Notas iniciais
Bem ... dormi cedo, mas perdi o sono no meio da madrugada ... Eu tinha que fazer um capitulo que convencesse até o mais descrente. Já escrevi sobre esse amor que nunca deveria ter terminado de maneiras tão diversas que minha inspiração sempre reclama ... ela diz "de novo com essa mania de romantismo?" Já fui acusada de muitas coisas. De ser pervertida, de ser exagerada, cansativa, de escrever muitos diálogos, de ser detalhista e chata, e até enjoativa. Não nego cada um desses meus defeitos e minha resposta é nenhuma ... não porque ignoro, mas sim porque não sei o que responder! Chega de blá blá blá ... Espero que tenham gostado da primeira noite deles!

Com cuidado, ele depositou o vinho sobre o aparador e caminhou lentamente até ela.

O coração quase saindo pela boca, os olhos dela fazendo um efeito devastador em seus sentimentos. Nada superava aquele encontro tão íntimo e profundo dos castanhos maravilhosos em seus azuis tão intensos.

Sara prendeu a respiração quando percebeu que as palavras dela teriam consequências e pela maneira que ele a encarava, como nunca tinha visto antes, com certeza iria ter a maior surpresa de sua vida. O brilho era diferente, os passos pareciam estudados e quando ele parou há apenas alguns centímetros dela, o mundo em seu entorno, paralisou! Havia a eletricidade que tragava suas almas em um convite para se enroscarem e fazer jus à tensão que havia entre eles, sexual emocional, com um apelo que implorava para ser obedecido.

As mãos, que antes pareciam nunca saber o que fazer, tomaram um caminho certeiro, os dois lados de sua face, depois ele colou seus corpos, não como um choque violento, mas o bastante para que ela o sentisse por inteiro.

Todos seus medos, incertezas e dúvidas que habitavam seu coração e suas atitudes, se dissiparam como fumaça.

Medo da rejeição, da situação, da entrega, da incerteza do que fazer com aquele sentimento, de como lidar e ser responsável por outra pessoa que não fosse ele, a dúvida do que seria certo assumir, das consequências de revirar sua vida de cabeça para baixo!

Naquele instante ele só conseguia saber que tinha que ser feito! Nada parecia mais certo que extravasar aquele turbilhão de desejos que giravam em um redemoinho em seu interior.

Os segundos que se encararam, antes de seus lábios se tocarem, foi responsável em responder todas as suas perguntas, foi como se uma luz abrisse brecha em sua escuridão. O amanhã, ao destino pertencia!

Foi um toque doce, aconchegante, suave, e breve.

_Me faça parar se isso parece errado para você!

Dentro do caracol de emoções que ela tinha no peito, a certeza atravessou as portas de seu coração sem bater. Assim, feito uma vontade sem controle, desmedida, sem pensar em consequências, em dia seguinte ou como seria o resto de sua vida!

_E para você? Isso parece errado?

Ele balançou a cabeça devagar e sorriu com moderação, tímido e envolvente, como tantas vezes ela havia compartilhado.

E outro beijo aconteceu, mas não havia o gosto inocente. Desta vez, eles se entregaram a luxúria de um desejo carnal que gritava aos quatro cantos daquele quarto, tão alto que ensurdecia seus ouvidos, não aqueles ouvidos visíveis, mas os da alma.

Sim, a alma tinha ouvidos, olhos e boca! É ela quem ouve o silêncio, enxerga a escuridão e fala um dialeto intimista e secreto.

Foi profundo e quente feito um vulcão. Seus corpos unidos, suas bocas duelando uma guerra de vencidos pelo desejo. Sem fôlego, eles se separam por um breve momento apenas para reconhecer o caminho para a cama.

E foi entre lençóis macios e beijos com gosto de vinho que eles conheceram o fim de uma longa espera!

Seu corpo cobria o dela, as mãos fortes seguravam sua cabeça para potencializar os muitos beijos que trocavam. Era a compensação de anos sem coragem, de gestos reprimidos. Ela tinha uma montanha de amor para dar e ele precisava aceitar, certo ou não, e retribuir, deixando que seu coração redigisse o caminho.

Era um soneto de Shakspere, uma sinfonia de Bach e uma tela de William Hunt! Todas os autores românticos, reunidos em um espaço diminuto, com uma extensão imensa, recheada de gemidos e sussurros de uma paixão desenfreada!

Ela tinha a certeza do poder daquele sentimento, e ele precisava apenas acreditar naquela verdade gritante!

As palavras não ditas, ecoavam em gritos sufocados pelos beijos lascivos que expandiam seus corações!

Um brinde aos movimentos do encontro, seus corpos se chocando, batendo no fundo, espaços prontos que esperavam apenas serem preenchidos por quem seria de direito. O vai e vem que deliciava a entrega. Ora lábios apertados pelo esforço do ajuste, ora sorrisos bobos pela descoberta que o encaixe era perfeito e sempre seria. Como ele poderia ter sido tão estúpido a ponto de renegar tanta paixão, tanta entrega. Ela tinha uma devoção por ele que ultrapassava os limites da razão! Agora ele se sentia completo. Pensou nas noites sem sono, na cama vazia, que ele julgou ser melhor que arriscar o infortúnio do fracasso. E se ela lesse sua alma e descobrisse que não valia a pena? Tolo e insensato! Nada parecia mais forte que aquele sentimento!

No silêncio do corredor, ecos de um amor reprimido, denunciavam a condição dos amantes.

Posso tocar sua alma apenas com meus olhos, escrevi uma canção com seus gemidos e sussurros e ela toca em meus ouvidos cada vez que meu corpo toca o seu … em cada momento que ocupamos o mesmo espaço … em cada breve espaço do existir … e eu te amaria, porque assim estava escrito …”

Seus corpos cansados, tombaram saciados e eles sucumbiram ao momento mágico em silêncio.

Nada dito, apenas sentido!

E quando as batidas frenéticas de seus corações se acalmaram, eles se deliciaram com carinhos do pós amor que ainda assim não necessitavam de palavras.

Não era preciso dizer, apenas sentir.

Mas havia a reserva dos encontros não acontecidos, o laço que precisava ser desatado para descobrir dentro caixa que o presente era perfeito, e eles sentiram a necessidade da paixão vindo em uma crescente que assombrava pela urgência e eles se amaram mais uma vez.

Devagar, sem pressa, como se a madrugada escrevesse um pequeno recado para dispor na porta daqueles amantes, para quem quisesse ler.

Não perturbe! Amor reprimido que gritava para ser vivido!”

Talvez ela soubesse que seria assim … e talvez ele não aceitasse que seria assim!

Talvez ele imaginasse que precisava ser assim .. e talvez ela não acreditasse que ele seria capaz de ser assim!

Novos gemidos e murmúrios indistinguíveis, e o tempo pareceu parar! O relógio pendurado na parece foi testemunha de uma cena sem expectador, feita apenas de atores principais, que por muito tempo estiveram como coadjuvantes!

Era preciso que fosse assim … estava escrito e escancarado. Eles só precisavam ler!