Jackpot, Possibilidades!
16 Capitulo 16
Notas iniciais
Ele olhou para ela em total atenção, a forma delicada de comer, com paciência, degustando devagar, se deliciando com uma refeição simples, mas altamente saborosa. De repente ele percebeu que tudo nela o encantava e não era apenas no contexto sexual, mas em toda sua forma de viver. Era inteligente, íntegra e tinha aquilo que o deixava em polvorosa apenas com um simples olhar.
_Parece que está gostando.
Eles haviam caminhado por três ou quatro quadras de mãos dados, os dedos entrelaçados intimamente e aquela nova sensação que se tornava frequente, o toque poderoso que a deixava tão intimamente ligada a ele, como se aquele relacionamento tivesse anos.
_Hum … está delicioso, ou talvez eu esteja realmente com uma fome de matar.
Ele sorriu docemente, levando a cerveja aos lábios e olhando ainda para ela.
_Sara?
_Hum …
_Eu … queria falar com você sobre … o nosso trabalho … nós dois … e …
_A política do laboratório!
Era exatamente o que mais o preocupava naquele momento. Passado o encantamento de novas possibilidades tão profundas e interessantes em sua vida devido àquele romance, ele tinha que pensar e agir com cuidado, tinham nomes a zelar, consequências a pensar e sobretudo, a integridade dela. Era sabido que uma coisa como aquela poderia ser vista como obscena, com propensão a um favorecimento. O que não era o caso, pois ela era sempre a que mais sofria com suas escolhas. Talvez, em seu íntimo, era o medo da situação, medo de que os maus pensamentos alheios pudessem ver o que realmente estava longe de ser. Ele podia pensar em apenas remanejar para que ela estivesse em alguns casos com ele, e nada mais. Um delito passível de erro, já que ela era uma excelente CSI.
_Eu … preciso … quer dizer … estou tentando …
Ela descansou os talheres sobre o prato semi – acabado e olhou para ele, que parecia muito perdido.
_Deixa eu ver se entendi as suas … 'tentativas' para me convencer, você analisou a situação e achou por bem não continuar com isso quando chegarmos em Las Vegas … — ele balançou a cabeça e ia dizer algo, mas ela o interrompeu. — … ou talvez queria apenas me poupar das consequências do que tudo isso implica. Você é meu supervisor, a diferença de idade, ou ainda … em uma remota possibilidade, mais ainda sim uma possibilidade … de que me apaixone por alguém muito mais jovem que você!
_Sara … pare! — Ele sabia, em um caso de alguns meses passados, que aquilo havia sido cogitado, debatido em seu interior e exposto a um suspeito, toda a sua inquietude se tivesse se rendido àquele romance. Mas os tempos era outros e, ele havia percebido que nada daquilo fazia o mesmo sentido, ainda tinha seus receios, mas eles se abrandaram e foram parar no fundo do subconsciente quando a tocou intimamente pela primeira vez. Pela milésima vez, ele sabia que nada seria da mesma maneira. _Eu sei o que disse e, na ocasião me pareceu a melhor coisa a fazer, mas … se isso a faz se sentir melhor, não me orgulho da minha decisão, eu … apenas não tinha aberto meus olhos para algumas verdades …
_E seriam quais?
_Você ocupa uma parte de minha vida muito maior que imaginei e ... — Ela arregalou os olhos e ele viu como um incentivo para finalizar calmamente, inclinando a cabeça de lado e esticando levemente o pescoço em um tique engraçado, quase tímido, que ela estava mais que acostumada em presenciar. _ … eu te amo, como deve saber!
Ela pigarreou e se endireitou na cadeira estofada, olhando para os desenhos psicodélicos da toalha de mesa.
_Isso nos leva ao começo desta conversa … o que queria me dizer?
Sem mais entremeios, já que era propício à situação, ele continuou com sua calma.
_Não sei o que pode achar da ideia de mantermos isso entre nós dois … só quero que saiba que temos mais motivos contras, neste instante, que prós para alardear nosso relacionamento.
Ela teve uma ideia, meio infantil, porém muito mais direta do que apenas fingir que não concordava. Em seu íntimo ela sabia que era muito mais sensato que fosse daquela maneira.
_E se eu quiser entender de outra forma?
_E seria … ?
_Você ainda tem suas dúvidas!
Ele a olhou profundamente e suspirou, aquela era a hora da verdade e ele tinha que assumir uma posição sem lacunas, tinha que deixar de lado uma vida inteira de talvez.
_Tenho! — Sara não esperava por aquela resposta, inocentemente esperava que ele a interpelasse e provasse o contrário, mas o que ela provava naquele momento era seu próprio veneno, ela pediu e recebeu. O que na verdade acontecia era que ela tinha dúvidas também, porém não era madura sentimentalmente, tinha suas dificuldades em se auto afirmar que era muito bem capaz de fazer um homem como ele, se apaixonar perdidamente por ela. Estava aprendendo, tardiamente, já que não era mais uma criança, que sua plenitude em relação as razões emocionais, precisava ser lapidada. _ … mas não se trata delas, Sara … e sim de cuidados! Temos muito a perder no momento, além disso não acho que expor nossos sentimentos aos outros vá fazer bem a nós dois.
Ela repensou algumas coisas como seu dia a dia no trabalho, as consequências e a verdade implícita nas palavras dele. Se expor não cabia bem em seu mundo, ela lidava com dificuldades com aquele tipo de coisa, ainda mais naquele laboratório repleto de línguas malignas, além de que, um romance proibido, se fosse pensar pelo seu lado mulher, era bem capcioso e providencial, seria muito mais envolvente ter um pouco de mistério. Eles precisavam de tempo para que aquilo tudo amadurecesse de forma satisfatória.
_Você tem razão … podemos fazer isso.
_Tem certeza que ficará bem?
_Toda certeza do mundo!
…
Ao ver os olhos dela brilharem diante da geladeira de sorvetes de uma famosa marca, ao lado do caixa, ele se voluntariou em comprar uma pequena embalagem, com unidades em miniaturas de sorvete de coco e cobertura de chocolate.
Sara se deliciou em servir seu 'namorado', levando com certa timidez, alguns pequenos pedaços até a boca dele, enquanto iam pelas calçadas. Ela nunca tinha tido aquilo. Seu breve relacionamento com Hank era esporádico e ás pressas, e ela atribuía o fato por ele ser paramédico e raramente ter folgas, a maioria nunca batia com as dela. Foi somente depois que descobrira o verdadeiro motivo. Ele tinha outra pessoa.
Ao comparar as sensações que sentia com Grissom, ela percebeu que havia sido apenas alguma coisa, um nada de mais que havia passado feito um rio em sua vida, sem grandes proporções.
_Hum ... isso é bom!
Em dado momento, sem que ela pudesse prever, ele parou em uma pequena viela com algumas casinhas comerciais, fechadas pelo horário, a agarrou com firmeza e tascou-lhe um beijo longo e apaixonado, que fez com que ficassem sem fôlego. O contraste gelado do sorvete com o calor de seus lábios, trouxe uma sensação inebriante de gosto maravilhoso.
A pequena caixa quase esmagada entre eles, suas bocas unidas em um festival de busca e encontro de suas línguas macias.
Ela tinha um beijo do tipo, 'morreria em seus braços' que era mesmo uma coisa de louco! Saber que ele havia renegado àquilo, lhe trouxe uma sensação sombria, mas que foi afastada quando ela acariciou sua têmpora esquerda com os dedos, depois as unhas, fazendo com que aprofundasse ainda mais sua boca na dela.
Eles ouviram palmas e se viraram surpresos.
_Lindo! Uma cena romântica diante da lua!
Eles não responderam ao tenente, que estava parado ao lado deles em seu carro de polícia, Grissom simplesmente ignorou o comentário e segurou a mão dela, indo em direção ao hotel.
_Idiota, parece estar em todo lugar feito um fantasma!
Aquele comentário trouxe uma gargalhada quase escandalosa em Sara, ainda mais quando ela notou suas sobrancelhas quase unidas, em uma expressão de desagrado.
Eles subiram para o andar deles usando as escadas e pararam diante da porta dela.
_Sua camiseta está manchada.
Ele olhou para o próprio peito e deu um pequeno sorriso maroto, se esquecendo do pequeno incidente.
_Vai ter que limpar …
_Com todo prazer, senhor! Pode vir aos meus aposentos?
Eles entraram e antes dele fechar a porta, olhou involuntariamente no corredor vazio.
_O que foi?
_Nunca se sabe o que podemos encontrar pelas nossas costas.
_O quê ou quem!
_O “quem” é ainda pior!
Ela levou o restante do sorvete até o pequeno frigobar e se virou para ele, que passava a camiseta pela cabeça, deixando à mostra o peito grande e firme.
_Me dê, posso passar um pouco de sabonete, enquanto a mancha está fresca.
Enquanto ela fazia o serviço, ele se encostou no batente da porta, buscando uma coragem que parecia cada vez menos difícil.
_Posso dormir com você?
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