It's Always You
3 2 - I miss you
Notas iniciais
“Você invadiu o Afeganistão”.
“O quê?” “Onde duas pessoas que se gostam saem para se divertir?” “Foi isso que eu sugeri”.
“Você está bem?”
“Não somos um casal” “Sim vocês são”.
“Eu não tenho amigos. Só tenho um.”
“SHERLOCK”
“Você é o meu melhor amigo”
“John...”
Todas essas memorias invadiram a cabeça de John quando se deitou em sua cama. Era sempre assim. Ele não se permitia pensar em Sherlock, mas uma parte de sua mente sempre flutuava para essas memorias. Desde a queda, ele estava sempre pensando no amigo, por mais que não quisesse as lembranças sempre voltavam.
John se mexeu inquieto na sua cama.
Já se passara dois dias desde que vira Sherlock pela ultima vez. Ele estava ansioso demais. Nervoso demais. Queria logo voltar para Baker Street para poder conversar com Sherlock. Ele precisava saber o que estava acontecendo e o que estava se passando pela cabeça do detetive.
Ele suspirou e se sentou na cama, conferindo as horas.
– John? – Mary o chamou ao notar o marido se levantar da cama – Para onde você está indo? São 11 horas da noite.
John parou na soleira da porta.
– Eu vou andar um pouco – respondeu.
Mary soltou uma risada sarcástica.
– Você vai ver o Sherlock – não foi uma pergunta.
O loiro se virou para encarar Mary.
– Por que tudo que eu faço você acha que é por Sherlock? Uma pessoa não pode se levantar para caminhar às 11 da noite apenas para espairecer um pouco? – respondeu irritado.
Mary apenas arqueou as sobrancelhas. Balançando a cabeça, voltou-se a deitar na cama, dando as costas para o médico.
– Apenas faça o que você quiser.
John suspirou arrependido por ter quase gritado com a mulher.
– Mary...
– Está tudo bem. Vai logo dar a sua volta antes que você acabe acordando a vizinhança toda – respondeu.
John considerou voltar a dormir, mas sabia que não ia conseguir nada por mais que tentasse. Deu meia volta, depositou um beijo na testa dela e saiu.
– Volto logo – disse.
– Duvido – Mary comentou baixo.
Ela sabia que nada que fizesse ia o impedir de ver o seu amigo. John já estava um pouco abalado com a historia de Sherlock ir embora, mas agora com a volta de outra pessoa, ele estava mais nervoso.
Mary tinha que fazer alguma coisa a respeito.
Ela suspirou e então se levantou da cama. Um toque de celular soou pelo lugar. Foi até a cômoda próxima e pegou o seu celular. Olhou a tela do aparelho e apenas fez uma careta antes de atender.
– Você ligou na hora certa – deu um pequeno sorriso – Precisamos conversar.
~*~
John caminhava tranquilamente pelas ruas da cidade. A noite estava fria e ele se esquecera de pegar o seu casaco na pressa de sair de casa. Era verdade o que Mary havia dito antes. Ele queria sair na intenção de ir conversar com Sherlock, mas agora ele estava hesitando. Não sabia o motivo, mas ele queria recuar. Lembrou-se de como Sherlock havia o encarado e de como o seu corpo havia reagido automaticamente. Era como se fosse há dois anos novamente e ele voltara a sentir coisas estranhas enquanto estava na presença de Sherlock.
Parou e percebeu onde se encontrara.
Seus pés o haviam levado direto para Baker Street onde havia divido apartamento com seu amigo.
– Que irônico – disse olhando para a rua tão conhecida por ele.
Já que estava ali, decidiu passar em 221B e fazer uma visita a Mrs. Hudson e depois ter uma conversa com Sherlock.
Parou na frente da porta hesitando. Olhou para a janela onde Sherlock sempre estava parado vigiando a rua, ou tocando seu violino e viu que havia uma fraca iluminação no apartamento.
Levantou o punho para bater na porta e respirou fundo. Cinco minutos Mrs. Hudson apareceu na porta e olhou surpresa para quem se encontrava na porta, dando um pequeno sorriso.
– John! – disse se jogando no braço do médico. – Quanto tempo!
– Olá Mrs. Hudson – cumprimentou depois que ela se afastou – Se importa se eu entrar?
Ele não esperou a resposta da senhora, e já estava dentro do pequeno apartamento. Olhou para as escadas que davam ao seu antigo apartamento e se sentiu abatido.
– Aceita um chá?
John apenas balançou a cabeça e então acompanhou Mrs. Hudson para a cozinha onde ela o serviu de chá, biscoitos e pedaço de bolo de limão. John tomou um gole do chá calado tentando ouvir algum ruído do apartamento de cima, mas não ouviu nada.
Mrs. Hudson sentou-se em frente a John.
– O que faz aqui a essa hora John? – perguntou preocupada ao medico que olhava distraído para o teto – Aconteceu alguma coisa a Mary?
John apenas negou enquanto continuava a fitar o teto. Ele começara a se perguntar se Sherlock estava mesmo ali sem cima, fazendo silencio para não poder falar com ele.
Por que ele estava pensando isso? Ele sabia que Sherlock nunca faria uma coisa tão infantil como essa.
– E então? – Mrs. Hudson o chamou atraindo sua atenção.
O loiro balançou a cabeça, para poder clarear as ideias.
– Eu só...
John suspirou frustrado, mordendo o lábio meio nervoso. Não sabia o motivo de está assim.
Ele olhou para a senhora que se encontrava sorrindo para ele.
– Veio para ver o Sherlock não é? – sorriu.
Não houve resposta.
John apenas pegou sua xicara de chá e levou aos lábios, enquanto Mrs. Hudson apenas olhava para ele achando graça.
– Mas John, e Mary? – perguntou.
Ele arqueou as sobrancelhas.
– O que tem a Mary?
– Vocês estão casados.
– Sim.
– Vocês terão uma filha.
– Sim.
– E você passou uns meses aqui com Sherlock – ela olhou para John que continuava sem entender o que ela queria dizer – Não me diga que vocês dois estão juntos?
Nessa hora, John quase cuspiu o chá que havia acabado de levar aos lábios. Tossiu fortemente enquanto Mrs. Hudson ainda o encarava querendo uma resposta.
– Mrs. Hudson – ele começou pacientemente – Nós nunca estivemos juntos.
A senhora o encarou fazendo uma expressão que fingia que estava acreditando no que o médico havia acabado de lhe informar.
– Ele não é o meu namorado! – exclamou.
Ela soltou uma risadinha.
– Claro que não.
John suspirou frustrado.
– Mrs. Hudson, escute – ele olhou nos olhos da senhora – Nós nunca estivemos juntos. Nunca. Nós somos apenas amigos.
– Você soa um pouco decepcionado – murmurou.
– Mrs. Hudson!
– Mas eu estou lhe dizendo a verdade. Eu sempre notei o jeito como vocês dois se comportam perto um do outro. Sou boa para adivinhar casais. Uma vez disse a uma amiga minha que seu melhor amigo estava gostando dela. Na verdade eu insinuei, mas ela entendeu. Também comentei que por mais que ela negasse que sentia o mesmo, não ia adiantar nada. Para que a negação se sabemos o que passamos dentro dos nossos corações?
John a encarou, com os olhos arregalados de surpresa. E então escutou um ruído abafado e olhou para o teto automaticamente.
– Mrs. Hudson, ele está ai?
– Eu não sei John, eu não vi Sherlock nem entrar ou sair.
John suspirou.
– Pode subir se quiser.
Ele olhou para ela e concordou.
– Vou dar uma olhada.
John saiu da cozinha e rapidamente subiu as escadas. Hesitou na porta, mas resolveu entrar de vez e acabar com toda aquela tensão. Abriu a porta com as chaves do apartamento que ainda mantinha e então entrou.
A sala estava silenciosa e escura. Tudo estava no seu devido lugar. Mas algo estava errado. Caminhou pelo apartamento tentando saber o que.
Como Sherlock costumava dizer “Você vê John, mas não observa”.
– Sherlock? – chamou o loiro.
John sabia que algo estava errado. Ele não imaginara aquele barulho. Tinha absoluta certeza que quem fizera aquele ruído foi Sherlock, sabia que ele estava no apartamento, mas por algum motivo ele estava se escondendo de John. Ele foi até o quarto do amigo, revirou tudo e não encontrou nada.
– Sherlock! – tornou a chamar.
Então John notou o que estava errado. Sua poltrona foi movida novamente. Ele não se encontrara mais ali. Mas não era isso que ia provocar o ruído que escutara.
Então ao chegar perto da escada que levava ao seu antigo quarto ele viu algo caído aos pés da escada. O violino de Sherlock se encontrava ali. Por algum milagre o instrumento não estava quebrado nem nada.
– Sherlock eu sei que você está ai. – John chamou.
Subiu as escadas e tentou entrar no seu antigo quarto. Estava trancado. Tentou chutar a porta, mas não queria abrir.
– Sherlock – John chamou agora mais alto – Por que você está se escondendo?
Não houve resposta.
– Eu sei que você está ai, vamos abre a maldita porta!
Também não houve resposta.
John suspirou frustrado.
– Olha eu estou preocupado com você. Aconteceu algo ou alguma informação que eu não posso saber? – perguntou.
Novamente a única coisa que se ouvira foi o silencio.
– Okay Sherlock, não fale comigo. Fique ai trancando no meu maldito quarto. Quando você parar de agir como um idiota, então podemos conversar.
John desceu as escadas batendo os pés, irritado. Olhou para a porta do quarto e então suspirou. Voltou a subir as escadas.
– Sherlock, eu realmente estou preocupado com você. Sou seu amigo apesar de tudo. Por favor, me diga o que está acontecendo para eu poder te ajudar como era antes. Lembra? Apenas nós dois contra o resto do mundo? – soltou uma risada triste.
Olhou para a porta e encostou a mão.
– Eu sinto sua falta – murmurou.
E então deu as costas e foi embora.
Quando John saiu do apartamento, parou repentinamente e olhou para a janela onde ficava o seu quarto pensando ter visto alguém o observando.
Ele balançou a cabeça e voltou a caminhar em direção a sua casa.
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