Notas iniciais
Novo cap. Boa leitura!

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No momento achei um tanto estranho, não tinha ideia de quem teria o colocado ali e porquê. Abaixei-me e peguei, de certa forma já muito curiosa para saber o conteúdo.


‘Encontre-me depois da aula no Starbucks em frente ao Trump Soho.

By: S.’

Não estava acreditando, ela queria me encontrar. Eu só não sabia se comemorava ou se ficava desconfiada. Resolvi ir afinal, minha vida já não estava muito boa, não custava nada ir lá ver o que ela queria. Guardei o papel entre os livros e saí da sala, quando estava indo para o meu armário vejo de longe a Sam e a Kristen, elas estavam abraçadas, a Kris de costas pra mim e a Sam com o rosto no pescoço dela.

“E ai Felipa? Depois disso ainda vai se encontrar com ela? Não está vendo que ela só quer brincar com você?” Falei comigo mesma, ainda estava observando aquela cena quando a Sammy levantou o rosto e me viu, tive a leve impressão de ver um meio sorriso em seus lábios, mas se este realmente existiu, logo se desfez. Virou-se sendo abraçada por trás pela Kristen. Guardei o material da aula passada e peguei o de matemática, me dirigindo logo em seguida para a próxima aula.

Entrei na sala e logo peguei um lugar, nem muito atrás nem muito na frente. Pouco tempo depois Kristen entrou acompanhada pelo seu grupinho, passaram direto e a Sam nem ao menos me olhou, sentaram exatamente atrás de mim, essa seria uma longa aula.

“Será que foi mesmo ela quem me mandou o bilhete? Deixe-me ver, pela letra com certeza foi uma garota, mas quem? Além dela tem umas 3 outras garotas que começam com ‘s’, Santana, Savana e Stephanie... mas é impossível ser qualquer uma delas... arrgh”

A aula começou eu tive de aguentar a aquele grupinho atrás de mim. Bolas de papel, batidas em meu braço para borrar o que escrevia, a Kristen mexendo nos meus alargadores e falando besteiras em meu ouvido, apenas para me irritar, até que eu não a aguentei e me levantei bruscamente.

– SERÁ QUE VOCÊS PODEM PARAR?

– Mas o que é isso senhorita Torres? – perguntou a professora que estava escrevendo no quadro mas se virou para ver o que estava acontecendo – Será possível que a senhorita não poderia se controlar? Mas não, decide bagunçar a minha aula!

– Mas professora foram...

– Foram nada! Eu não quero saber, não aceito baderna na minha aula. Dirija-se já para a sala do diretor!

– Mas...

– Mas nada, anda!

Comecei a juntar minhas coisas e antes de sair olhei pra trás Kristen, Peter, Thomas e Rose riam discretamente e a Sam apenas me observava, não sei se deixei transparecer a decepção, não que eu já não estivesse acostumada mas sempre doía. Peguei minhas coisas e saí da sala recebendo um olhar reprovador e ao mesmo tempo um tanto quanto superior da professora Amber, ela não ia muito com a minha cara pelo fato do meu pai ser imigrante, mais precisamente do México.

Fui para sala do Diretor, o Sr. Parker, ele era simpático e não pegava muito no meu pé. Contei exatamente o ocorrido e bem, acabamos jogando truco e dominó. O resto do dia passou-se calmo, quando deu 3h45 o sinal tocou informando o término das aulas. Saí da sala e fui direto para a entrada da escola. Fiquei lá pensando no que faria, olhei de um lado para o outro e nada aparecer. Peguei o ônibus e fui para a Spring Street, onde ficava o Starbucks.

“Bem, ela realmente não quer ser vista comigo, para marcar algo tão longe da escola. Pois da Chambers Street para a Spring não era nem um pouco perto.”

Fiquei presa em meus pensamentos até perceber que estava perto de descer. Saí do ônibus e fui em direção ao local marcado. Entrei e ela já estava lá, seu cabelo estava preso em um coque desajeitado, mexia em algo no celular até levar a cabeça e perceber a minha presença. Sorriu de uma forma convidativa, aproximei-me.

– Não vai se sentar? – Indagou. Respirei fundo e me sentei.

– Como chegou aqui tão rápido? Eu saí de você não estava mais lá – falei de forma seca.

– Peguei um táxi – respondeu ela simplesmente.

– E sua namoradinha não ficou curiosa para saber aonde você iria? – perguntei encarando a garota à minha frente.

– Não, ela não faz o tipo controladora – respondeu ela sorrindo de lado – o que vai querer?

– Olha Samantha, fala de uma vez o que você quer, por favor!

– Bem... se você não vai dizer o que você quer, farei o pedido eu mesma. Depois não reclame – levantou-se e foi em direção ao balcão para fazer o pedido, pouco tempo depois voltou com dois Caramel Macchiato, bem... coincidência ou não, esse é meu favorito.

– Bem... obrigada, esse é o meu favorito...

– O meu também – falou ela rindo de forma doce me encarando, seus olhos brilhavam, eu nunca a tinha visto desse jeito, ela estava... mais solta.

Não consegui mais ficar naquele clima de ‘durona’ afinal eu estava ali com a garota que eu amo, mesmo ela me ignorando na frente de certas pessoas e tendo namorada. Eu estava com ela, não da forma que eu desejava, mas estava. Sorri.

– Então senhorita Samantha...

– Por favor, me chame de Sam – a encarei, mesmo eu a chamando assim em meus pensamentos, era diferente ela mesma estar me pedindo para chama-la dessa forma.

– Ok, Sam. Por que quis me encontrar aqui?

– Olha Felipa...

– Fê...

– Como?

– Pode me chamar assim, é como meus amigos... bem, meus pouco amigos me chamam.

– Ah, certo Fê – riu de forma fofa – Eu sei, você deve estar pensando que eu marquei com você aqui por ser longe da escola, certo? – confirmei – Mas não é exatamente por isso.

– Então por que é?

– Quero te oferecer um emprego...

– Oi?

– Sim, meu pai é dono dessa franquia da Starbucks. E eu não achei certo a Kristen tirar o seu emprego, principalmente sabendo das suas condições... digo, sabendo que não estavas indo por ter sofrido um acidente.

– Então está fazendo isso apenas para redimir a sua queridinha Kristen?

– Não! Eu gosto de você e quero te ajudar!

– Então você gosta de mim? Então por que deixas sua namorada e seus amiguinhos tirarem sarro comigo? Por que me ignora? Pois não é isso o que você faz na presença deles? Ou me ignora ou me trata com frieza! – me exaltei um pouco mas logo me recompus, ninguém ao redor parecia notar a nossa conversa – Qual o seu problema?

– Eu já falei, o meu problema é exatamente esse, gostar de você. – naquele momento eu não acreditei no que ouvia, um misto de felicidade com confusão tomou conta de mim, não sabia o que fazer então comecei a rir. – Por que estás rindo?

– É sério Samantha. Cadê eles?

– Como? Cadê eles quem?

– Você sabe muito bem – voltei a ficar séria – essa brincadeira já perdeu a graça, ok?

– Não é brincadeira. Olha, eu gosto muito, muito de você. Sou completamente apaixonada, mas...

– ‘Mas...’? Caso realmente gostasse de mim estaria comigo agora e não com a Kristen.

– Você não entende. Apenas aceite o emprego e saiba que eu faço isso de coração. – Sorri tristemente.

– Eu aceito. E sabe, não é por você estar fazendo isso, mas pelo fato de eu precisar!

– Ótimo! O importante é você ter o emprego. Venha amanhã e fale com o meu pai, ele te encaixará nos horários.

– Tudo bem. – Tirei o dinheiro da cartei e coloquei sobre a mesa.

– Não precisa, eu te convidei, eu pago.

– Nada disso, sou do tipo que divide a conta – Ri sendo acompanhada por ela – Obrigada.

Eu ia me levantar quando ela me puxou e selou de leve os nossos lábios.

– De nada.

Saí de lá sem entender mais nada, mais confusa do que quando cheguei, como assim ela gostava de mim?E por que não poderíamos fica juntas? Era muita coisa mas preferi não pensar na hora. Eu tinha um novo emprego. Peguei o ônibus para o Brooklyn, cheguei em casa e saí gritando.

– PAI, PAI! — Ele veio correndo até mim.

– O que foi filha?

– Eu consegui um emprego – comecei a rir e a pular.

– Como assim filha? Você não trabalha na lanchonete?

– Hoje de manhã quando eu fui lá descobri que fui substituída mas agora eu consegui um novo emprego, pai!

– Fico muito feliz minha filha – disse ele me abraçando – e aonde é?

– No Starbucks.



Notas finais
O que acharam? Falem por favor :x