Tatsuha esperava qualquer reação de sua família quando finalmente os reencontrasse, menos essa, pois no momento em que pisou dentro do refeitório dos oficiais, tudo o que viu foi Mika o olhar com olhos largos antes desses rolarem para trás e ela ir ao chão como um saco de batatas. A reação de Tatsuha foi instantânea, em um minuto ele estava na entrada da sala, no outro ajoelhado ao lado de Mika e sacando o seu comunicador pronto para dar as ordens.

- Uesugi para a enfermaria, preciso de alguém no refeitório dos oficiais agora!

- Já estou mandando senhor. — veio a resposta de quem ele reconheceu ser o seu Médico Chefe.

- Ei Tohma, e aí? Como vão as coisas? — Tatsuha perguntou assim que fechou o comunicador e o guardou no bolso da calça. Tohma desviou o olhar do rosto pálido de Mika, cuja cabeça estava em seu colo, para o sorriso sem graça que Tatsuha estava lhe dando.

- Vão bem e você?

- Bem. E... Kenji, não é? Como vai o Kenji?

- Está com a minha mãe enquanto estamos em turnê. Ele queria vir, mas época de aulas, sabe como é.

- Sei. — e a conversa terminou ali. Afinal, o que você dizia a uma pessoa que não via fisicamente há dez anos? Embora Tohma soubesse o que acontecia na sua vida, não sabia detalhes dela, detalhes que somente alguém que estivesse sempre presente poderia saber. Por sorte o clima tenso não durou muito tempo pois a Comandante Joyce James, Oficial Médico Chefe da Thunderbird, e mais um enfermeiro adentraram o refeitório e a médica logo ajoelhou ao lado de Mika e percorreu o tricoder pelo corpo da mulher caída. Assim que a máquina apitou com o resultado, a doutora somente arqueou uma sobrancelha, abriu a maleta que carregava, recolheu um hipospray e sem piedade o injetou no pescoço de Mika. O resultado foi imediato. Assim que a agulha deixou a pele da Sra. Seguchi, ela abriu os olhos e estalou um tapa no rosto de Tatsuha, o que fez Joyce e o enfermeiro arregalarem os olhos e prenderem a respiração.

- Como você ousa?! — Mika esbravejou, empurrando Tohma para longe e pondo-se de pé, coisa que Seguchi, Tatsuha e Joyce imitaram.

- Senhor... — a médica chamou baixinho. Afinal, a maluca da mulher tinha acabado de bater no Capitão. Tatsuha somente lançou um olhar a Comandante e sacudiu a cabeça em negativa.

- Dispensada Comandante.

- Mas senhor?

- Dispensada! - enfatizou e Joyce apenas assentiu com a cabeça, trocou um olhar

preocupado com o enfermeiro, e logo ambos foram embora.

- Dez... DEZ anos! — Mika apontou um dedo para Tatsuha, com o seu rosto ficando vermelho de fúria. — E você sabia! — e logo a sua raiva foi direcionada a Tohma quando percebeu que era sobre isso que o marido queria falar antes da chegada do seu irmão supostamente desaparecido.

- Sim, mas Mika...

- Foi você! — sibilou a mulher em um tom de acusação. — Era você que alimentava os meus investigadores com pistas falsas. Você sabia o que eu estava passando e mesmo assim não fez nada! — vociferou.

- Mika, por que nós não... — Tatsuha tentou apaziguar os ânimos em vão.

- CALADO! Seu, seu... — e com isto ela avançou sobre o homem, começando a lhe estapear o peito a cada palavra dita. — moleque, irresponsável, insensível, sem consideração, ingrato... — na última acusação, Tatsuha teve o bastante e quando ela ergueu as mãos para desferir outro tapa, ele segurou firmemente os pulsos da irmã e com um empurrão a afastou de si.

- Meça as suas palavras Sra. Seguchi, pois está ofendendo um oficial da Frota. — o tom seco e o olhar cortante sobre a sua pessoa fez Mika se calar e avaliar melhor aquele que ela considerava o seu irmão e estava parado na sua frente. Por anos a mulher teve impresso na mente a figura de um adolescente, a última imagem que havia visto antes dele sumir, mas o que estava na sua frente agora era um homem. Tatsuha havia crescido, ficado mais alto que Eiri, ganhado mais corpo que Eiri, corpo este que preenchia o uniforme que vestia, o uniforme de Capitão se ela tinha interpretado corretamente as tiras nos pulsos. O rosto que a mirava não era mais de um menino, era de um adulto, com uma sombra de barba, traços firmes, cabelos negros e curtos e uma falha na sobrancelha direita por causa de uma cicatriz que não existiu na juventude.

- Era aqui que você esteve nos últimos dez anos? Na Frota? — perguntou Mika com a voz quase sumida. Havia usado todo o conhecimento que tinha do irmão, todos os cenários imagináveis, mas nunca pensou que Tatsuha um dia iria embora de casa para se alistar nas forças armadas. Ser um militar nunca bateu com a personalidade dele. Aparentemente ela estava enganada. — E você sempre soube? — voltou-se para Tohma que assentiu positivamente com a cabeça. — E não me disse. Por quê? — Tohma e Tatsuha trocaram olhares.

- Porque Tatsuha me pediu. Quando ele foi embora cada um de vocês entrou em contato com ele exigindo que ele voltasse, ordenando que ele parasse de agir como uma criança e começasse a agir como um adulto. Quando eu liguei para ele, apenas perguntei por quê. E ele me disse, me explicou e me convenceu de que precisava disto e pediu sigilo pois nós sabíamos que no momento que você descobrisse iria atrás dele e o traria de volta ao Japão pelas orelhas.

- Tenho que admitir Tatsuha: se entrar para a Frota foi uma maneira de nos mostrar que estávamos errados, você conseguiu. — pela primeira vez desde o início do confronto, Eiri se manifestou e a atenção de Tatsuha voltou para o irmão.

- Nunca tive a intenção de provar nada para ninguém. — respondeu seco.

- Então por que fez isso? — Mika perguntou curiosa.

- Minhas razões são somente minhas e de mais ninguém.

- Tatsuha... — a mulher o advertiu em um tom que ele reconheceu que uma ordem estava prestes a vir.

- Sra. Seguchi, por favor abstenha-se de me dar ordens. Afinal, pelas regras, eu sou a autoridade máxima nesta embarcação. — a expressão de choque de Mika valeu a pena. Certo, ele mentiu para Adam, esfregar um pouquinho na cara da sua família as suas conquistas, ser por um minuto mesquinho, causava uma sensação boa pra caramba. Ele era humano porcaria! De que adiantou todo o esforço que fez para chegar onde estava se não podia se gabar nem um pouquinho, ainda mais com aqueles que sempre acharam que ele nunca iria muito longe na vida.

Silêncio imperou na sala depois disto e por alguns minutos todos ficaram se entreolhando, sem saber o que fazer, até que Shuichi foi o primeiro a reagir ao aproximar-se cautelosamente de Tatsuha.

- Bem, é bom te ver de novo Tatsuha. — disse vagarosamente, abrindo os braços e hesitando um passo logo em seguida. — Eu posso te abraçar, não posso? — Tatsuha arqueou uma sobrancelha, deu um sorriso e puxou Shuichi pelo braço, esmagando o corpo menor dele contra o seu.

- Senti a sua falta Shuichi. — murmurou contra os cabelos que agora não eram mais rosados, mas sim na cor natural castanha, o que Tatsuha achou estranho pois sempre iria associar o cantor as mechas tuti-fruti. Assim que soltou Shuichi, Hiroshi foi o próximo a cumprimentá-lo, trocando com Tatsuha um firme aperto de mão. — Parabéns pelo seu casamento com a Ayaka. — o guitarrista sorriu e se afastou, cedendo espaço para Suguro. Eiri foi o próximo a dar um passo à frente, erguer as sobrancelhas e com um tapinha no ombro cumprimentou Tatsuha que rolou os olhos. O irmão não tinha mudado muito com os anos. Continuava o mesmo cara emocionalmente constipado que sempre conheceu. Sakano, K e Noriko se apresentaram formalmente para Tatsuha, tendo ouvido falar do irmão Uesugi sumido, mas nunca tendo o conhecido antes. Tohma e Mika mantiveram a sua distância e quando o clima finalmente clareou na sala que todos perceberam que faltou uma pessoa se inteirar na conversa.

Olhares caíram sobre Ryuichi que estava parado perto da janela de observação, com os olhos largos fixos no grupo que rodeava o Capitão. Tatsuha lançou um olhar para Tohma, como se perguntasse ao cunhado se o cantor estava bem, mas Seguchi apenas deu de ombros. Havia desistido há anos de tentar entender as peculiaridades de Ryuichi Sakuma.

- Sr. Sakuma. — Tatsuha deu um passo à frente, com uma mão estendida na direção do cantor. — É um prazer conhecê-lo. Sou o Capitão Tatsuha Uesugi. Bem vindo ao Thunderbird. — Ryuichi ainda ficou o mirando por alguns segundos antes de sair de seu transe e receber a mão estendida e no momento que os dedos de ambos se tocaram pareceu que o Universo parou de mover em volta deles por um segundo para logo em seguida ser trazido ao seu eixo por uma descarga elétrica que percorreu os seus braços, fazendo ambos se soltarem tão rapidamente quanto o cumprimentou começou. Um sorriso largo e peculiar surgiu no rosto de Ryuichi, um que Tatsuha não conseguiu identificar, ao mesmo tempo em que o cantor soltou:

- Não Capitão, o prazer é todo meu.

oOo

Ryuichi já tinha chegado a um nível que ia além da excitação. No momento em que ouviu de Tohma os planos da turnê conjunta com o Bad Luck pelas colônias da Terra, o cantor só faltou subir pelas paredes de animação. Iriam levar a magia do Nittle Grasper para o Espaço, para além do Universo. Não entendam mal, Sakuma já havia viajado para além das fronteiras terrestres. Afinal, toda a sua família por parte de mãe ainda vivia em Tauron. Mas visitar um planeta não era o mesmo que visitar vários. Embora as colônias fossem uma extensão da Terra, elas tinham a sua própria cultura que muitas vezes era uma mistura cacofônica das várias culturas do planeta azul e que originou uma coisa só. E isto era emocionante. Ryuichi adorava conhecer lugares e pessoas novas. Ser curioso, explorador e inovador fazia parte da sua natureza. E aqui estamos nos referindo apenas ao lado humano.

Portanto foi como uma bola de energia que ele passou a última semana, antes de embarcarem para T-003, ainda mais excitado por saber que não iriam em um voo comercial, mas sim em uma nave da Frota Estelar. DA FROTA ESTELAR! Ryuichi só tinha visto a Frota em reportagens na televisão e nas vezes em que esteve em São Francisco e passou pela imponente sede da Academia, vendo todos aqueles cadetes tão bem arrumados em seus uniformes vermelhos. Mas ver uma nave da armada de perto, estar dentro de uma, não é qualquer civil que pode dizer que teve a chance. Portanto, foi pulando e tagarelando a mil por minuto que ele chegou ao espaçoporto para aguardar o transporte deles para a Thunderbird. Até o nome da nave que iria levá-los era interessante. Foi com o coração aos pulos que Ryuichi entrou na aeronave quando a atendente informou que o voo deles estava prestes a partir e grudou o rosto no vidro da janela assim que viu a estação espacial se aproximar e o casco da Thunderbird ficar à vista dos seus olhos brilhando.

Quando finalmente entraram no hangar da nave, tudo o que Ryuichi queria era sair daquele transportador e explorar cada canto do lugar como uma criança impressionada. E então eles finalmente pousaram e as portas finalmente se abriram. Novamente saltitando, Sakuma deixou a pequena espaçonave e parou de pronto quando a voz imponente do Comandante Hope chegou aos seus ouvidos, fazendo os seus olhos ficarem largos ao verem o homem enorme parado na frente do grupo. Adam Hope, como ele tinha se apresentado, parecia ser capaz de levar K ao chão em uma briga com um simples peteleco. Logo um tour começou pela nave, com Hope mostrando lugares da Thunderbird e explicando o que cada setor fazia. No fim o passeio terminou quando o chão sob os pés de todos tremeu como um gato ronronando, despertando a curiosidade do grupo, menos a de Hope.

- São os motores de propulsão se ativando. — Adam explicou no momento em que o sistema de comunicação foi aberto e uma voz anunciou ao longo do corredor que a Thunderbird havia sido autorizada a sair da doca e que estava pronta para partir com o curso traçado para T-003, com uma breve parada no porto espacial 14. E então eles estavam sendo levados para as cabines onde iriam ficar hospedados durante a viajam com o aviso de que o Capitão se sentiria honrado em recebê-los às 19:00 horas para um jantar e que Hope iria mandar alguém para buscá-los e levá-los para o refeitório dos oficiais.

Ryuichi deu um grito de felicidade quando a porta de sua cabine fechou às suas costas, com os seus olhos azuis percorrendo tudo a sua volta, querendo explorar cada canto. O lugar não era nada comparado as suítes cinco estrelas nas quais já se hospedou nos melhores hotéis ao redor da Terra, mas era uma cabine dentro de uma nave estelar e isto superava qualquer quarto de alto luxo. Havia um computador de bordo atrelado a uma parede, a cama era de solteiro, estreita e nada confortável, com certeza. O banheiro era pequeno, os móveis praticamente inexistentes, somente uma mesa e uma cadeira, mas o suave ronronar sob os seus pés compensava, porque eram os motores de propulsão lhe dizendo que ele estava dentro de uma USS e isto era fantástico. Sakuma sempre achou que se a sua paixão pela música não fosse tão grande, talvez teria se unido a Frota somente pela emoção de viajar pelo Universo, de percorrer um espaço onde não havia fronteiras. Isso sim era o verdadeiro sentido de liberdade.

Animado, rapidamente foi às malas que algum Alferes havia colocado em seu quarto mais cedo, começando a revirar roupas a procura de alguma adequada para o jantar com o Capitão. Soltou uma risadinha. Jantar com o Capitão, parecia até que estavam em um cruzeiro ao invés de caronas em uma nave de combate. E estava curioso em saber como era esse Capitão que Mika mencionou com desagrado por não ter estado no hangar para recebê-los. O Comandante Hope pareceu dar um breve sorriso quando a situação foi apresentada pela Sra. Seguchi, como se houvesse algo mais por detrás da ausência do Capitão, mas isto foi logo esquecido quando o tour começou. Com um grito de vitória, Ryuichi encontrou um par de calças e camisa que acentuavam o seu físico e destacavam os seus olhos e logo se embrenhou no banheiro para começar a sua preparação.

Às exatamente 18:30 horas um Alferes tocou a campainha de sua cabine e Ryuichi atendeu a porta com um enorme sorriso no rosto, o que fez o jovem que iria escoltá-lo corar ao perceber que estava frente a frente com o famoso Ryuichi Sakuma.

- E-eu vim levá-lo ao refeitório dos oficiais, Sr. Sakuma. — o pobre gaguejou com o rosto rubro e não pôde evitar que os seus olhos percorressem o corpo do cantor dos pés a cabeça, apreciando o que via. Ryuichi alargou o sorriso. A vaidade característica dos taurianos era verdadeira. Afinal, por que não se gabar quando aos 43 anos terrestre Ryuichi ainda tinha o corpo, a saúde e o rostinho de um homem de 30 anos? E ele sabia, mais do que ninguém, que hoje era mais a sua imagem junto com o seu talento que mantinha o Nittle Grasper ainda no topo. Mentiroso é aquele que diz que no mundo do entretenimento a aparência não pesa tanto quanto o talento.

- Guie o caminho então Alferes. — Sakuma fez um floreio com a mão e deu outro sorriso charmoso para o jovem, o que o fez tropeçar nos próprios pés antes de começar a andar corredor abaixo em direção ao elevador turbo.

O percurso durou somente curtos cinco minutos e quando se viu na entrada do refeitório Ryuichi não se surpreendeu quando o Alferes lhe estendeu um PADD de bolso e pediu um autógrafo, o qual o cantor deu ao jovem com um sorriso que não diminuiu em nada ao ver o rapaz agradecer e partir com as bochechas rubras e quase saltitando de felicidade. Quando entrou na sala, Ryuichi praticamente voou na direção onde havia a enorme janela que dava vista para o Espaço passando além do espesso vidro como um borrão. Para alguns a paisagem não poderia ser lá grande coisa, mas, para Sakuma, era quase uma obra de arte implorando para ser apreciada. A velocidade, a cacofonia de cores, o ronronar dos motores, tudo formava um ritmo peculiar que parecia uma canção composta para ser eternamente tocada. Uma canção que fez Ryuichi fechar os olhos momentaneamente para apreciá-la, esquecendo o burburinho das conversas a sua volta até que a voz de Eiri, sobrepondo-se a todas as outras vozes, chamou a sua atenção.

- Mas o que significa isto? — os olhos de Ryuichi voltaram-se para a entrada da sala, para o homem que a família Uesugi, mais o Bad Luck e Tohma, miravam com surpresa estampada em seus rostos. E Sakuma também estava surpreso pois nunca, em toda a sua vida, havia encontrado alguém cuja presença ao entrar em uma sala exigia automaticamente a atenção das pessoas e obediência dessas. E obviamente que, fisicamente, o homem não era nada ruim de se olhar. Na verdade, na opinião de Ryuichi, o oficial causaria inveja até no mais belo tauriano. Alto, ombros largos, porte atlético, rosto de traços firmes e olhar sério, tudo acompanhado pelo uniforme dourado com três listras nos pulsos da camisa indicando a alta patente que ele possuía, realmente era de atrair a apreciação de qualquer um. Pena que Mika não concordou se a reação dela de desmaiar assim que pôs os olhos no recém chegado fosse alguma indicação.

Assim que ela foi ao chão, o Capitão rapidamente reagiu, indo até a mulher e chamando uma equipe médica pelo comunicador que ele pareceu tirar de algum buraco negro de tão rápido que apareceu em sua mão. Enquanto esperavam a equipe, o homem conversou banalidades com Tohma até que uma jovem médica chegou acompanhada de um enfermeiro, avaliou o estado de Mika e injetou um hipospray nela. Em um pulo Mika acordou e estapeou o Capitão, ocasionando olhares surpresos da médica e do enfermeiro que foram dispensados pelo homem com uma única ordem. E então, quando eles partiram, é que a confusão se instalou.

Logo Mika estava gritando acusações, troca de farpas foram feitas e talvez algumas lágrimas foram derramadas. Ryuichi, na posição que estava, não conseguia ver direito o rosto da esposa do amigo para atestar isto. E então explicações foram dadas, aliviando um pouco o clima mas não dissipando a tensão por completo. E depois de vinte minutos de conflito um acordo de cessar fogo pareceu ter sido feito no momento em que Shuichi abraçou o Capitão. Logo um a um os que estavam naquela sala cumprimentaram o Capitão enquanto Ryuichi observava toda a interação com o coração estranhamente aos pulos dentro de seu peito, com a sua pele formigando a as suas mãos suando frio. E então ele percebeu, no meio de seus devaneios, que todos olhavam para ele e que o desconhecido estava vindo em sua direção e com um sorriso contido estendeu a mão para ele.

- Sr. Sakuma, é um prazer conhecê-lo. Sou o Capitão Tatsuha Uesugi. Bem vindo ao Thunderbird. — a voz parecia uma melodia com intuito de niná-lo e como em transe, Ryuichi ergueu a própria mão e tocou os seus dedos com os dele. A reação foi imediata. No momento em que as peles roçaram o Universo deixou de ser um borrão além da janela de observação, como se a nave tivesse sofrido uma freada brusca por um segundo para logo depois voltar a se mover assim que uma descarga de energia percorreu os braços dos dois homens, os fazendo se afastar abruptamente. E Ryuichi conhecia aquele efeito, sabia o que significava pelas histórias que ouvira de sua mãe, avó, tias, tios e parentes maternos e, por isso, não pôde evitar o sorriso cheio de mistérios e promessas que surgiu em seu rosto ao responder ao outro homem:

- Não Capitão, o prazer é todo meu.