Notas iniciais
Olá, pessoal. Gostaria de avisar (apesar de, provavelmente, já terem notado) que esqueci de deixar um espaço na ficha para seus nicks aqui no Nyah, g.g Se puderem, por favor, mandem os mesmos por MP ou através dos comentários. Última coisa: esperarei por mais fichas antes de entrar no momento maneiro e sanguinário... Quer dizer... E divertido da história, por serem poucos os personagens recebidos até agora. Espero que compreendam, :/ Anyway, tenham uma ótima leitura, :3

“Torkness e seu projeto Izvor brilham em Hacoshi e prometem prêmios deslumbrantes!

Na manhã desse sábado, os diretores da aclamada empresa de publicidade e marketing anunciam os jovens escolhidos para representar a Realeza e os desafiantes de cada equipe. O programa, que visa desenvolver a capacidade lógica e a paciência dos participantes, colocará os mesmos em prova para cuidar de um indivíduo desconhecido.

Apesar de estarem se preparando para as diversas questões, que envolverão desde conhecimentos gerais a habilidades artísticas, também aguardam pelo momento em que saíram vencedores e terão um pedido realizado.

Serão capazes esses rapazes e moças de manterem sua fé durante o programa, enquanto são ameaçados pelos boicotes de outras equipes participantes? Valerá tudo, segundo os organizadores, para ver quem aguenta mais tempo em meio a tanta pressão enquanto protegem a jovem Moondust Horlle, que representará a Rainha da equipe Vor, e Aidan Zachary, o Rei do grupo Tyo.”

Ao terminar de ler a matéria publicada no site de notícias de sua cidade, a Hacoshi, Dust balançou a cabeça negativamente e fechou o notebook. Ter seu codinome publicado em um texto sobre algo manipulador a fazia querer sair e explodir o edifício de marketing da Torkness – pois trabalhava e gostava da Doness, unidade de publicidade — com uma C4. Aquilo era tosco.

Seu celular vibrou assim que se levantou para separar alguma muda de roupa casual, já que era dia de entrevistas e jantar de comemoração por ser escolhida para o grande Ivzor.

“Era isso que estava escondendo? Bobona, eu não ia contar para ninguém.”

Olhou para a tela e sorriu com a mensagem mandada por Ed. Sem uma pausa para poder respondê-lo, recebeu uma chamada do garoto no Skype.

– Dust!

– Ed? – respondeu-o calmamente enquanto abria o guarda-roupa.

– Deveriam ter me colocado como o Rei, poxa.

– Eles não aceitariam um rapaz tão fraco...

– Como te aceitaram então? Você é igualmente um rapaz, e nem preciso comentar da parte fraca.

– Sou sim, por isso apanharia de mim, certo?

Ouviu a risada do garoto pelo aparelho.

– Então hoje ficará fora o dia inteiro para mostrar sua cara maravilhosa ao mundo?

– É, só terei uma pausa no almoço e antes do jantar para poder me trocar.

– Entendi.

– Quer vir comigo? Você será o escudeiro real, embora pareça mais com alguém acusado por bruxaria.

– Não disseram que o tema era a Idade Média – suspirou.

– Gosto de imaginar assim – sorriu, embora o amigo não a visse.

– Posso passar na Doness e te encontrar lá. Só não ficarei para o jantar, certo? Imaginando que seja apenas para os colaboradores, diretores, mídia...

– Tudo bem. Estarei lá em uma hora.

– Ok, até depois então.

Após desligar o telefone, sentiu vontade de religar para o amigo e deixá-lo tagarelando até que saísse de casa, espantando o medo que a possuíra desde que concordara em ser a Rainha. Não estava acostumada a se expor em propagandas, apenas em organizá-las, e a ideia de fazê-lo a incomodava. “Terá um bom retorno”, pensou consigo esperançosamente.

Finalmente escolheu as vestes do dia, optando por um vestido liso bege acompanhado pelo seu kimono florido especial, deixado para momentos perturbadores – um momento que seria apenas a fase mais fácil do jogo.

(...)

Moondust se aproximava da entrada do edifício quando Ed, antes parado, girou os calcanhares em sua direção. Ao vê-la, riu.

– Será tão ruim assim para você? – Lançou um breve olhar no kimono.

– Sabe que sim – deu um sorriso de lado.

– Bem, esse kimono já te ajudou na maioria dos casos, então espero que faça efeito nesse também – respondeu dissimuladamente.

Os dois começaram a caminhar em linha reta, até a unidade de Marketing que ficava a sete quadras dali – a vida de uma estagiário, ambos sabiam, fazia-os andar e usufruir de transporte público pela ausência de veículo particular. Por sorte, a cidade contava, além de um bom sistema do primeiro tipo de locomoção, com cidadãos pacientes e educados, evitando aglomerações ou debates, e possíveis batalhas ferozes, sobre quem chegou antes no assento livre.

Chegando ao objetivo, subiram por um dos elevadores até o terceiro andar, onde recebiam repórteres e outros profissionais para reuniões de negócios. Diferentemente da Doness, aquela construção era alta e mais “escura”, adjetivo encontrado por Ed durante a primeira vez que estivera ali. As mobílias eram todas de tons cinza ou preto, contrastando somente com o bronze do papel de parede e o assoalho rústico; as janelas extensas, apesar de muitas, eram cobertas por cortinas beges, diferentes das que estavam ali há um mês, quando foi chamada por um dos diretores para conversar sobre o projeto atual. Moondust torceu para que o amigo não fizesse uma comparação entre ela e os longos panos.

– Sempre sem vida... – Ed cochichou enquanto batia na porta de vidro da sala de encontro.

De dentro do cômodo, um senhor de cabelos platinados acenou para que entrassem. O local já estava cheio de equipes representando sites informativos e emissoras de televisão. Estava sufocante.

Além de Ed e Dust, apenas outro jovem participava da reunião. Este estava sentado com as pernas cruzadas em um sofá cinza, vestindo uma camisa estampada e jeans colado. Era um ponto chamativo em meio àquele ambiente obscuro e coberto por ternos.

– Senhor Zachary, começaremos a entrevista com você e a senhorita Horlle em dez minutos. Por favor, ambos se encontrem com a produção visual agora.

Um homem, parecido com o senhor de antes e considerado aleatório pela garota, ordenou e foi para um canto da grande sala, provavelmente para dar mais instruções. Ed a acompanhou até a área contrária, onde maquiadores a aguardavam.

– Você é mais bonita do que me contaram, Moon – uma das profissionais gesticulou em direção à cadeira em sua frente e sorriu.

Que afável, usando apelidos sem nem conhecer o cliente. Isso incomodava a Rainha mais do que saber que alguém andou falando besteiras de si.

– Ei, Dust... – Ed se aproximou e curvou o corpo para que alcançasse as orelhas da amiga, que estava de olhos cerrados para a maquiagem. – Minha mãe mandou uma mensagem agora pedindo ajuda. O Cornor – referia-se ao irmão menor, de três anos. – deixou o aquário cair e, bem, está no hospital agora – suspirou.

– Sem dúvidas seu irmão – sorriu. – Vai lá, depois me conte como ele está.

– Aham. Até depois.

Horlle aproveitou a pausa da mulher que acabara de passar sombra clara em seus olhos e abriu os mesmos, observando o amigo se distanciar até sair pela porta e passar pelas paredes de vidro que dividiam o cômodo do corredor. Seu olhar retornou para a esquerda de onde estava, deparando-se com Ainan Zachary. “Ou seria Aindan?”, confundiu-se. Sua memória estava longe de ser a melhor característica a apresentar. O mesmo, como um espelho, refletiu seus atos e encarou seu olhar, talvez sem essa intenção. Seus lábios pequenos se movimentaram até formar um sorriso fechado como resposta. Aquela demonstração de simpatia parecia, para a jovem, combinar com os olhos cor de mel e sobrancelhas levemente arqueadas da mesma tonalidade dos cabelos, castanhos e volumosos. A beleza do Rei, no entanto, não a surpreendia. Afinal, esse era um dos critérios para ser convidado à Realeza temporária e, na lógica da garota, espantosamente desejada por outros.