Izvor - Interativa
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Certeza de que pretende fazer isso?
Um homem, aparentando estar na faixa dos quarenta anos, levantou-se de sua poltrona de couro preto e se colocou na frente da grande e estreita janela, de costas para uma pequena garota.
– Sim, se o senhor concordar.
Ambos ficaram em silêncio por alguns minutos antes da figura masculina retornar:
– Levarei a decisão de escolha para os diretores.
– Obrigada, senhor Warati. Darei meu melhor – a menina se virou para a porta com intenção de sair do cômodo.
– Moondust – interrompeu-a, fazendo-a retornar a posição inicial. – Acabe com isso, certo?
Como resposta, balançou a cabeça e sorriu levemente. Após sair do recinto, deparou-se com um jovem alto, que parecia estar esperando por algo ali. Era magro, de pele clara e nariz pequeno, envolto por algumas sardas e pela franja castanha que caía em ralas mechas.
– Ficou “encrencada”? – enfatizou a palavra e sorriu, já que evitava usar palavrões perto da garota. – Sabe, você teima em não ser exemplar como eu.
Moondust continuou caminhando pelo corredor cheio de portas, enquanto o garoto começava a segui-la para continuar o monólogo.
– Ei, Dust – chamou-a, porém continuando sem respostas. – Falaram algo sobre o Izvor?
– Apenas sobre a Realeza.
– E pode me contar...? – perguntou com expectativa e brilho nos olhos.
– Desculpe, irão oficializar só amanhã – chegando ao fim do corredor, começou a descer os degraus da escada.
– Que coisa – suspirou enquanto entrava no primeiro andar com a garota, que sorriu brevemente.
A camada da construção em que se encontravam apresentava diversos sofás e pufes, colocados para os funcionários durante o happy hour e para clientes durante reuniões – as mesmas eram informais naquela seção da empresa, que contava com outras unidades para trabalhos de marketing, administração financeira e relações públicas. À frente dos assentos, um projetor e um telão ficavam suspensos ao teto juntamente com lâmpadas japonesas de papel; frigobares brancos enfeitavam o limite das sete mesas de madeira clara que estavam dispersas pelo local, usadas pelos funcionários de publicidade do mesmo, enquanto a escada para o térreo era decorada por pequeninos vasos com girassóis.
Moondust se aproximou de uma das mesas próxima à janela panorâmica e abriu a geladeira minúscula. “Ah, só sobrou suco de pêssego”, falou mentalmente e torceu os lábios, em gesto de decepção, ao mesmo tempo em que o rapaz que a acompanhara ia até outra mesa, cheia de papéis e lápis de cor. Sentando-se na cadeira, apoiou os cotovelos na banca de madeira e encarou-a. Muita coisa a esperava após arriscar um palpite para proteger desconhecidos. Interrompendo seus pensamentos, uma caixinha de suco de goiaba apareceu em sua frente.
– Não gosto muito de goiaba – o jovem voltou e, após depositar a embalagem na frente da garota, deu de ombros.
Levantou a cabeça para enxergá-lo.
– Valeu, Ed – sorriu e puxou o suco.
O garoto levou sua cadeira para perto da colega de trabalho, sentou-se e a imitou, colocando seus braços em cima da mesa para apoiar a cabeça.
– Se você sair daqui, queria que você pedisse para me levar – contou, olhando com ar de tédio para a madeira.
– Não estou em posição de fazer isso... – suspirou enquanto tirava o canudo da embalagem. – Estagiários não podem pedir muita coisa.
Edward riu.
– Estagiários só fazem porcaria, né? Mas somos exceções, poderia tentar...
– Até te levaria sim, mas você sabe... – Sugou um pouco do suco. – Espere até termos uns vinte e cinco anos, então teremos nossa empresa, certo?
– Só teremos que esperar mais seis anos. Parece fácil – respondeu ironicamente. – Queria saber o que está escondendo de mim.
A garota o observou, como quem se divertia, por um tempo. O que ela escondia a fazia rir – embora com sarcasmo -, igualmente aos chefes gerais da empresa em que trabalhava, a famosa Torkness. Todavia, Ed provavelmente não teria a mesma reação caso ouvisse a respeito. Por hora, faria com que a pessoa que mais confiava se distraísse dessa curiosidade.
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