I've Been Living In A Lonely Life
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Abri os olhos lentamente, minha visão estava embaçada, meu corpo doía e o cheiro inebriante de hospital entrava por minhas narinas sufocando-me. Minha audição estava mais aguçada de modo que podia ouvir de forma estridente o pingar das gotas do soro, as macas passando pelo corredor, os batimentos do meu coração na máquina ao lado. Observava a cima de mim o teto branco, as paredes da mesma cor deixava-me agoniada. Minha visão e minha audição voltam aos poucos ao normal, até que vejo a figura de meu velho pai aparecer, olhando-me preocupado e ao mesmo tempo aliviado, suas olheiras denunciavam más noites dormidas. Culpei-me ao vê-lo naquele estado.
– Minha menina você acordou – Abraçou-me deixando-me embriagada pelo cheiro de café em sua roupa, cheiro esse com o qual convivi e passei a amar.
– Pai... – Com os olhos marejados me controlei para não chorar – a corrida... quem ganhou a corrida?!
– Minha pequena, depois do acidente cancelaram a corrida naquele dia. Você esteve apagada por um mês e o campeonato já terminou.
Aquela noticia me deixou arrasada, esperei por tanto tempo para poder correr e tinha deixado a chance escapar por meus dedos assim como areia. Engoli o nó que se formara em minha garganta, pisquei duas fezes e perguntei apenas para confirmar.
– Quem ganhou?
– A Kristen – Falou meu pai sabendo o quanto aquilo me afetava pois tinha conhecimento dos problemas entre eu e ela. Olhei para o lado tentando compreender os fatos.
– Quando posso ir para casa? – perguntei querendo mudar de assunto, papai percebeu e tratou logo de responder.
– O médico virá te examinar e só ai iremos saber – olhou para baixo e vi aquele sorriso doce aparecer em seus lábios, quando levantou a cabeça vi seus olhos cheios de lágrimas teimosas que escapavam-lhe pelos cantos dos olhos – Tive tanto medo de te perder minha menina.
Nos abraçamos e então não tive como me controlar mais, chorei feito uma criança em seus braços como aos meus 7 anos após correr atrás do carro do amante de minha mãe, que a levou embora de nossas vidas, embora hoje eu tenha a certeza que ela já estivera fora delas antes desse fato acontecer. Ficamos ali juntos abraçados e conversando por um bom tempo antes do médico chegar.
– Olá senhorita Torres, vejo que estás além de mais corada está esbanjando saúde – Disse o senhor já de meia idade.
– Olá doutor. Estou me sentindo bem, apenas algumas dores no corpo e na cabeça.
– Isso é compreensível minha jovem, no acidente você teve três costelas fraturadas, além de dois cortes, um sobre a sobrancelha e o outro no abdômen. Mas teve pronto atendimento, essas dores são comuns principalmente pois esteve imóvel por tanto tempo – falou enquanto me examinava.
– Doutor... quando poderei ir para casa?
– Caso continue assim poderá ter alta já amanhã.
Olhei para o meu pai que sorriu para mim enquanto segurava minha mão. O médico despediu-se me deixando a sós com meu pai. O resto do dia passamos juntos, vez ou outra ele precisava sair para comprar algo mas logo voltava. Alternamos entre conversar, assistir televisão, jogar o bom e velho xadrez e escutar os programas favoritos dele na rádio. No fim do dia ele queria ficar e dormir comigo no hospital mas eu o mandei para casa, pois sua aparência o denunciava, precisava de um descaço. Sozinha no silêncio do meu quarto, a luz da lua iluminava o cômodo escuro, o vento frio balançava as cortinas na janela e o sentimento de tristeza por mim já conhecido tomou conta do meu peito. Pensei porquê isso tinha de acontecer comigo, e se a Sam estava preocupada comigo. Com esses pensamentos acabei adormecendo.
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