Jai Peur
1 Capítulo 1
"But I\\\'m a creep. I\\\'m a weirdo. What the hell am I doing here? I don\\\'t belong here."* (Radiohead -Creep) Num beco escuro de Pigalle há um homem camuflado entre os detritos, como se pertencesse aos sacos de lixo que o cercam. Está acordando e parece não entender o porquê de estar ali. Tenta se erguer, mas está fraco demais. Usa os braços para se arrastar até perto da parede. O ar parece entrar denso demais em seus pulmões. Suas mãos estão cheias de cicatrizes e seus pulsos, cortados. Sua calça jeans está rasgada sobre o joelho. O que eu faço aqui? Quem sou? Eu não morri? O odor penetrando em suas narinas o fazia ter todos os sentidos aguçados. Suas retinas comprovavam que tudo aquilo que estava sentindo estava acontecendo, ele estava vendo.
Uma ratazana se aproxima de sua perna, onde há uma grande ferida exposta. Morde sua epiderme e ele não sente. Pensa em pedir a Deus uma salvação.Quem sou eu para pedir ajuda a Deus?Não sente dor quando os dentes estão dilacerando sua carne. A dor não é física, é psicológica. Tenta mover sua perna, mas sua força parece inútil. Sua respiração está ofegante. Está fraco, muito fraco.Podia suportar alguém lhe dando um soco, mas não conseguia superar seus medos, seus transtornos.Ao seu lado encontra um tijolo. Tira-o do chão com força em direção a si e o utiliza como uma arma ao jogá-lo contra a ratazana. Assustada, a bichana corre e se esconde por baixo de alguns absorventes e comida.Está imóvel.A brisa gélida encontra seu corpo vestido por roupas rasgadas que não o protegem. Pensa no risco de estar só. Ouve alguns gritos e pessoas conversando. Todos falam em francês.Uma mulher pára na calçada, ele pode chamá-la para salvá-lo.- Socorro! — Tenta gritar, mas está fraco demais.Talvez por milagre, ou apenas sorte, ela o ouça chamando. Seu salto alto faz um estalido contra o asfalto enquanto se aproxima. Quando está na metade do percurso, resolve parar.- O que você tem? – Está assustada, por mais que a vida tenha lhe ensinado se defender.- Dor. Muita dor. – Observa a falta de roupa daquela mulher.- Vou te ajudar. – Corajosamente, ela se aproxima.Aproveitando o rasgo na calça ela o puxa, podendo ver toda a perna descoberta e, assim, o grande corte. Enquanto está abaixada ele pode ver um decote grande demais; o que a torna promíscua, até mesmo para um homem como ele. Suas mãos delicadas tentam limpar o corte com sua própria jaqueta. Suas pernas descobertas com o que resta do vestido curto demais são provocantes, talvez por não existir nada de tecido por baixo. Sorri após atar o tecido em volta da coxa machucada. Seu cabelo ruivo insiste em cair sobre seus olhos. Seu rosto está coberto por maquiagem. Poderia ser uma profissional. - Posso ver seu braço? – Estende a mão para o homem com braços encolhidos, infantilmente.- Pode. – O homem estende o braço.Por que ela está me ajudando? Se parece tanto com a...- Por que está me ajudando? – Segura sua mão com a pouca força que lhe resta.- É que... – Seus olhos mostram sua surpresa ao ouvir aquilo dele, não pode acreditar estar tão perto.- Por quê?- Preciso utilizar o que aprendi por aí em alguém. – A mulher abaixa a cabeça e observa os cortes nos braços.Alguns pingos grossos e esparsos de água caem sobre o rosto dela. A chuva está começando, lentamente.Ela acha sensato levá-lo para casa imediatamente.*tradução: Mas eu sou um ser rastejante, sou um esquisitão. Que diabos estou fazendo aqui? Eu não pertenço a este lugar.
Notas finais
comentários para fazer uma escritora feliz x)
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