It Will Rain

5 Capítulo 4 - Remember The Time


Notas iniciais
Ei, gente! Desculpem-me pela demora! Eu estou completamente chateada por não ter conseguido postar antes! Eu achei que minha vida fosse ficar menos ocupada assim que entrasse de férias, mas surgiram alguns problemas, que envolvem até doenças :/
Ah, leiam as notas finais. É muito importante!
Enfim, espero que gostem do capítulo e vou parar de enrolação!

Terceira pessoa.


Charlie estava sentado em sua cadeira de couro muito confortável quando o telefone, que mantinha uma linha entre ele e os funcionários de sua empresa, tocou.

De má vontade, tirou o fone do gancho e atendeu.

– Sr. Swan? – a voz de sua secretária soou do outro lado da linha. – Há uma pessoa querendo falar com o senhor. O nome dele é Riley Biers.

Na sala de Charlie, um silêncio se fez mais que presente – era quase palpável. Sua respiração ficou ausente por poucos segundos – que, a seu ver, pareciam minutos –, mas foi o tempo suficiente para que sua secretária muito bem paga para tudo insistisse.

– Posso mandá-lo entrar, Sr. Swan?

Charlie piscou, saindo de seu choque momentâneo.

Ele sabia muito bem quem era Riley e o porquê de ele estar novamente em Nova York.

– Pode – murmurou, sua garganta ficando seca de repente. Charlie desligou e foi até uma estante que comportava várias garrafas de whisky, muitos deles trazidos de outros países.

Enquanto servia um pouco da bebida em um copo, a porta de sua sala foi aberta, revelando o belo rapaz alto.

– Charlie! – Riley exclamou com falsa animação.

Charlie pôs a mão no bolso da calça social importada da Itália, país de onde vinha toda sua família, enquanto a outra mão segurava o copo cheio. Ele não estava nervoso, mas calmo não era uma palavra que se aplicava a ele naquele momento. Talvez fosse algo entre esses dois sentimentos.

– O que veio fazer em Nova York, Riley?

O rapaz riu, passando as mãos em seus cabelos castanhos, que beiravam um tom de loiro escuro.

– O que você acha? – a voz de Riley soava extremamente irônica. – Vim te ver!

– Suma daqui – Charlie disse em sua voz autoritária, entredentes, mesmo sabendo que não funcionaria. Não com Riley, assim como deixou de funcionar com Isabella.

– Não posso – respondeu de forma simples, adquirindo um tom mais sério e, ao mesmo tempo, casual. – Você sabe... Vim buscar mais de tudo: dinheiro, Isabella... Quem sabe a mais nova?! Como é o nome dela? Norah?

– Não ouse encostar em Noah! – Charlie, subitamente, alterou a voz. – Nem em Isabella.

– Por que vocês as protege tanto, Charlie? Você não as ama...

Charlie bufou.

– Mas preciso delas para assumir a empresa. Um dia eu irei morrer, e elas são as herdeiras.

– Eu já disse que você tem a mim – Riley falou de forma cantarolada.

Os dois permaneceram em silêncio.

– Sua conta bancária foi abastecida para que você sustentasse ao menos cinco famílias com luxo pela sua vida inteira.

Riley se sentou na cadeira que Charlie, minutos antes, ocupava, analisando uma caneta de ouro.

– A libra esterlina esteve alta nos últimos anos... O custo de vida na Inglaterra é realmente muito caro...

– Eu falei para ficar em algum país com o dólar! Mesmo assim, foram mais de 50 milhões. Eu quase fui à falência! O que você fez com tudo isso?

– Ora, Charlie! Quanta ignorância a sua! Você é rico e sabe muito bem o que fazemos com o dinheiro – sua voz assumiu um tom mais malicioso então: – Jogos, viagens, propriedades, mulheres... Mas é claro que você sabe disso tudo, não é?

Charlie sabia de tudo e, principalmente, que Riley era um psicopata. Ele já o extorquira muito dinheiro e pretendia fazê-lo novamente. Uma coisa era certeza e poderia ser quase concreta de tão inegável: Charlie tinha medo do que Riley poderia fazer para conseguir o que queria.

– Quanto você quer? – ele foi direto. O whisky estava em sua mão ainda, o líquido do copo pela metade. Uma fina camada de suor brotava em sua testa.

Riley sorriu, convencido.

– Negociações: a melhor parte! – exclamou, repentinamente mais alegre. – Que tal o triplo da primeira vez?

O copo caiu da mão de Charlie.

– Triplo? Você está louco! – ele vociferou, passando as mãos livres nos cabelos negros e ralos.

– Ou é isso ou embebedo sua filha, a levo para Las Vegas, nos casamos e eu mato você e sua esposa – o sorriso triunfante no rosto de Riley sumiu, dando lugar a uma expressão ameaçadora, digna de um psicopata.

Sabendo que não haveria a menor saída para a situação, Charlie caminhou nervoso e tremendo para a gaveta de sua mesa, retirando um talão de cheques dali. Preencheu uma folha que faria o estômago de qualquer um sentir borboletas, embora não fosse o valor estipulado por Riley – ele não podia, não tinha condições, tampouco uma conta com todo aquele valor.

Certamente, Charlie tinha dinheiro. Muito mais que alguém poderia imaginar, e todo esse dinheiro estava em paraísos fiscais. Ele apenas não tinha uma conta daquele valor nos Estados Unidos.

– Ótimo – Riley se levantou após receber o cheque e caminhou até a porta da sala ampla, parando para olhar a folha em suas mãos. – Ah, eu não estou satisfeito. Ainda farei algumas visitas. Acho que Isabella sente minha falta.

E saiu, sem dar mais avisos.


Isabella Swan.


Eu havia visto poucas vezes aquela expressão no rosto dos meus amigos; a primeira vez foi quando contei-lhes sobre meu passado fatídico; a segunda vez foi no dia em que decidi mudar radicalmente minha personalidade.

Eles me encaravam pasmos. Engoli em seco, desejando que pudesse me teletransportar para qualquer lugar do mundo, talvez até fora dele, contanto que eu saísse imediatamente dali. Haveria perguntas e seus olhos denunciavam isso.

Alice abriu a boca, mas voltou a fechá-la, analisando minhas roupas.

Senti-me irritada, incomodada e humilhada – não por serem olhares julgadores, mas eram curiosos e eu me sentia como se estivesse nua.

– Vocês não querem sentar? – ouvi Edward perguntar para eles. Ele parecia estar alheio ao clima tenso, o que me fez acreditar que era apenas uma condição dentro de uma bolha que me mantive presa por, imaginava eu, cerca de um minuto.

Virei-me abruptamente, pronta para ignorá-los. Peguei um bloco de papel e uma caneta e fui anotar o pedido de um casal com aparentemente trinta anos no outro lado do estabelecimento.

– Vou querer um suco de morango – a mulher falou e olhou para o homem à sua frente.

– Um lanche natural – ele disse.

Quem ia até uma lanchonete especializada em doces e pedia um suco? Ainda mais com um lanche – um lanche salgado!

Reprimi a vontade de revirar os olhos e levei o pedido até a cozinha. Quando ia saindo do corredor longo e estreito atrás do balcão, esbarrei em alguém.

Eu estava pronta para pedir desculpas – não por vontade própria, mas para parecer uma funcionária educada – e, ao olhar alguns centímetros para baixo, notei que era Alice e ela parecia ter feito aquilo de propósito.

– Oh, Bella! – ela falou, fingindo grande surpresa. Revirei os olhos, como quem não acredita naquilo e ela entendeu. – O que aconteceu com você? Que roupas... Coloridas... Meu Deus!

Sua voz tinha um leve tom de desculpas por estar comentando sobre isso.

Vi, pela minha visão periférica, Emmett rindo estrondosamente e conversando com Edward.

Por que aquele garoto idiota estava conversando com os meus amigos? E por que diabos eu estava incomodada com isso?

– Estou trabalhando – voltei meus olhos para Alice ao dizer. – Irei morar sozinha e preciso de dinheiro para me sustentar.

Apesar de ser natural ela me perguntar o porquê de mais dinheiro, Alice não o fez. De todos os meus amigos – os verdadeiros –, ela era a que mais compreendia meus motivos para tudo, além de nunca desistir de mim, embora ela tivesse dado uma pausa.

Uma vez, ela me dissera que algo bom e maior aconteceria comigo, e que eu iria me arrepender de tudo o que estava fazendo.

Eu não acreditava nessa baboseira, é claro. Eu era quase como uma dependente química. Não tinha mais volta e, sinceramente, eu não me importava.

– Ah, hum... – Alice emitiu sons desconexos, torcendo as mãos. Um sorriso fraco, mas sincero, se projetou em seus lábios. – Que bom. Ficou feliz por você.

Assenti, sem jeito. Ela sorriu novamente e, sem dizer mais nada, se encaminhou para o banheiro.

Passei meus olhos pelo lugar e encontrei o olhar da loira chata me fuzilando; creio eu que era por estar parada enquanto ela trabalhava.

– Kate está brava porque você não está fazendo nada – uma voz aveludada soou no meu ouvido, próximo demais, sumindo tão rápida quanto chegou. Olhei para trás e vi Edward indo para a cozinha. Ele andava rápido, talvez arrependido por saber que, se ficasse, eu daria uma resposta à altura. Mas eu sabia que ele não estava arrependido e muito menos se sentia ameaçado – Edward era idiota e prepotente demais para isso.

Bufei, associando que a loira chata era a tal Kate.

Mas é claro que eu não acataria suas vontades. Primeiro porque ela não era ninguém; segundo porque eu adorava desafiar os outros. Ainda mais ela, que parecia ter a mania de se achar superior às pessoas.

Afundei em uma cadeira entre Jasper e Emmett, de frente para Rosalie e Noah, além do lugar vazio onde Alice devia estar sentada antes de ir ao banheiro.

– Oi – forcei um sorriso. – Como estão?

Até Emmett me olhou de forma estranha. Suspirei, tendo consciência que teria que falar tudo o que eles queriam saber. Estava explícito em seus rostos.

– Ah... Vou morar sozinha agora e preciso de dinheiro – eu disse, após perceber que eles estavam chocados demais para me responder. Vasculhei minha mente em busca de algo para acrescentar em minha fala idiota, mas tenho certeza que falhei. – Não é legal?!

– Não. Nem um pouco – Rosalie disse, sem hesitar. Eu pretendia dar uma resposta ignorante, mas Noah não deixou.

– Para onde a gente vai? – minha irmã quicava em sua cadeira, tomada pela expectativa e esperança de uma vida melhor e mais feliz.

Revirei os olhos e cruzei os braços sobre a mesa.

Nós não vamos a lugar algum. Eu vou – respondi, empregando um tom casual.

– Mas... – ela tentou protestar em vão.

– Parem de importunar a Bella – Alice ralhou, batendo seus saltos ao caminhar. – Afinal, há uma coisa muito mais interessante...

– O que é? – Jasper questionou.

Ele segurou a mão de Alice sobre a mesa, fazendo círculos na palma da mão dela, delicadamente. Desviei o olhar, olhando amargurada o movimento da rua através da grande janela.

– O 12º Campeonato Nacional de Patinação no Gelo – Rosalie praticamente cantarolou com sua voz suave. – Você tem certeza que fez uma boa escolha?

Então, todos os olhares da mesa se voltaram para mim.

– Claro – menti. – Quer dizer, é só desenferrujar. Não faz tanto tempo assim.

– É. Só três anos – Emmett disse, sarcasticamente. – Com direito a uma humilhação no último ano em que tentou.

É claro que ele tinha razão; três anos era tempo demais para uma patinadora. Ainda mais no gelo. Ainda mais pra quem não tinha uma coordenação motora sã. Ainda mais para mim!

Respirei fundo. Dei uma risada curta e baixa, mas sem humor algum.

– Só preciso treinar. Vou procurar meu professor essa semana... Acho que ele concordará em me ajudar – falei, orgulhosa de mim mesma por estar sendo controlada.

– Professor? Aquele pedaço de mau caminho? – Alice sorriu, suspirando. – O Alec? Acho que vou me auto convidar e vou ir com você aos treinos.

Revirei os olhos. Desde sempre Alice e Rosalie tinham uma queda pelo meu professor de patinação no gelo. Eu sabia que quando elas iam me acompanhar, não era realmente para apoiar-me; era apenas para admirar os músculos de certo moreno de cabelos lisos, com pele tão clara quanto a minha e olhos azuis.

Ele era lindo, e não tinha como negar. No entanto, devia estar, hoje, com uns 25 anos. Não que fosse velho demais, mas eu tinha certo trauma com caras mais velhos e que tendiam a um relacionamento amoroso.

Além de parecer um deus, Alec era gentil e engraçado, sem parecer extremamente retardado como Emmett – se bem que Emm era uma boa pessoa. Mesmo assim, isso não minimizava sua ausência de inteligência.

– Sim. É ele. E se for para ficar dando em cima de Alec, não deixarei vocês irem – respondi, fazendo pouco caso.

Rosalie murmurou algo como ‘possessiva’ e Alice me olhou ofendida.

– Oh, Bella! – ela disse, colocando uma mão no peito e escancarou a boca. – Como você pode pensar isso de mim? Sou uma mulher comprometida! Até parece que eu ficaria dando em cima de outro homem enquanto tenho o meu Jazz – suspirou apaixonada.

Como se Jasper fosse suficientemente bonito para prendê-la em um relacionamento. Ok, eu não sei o que ele tinha, mas ele a prendia; eu nunca, nunca, veria Alice traindo-o e nem falando de trair.

Ele sorriu para ela docemente. Revirei os olhos.

– Vocês são tão melosos – reclamei.

– São mesmo – Noah concordou. – É nojento.

Olhei para ela. Queria que ela tivesse esse pensamento pelos próximos vinte anos. Com toda a certeza, se fosse assim, ela não iria sofrer. Não como eu sofri. Ela já seria responsável por seus próprios atos.

– Aqui – ele murmurou, pousando uma bandeja na mesa. Edward mantinha seus olhos baixos enquanto entregava os pedidos, mas percebeu que parecia faltar algo ao não ter nada para colocar no lugar em que eu estava sentada. Ele franziu o cenho ao me olhar. – Tá fazendo o que aqui?

Emmett riu, com seu jeito nada discreto. Bufei e revirei os olhos.

– Eu trabalho aqui – fui irônica.

Edward continuou me encarando. Seu semblante mudava de curioso para irritado. Ele abriu a boca duas vezes, mas no final só bufou e saiu da mesa.

– Qual é o problema dele? – murmurei entredentes, brava. Emm riu novamente, enquanto todos trocavam olhares, como se conversassem por eles.

– Talvez o seu problema, Bella – Jasper murmurou. – Edward foi muito simpático e agradável com todos nós. Por que ele não seria do mesmo jeito com você?

Para mim, tinha acontecido algo com Jazz. Desde quando ele falava tanta coisa em um só minuto? Isso era inesperado – Jasper estava entrando em uma conversa sem que alguém o questionasse sobre algo ou chamasse sua atenção.

– É verdade – Alice disse, sorrindo e assentindo. – Poderíamos chamá-lo para sair qualquer dia. Onde ele mora? Podemos ir buscá-lo e ir jogar boliche! Vamos, Bella?

Eu estava indignada e tenho certeza que meu olhar mostrou isso para Alice.

– O que? – perguntou ela, inocentemente.

– Claro que não! – exclamei, exasperada. – Ele é um idiota! Odeio ele! Eu não tenho problema nenhum; ele tem. Tipo, ele se meteu na minha vida! Convidem-no para sair... Tenho certeza que ele vai recusar, como o perfeito antissocial que é.

Uma série de risadas apareceram de repente em minha mesa. Eu cruzei meus braços sobre o peito e empinei meu queixo. Meu orgulho estava ferido; por que eles estavam rindo de mim?

– Eu conheço casais que se formaram após esse ódio todo – Rosalie zombou. – Sabe, casais apaixonados mesmo... Tão melosos quando Alice e Jasper. E até que Edward é bonito. Adorei a cor dos olhos dele!

Emmett grunhiu e Noah continuou a fala de Rosalie:

– Ele é bonito mesmo – suspirou. – Bella, posso namorar ele? Eu sou bonita também, não sou, Allie?

Arregalei meus olhos, olhando para minha irmã, como se ela fosse falar que estava tirando uma com a minha cara.

– É claro... – Alice começou.

O que? – praticamente berrei.

–... Que você é bonita – a baixinha terminou.

– Vocês estão contra mim, é isso?! – consegui chamar a atenção de algumas pessoas que estavam sentadas perto da nossa mesa. Mas discrição era tudo o que eu não tinha no momento. – Até parece. Ele é idiota e... Droga! Por que eu estou discutindo isso?

Senti uma cutucada nada gentil nas minhas costas e me virei lentamente.

– Também me pergunto o porquê de você estar discutindo isso. Você não tem trabalho, menina? Há várias mesas para serem atendidas! – Kate, se pudesse, teria lançado raios lasers pelo olhar em minha direção. – Ah, e Edward não é pra você, querida.

A loira burra estava com os braços cruzados sobre o peito, apoiava o peso em apenas uma perna e tinha o maxilar travado. Era uma imagem digna de patricinha, com uma diferença: ela não tinha cacife para ser uma.

Eu tive vontade de rir de sua idiotice, mas suas provocações despertaram uma raiva comum em mim.

– Quem você acha que é? – perguntei, me levantando. Apesar da vontade de gritar, eu mantinha o tom de voz baixo e só as pessoas da mesa em que eu estava sentada percebiam o que estava acontecendo. – Você não pode mandar em nada aqui; você não é ninguém além de uma funcionária, assim como eu. Então, cale sua boca e vá trabalhar, porque quem dá ordens aqui é o gerente.

Eu fiz questão de ignorar o que dizia respeito a Edward, até porque não sabia o que falar. Eu não podia dizer que era melhor que alguém – podia dizer que eles não eram ninguém, mas outra coisa não – até porque, eu não me julgava a melhor pessoa do mundo.

Kate produziu um som baixo, fino e indignado, vindo do fundo de sua garganta. Eu pensei, no começo, que ela fosse me bater. Se estivesse no lugar dela, eu o faria. Mas ela só ficou quieta, me olhando com seu jeito idiota.

Saí de sua frente, esbarrando em seu ombro ao passar.

Pelo resto do dia, continuei meu trabalho quieta e raivosa, sem falar com alguém que não fosse um cliente.


Edward Cullen.


Eu observara a “briga” de Isabella e Kate de longe. Só eu vira, além dos amigos dela. Senti pena de Kate, porque eu sabia que a garota mimada e chata havia ofendido-a de alguma forma.

No fundo, eu tinha a impressão de que Isabella tinha seus motivos para ser do jeito que era, mas por mais difícil que fosse, por quê ela não tentava superar? Ela parecia, aos poucos, criar uma barreira entre si e as pessoas que a cercavam.

E eu tinha um imenso desejo de conhecê-la melhor, mesmo que ainda tivesse alguma aversão ao seu tipo de vida.

Isabella era o tipo de garota que nunca seria boa para pessoas como eu. Ela era mimada, fútil e egoísta. Ao menos, era o que parecia.

Quando Kate passou por mim, indo em direção ao banheiro, vi que ela estava quase chorando. Abaixei os olhos para o balcão que limpava e em seguida olhei para Isabella. Seus amigos já tinham ido embora – só depois que me fizeram prometer que sairia com eles – e ela tinha o olhar distante, sempre concentrada em anotar os pedidos.

Suspirei forte. Ela não tinha nada a ver comigo. E eu não tinha nada a ver com ela, portanto cada um com seus problemas.


[...]

Ao final do meu expediente, eu estava cansado e desejava intensamente chegar rápido em casa para dormir. Além de que ficar muito tempo sem Claire me deixava irritado.

Eu tinha criado uma forte ligação com ela ao longo dos anos, tornando-me superprotetor.

Conferi se não tinha ninguém na pequena sala destinada a funcionários e entrei. Fechei a porta e tirei minhas roupas da minha mochila, ao lado de uma bolsa desconhecida. Devia ser de Isabella... Uma curiosidade crescente me corroía por dentro para saber o que tinha ali.

Olhei diversas vezes para onde estava a mochila, enquanto me trocava. Ela devia ter o que eu imaginava: drogas e cigarros.

Mas eu ficaria só na imaginação?

Olhei para a porta e novamente para a mochila preta. Com movimentos rápidos, alcancei-a e abri o menor bolso. Havia um celular – o qual eu suspeitava ter sido caro o suficiente para que eu não tocasse nele – e uma carteira surrada. Fechei o zíper e fui para outro bolso. Esse continha uma corrente de prata com um anel fino.

Dentro do anel, pude ver que tinha algo gravado em uma letra trabalhada.

Riley – 22/03/08”.

Ela tinha um namorado, afinal. E devia estar prestes a ficar noiva, porque fazia tanto tempo... Seria esse namorado que a levara para as drogas? Ou ela tinha ido de livre e espontânea vontade?

Joguei a corrente de volta no bolso. Eu terminava de colocar a mochila no lugar em que ela estava antes quando alguém bateu na porta.

Meu coração disparou com o medo de ser pego – eu sabia que era muito feio e muito errado o que eu tinha feito, e estava profundamente envergonhado.

– Entra – falei, fingindo que mexia nas minhas coisas. Levantei a cabeça e vi Isabella me olhando curiosa. – O que?

Discretamente, engoli em seco, sorrindo vacilante. Isabella arqueou uma sobrancelha, caminhando lentamente para suas coisas. Eu esperava que tivesse colocado na posição que estava antes, porque se ela percebesse...

Mas ela não pareceu perceber. Apenas puxou sua mochila e tirou suas roupas de dentro.

– Nada – ela murmurou. – Eu... Por que você não gosta de mim? – franziu o cenho, me encarando.

Eu não podia negar que a achava linda; Isabella era a definição da beleza, em minha opinião. E, bom, eu tinha preferência por morenas. Eu já ficara um pouco encabulado uma vez, no dia em que nos conhecemos e fomos apresentados. Ela exalava uma indiferença que deixaria qualquer um envergonhado.

– Quer dizer – ela continuou, não me deixando responder –, nós não nos conhecemos e você foi tão ignorante comigo hoje... E na sexta-feira também. Eu não fiz nada pra você e não tenho nada contra você, ok? É chato esse clima estranho no trabalho... Podemos ao menos tentar sermos amigos?

Isabella estendeu a mão em minha direção. Eu olhei para seu rosto; ela mantinha um sorriso amigável e um olhar questionador – ela, claramente, estava se esforçando. Olhei para sua mão, arqueando as sobrancelhas.

Ela balançou a mão, tentando chamar minha atenção.

Então me lembrei do que ela tinha feito para Kate mais cedo. Por que Isabella queria um bom ambiente de trabalho? Aliás, por que ela queria ser minha amiga? Ela queria tentar uma amizade comigo?

Franzi o cenho. Guardei lentamente meu uniforme na mochila e voltei a encarar Isabella.

– Então? – ela insistiu.

– Pra quê? – eu não queria uma resposta, porque coloquei a alça da mochila no ombro e saí dali, deixando uma Isabella vermelha e brava para trás, com sua mão estendida.

Ao sair da lanchonete, não tive como não rir. Ver a expressão de menina-que-se-acha-superior de Isabella desmoronando foi realmente engraçado, embora eu soubesse que ela não concordaria comigo e seria capaz de me desferir um soco no nariz.

Caminhei com pressa para conseguir chegar a tempo de pegar o ônibus que me deixaria perto do orfanato. Então, eu teria que andar só um pouco até minha cama...

Andar pelas ruas do Brooklyn não era uma coisa fácil de acostumar, por mais que tivesse se tornado uma rotina para mim.

Havia partes bem cuidadas, com alguns comércios simples. Havia movimentação de pessoas retornando de seus trabalhos, ou algumas mães buscando seus filhos em escolhas públicas.

Já em outras partes, o negócio começava a piorar. Poucas pessoas andavam ali, não havia quase nenhum comércio e os prédios e casas eram feios. As pinturas descascavam, algumas goteiras faziam um barulho ritmado e incomodo.

Quando eu passei em frente ao beco que vira Isabella saindo na semana passada, soube que já estava perto do orfanato.

Acelerei meus passos e quando abri o portão com a chave que Sue me dera – segundo ela eu tinha que parar de incomodá-la –, entrei pela porta grande de madeira logo na frente do grande casarão que não era tão bem cuidado, vi uma movimentação de Claire.

– Quem é? – ela perguntou, se remexendo debaixo das cobertas no sofá. Esme estava com ela deitada em seu colo.

– É o Edward, querida – Esme respondeu com sua voz suave e maternal.

Havia muitas pessoas na sala, em sua maioria crianças. Eles estavam reunidos para assistir um filme, que reconheci como Rei Leão. No caso de Claire, ela apenas escutava atentamente.

– Olá, princesa – atravessei a sala e me abaixei ao lado de Claire, sentando-me no chão. Ela sorriu e eu dei um beijo em sua bochecha. – Tudo bem?

– Tudo, Ed – Claire sorriu e abraçou meu pescoço. Ela não me soltou e, após um tempo, começou a mexer em meus cabelos.

O filme estava no final quando Esme chamou minha atenção.

– Edward, Carlisle estava querendo falar com você – ela sussurrou e notei que Claire dormia já. Esme seguiu meu olhar e sorriu docemente. – Ela se recusou a dormir antes que você chegasse.

Sorri também.

– Ele está no escritório? – perguntei. Esme assentiu. Dei um beijo em sua testa e outro em Claire. – Vou lá.

A casa, sem as crianças para trafegar nela, ficava silenciosa. A maioria já cochilava na sala, após ter assistido o filme.

Bati na porta do escritório e Carlisle me mandou entrar.

– Oi – murmurei, sentando-me em uma cadeira na frente de sua mesa. – Algum problema?

Carlisle tinha o semblante feliz, o que me fez acreditar que não era nada muito triste ou chato para que ele falasse. Após nossa conversa no começo do ano – a qual ele me informara que assim que completasse dezoito anos, teria que sair do orfanato –, eu não acreditava que existisse algo muito preocupante que o deixaria aflito para me contar.

– Não. Apenas uma coisa boa – ele sorriu. Carlisle ainda era jovem e bonito. Eu acreditava que se não fosse o problema de Esme para ter filhos, eles teriam vários e amariam muito todos eles. Os dois possuíam um coração incrível; do contrário, eu acho que não aceitariam lecionar em um orfanato, recebendo muito pouco para isso.

Mexi-me na cadeira, ansioso.

– Esme e eu conseguimos pagar uma consulta para Claire em um médico bom hoje à tarde; ele a examinou e disse que poderíamos tentar um transplante de córneas. Só que é uma cirurgia que não temos condições de pagar... Pode ser que demore um pouco, então.

Eu alternava entre felicidade e preocupação. Felicidade porque minha pequena poderia ter sua visão de volta, mas preocupação porque eu sabia – já tinha pesquisado sobre isso, tanto pelo meu interesse em Claire, quanto pelo meu interesse em Medicina – que poderia dar certo, assim como tinha grandes chances das células morrerem sem que a pessoa tivesse a mínima chance de voltar a ver.

No final, eu apenas sorri.

– Claire já sabe que pode voltar a enxergar? – perguntei.

– Não – Carlisle respondeu. – Achamos melhor não dizer isso. Só você sabe. Não queremos criar expectativas se algo der errado.

Meu sorriso vacilou. Eu não queria que ela sofresse. Eu queria que os pais dela sofressem. Aqueles que tiraram sua visão de tanto agredi-la e depois a abandonaram na rua. Por sorte, Esme a achou quando saiu para ir ao supermercado.

– Tudo bem – murmurei, recuperando meu sorriso torto. – Podemos tentar.

Eu só teria que trabalhar minha mente para isso. E teria que me segurar e não contar a novidade para Claire, que perceberia, de algum modo, meus momentos pensativos.

Logo após sair do escritório de Carlisle, fui tomar um banho. Ao chegar em meu quarto, Claire, como era habitual, não estava lá. Esme deveria tê-la levado para o dormitório das meninas, mas eu sabia que no meio da noite uma figura minúscula e delicada tatearia minha cama, tentando me encontrar.

Isabella Swan.


Acho que nunca senti tanta raiva de alguém como senti de Edward hoje. Não, já senti essa raiva antes várias vezes, aliás.

Eu não entendia porque me importava com ele. Porque queria uma amizade ou algo parecido? Edward, essa tarde, conseguiu me convencer de que ele era a pessoa mais infantil e besta que eu conhecia. Nem Noah era assim, droga!

Mas por mais infantil e idiota que fosse, eu estava momentaneamente atraída por ele. Eu adorava provocá-lo, e vê-lo corando de raiva ou até de vergonha. Era... Prazeroso. Porque eu sentira que eu exercia algo com apenas meu olhar que o deixava sem graça.

Isso só aumentava meu orgulho.

Consegui, enfim, desviar meus pensamentos ao sair da lanchonete. Eu precisava conversar com Charlie.

Eu iria arranjar um jeito de conseguir meu Volvo de volta, assim como iria entrar em contato com a pessoa que me venderia o apartamento. Eu pretendia, o quanto antes, me mudar para lá.

Charlie não estaria em casa a essa hora, então fui direto para a empresa. O prédio era grande e espelhado por fora. Eu não sabia ao certo quantos andares tinha, mas pareciam, no mínimo, 22 andares.

Eu deixei a moto no estacionamento subsolo e, ignorando o porteiro do prédio, entrei no elevador. Apertei o último botão, que confirmei como sendo o décimo segundo andar.

A secretária ficou me olhando assim que saí do elevador. Ela me cumprimentara, mas eu não prestara atenção nisso. Ela tinha cara de vadia e eu suspeitava muito que Charlie traía Renée com ela.

Eu não bati na porta do escritório de Charlie e nem fiz qualquer cerimônia para entrar. Girei a maçaneta e ele me olhou espantado.

– O que quer aqui, Isabella? – perguntou. Charlie estava sentado em sua cadeira e tinha a cabeça sobre suas mãos. Ele parecia preocupado, mas não deixava de ser frio e grosso comigo.

Joguei-me na cadeira à sua frente.

– Nada de muito importante – falei. – Só vim avisar que vou comprar o apartamento que achei. É ótimo, mas eu preciso de um cheque, então...?

– E quanto é? – ele perguntou, respirando fundo e tirando uma folha de cheque da gaveta de sua mesa.

– Meio milhão – respondi, fazendo pouco caso.

O que? Isso é uma casa ou um apartamento? Vocês estão querendo me levar à falência, só pode! – Charlie exclamou, arregalando seus olhos.

Franzi o cenho e encarei-o com curiosidade.

Vocês quem? – perguntei. Charlie não respondeu e me encarou por algum tempo, antes de pegar sua caneta e preencher o cheque.

Renée estaria pedindo dinheiro a Charlie? Isso era estranho, porque pelo que eu sabia, ela tinha sua própria conta no banco, que nunca ficava vazia. Então, eu deduziria que outra pessoa pedira dinheiro para o meu padrasto; bom, Noah era impossível.

Acabei dando de ombros.

– Ah, e mais uma coisa – continuei. Vi que Charlie assinou o cheque e deslizou-o pela mesa, até que chegasse a mim. – Quero meu carro de volta. Acho que está na hora, não é? Andar com outros carros e motos não é uma coisa legal. O Volvo sente minha falta.

E eu sentia a dele.

Charlie respirou fundo e pegou algo em sua gaveta, novamente. Vi que era a chave do meu bebê quando ele a estendeu para mim. Sorri, apesar de achá-lo muito estranho. Voltei a franzir o cenho, em curiosidade.

– Aconteceu alguma coisa? – estendi minha mão para pegar a chave, como se ela pudesse fugir a qualquer momento.

– Nada – ele respirou fundo novamente. Opa, aconteceu sim.

– Ok, não sou má ouvinte – eu disse, a curiosidade me corroendo por dentro.

Charlie semicerrou os olhos para mim. Arqueei as sobrancelhas, esperando, embora achasse que ele não fosse falar nada.

– Não é nada – seu tom de voz era irritado agora.

É, ele não me falaria nada. Na verdade, eu estava provocando-o.

– Tá – murmurei. Levantei da cadeira, levando o cheque e a preciosa chave do meu carro junto comigo. Eu ia saindo do escritório quando Charlie pigarreou. – O que?

– Tome cuidado – ele me alertou.

Girei em meus calcanhares, olhando-o melhor. Charlie estaria delirando em febre? Ele nunca me dera um aviso assim, e não parecia uma ameaça. Arfei levemente, tentando entender aquilo. Ele estava tão... Estranho...

– Com o que? – questionei.

– Com nada em especial. Só se cuide – murmurou como se estivesse apenas dizendo “Está um dia bonito hoje!”.

Balancei a cabeça levemente.

– Você está... Preocupado comigo? – não pude deixar de provocar.

– E se eu estiver? – Charlie revirou os olhos e cruzou as mãos sobre sua barriga.

– Você está preocupado comigo – eu disse mais para mim mesma, tentando acreditar nisso. – Você está bem? Quer dizer... Você nunca se preocupou comigo, muito pelo contrário, você...

– Cale a boca, Isabella – ele me interrompeu. Abri a boca levemente, pronta para retrucar. – Suma daqui logo, vamos! – Charlie balançou a mão, fazendo um gesto para que eu abrisse logo a porta.

Girei a maçaneta e voltei a encará-lo.

– Ok. Hum... Obrigada, tá?! Tchau – eu saí dali antes que algo estranho voltasse a acontecer.

Ele estava estranho, muito estranho. Havia acontecido algo que eu pretendia descobrir. Até porque eu me achava uma das pessoas mais curiosas do mundo.

Mas a verdade é que Charlie era muito mais... Humano que Renée. Apesar de ter feito tudo o que fez comigo – eu nunca esqueceria e sempre o odiaria por isso –, ele sempre foi mais compreensível, ou ao menos não me julgava ou arranjava sempre uma oportunidade de me xingar.

Eu não poderia levar a moto e o carro de uma vez. Optei por levar a moto. Seria mais fácil e amanhã eu voltaria e buscaria meu tão amado Volvo. É claro que, antes de partir, passei onde ele estava para ver se estava bem. Bom, nenhum arranhado, amassado ou qualquer outra coisa que poderia me deixar com um instinto caçador para saber quem tinha feito aquilo com meu bebê.

Voltei para casa, indo direto para o meu quarto. Eu tinha certeza que Noah já estava em casa, porque ouvi a voz da Hannah Montana na televisão de seu quarto.

Antes de tudo, tomei um banho para relaxar. Eu realmente estava cansada e me perguntei por quanto tempo a mais aguentaria esse emprego. E eu mal tinha começado! Era meu primeiro dia e eu já queria as contas...

Mas eu aguentaria e não me mostraria uma fracassada. Eu não era uma e jamais seria. Jamais.

Assim que sai do banho, coloquei uma calcinha confortável e uma camiseta comprida, que cobria grande parte do meu corpo. Por mais que eu estivesse morrendo de sono, forcei-me a tirar todas as minhas roupas de dentro do guarda-roupa e colocá-las em malas grandes. Eu não iria levar tudo, até porque o closet do apartamento não era lá aquelas coisas.

Separei o essencial e, ao puxar um par de botas pretas da parte de cima do meu armário, uma caixa caiu quase em cima de mim. Praguejei baixinho.

Minha primeira reação foi ofegar. A segunda, foi a surpresa por não ver aquelas coisas há três anos.

A terceira foram as lágrimas vindo aos meus olhos, inevitavelmente.

Ali estavam todas as coisas que eu evitara ver por tanto tempo; fotos, presentes e cartas de Riley enchiam a caixa. Coisas que eu pensava – eu me forçava a acreditar – que não teriam mais importância alguma para mim quando, na verdade, eu só escondia porque era fraca para enfrentar tudo aquilo novamente.

Larguei as botas no chão e me abaixei, sentando-me perto da caixa aberta, com seu conteúdo espalhado à minha frente.


Alice me perguntara uma vez por que eu não queimava aquelas coisas; eu respondera que elas não tinham importância, e que queimadas ou não, eu jamais mexeria ou lembraria delas. No entanto, nesse momento, eu me encontrava em um forte estado de torpor, no qual eu não fazia questão de sair.

A cada segundo que se passava, eu só cultivava mais a certeza de que eu era masoquista. Ver as lembranças – tanto boas como ruins – não era a coisa certa a se fazer, até porque eu tinha trauma.

Com a mão trêmula, peguei uma foto em meio a tantas. Eu estava junto de Riley, que me abraçava por trás e sorria.


Flashback On.


Riley me abraçava ternamente enquanto eu lia meu livro de biologia, estudando para a prova que teria no dia seguinte. Ele mexia em meus cabelos e aquilo me dava tanto sono que eu já bocejava.

– Quer que eu pare? – perguntou em meu ouvido, sussurrando de forma calma e sensual. Eu cheguei à conclusão de que ele não fazia aquilo de propósito; para Riley, era impossível não ser completamente perfeito. Ele nascera assim.

Eu fiquei arrepiada, como sempre ficava quando ele fazia algo do tipo, embora seus gestos parecessem inocentes.

– Não – murmurei, tentando voltar minha concentração para o texto que lia. Encostei minha cabeça no peito de Riley, dobrei os joelhos e coloquei o livro sobre eles.

Estava um dia bonito. Era final de Junho, verão em Nova York. O sol, no entanto, não era incomodo algum, já que estávamos sentados debaixo de uma das imensas árvores do Central Park.

Perto de Riley, eu me sentia protegida. Eu sabia que ele jamais seria capaz de me fazer algum mal. Somente sua presença me acalmava e fazia bem para mim. Afinal, ele sempre dizia que me amava, assim como eu o amava.

Aos quatorze anos, eu já achava minha vida perfeita, apesar de morar com Charlie e Renée. A presença deles era minimizada quando Riley estava por perto. Ele me trazia alegria.

– Você vai me ignorar pelo resto da tarde? – Riley perguntou, bufando impaciente enquanto deslizava os dedos pelo meu braço, em uma carícia suave.

Revirei os olhos, divertida.

– Não estou te ignorando. Você já terminou a escola, mas eu preciso estudar muito ainda – respondi, sorrindo. – Até porque tenho prova amanhã.

– É que eu queria conversar com você – ele falou com a voz manhosa. Olhei para Riley e ele fazia um bico. Foi impossível não rir. – Ei!

Dei um selinho nele, que não se contentou. Riley praticamente me agarrava em público. Levei minha mão até sua nuca, aprofundando o beijo, deixando que sua língua adentrasse em minha boca.

Em algum momento, eu estava deitada por cima dele que, por sua vez, estava deitado sobre a grama verde e bem cuidada, segurando possessivamente em minha cintura, puxando-me cada vez mais para si.

Ele era sempre assim; não apenas nos momentos que eram somente nossos, mas Riley sempre conseguia ser possessivo ao extremo. Diversas vezes ele fizera algumas cenas de ciúmes porque eu conversara com algum colega de classe.

No final, eu o ignorava e dava um beijo; tudo estava resolvido.

Afastei-me ofegante e corei absurdamente. Ele riu.

– Conversar? – indaguei incrédula. – Não é o que parece.

Riley sorriu e se levantou, comigo em seu colo agora. Ele voltou a me abraçar e deixou um beijo carinhoso em meu pescoço.

– É, bom, eu ainda quero conversar – disse. – Você sabe que eu te amo, não sabe?

– Eu também te amo – deitei minha cabeça em seu ombro e suspirei feliz.

– Nós já estamos juntos há quase três meses – continuou, misterioso –, e acho que já é tempo suficiente para que eu faça o que sempre quis desde o momento em que te vi pela primeira vez...

Riley não continuou a falar e fiquei curiosa. Me mexi em seu colo, tentando olhar atentamente para seu rosto perfeito. Tudo nele era lindo; para mim, sua beleza era inigualável. Seu nariz fino e delicado, seus olhos incrivelmente verdes que me faziam ficar sem jeito quando ele me olhava profundamente, seus lábios cheios e vermelhos... Às vezes eu me perguntava como ele podia ter se apaixonado por mim – por mim! Eu, que era feia e sem graça, magra e sem peito algum. Mas eu sabia que iria melhorar algum dia, eu tinha só quatorze anos, afinal. Riley sempre deixava isso bem claro e dissera que esperaria o momento em que eu estivesse pronta para ele.

– Aonde você quer chegar? – questionei-o, a ansiedade tomando conta de mim.

Eu acho que sabia o que ele queria dizer com toda aquela enrolação; eu esperava pelo momento em que ele chegaria em mim e falaria que estávamos namorando há tempo suficiente para que pudéssemos transar, porque seria o que qualquer casal normal faria. Entretanto, eu não estava preparada para isso – sexo era algo que eu tinha medo e vergonha. Eu não queria ficar nua na frente dele, para que ele percebesse que eu era ridícula e impossível de ser desejada. Apesar de ser paciente, eu sabia que Riley era homem e tinha seus desejos, porque era impossível não notar seu estado de excitação quando estávamos entre beijos e carícias quentes.

– Eu quero... – ele sussurrou, mexendo-se e tirando algo de seu bolso. – Não, você tem que querer, na verdade... – umedeceu os lábios, sorrindo de repente. – Você quer namorar comigo?

Eu prendi a respiração, xingando-me silenciosamente. Como eu podia...? Eu havia sido tão estúpida ao pensar que ele fosse querer terminar comigo! E, no entanto, ele estava me pedindo em namoro. Ele. Eu. Riley e eu oficializando nosso relacionamento, para que todos pudessem ver que ele tinha alguém, assim como aconteceria comigo...

Senti meus olhos lacrimejando e olhei para ele.

– Amor? – chamou minha atenção gentilmente e só então notei a caixinha aberta que me aguardava. Dentro dela havia dois anéis prateados não muito grossos, de tamanhos diferentes. O meu e o dele.

Sorri.

– É claro – sussurrei com minha voz falha de emoção. Riley sorriu também, segurando em minha mão direita, encaixando o anel em meu dedo anelar, após me mostrar o que estava gravado dentro dele. Era seu nome, com a data em que nos conhecemos.

Eu fiz o mesmo com ele, vendo meu nome gravado. Em seguida, Riley me beijou ternamente.

– Obrigada por me fazer tão feliz – eu disse, segurando seu rosto entre minhas mãos, sem deixar de observar o brilho do anel.

– Devo dizer o mesmo – falou, virando o rosto minimamente para beijar a palma da minha mão. – Não é uma aliança de noivado. Eu pretendo fazer algo muito mais especial. É apenas um anel de compromisso, para mostrar aos outros que você não está disponível. E, se depender de mim, nunca estará.

– Sou sua – murmurei com meus lábios colados nos dele. – Para sempre.


Flashback Off.


Aquela foto tinha sido do dia em que ele me pedira em namoro. Riley pedira para que uma menina desconhecida tirasse a foto com a máquina digital que ele levara. No dia seguinte, ele me entregou a cópia, que eu guardara com carinho após escrever a data no verso.

Em um momento, eu me encontrava com raiva do que tinha acontecido entre mim e Edward. No outro, eu soluçava por Riley.

Tudo o que ele me fizera não diminuíra meu amor e saudade por ele. E, de novo, eu me achava masoquista.

Encolhi-me, abraçando meus joelhos, olhando fixamente para a foto em minhas mãos. No chão, ainda havia uma pequena necessaire que continha objetos que eu não fazia questão de olhar. Eu sabia o que era e sabia que me traria mais lembranças e dor.

Voltei a encarar a foto. Eu parecia feliz. Não, eu estava feliz. Eu estava sendo enganada e em momento algum percebi tal coisa, o que me fazia ser mais idiota do que sempre fui.

Com ódio de mim mesma, rasguei a foto, amassando todos os pedaços picados em seguida. Levantei-me rapidamente, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto ainda. Andei até o banheiro, com passos decididos e altos.

Eu sabia o que tinha que fazer. Aliás, era o que eu fazia sempre. Peguei a lâmina que estava dentro de uma gaveta e passei nos meus pulsos, em um movimento rápido e bruto.

Percebi que talvez tivesse ido fundo demais. Eu conseguira encontrar uma veia grossa e azulada sobre minha pele branca. O sangue fluía facilmente, escorrendo por meu braço e pingando no chão. Ajoelhei-me, encostada na parede.

A dor era enorme e os cortes ardiam. Estendi o braço e examinei. Então, comecei a brincar com a lâmina naquele lugar, fazendo outros cortes menores.

Em algum tempo, sem que eu ao menos percebesse, adormeci. Ou desmaiei. Eu já não escutava mais meus soluços, nem sentia mais o cheiro forte do sangue. Em algum lugar da minha mente, uma voz me chamava, mas eu simplesmente não tinha forças para acordar.

E nem queria.

Notas finais
Tenso, né? Sou má mesmo, hihi. Eu estou mega curiosa pra saber o que vocês acham que aconteceu no passado da Bella! No primeiro capítulo, uma palavra que coloquei diz TUDO. Eu só fui reparar isso depois de postar.
Ah, e eu queria agradecer muito, muito, muito a Liliane Westesaid e a Mandy Alonso que deixaram recomendações lindas! Own, eu amei, meninas! Vocês são demais!
E claro, todas as outras garotas que sempre comentam s2 Adoro os reviews de vocês!
Temos uma beta, gente! É a Cah_Dalmuth - que eu chamo de Julie - e ela tem me ajudado bastante (: Deem boas-vindas à essa coisinha linda que super me ajudou na música do capítulo ^^
É isso. Eu acho. Sempre esqueço de alguma coisa... Ah, não julguem a Bella antes da hora, sim? Apesar de que eu adoro vocês comentando sobre ela! Coitadinha.
Bom, vou indo! Deixem reviews e recomendações!
Beijos :*