Notas iniciais
Eu sei, eu sei. Demorei de mais para postar mas peço desculpas, logo logo virá mais um capítulo. Boa leitura.

Sentei-me na última carteira da fileira encostada as janelas. Lá fora as árvores balançavam com o vento forte que faziam sons ao passar pelas frechas das janelas, naquele momento o mundo a minha volta pareceu estar em câmera lenta e aquela cena me impressionava, as folhas e galhos das árvores dançavam em um ritmo sem igual, os pássaros pareciam deslizar pelo ar. Sorri de leve e abaixei a cabeça para a minha mesa, levei minha mão a minha recente cicatriz acima de minha sobrancelha esquerda. Doía de leve, ignorei e comecei a desenhar, sem perceber a desenhei, dançando comigo, envoltas pelas folhas de outono.

- Olá – disse uma voz doce e ao mesmo tempo aveludada, arrepiei-me ao escutar, o cheiro de seu perfume suave de rosas preencheu o ambiente, pelo menos aonde eu estava, era sempre assim, ela chegava e me inundava com sentimentos diversos. Tomei coragem e virei meu rosto para encara-la.

- O-oi – Ela estava sentada na cadeira ao meu lado, seus braços estavam cruzados sobre a mesa, suas pernas cruzadas enquanto a esquerda balançava levemente. Seus olhos encaravam os meus, tratei logo de desviar o olhar para não me perder naquela imensidão azul, em bora o que eu mais quisesse fosse exatamente isso.

Mas por que ela estava ali? Aquele lugar era do Joe, um garoto um tanto estranho com quem fiz amizade depois de passar muito tempo sentando ao seu lado. Ele era rechonchudo e baixinho, seus cabelos ruivos caíam em cachos, passava a aula toda comendo, seja sanduíches de geleia ou de manteiga de amendoim.

- Por que está aqui? Esse lugar não é do Joe? — Perguntei enquanto fechava o caderno para que a doce morena ao meu lado não visse o desenho.

- Está lá na frente, troquei de lugar com ele – falou ela simplesmente.

- E por que? – perguntei enquanto fixava meu olhar no caderno fechado, como se aquilo fosse a coisa mais interessante do mundo.

- Porque eu quis, algum problema? Ou devo comunica-la quando eu quiser tomar alguma decisão? – embora eu não a estivesse olhando, sabia que estava a me encarar.

- Não, eu não sou nada sua para você precisar dar explicações, perguntei por perguntar.

Ela se encostou na cadeira e o professor de história entrou, deu-me as boas vindas de volta à escola e começou a dar o conteúdo. Ele passou uma atividade do livro sobre o assunto e todos começaram a fazer, no meio de exercício deu-me uma vontade imensa e de ir ao banheiro, levantei-me e fui falar com o professor, que prontamente me deu permissão para sair. Fui rapidamente e voltei para sala, continuei a fazer meu exercício. Pelo canto do olho pude ver a Samantha um tanto impaciente.

- Desesperada para ver a sua namoradinha? – Falei baixo para que apenas ela me escutasse.

- Não que isso seja da sua conta, mas não, não é isso que está me deixando impaciente... – respondeu e ficamos caladas por um tempo – Como você está? Digo, pelo acidente – pareceu um tanto quanto atrapalhada com as próprias palavras.

- Hum... estou acostumada com as curvas da vida – ri de leve – Não que isso seja da sua conta.

Ela logo entendeu e riu também, pela primeira vez conseguimos conversar, digo, pelo menos trocar algumas palavras. O sinal tocou informando o fim da aula, ela se levantou depressa e saiu rapidamente junto com alguns outros. Eu demorei um pouco arrumando meu material, a próxima aula seria de matemática e a Kristen estaria lá, respirei fundo e me levante com os livros, dentro de um deles caiu um pedaço de papel.

Notas finais
O que será que tem escrito nesse pedacinho de papel? Hm..hm...