu resisti a uma tentação interna de abrir a caixa torácica dela e ter seu coração em minhas mãos. Mas eu já estava muito próxima do ato final, não podia deixar minhas emoções me dominarem. Naquele momento eu era a luz, minhas emoções a escuridão, elas me abraçavam com força, tentando me subjugar a elas, me convidando a fazer um sexo selvagem com o meu eu mal.

Não era o fim glorioso que eu havia preparado para ela, mas serviu a seu propósito.

—Uma vida pela outra… Isso foi pelo meu pai.

Notas finais
Lá se vai mais um. Diria que isso aqui ta parecendo Grey's anatomy kkkkkkkk Então gente, esclareceu algo para vocês? Tô ficando louca já pra vocês verem o final. Espero que estejam nessa expectativa comigo. Xoxo - Ruiva (Red).