Jackpot, Possibilidades!
12 Capítulo 12
Notas iniciais
_Einstein!
Com o queixo em ataque, o supervisor se postou na frente dela cruzando os braços fortes, afastando as pernas e olhando diretamente nos olhos daquele paspalho inconveniente.
_Sim … algum problema?
_Ora, ora, ora se não é o poderoso homem da ciência …
_O que você quer tenente?
_Só estou aqui porque me certifiquei que ela não tinha namorado, agora estou vendo que ela me enganou ou …
Grissom deu um passo à frente, como se aquelas palavras tivessem a ofendido.
_Ela não tem que …
De novo, Sara segurou em seu braço, e impediu um confronto ainda maior.
_Deixe Gris … não precisamos disso.
_Vocês … costumam dormir juntos? Era ele ontem à noite, não era?
Sara não queria ficar dando muito lado a ele, satisfações desnecessários para alguém que mal conhecia e, o pouco que sabia, não tinha gostado, lembrou mais uma vez.
_Vá embora Alan … começamos nosso trabalho daqui a pouco e é só isso que interessa.
_Ok … vocês dois sempre estiveram juntos não é? Deve existir … algum impedimento para que se escondam dessa maneira!
_Que tipo de idiota é você que não sabe o valor de uma boca bem fechada?
_Está me ameaçando, amigo? Sabe que posso fazer você dormir longe de sua namoradinha.
Foi a gota d’água para ele, aquilo tinha sido demais para seus ouvidos e ele agarrou seu colarinho engomado do uniforme.
_Me solte seu degenerado!
_Vou avisar apenas mais uma vez, se ousar usar sua petulância outra vez, vai se arrepender, e quando faço uma ameaça, costumo cumprir.
O tenente queria usar sua influência para colocar aquele brutamonte na cadeia, mas não podia chegar a tanto, mesmo sendo autoridade ali, sabia que as consequências não seriam nada agradáveis para sua carreira, ainda galgava degraus mais altos.
Ele tirou com raiva contida as mãos dele de seu pescoço e saiu, desamassando sua camisa.
_O que você fez? Nunca vi você assim!
Grissom saiu de seu surto neurótico, tentando entender como é que havia tido aquela reação. Era um homem de bem, não gostava de violência e reagia a ela com toda sua calma, que havia o abandonado naquele momento. Foi neste instante que percebeu o poder de um sentimento que nunca havia sentido. Suspirou fundo e fechou os olhos, devia desculpas a ela.
_Me perdoe … eu não quis ser grosseiro, mas foi … impossível!
_Você está bem?
Ela viu sua respiração difícil e ficou preocupada. Até mesmo suas feições pareciam diferentes, ela não conhecia aquela pessoa, não era o mesmo homem que havia lhe dado o paraíso até algumas poucas horas atrás.
_Sim … vamos entrar, não terminamos nosso café.
….
O sol estava escaldante, suas roupas estavam molhadas e o calor parecia aumentar a cada hora avançada, até o meio da tarde, eles haviam feito fotos e a avaliação do perímetro, algumas respostas vieram e no momento estavam ao redor de um velho galpão, tentando olhar para dentro, onde havia um carro abandonado. Grissom havia virado seu boné para ter uma visão mais periférica e ela olhava com atenção se havia uma forma de entrar, quando ouviram o alarme da suv disparar.Eles correram até a estrada e viram com desolação o vidro estraçalhado do automóvel.
_Isso está muito estranho, quem faria isso no meio do nada?
Foi quando ele percebeu que sua maleta havia desaparecido que muitas dúvidas vieram.
_Estão acobertando alguém …
Sara olhou para ele e viu o quanto parecia arrasado. Não era apenas por conta do incidente. Eles haviam terminado o café da manhã em silêncio, sentados na cama, e desde então, Sara vivia às voltas com seus pensamentos, aquele era seu supervisor, introspectivo, muito sério e concentrado. Antes dele voltar para seu quarto, se virou e acariciou sua bochecha, dizendo que a esperaria no saguão. Como de costume, eles se entregaram à concentração que o trabalho exigia e não trocaram palavras de ordem pessoal.
Grissom também havia tido um novo encontro com o tenente e, dessa vez ele mal olhou para eles, apenas ouviu o supervisor dizer que exploraria o entorno, procurando por algo que poderia ter pertencido a vítima.
No momento eles não poderiam fazer mais nada, dessa forma voltaram para a cidade.
Grissom foi até a delegacia e fez o que era necessário, um boletim de ocorrência, até porque, os custos seriam cobertos pelo departamento. Ele falou com um policial e nem sinal de Alan, desta vez.
_Vamos comer alguma coisa?
O dia estava passando de forma tão rápida que não notaram o avançar das horas.
_Acho que seria bom …
Eles se sentaram na lanchonete e pediram sanduíches de atum, pepino, alface e molho especial.
_Até que está bom!
Ela viu um discreto sorriso nele e pensou em uma pequena esperança deles terem um diálogo decente.
_Você não me parece muito bem …
_Eu estou … não se preocupe. — De certa forma, ele estava tentando parar o pensamento de como havia se rendido ao descontrole.
Ela remexeu suas pernas e tocou nas dele, as mesas eram pequenas e o contato parecia inevitável. Seus olhos se encontraram, depois ele olhou ao redor e voltou a encará-la. Sua mão foi parar sobre a dela em uma leve carícia. Sara sentiu as pernas dele tocarem com mais intimidade as delas, a incentivando a olhar para sua boca.
Um leve tremor ao se lembrar do gosto de seus beijos, o que aquela boca havia feito a ela, e o quão poderoso tinha sido o sexo com ele.
Ela olhou para alguém que passava por trás dele e Grissom logo imaginou que as cenas pareciam repetitivas demais. Sempre eram interrompidos! Mas não havia sido o caso, não daquela vez!
Era um garoto muito magro que lembrava Greg.
_O que foi?
Ela apontou para o adolescente e ele se virou para ver quem era, depois abriu um sorriso lindo.
_Greg?
_Muito parecido, não é?
_Bastante!
_O que você vai fazer, Gris? Temos que .. improvisar.
_Podemos comprar algumas coisas, enquanto esperamos os reparos. Vamos fazer uso do que sabemos para tempos emergenciais.
_Coelhos na cartola? — Ele assentiu, sorrindo outra vez.
Eles costumavam chamar os cursos de improviso daquela maneira engraçada, havia sempre uma piada pronta vindo de algum lugar.
_Você vai gostar disso, não é? — Ele era um expert no assunto!
_Sempre podemos nos divertir ... querida! Vamos?
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