Izuku Entra Para a Liga de Vilões
4 Capítulo 3
Aquela noite foi díficil de dormir. Izuku revirava na cama de um lado para o outro, tentando achar uma forma de concentrar-se em apenas descansar, mas sua mente estava tão agitada que ele não conseguia relaxar. Parecia mais uma tarefa impossível.
Ele resolveu sentar-se na cama e escrever seus pensamentos em um caderno que ele sempre mantinha ao lado da cama. Era o seu caderno de pensamentos e de sonhos. Ele escrevia basicamente tudo que era considerado pessoal naquele caderno e quem visse, acharia que fosse um diário. Izuku dizia para si mesmo que não era, mas talvez fosse.
Izuku virou as páginas para ver o que ele escreveu naqueles últimos dias, e percebeu que ele estava escrevendo mais sobre Katsuki do que sobre sua vida. Suspirou. Ele gostava de Kacchan, mas não suportava as constantes brigas e puxações de saco.
Sem falar na agressão física pela qual passou por dez anos. Ele imaginou que em algum momento, aquilo tudo iria parar. Mas ao contrário, parecia que estava só aumentando e Izuku não sabia se conseguiria aguentar muito mais. Ele já tinha explodido aquele dia, talvez explodisse de novo outro dia. O que seria complicado e difícil, afinal, com o poder do All Might, Izuku poderia facilmente matá-lo se um dos dois não prestasse atenção.
Ele não gostava quando essas coisas aconteciam, mas infelizmente, ele não tinha nada o que poderia fazer. Já tinha pedido para parar, já tinha conversado com ele. Nada adiantava.
Era quase como se Bakugou usasse Izuku como seu saco de estresse diário. Alguma coisa ruim aconteceu? Porque não bater no saco de pancadas chamado Deku? Ah, e aquele apelido...
Se eles não estudassem juntos desde criança... Se eles não fossem amigos de infância...
Na verdade, nem sendo amigos de infância tornava isso ok. E Izuku percebia isso. Ele teria que fazer alguma coisa além de só falar. Mas o que mais poderia fazer?
A última linha escrita em seu caderno naquela noite foi, "eu estou quase pensando em desistir do meu sonho de ser um herói para não ter que ficar perto de Kacchan".
Ele escreveria mais, mas foi naquele momento em que uma pedrinha bateu na sua janela. Não era uma pedrinha grande o suficiente para quebrar a janela, mas era grande o suficiente para fazer ele prestar atenção no que tinha acontecido. Olhou no relógio, já tinha passado da meia noite. Já era para estar dormindo horas atrás.
Ficou em silêncio, na escuridão, esperando para ver se acontecia mais alguma coisa. E então escutou mais uma vez outra pedrinha chamando sua atenção.
Resolveu levantar-se da cama e ver quem era.
Mas quando saiu para a sacada, não tinha ninguém ali perto. Izuku olhou para o chão por instinto e viu que tinha uma pedra um pouco maior com um bilhete amarrado nele.
Tinha um endereço escrito ali.
Um horário e um nome.
"Eu sei do seu segredo. Encontre-me nesse local para conversar, Izuku Midoriya"
Izuku pensou em ligar para All Might para ver se deveria ir até aquele lugar, mas como já tinha passado da meia noite, ele deveria estar dormindo. Izuku deveria estar dormindo. Não queria atrapalhar. E outra, ele imaginou que fosse ser mais uma carta assustadora de Aoyama.
Como imaginou que não conseguiria dormir tão cedo, resolveu ir até o local. Apenas por curiosidade.
Em nenhum momento Izuku pensou que aquele bilhete pudesse ser de algum vilão ou até mesmo da liga de vilões. Afinal, que vilão são entraria em uma escola de super heróis?
Mas, infelizmente, Izuku estava enganado. Completamente enganado. Pois quando chegou na frente do endereço do bilhete, não muito longe de sua escola, percebeu que era um bar. Um bar aberto, mas em uma parte meio suspeita da cidade. E o mais engraçado era que não era muito longe da escola.
Ele não tinha idade para estar entrando em um lugar como aquele. Então, apenas virou as costas e tentou ir embora, mas não antes de ser interrompido por ninguém menos que Toga Himiko.
— Ah, você não vai embora, não é? Eu demorei tanto tempo para fazer esse bilhete. — Ela disse, tentando fazer bico, mas sem conseguir conter o sorriso. Estava feliz em poder ver seu amor de perto.
— Eu deveria ter imaginado que era de um de vocês. — Ele disse, se preparando para atacar.
— Ninguém está aqui para atacar, Midoriya. — Tomura Shigaraki disse da porta do bar agora aberta. Izuku conseguia ver que atrás dele, na luz, não tinha mais ninguém. — Nós te chamamos para conversar. Não quer sentar?
Izuku olhou para Toga, suspeito, sem saber o que fazer. Será que ele deveria aceitar aquilo? Será que ele deveria dar as costas e arriscar ser atacado potencialmente? Se eles o chamaram e chegou até ali sem nenhum arranhão, talvez eles tinham alguma coisa que eles queriam em troca.
Para evitar uma batalha desnecessária, que imaginou não poder ganhar naquele momento contra dois deles — e quem sabe quantos outros não teriam ali perto? —, Izuku resolveu entrar no bar.
Receoso, Izuku sentou no banquinho do bar. Tomura estava com as mãos presas em seu rosto e em seu corpo, andava levemente encurvado. Izuku imaginava como que ele enxergava com alguma coisa assim na frente de seu rosto.
Debaixo da mão, Tomura sorria. Ele nunca imaginou que fosse ser assim tão fácil.
— Você está com uma cara feia. Quer uma bebida?
— Eu não tenho idade para isso.
Mas Tomura não esperou por uma resposta, já pegou uma garrafa de whiskey e colocou em um copinho de shot e o jogou arrastando pela mesa até Izuku.
Toga estava extremamente animada e feliz que estava perto de Izuku, ela já gostava bastante dele, e ver ele ali, mais perto dela, a fazia ficar mais apaixonada ainda. Então, ela não conseguiu evitar de pular nas costas dele e abraçá-lo.
Izuku nunca se imaginou fazendo isso. Tomando uma bebida com o líder da liga de vilões. O cheiro do perfume doce e amargo de Toga invadia seus sentidos. Ele geralmente estaria pulando de nervoso naquele momento por ter uma mulher abraçada assim nele, mas naquele momento, ele estava mais nervoso por estar com medo de perder sua vida em qualquer segundo que não prestasse atenção.
Tomura derramou mais um pouco de whiskey dessa vez para si mesmo.
— Porque foi que você me chamou até aqui? — Perguntou, nervoso. Seu coração batia rápido, a adrenalina subindo à sua cabeça. Se ele respirasse fundo, ele desmaiaria.
— Eu te chamei até aqui porque eu quero fazer uma oferta. — Tomura disse tirando a mão que estava grudado em seu rosto, deixando Izuku ver seu rosto ressecado e seus lábios cortados.
Izuku não sabia se deveria ficar incomodado ou com medo.
— Oferta?
— Acredito que temos a mesma visão. — Tomura arriscou e bebeu o copo de Whiskey de uma vez só. E acenou para Izuku fazer o mesmo.
Izuku engoliu em seco, com medo. Talvez fosse o medo de ser envenenado, talvez fosse porque ele nunca tinha bebido nada alcoólico em sua vida.
— Você nunca bebeu nada na sua vida?
Izuku sentiu que precisava provar alguma coisa para ele. Com determinação e a adrenalina pulsando em suas veias fazendo seu braço inteiro tremer, pegou o copo e se esforçou para jogar o líquido forte direto para a garganta. Desceu raspando. E Tomura riu.
— Você é muito lindo, sabia? — Toga sussurrou em seu ouvido, ainda por cima dele. Izuku arrepiou e Toga o soltou rindo e foi sentar-se em outro banquinho ao lado de Tomura.
— Porque você acha que eu tenho a mesma visão que você? — Izuku perguntou.
— Acho que se você vier comigo, você vai entender. Mas claro, se você quiser que alguém quebre essas suas paredes. — Tomura disse e Izuku estava tão inebriado pelo alcool e medo que não conseguiu responder. Abriu a garrafa de whiskey e colocou mais um pouco, jogando mais um copo de shot para Izuku e outro para si mesmo. — Então porque não trocar o dia a dia entediante e estressante de um super herói por algo mais animado e excitante?
— Você está me chamando para entrar na liga de vilões? — Disse segurando o copo de whiskey. Ele era novo demais para estar bebendo. Se ele tomasse mais alguma coisa e voltasse para o seu apartamento com cheiro de alcool, ele poderia ser banido dos apartamentos. Mas não que isso fosse um problema para ele naquele momento.
— Espero que você não pense que estamos desesperados. — Tomura disse, bebendo mais um copo. — Mas acredito que você seria uma adição esplendida ao nosso grupo, "herdeiro do All Might".
Izuku sabia que tinha alguma coisa no meio. Ele imaginava como que eles ficaram sabendo.
— Rumores espalham. — Tomura deu de ombros. — Mas me diga, você não quer poder fugir dessa expectativa e pressão da vida de um herói e fazer o que quiser com a sua vida? Você pode continuar na sua vida patética de herói e a pressão de ter que salvar o mundo, ou você poderia arriscar tudo e ver o que tem do outro lado.
Izuku não sabia se era a conversa ou o cheiro do alcool que estava deixando-o tonto. Talvez fosse pelo fato de que ele já tinha bebido o segundo copo de whiskey. Ele estava se deixando levar.
— Você quer me recrutar, mas desculpa, não vai acontecer. — Disse, empurrando os dois copos para ele. — Então, valeu, mas não. Porque eu até gosto da vida de herói.
— Tem certeza? Porque eu fiquei sabendo do contrário. — Tomura disse e Toga riu. Izuku imaginou de onde ele tinha recebido tudo aquilo de informações. — Porque não é só a vida de herói, não é mesmo? Tem mais coisa ai embaixo, enterrada, que você não quer admitir nem para si mesmo.
Izuku não queria acreditar que o vilão estava certo a respeito dele.
— Se você puder fazer o que você quiser, você não vai precisar ficar guardando mágoa. Você poderia destruir tudo que está te puxando para baixo.
Kacchan.
Izuku imaginou o que ele teria feito se Aizawa não o tivesse parado. E aquele pensamento o deixou levemente contente, preferia que não fosse assim.
Ele poderia fazer aquilo? Destruir tudo aquilo que o machucava? Isso não o tornava um vilão?
Será que ele já não estava fadado a se tornar um, desde o primeiro momento em que Bakugou o acertou com suas explosões?
Ele não poderia. Ele devia muito à All Might.
Izuku levantou-se do banco, sentindo sua pressão cair. Por um segundo, as paredes balançaram. Ele demorou um pouco para conseguir se colocar no seu lugar de volta.
— Você não entendeu que eu gosto da vida que eu tenho? Eu gosto de ser um herói, não tem nada que eu preciso destruir. — Izuku disse, se arrependendo de ter tomado aquelas duas doses de whiskey.
— Você diz isso, mas suas olheiras de insônia dizem mais do que você pensa.
— Se eu me envolver com você, todo mundo falaria.
— Mas você finalmente poderia fazer o que você quiser. Sem ninguém te colocando para baixo. Você poderia finalmente deixar para trás tudo que está te colocando para baixo, e te destruindo. — Disse e então deu um passo para frente, fazendo Izuku dar um passo cambaleante para trás. — Estou te dando a liberdade de escolher o que você quiser, para você acordar para a vida. Para curar aquilo que você busca. Para destruir aquilo que te destrói. Me parece com um acordo que vale a pena aceitar.
Izuku o encarou mais um pouco, esperando que ele fosse estender a mão para encostar nele e o despedaçar. Mas ele a estendeu para um aperto de mão. Um acordo.
— E então?
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