Notas iniciais
Boa leitura ^-^

Lentamente fui despertando, meu corpo voltou para o tempo real me desprendendo do doce sonho que tivera na noite passada depois de ficar um bom tempo pensando. Sonhei com a Samantha, ela estava linda como sempre, usava um vestido branco solto e sorria para mim em meio a um vasto campo, olhava para seus olhos prendendo-me naquele mar azul. Conversávamos, trocávamos carícias e juras de amor. Era só eu e ela, mais ninguém, nem mesmo Kristen para assombrar meus pensamentos.

Fiquei ali deitada e por mais que já estivesse acordada, meus olhos continuavam fechados tentando voltar para o sonho e não ter mais nada para me preocupar a não ser ficar ao lado da minha amada. Mas era em vão, decidi abrir os olhos, olhei para o despertador e o mesmo marcava nove horas da manhã, procurei meu pai pelo quarto mas a única pessoa que encontrei foi uma enfermeira no canto da cama fazendo algumas anotações em uma prancheta.

– É...bom dia — disse tentando chamar sua atenção, o que deu muito certo pois ela levantou a cabeça e sorriu docemente para mim, era linda, olhos negros, pele morena e cabelo da mesma cor dos olhos. Mas pra mim, não se igualava a minha Sammy, minha pelo menos nos meus pensamentos e sonhos.

– Bom dia moça bonita, estou fazendo algumas anotações sobre seu estado para que possa seguir com o descanso já em casa.

– Oh, isso é realmente muito bom. Creio que as aulas já devem ter voltado das férias, levando em consideração o tempo que estive apagada — sorri tristemente e ela pôs sua mão sobre minha perna e sorriu como quem diz 'tudo ficará bem' — sabe dizer se meu pai já chegou?

– Ele chegou logo cedo, eram sete e meia quando o vi chegar, foi comprar algo para comer e depois ia falar com o doutor Cezar. Pelo tempo já deve estar voltando.

Sorriu e voltou a fazer suas anotações. Passou-se cinco minutos e meu pai entrou no quarto acompanhado pelo médico.

– Bom dia minha filha — disse ele sorrindo enquanto vinha me abraçar.

– Bom dia pai – falei o abraçando.

– Boas novas, falei com o doutor e você já pode ir pra casa – Falou ele sorrindo animado.

– Mas... – continuou Cezar – você terá de seguir com o descanso por mais dois dias apenas para ter certeza de que está realmente bem. Ou seja, nada de esforço, mas não pense que por isso não irás pra escola viu mocinha! E nada de comidas muito calóricas, falei com a nutricionista e ela elaborou uma lista de comidas saudáveis.

– Pode deixar doutor, vou me cuidar – falei rindo.

– ótimo, sendo assim você já pode se arrumar e ir pra casa.

Meu pai me ajudou a ficar em pé, dirigi-me ao banheiro, tomei banho e troquei de roupa. Vesti meu clássico jeans azul quase branco com uma camiseta azul clara e um all star preto, meu pai sabia exatamente como escolher roupas para mim.

Despedi-me da doce enfermeira e do Doutor Cezar, esse por sua vez fez questão de nos acompanhar até a entrada do hospital. Fez algumas outras recomendações e eu apenas concordei para evitar esticar a conversa, ele era um homem legal, contudo não sabia a hora de parar de falar.

Saímos do hospital e fomos andando para nossa casa, meu pai carregava minha mochila para eu não fazer esforço, como se ele pudesse. No meio do caminho começou a cair alguns pingos de chuva e o dia da corrida me veio à mente, a batida, o meu medo de morrer, meu sonho morrendo naquele momento. Não sabia o que fazer agora.

Chegamos em casa, ela era estreita, bastante estreita mas comprida em extensão além de ser primeiro andar. Sua cor era algo próximo de salmão, recuada formando a sua frente um pequeno espaço onde a Roxy ficava, agora ela estava lá mas coberta por um pano, evitei olhar, antes de recuo estava um baixo portão de ferro branco. No térreo ficava uma pequena sala e uma cozinha que logo depois tinha uma saída para onde o meu pai trabalhava, mais ao canto uma escada de madeira levava para o primeiro andar onde ficavam dois quartos e os banheiros, o meu era pequeno e ficava de frente para a rua, tinha pôsteres de bandas e motos, além de garotas. Uma cama de solteiro no canto da parede e paralelo a ela uma mesinha para estudar, o bom de ficar de frente pra rua é que eu tinha uma pequena varanda onde ficavam as minhas flores, rosas vermelhas e lírios.

Deitei em minha cama enquanto meu pai ficou na sala assistindo algum programa que passava. Acebei adormecendo, acordei eram duas horas da tarde, almocei junto a meu pai. O dia passou rápido, já eram onze horas e meu pai estava dormindo, desci silenciosamente, estava frio e meus olhos cheios de lágrimas, levante minha mão em direção ao pano, levantei e a dor que eu senti foi algo inimaginável.

Narradora

A moto estava destroçada, sua pintura completamente arranhada e devido à explosão teve alguns pedaços quebrados além é claro de o motor ter ficado completamente destruído. Não era preciso ser a própria Felipa para saber o que ela estava sentido, ao ver aquilo não aguentou e chorou, levou a mão a sua boca para tampar qualquer som mais alto. Depois resolveu voltar para o seu cômodo, deitou-se, seus olhos perdidos no teto passavam a tristeza sentida pela garota, os lábios trêmulos mostravam o esforço feito para não chorar. Em meio a lágrimas adormeceu.

Felipa

O som irritante do despertador preenchia o local, levantei com as mãos na cabeça indo em direção a mesinha, parei o alarme e me sentei na cama, meus olhos ardiam devido ao choro da noite passada, suspirei enquanto me levantava para tomar banho. Arrumei-me colocando uma calça jeans azul-marinho, uma camiseta gola v branca apertada e o all star, penteei o meu cabelo para o lado esquerdo e desci encontrando meu pai na cozinha.

– Bom dia – falei enquanto me sentava a mesa.

– Bom dia filha, tem torrada e café – falou ele se sentando.

– Tem muito trabalho hoje? – perguntei enquanto me servia.

– Sim, vou continuar fazendo as cadeiras para a Dona Marge – falou tomando um gole de seu café – Por que acordou tão cedo?

– Hum...eu preciso ir para a lanchonete, falar com o John para explicar o que aconteceu exatamente e tentar não perder meu emprego e logo depois da escola já vou trabalhar.

– Filha, o médico falou...

– Pai, eu sei o que o médico falou e eu vou me cuidar mas eu não posso ficar parada. Eu perdi a minha moto, perdi a competição e nem sei se tenho chance de voltar a competir pois o preço de concertar a Roxy é praticamente o mesmo preço de comprar uma nova. Se eu ficar em casa vou pensar muito nisso e não vai me fazer bem – expliquei enquanto terminava de comer.

– Desculpe não poder te ajudar, sei o quanto isso é importante para você – falou ele cabisbaixo.



– Pai, você já faz tanto por mim. Não se preocupe com isso – beijei sua cabeça e me despedi, corri para o ponto de ônibus, a sorte é que a lanchonete ficava no mesmo caminho para a escola, de lá poderia ir a pé e chegar a tempo.



O trajeto fora todo feito rapidamente, escutava música em meu fone de ouvido o que ajudou bastante. Chegando na lanchonete encontrei um amigo meu, um dos poucos.



– James – falei indo cumprimenta-lo.



– Felipa, é ótimo te ver novamente, fiquei realmente preocupado.



– Estou um pouco melhor mas preciso de descanso. O John está ai?



– Sim ele está – Ele respondeu tristemente – Boa sorte lá.



– Obrigada – falei indo em direção a sala do chefe. Bati três vezes e ele me mandou entrar – Com licença John, vim falar sobre minha situação aqui.

– É ótimo ver como você está bem Fê – disse ele vindo me abraçar.

– Obrigada, eu vim te dizer que posso voltar hoje mesmo – falei sorrindo.

– Felipa... você sabe o quanto eu gosto de você, és uma menina muito responsável mas ficou internada por um mês e precisávamos de alguém para atender a demanda do público.

– Isso quer dizer...

– Quer dizer que já tem outra pessoa trabalhando em seu lugar.

– O que? Como assim? Mas... não tem ninguém novo – não conseguia acreditar como o destino estava contra mim.

– Ela também trabalha meio expediente, na verdade deve conhece-la, Kristen Smith – aquele nome, a garota que sempre se meteu na minha vida tornando-a ainda pior.

– Tudo bem John, eu entendo.

– Espero que consiga algo logo, sei o quanto isso é necessário pra você.

Despedi-me de todos e fui em direção a escola, não era muito longe e logo cheguei, senti o típico cheiro de adolescente, as pessoas conversando com seus grupinhos, entre eles o da Kristen, Thomas, Peter, Rose e ela, a garota mais linda que já vira em toda minha vida, Samantha. Ela foi a primeira a perceber minha chegada olhou-me de forma preocupada como se quisesse falar comigo mas logo tratou de mudar sua postura para algo ‘superior’, Kristen que a abraçava pela cintura olhou-me e veio em minha direção com seus amigos, entrando em meu caminho.

– Com licença, eu gostaria de ir para a minha sala e vocês estão me atrapalhando.

– Calma Felipa – falou a Kristen fazendo-se de ofendida mas logo começou a rir – agora vai desistir de correr não é? Só estou em dúvida se é por ser tão RUIM ou por não poder pagar o concerto da moto – Riu sendo acompanhada pelos amigos, menos pela Samantha.

– Não acho que qualquer coisa da minha vida diga respeito a qualquer um de vocês, agora se me dão licença...

– Opa, calma ai... quero saber como vai o emprego... – falou ela colocando as mãos nos bolsos.

– Sério? Por que não pergunta pro John? Afinal agora é você quem está me substituindo lá! – Sammy olhou incrédula pra ela como se ainda não soubesse disso.

– Pois é, pensei que ia morrer e não podia deixar o John na mão – falou rindo.

– Pra quê isso Kristen? Você tem dinheiro, não precisa trabalhar. Seu pai te dá tudo o que você quer, não é nem só o necessário e sim o que você pedir.

– Ora, eu preciso trabalhar não é mesmo?

– E precisava ser o meu emprego?

– Você não estava mais indo!

– Eu sofri a porra de um acidente. Faz um favor pra mim, pega os seus amigos, a sua namorada e caiam fora da minha vida.

Saí dando para a minha sala, no caminho recebi alguns olhares curiosos, afinal todos ali sabiam do ocorrido. Alguns professores me pararam no corredor para saber como eu estava. Respondi-lhes e entrei na sala de aula me dirigindo para o meu lugar guardado.



Notas finais
Que acharam?