Notas iniciais
Boa leitura pessoal!
Bem, para esse cap. eu recomendo escutarem YOU AND ME do Lifehouse.

Era quinta-feira, ontem eu meu pai fomos dormir bem tarde pois passamos a noite comemorando o meu novo emprego, comemos pizza com refrigerante e assistimos a uns filmes, entre eles a As aventuras de Pi. Depois desse filme eu tomei uma decisão; não iria desistir ou me deixar abater por causa da Kristen e dos seus amigos, assim como Pi que mostrou-se superior as brincadeiras dos colegas da escola, e ainda conseguiu sobreviver uma situação onde muitos poderiam desistir. Tá certo que de certa forma era apenas um filme, mas não deixa de nos inspirar a alcançar o que desejamos e superar os desafios. Fui dormir eram umas 1 hora da madrugada e ainda fiquei virando de um lado para o outro pensando na Sam e no porquê de não podermos ficarmos juntas. Eu não iria desistir de saber assim tão fácil.



Acordei por volta das sete horas da manhã, tomei café com o meu pai e fui para a escola, sabia que iria chegar atrasada pois acordei tarde e acabei perdendo a hora enquanto eu e meu pai conversávamos. O ônibus estava vago, sentei-me próxima a porta de saída e coloquei os fones de ouvido, estava tocando Kings and Queens do 30 seconds to mars. Cheguei na escola de 8 horas de 5 minutos, cinco minutos atrasada. Não tinha ninguém nos corredores, corri para o meu armário e quando abri vi um bilhete, não precisei pensar muito para saber de quem era.



“Encontre-me na hora do intervalo atrás do vestiário feminino da piscina.



By: S.”



Guardei o bilhete dentro do armário e quando ia sair senti alguém me empurrando para dentro do mesmo, tentei reagir mas não consegui. A porta foi fechada e eu parecia uma sardinha, olhei pelas pequenas brechas do armário e vi a Kristen e seus amigos rindo, mas a Sam não estava com eles.



– Vai ficar um tempinho ai Torres – Disse o Thomas enquanto ria.



– Tirem-me daqui seus idiotas – falei batendo no armário.



– Nada disso! – Disse a Kris e então eles se foram pelo corredor.



Por algum tempo eu ainda tentei chamar a atenção de alguém, pode parecer o certo a se fazer nesse caso, mas não no meu, afinal todo mundo sabia que naquele horário ninguém passava pelos corredores a não ser se algum aluno pedisse para ir ao banheiro, o que com a minha “sorte” não aconteceu. Fiquei ali e acabei adormecendo. Não sei exatamente quanto tempo fiquei ali, quando despertei minhas penas estavam extremamente doloridas e meus ombros também, a única coisa que eu podia mover, pouco mas mesmo assim podia mover, era a minha cabeça. Cocei meus olhos e tentei pegar o meu pequeno chaveiro de lanterna na minha bolsa que tinha ido parar no meu colo quando a Kris e seu grupinho me empurraram. Consegui pegar, liguei e apontei para o meu relógio, era 9 horas, olhei pela brecha do armário e rapidamente vi a Sam passando, bati desesperadamente no armário e chamei por ela.



– SAM! – Não sabia se ela tinha escutado pois já estava fora do minúsculo capo de visão que eu tinha por ali. Mas pouco tempo depois ela apareceu em frente ao armário.



– Fê? É você?



– Sou eu sim, me tira daqui!



– Claro, claro. Qual a combinação?



– 6-7-3-1-8-5 – Disse a combinação e logo já podia sair; ela me ajudou e eu tive que me acostumar com o sentimento de “liberdade”, afinal estava a um bom tempo ali e meu corpo estava doendo.



– Como você foi parar ai? – Eu a olhei como quem diz “sério? Você está me perguntando isso?” – A tá, claro. Não precisa responder... Desculpe por isso também.



– Você não precisa se desculpar, não foi você quem fez isso, foi ela.



– Mas mesmo assim...



– Eu vi seu bilhete, quer me falar agora?



–Ah Não, eu prefiro esperar pelo intervalo. Sabe, falta pouco tempo para essa aula acabar, então não vale a pena você entrar agora na sua sala... além do mais a sua próxima aula é comigo, então...



– Fala logo – disse rindo.



– Vamos gazear esse finalzinho das nossas aulas e entramos juntas no próximo horário.



– Espera ai? A Sam quer passar um tempo comigo? Nossa, não posso deixar essa passar, pois não sei quando terei outra chance dessa! – Falei rindo e ela me acompanhou, colocou as mãos nos bolsos da calça e olhou pra baixo, quando olhou pra mim estava mordendo os lábios de uma maneira sedutora mas o jeito dela não demonstrava ser esse o seu objetivo com aquele ato. Colocou a mão na lateral da minha camiseta, segurando de forma possessiva, se aproximou e me abraçou.



– Eu queria poder passar todos os momentos ao seu lado. – Gelei quando ela disse aquilo, naquele momento lembrei do nosso “encontro” ontem do Starbucks e no nosso selinho. Rapidamente ela se afastou.



– Então, vamos? – e saiu me puxando pelo corredor, ela tentava esconder, agir como se não tivesse feito aquilo segundos atrás mas dava pra perceber que ela estava tensa com a situação. Passamos em seu armário e pegamos alguns doces que ela tinha lá. Fomos para o terraço, chegando lá nos sentamos e comíamos os doces sem falar nada. Mas eu já não aguentava mais aquele silêncio.



– Por que você não fala logo agora?



– Falar o que? – disse ela indiferente.



– O que queres comigo. Digo, você quer me encontrar hoje no intervalo, mas está comigo agora, por que não diz logo?



– Pois eu quero ter um motivo a mais pra ficar com você – Dito isso o silêncio se fez entre nós, não sabia ao certo o que falar, tinha medo de dizer algo e estragar esse momento.



Coloquei minha mão sobre sua perna e fiquei fazendo carinho ali, ela deitou sua cabeça em meu ombro, logo depois passou a cheirar minha camiseta enquanto apertava suas unhas em meu braço apoiado em sua perna. Levantei seu rosto fazendo-a olhar pra mim, seus olhos brilhavam de forma a denunciar que queria chorar. Encostei minha testa na sua e fazia carinho em sua bochecha com o polegar, nossas respirações iam se misturando aos poucos, a vi fechar os olhos e finalmente nossos lábios se encostaram, no começo apenas alguns selinhos mas logo iniciamos um beijo calmo e apaixonado, nenhuma de nós duas queria acabar com aquele momento. Com o tempo foi ficando mais apressado e cheio de desejo, algumas pausas com selinhos para respirar e então... do nada ela me afasta mas continua segurando a minha camiseta da mesma maneira de como segurara no corredor.



– Não... não podemos – ela se levantou rapidamente mas eu segurei sua mão fazendo-a parar. Levantei-me e segurei seu rosto entre as minhas mãos, encostei mais uma vez as nossas testas.



– Por que? Por que não?



– Você não entende – Ela começou a chorar – Por favor, não faz isso comigo. Não me machuca assim, é tão duro pra mim ficar longe de você.



– Você não precisa fazer isso, eu estou aqui, fique comigo e não com a Kristen.



– Eu já disse. Você não vai entender... tem muita coisa no meio disso tudo e...droga, eu te amo tanto garota, e agora eu estou estragando tudo que eu fiz todo esse tempo para me manter longe de você!



Ao dizer isso se soltou de mim e correu para a entrada do terraço.



–O que eu queria te dizer, é que você pode ir hoje lá no Starbucks depois da aula para falar com meu pai, eu já falei sobre você com ele – Virou-se e foi embora me deixando sozinha. Sentei-me no chão e deixei algumas lágrimas escaparem.



O restante das aulas foram um saco, não conseguia prestar atenção em uma palavra vinda dos professores, ou de qualquer pessoa. A Sam me ignorava e a Kristen tornava meu dia pior ainda. Após as aulas fui ao encontro do pai da Sammy. Chegando lá me indicaram uma sala, bati na porta e rapidamente foi aberta.



– Olá, você deve ser a Felipa Torres, certo? – Disse um homem alto e magrelo, tinha cabelos negros com alguns fios grisalhos, um bigode e um brinco na orelha esquerda.



– Sim, sou eu. É uma prazer senhor... – apertamos as mãos.



– Kennedy, Frederich Kennedy. E o prazer é meu, entre por favor.



Entramos em sua sala e logo começamos umas espécie de entrevista, perguntou um pouco sobre minha experiência e eu lhe falei sobre meu antigo emprego.



– Bem, a vaga já era sua de qualquer jeito, mas agora eu tenho certeza, fiz um ótimo trabalho em aceitar de contratar!



– Obrigada – sorri um pouco sem jeito.



– Por enquanto você ficará em um período de adaptação, mas já tenho seus horários. Seriam de segunda a quinta das 4 horas e meia da tarde até as oitos horas, já na sexta você terá de ficar até mais tarde... – falou um pouco receoso.



– Mais tarde quanto mais ou menos?



– Nós ficamos abertos 24 horas, então você irá ficar nas sextas das dez horas da noite, até as cinco da manhã... mas não se preocupe, não ficará só, o Andrew trabalha pra mim a um bom tempo e está acostumado com esse horário. Então ele será sua companhia. Tudo bem pra você?



– Ah... Claro... – eu precisava desse emprego, sorri e concordei.



– Certo. Vamos, eu irei te apresentar a ele – Saímos de sua sala e fomos ao encontro de um rapaz magro e baixo, seu cabelo era azul.



– Andrew – o homem ao meu lado o chamou.



– Olá Frederich – falou animado – no que posso ajudar? Está tudo perfeito aqui fora.



– Tenho certeza que sim. Mas vim aqui para te apresentar a Felipa. Ela ficará com você nas sextas aqui na loja.



– Oi Fê, é um prazer te conhecer – riu – não se preocupe, você irá se enturmar rápido aqui, e nós podemos nos tornar amigos e ir pra parada gay juntos, hein?! – Rimos – afinal, seu cabelo e estilo te denunciam.



– Com certeza – ri – é um prazer te conhecer! E eu digo o mesmo de você.



– Já estou amando você – rimos mais um pouco para não perder o costume haha.



Saí de lá com o emprego garantido e amanhã por ser sexta, já iria pegar o horário da madrugada, pelas forças físicas, mal comecei! Chegando em casa falei sobre os horários com o meu pai, ele não gostou muito mas eu o convenci, embora ele tenha me feito concordar em esperar até seis horas da manhã lá para ele ir me pegar e voltarmos juntos.



O resto do dia foi calmo, jantei com meu pai e ficamos assistindo tv. Eram oito da noite quando eu saí para ver a Roxy, decidi então começar a eu mesma concerta-la, lógico, iria demorar mas sairia até mais barato, eu tinha um conhecimento básico sobre peças pois quando pequena adorava ver ajudar os vizinhos a concertarem seus carros. Estava decidido, eu poderia fazer isso, começaria já no sábado à tarde.



Voltei para casa e fui me arrumar para dormir. Deitei-me mas rolei de um lado pro outro sem conseguir pegar no sono, as imagens de hoje com a Samantha me vinham a cabeça e logo já estava chorando. Escutei o barulho do celular avisando uma nova mensagem.



“Falei com meu pai e ele me contou tudo. Fico feliz por você. Boa noite, eu te amo.



By: Sam”



Como ela tinha meu número? Não pensei muito e respondi: “Boa noite e obrigada se não fosse por você eu não teria essa chance. Eu te amo agora e em todos esses quatro anos.



By: Fê”



E então eu finalmente consegui dormir. É incrível o poder dela sobre mim.



Notas finais
E aeee? Que acharam desse capítulo? :B

P.S.: Para quem acompanha Growing Up, só terá capítulo novo amanhã!