It Will Rain

6 Capítulo 5 - Surprise


Notas iniciais
Ei, coisas lindas!
Adorei os reviews do capítulo passado s2 Já vou respondê-los.
Esse capítulo está mais... 'Light'. Mas é por pouco tempo, hihi. Assim que o Riley aparecer de vez, a coisa fica tensa.
Ah, e quem já se perguntou como eu imagino as duas menininhas lindas dessa história, pra mim elas são assim:
Claire - http://i43.tinypic.com/11ccdmx.jpg
Noah - http://i39.tinypic.com/2gshpvk.jpg com uma mistura dela: http://i40.tinypic.com/2vtuwkx.jpg
Boa leitura (:

Isabella Swan.


Caminhei lentamente até a mesa mais afastada do refeitório, carregando uma bandeja cheia de comida nada saudável comigo. Alice, Jasper, Emmett e Rosalie me esperavam em uma mesa afastada de todos.

– Não sei por que querem minha companhia – resmunguei pousando a bandeja com força na mesa. Emmett puxou uma cadeira ao seu lado e me sentei nela. Com toda sua delicadeza, passou um braço sobre meus ombros. Apenas revirei os olhos.

– Deve ser porque adoramos o seu bom humor – Rosalie não perdeu a oportunidade. Eu sabia que ela gostava de mim, mas tinha uma aversão por minha vida pós-Riley. – Ainda mais quando se mistura com sua empolgação matinal.

– Rose – Jasper repreendeu tanto Rosalie quanto Alice com um olhar, que segurava a risada.

Limitei-me a bufar.

– Você já falou com o Alec? – Alice perguntou empolgada.

Abri a garrafinha de refrigerante com uma lentidão exagerada. Tomei um gole do líquido e abri o pacote lacrado do bolo de chocolate com confeitos coloridos.

– Não – respondi finalmente para, em seguida, dar uma mordida em meu bolo.

Não era gostoso como aparentava, mas no momento parecia ser a melhor coisa que eu já tivesse comido, visto que eu não comia há mais de... Há mais de 24 horas.

Acabei por não me surpreender – eu já ficara mais de 48 horas sem comer, o que era comum para mim, mesmo morrendo de fome. Quando eu não aguentava mais, partia para as drogas que, momentaneamente, faziam-me esquecer do meu desejo por comida.

– Por que não? – Alice quis saber, debruçando-se sobre a mesa, curiosa. Ela estava pedindo para ser respondida de má forma.

– Não deu tempo – respirei fundo. – Eu cheguei do meu excelente primeiro dia de trabalho cansada e tive que arrumar minhas coisas para ir pro apartamento.

Lembrei que não havia acabado de guardar as minhas roupas, até porque Mary não deixara, sedando-me com um remédio forte.


Flashback On.


Senti uma mão pequena e delicada me balançando.

– Bella? – uma voz suplicava chorosa. Minha cabeça doía e eu sentia meus pulsos e minhas coxas molhando-se com algo pegajoso.

Meu nariz e garganta ardiam por dentro, mas eu não conseguia fazer parar ou pedir ajuda. Eu também tentava abrir os olhos, mas parecia um trabalho árduo e desgastante.

– Acorda, Bella! – reconheci a voz como sendo infantil. – Você se machucou, mana! Vai! Acorda...

Era Noah, eu acho.

Minha mente tentava associar aquelas palavras ao mesmo tempo em que buscava informações de como eu havia me machucado.

No entanto, parecia tão difícil... Até puxar o ar para meus pulmões parecia uma tarefa complexa.

– Mary! – a voz de Noah parecia, a cada segundo, mais distante. – Mary! A Bella se machucou e não quer acordar! Vem... – e eu já não estava escutando mais.

Em um momento, eu estava sendo arrastada para a escuridão. Meus sentidos tinham se desligado por alguns segundos ou até minutos; no outro, eu podia sentir o cheiro de algo forte que queimava meus pulmões.

– Mas que porra...? – praguejei, encontrando, finalmente, minha voz, embora estivesse rouca e fraca. Sem contar minha cabeça, que parecia que iria explodir a qualquer momento.

Pisquei várias vezes, tentando me acostumar com a luz forte e as imagens que começavam a tomar forma em meu cérebro.

Consegui focalizar, enfim, em algo que pareciam três babás da minha irmã. Franzi o cenho, grogue.

O cheiro forte se distanciou e consegui respirar direito.

– Noah... – Mary chamou. – Saia daqui. Já deve estar passando Bob Esponja, querida. Vá assistir televisão em seu quarto.

Assim que Noah saiu, relutante, Mary se virou pra mim com o semblante confuso, triste e levemente irritado. Ameacei um revirar de olhos, mas minha cabeça doía demais para tal ato.

– Faz quanto tempo que você não come, Bella? – Mary segurou em minha mão ensanguentada, puxando-me para cima. Eu consegui me levantar, um pouco tonta e usei a pia do banheiro como apoio.

Algumas imagens vieram à minha cabeça. Eu havia me cortado; e havia sido profundo. Então, perdera o suficiente de sangue para que desmaiasse, porque estava sem alimento algum no estômago.

– Você está pálida e... – ela abriu a boca para continuar, mas ao invés disso, encarou meus pulsos. – Você tinha prometido que pararia com isso. Isso é autodestruição, Isabella! Você está se matando aos poucos!

Sua frase, por mais que pudesse, não tinha o tom de acusação. Ela estava se lamentando e me perguntei o porquê. Afinal, ela não tinha culpa de nada.

Eu continuei em silêncio, sem saber o que responder. Meus pulsos ardiam e eu tinha vontade de ficar sozinha.

– Olhe para mim, Bella – Mary pediu. Levantei a cabeça, encarando seus olhos cansados e tristes. – Você quer continuar indo em um psicólogo? Vai ser bom.

– Não – respondi imediatamente, com a garganta seca. Era uma resposta curta, fria e grossa.

– Pense bem – murmurou. – Vou te dar um banho.

Quando Mary disse aquilo, tive vontade de dizer que eu não era mais um bebê que precisava de cuidados. Entretanto, algo me dizia que mesmo que eu protestasse, ela iria fazer o que queria. Deixei, então, que ela tirasse minha blusa e roupa íntima.

Fui andando de boa vontade até o chuveiro e quando Mary o ligou, estremeci involuntariamente. Não porque estivesse com frio, já que a água era quente e confortável, mas porque os cortes ardiam e pinicavam.

– Ai. Isso dói – reclamei. Mary revirou os olhos.

– Você se corta e depois reclama da dor? – ela perguntou. Preferi ficar calada para não receber outro coice desses. Ela tinha razão.

Em segundos, a água começou a esfriar. Mary agarrou meus pulsos e deixou que a água caísse em cima deles. Eu puxei-os rapidamente, mas ela me lançou um olhar feio que me fez deixá-la limpar os machucados.

Suas mãos habilidosas e gentis tiravam o sangue da minha pele, e logo depois ela já me lavava. Eu parecia uma criança, mas gostava disso. Era bom ser cuidada por alguém. Mary parecia muito mais minha mãe que Renée.

Mary não me perguntou mais nada. Ela não era o tipo de pessoa que costumava julgar os outros; isso era bom, porque ela me entendia e dava o espaço que eu precisava. Eu não era do tipo sentimental que desabafava com outras pessoas – não mais – e ela percebera.

O banho não durou muito, até porque eu já começava a reclamar soltando suspiros altos e impacientes. Mary me enrolou em uma toalha fofa e grande, levando-me até o quarto.

– Se seque e coloque uma roupa – falou, me deixando sentada na cama, com as pontas do cabelo pingando. – Vou buscar um remédio e curativos.

Assim que Mary saiu do quarto – esquecendo a porta aberta –, comecei a passar a toalha de modo delicado por meu corpo, dando atenção aos machucados.

Eu sabia que era errado me arrepender, porque eu fizera aquilo estando consciente de meus atos, mas eu me arrependia, afinal. Eu sempre tinha um lapso de consciência e, após a automutilação, me perguntava se minha vida teria sido muito diferente se eu não tivesse conhecido Riley.

É claro que teria sido; eu não teria sofrido como sofri. Eu não lutaria para esquecer as lembranças marcadas em minha mente e não tentaria, a cada dia que se passava, manter meu coração cicatrizado – era como uma ferida, e quanto mais eu mexia, mais ela se abria.

Pousei meu pulso esquerdo em minha coxa e encarei a cicatriz que começava a se formar ali. Não doía tanto agora; eu tinha dores maiores para me preocupar.

Procurei uma roupa entre as que sobraram em meu guarda-roupa. Foi inevitável não olhar para a caixa jogada no chão. Ainda com a toalha enrolada em meu corpo, me abaixei e juntei tudo, guardando.

Os pequenos pedaços da foto que eu rasgara estavam ali, esquecidos. Com eles nas mãos, levei até a janela alta do meu quarto e joguei-os no jardim, embora eu soubesse que eles não cairiam na grama que havia logo abaixo; eles voaram, para bem longe.

Voltei a atenção para minhas roupas, escolhendo algo semelhante ao que eu usava antes de sujar o tecido com sangue. Eu estava terminando de guardar a caixa dentro de uma mala vazia para levar para o apartamento quando Mary entrou no quarto sendo seguida por uma Noah sonolenta, que carregava um bicho de pelúcia pela orelha, sendo arrastado no chão.

– Como você se machucou, Bella? – Noah perguntou, impulsionando seu corpo para pular em minha cama alta. Ela engatinhou sobre seus joelhos até o meio da cama e se sentou ali.

– Me cortei – respondi, sabendo que ela não entenderia o verdadeiro sentido das minhas palavras, porque ela simplesmente pensaria que fora um acidente. Sentei na beirada da cama, sendo guiada pela mão de Mary em meu ombro.

– Mas Mary vai cuidar de você, né? – Mary assentiu sorridente, abrindo a caixa de remédios e procurando uma pomada. – Você vai ficar bem – Noah veio para o meu lado e beijou minha bochecha ternamente.

Dei um meio sorriso e deixei que Mary passasse a pomada em meus pulsos, para colocar fitas adesivas – devo ressaltar que tinham desenho de bichinhos – nos machucados depois.

– Pronto, querida – Mary disse, guardando as coisas. Sorri em agradecimento. – Noah, está tarde já. Você precisa dormir. Ah, Bella, tome o remédio que deixei em sua escrivaninha – apontou para lá.

Peguei o comprimido e fui até o banheiro, usando a garrafinha de água que eu geralmente deixava ali.

– Posso dormir com a minha irmã? – ouvi Noah perguntar a Mary em meu quarto. – Bella, você deixa? – ela perguntou mais alto.

Voltei para o quarto e vi que Noah já estava debaixo dos lençóis e que Mary ligava o ar-condicionado. Revirei os olhos; por que logo hoje?

– Você tem sua cama – respondi, deitando-me ao seu lado. Noah girou na cama, vindo para cima de mim – Ai! – reclamei.

– Por favor – suas mãos pequenas seguraram meu rosto e ela começou a distribuir beijos em minhas bochechas. – Vai... Só hoje... Vou cuidar de você à noite.

No final, ela ganhou e acabou dormindo ao meu lado, agarrada em minha cintura. Eu não demorei a dormir, até porque, pela primeira vez após muitos meses, aceitei tomar um calmante que me dera sono.


Flashback Off.


Antes que Alice voltasse a insistir para que eu fosse logo me encontrar com Alec, Jessica apareceu na minha frente, logo quando eu levantava da mesa para ir ao banheiro e voltar para minha sala.

– O que? – perguntei. Seu rosto era assustado e havia falhas em sua maquiagem, que acabavam por mostrar as queimaduras.

– Jacob – disse. Arqueei as sobrancelhas, andando com ela ao meu lado, saindo do refeitório lotado.

– E...? O que tem Jacob?

– Ele falou do racha que teria na segunda-feira à noite? – perguntou, mas não deu espaço para que eu respondesse. – Pois bem, teria um racha. Ele perdeu para um cara fortão, e os dois disputaram uma nova corrida – suspirou longamente e a olhei irritada. – O carro que Jacob dirigia capotou e ele está no hospital em estado grave.

Eu parei de andar no meio do corredor vazio. Girei em meus calcanhares para olhar Jessica, que tinha o rosto realmente triste. Qual é? Essa turma resolveu ir parar no hospital quase todos de uma vez? Primeiro Jessica e Mike; depois Jacob. Eu seria a próxima, então?

Estremeci.

O que? – guinchei.

– Eu ainda não fui vê-lo. Mike ligou na casa dos Black e perguntou sobre Jake. Leah quem atendeu e deu as informações – informou-me.

Por mais que Jacob não fosse nada meu – ou pelo menos nada em um grau que eu precisasse me preocupar seriamente –, era uma coisa que nos deixava chocados... Ele tinha me chamado para ir com ele; eu não fora porque tinha que trabalhar.

Minha vida, realmente, estava virando uma espécie de premonição?

Arfei, incapaz de dizer algo.

– Mas você sabe como Leah é. Quando Mike disse quem era, ela tratou de fechar a boca e responder poucas coisas... Não sabemos nem se Jacob está em coma... Talvez sendo levado à morte ou com vários ossos quebrados... – Jessica não parava de tagarelar. – Ou então...

– Cala a boca – mandei impaciente. – Credo. Pare de falar essas coisas.

– Tá, tá. Só estou tentando mostrar a realidade – ela argumentou. – Até porque, o carro capotou, Bella! Ele com certeza deve estar muito mal...

– Já vi casos de carros capotados em que o motorista saiu sem um arranhão – murmurei, revirando os olhos.

– É sério? – Jess perguntou.

– Não, mas... Argh! Não posso ir vê-lo! Tenho mais coisas para fazer hoje à tarde.

Ela ficou em silêncio, finalmente. Só que não durou muito.

– Eu não quero ir – choramingou. – Mas estou curiosa. E tenho medo. Já pensou no que eu posso encontrar lá? Sei lá, vai que seja uma cena chocante...?!

– Argh! Argh! Cala a boca, Jessica – irritei-me, voltando a andar rápido, deixando-a para trás, tagarelando sozinha.

Gente besta.

Comecei a sentir meu estômago pesado, como se eu tivesse comigo muito. Talvez não muito, mas coisas gordurosas demais. Eu me sentia inchada, como se fosse explodir a qualquer momento. Ao passar perto de um bebedouro, aproveitei para tomar um pouco de água, para ver se meu mal-estar passava.

Nada.

Ao levantar a cabeça, vi a porta do banheiro feminino do outro lado do corredor. Olhei as horas em meu celular e decidi fazer o que era adiável, mas podia ser feito agora. Apressei os passos na direção do banheiro, tomando o cuidado de verificar se a menina que tinha acabado de sair era a única que estava lá; então, tranquei a porta.

Entrei em uma cabine e me ajoelhei no chão, em frente ao vaso sanitário.

Eu podia ter nojo de qualquer coisa nesse momento, mas eu tinha nojo de mim mesma. Era algo inevitável, mas aceitável por mim, porque era a minha única saída.

Coloquei o dedo indicador na boca, levando-o até a garganta. Meu corpo tremeu por causa da ânsia, mas nada aconteceu. Forcei novamente e senti algo subindo de volta, através do esôfago.

Senti um alívio claramente notável dentro de mim assim que vomitei tudo o que tinha acabado de comer. Mesmo com o gosto amargo na boca, era uma das melhores sensações que eu poderia sentir no momento.

Dei a descarga, peguei minha mochila e lavei a boca na pia, encarando-me no espelho.

Que tipo de monstro eu havia me tornado? E por que eu não sentia vontade nenhuma de mudar minha situação? Eu não me sentia motivada e não via um motivo para que eu mudasse.

As pessoas percebem que você muda; elas têm consciência e comentam sobre isso. Mas ninguém pergunta por que ou por quem você mudou – ninguém faz questão de saber, assim como também não ligam para sua vida. Ninguém se preocupa com o outro de verdade; não sem ter interesses maiores que os bons sentimentos.

Talvez fosse por isso que eu não fazia questão de mudar. Eu não tinha uma razão para mudar. Então por que faria diferença?

Foda-se, pensei ao destrancar a porta e dar de cara com uma fila curta de meninas esperando para entrar. Entre elas, percebi Alice e Rosalie, que me olharam com espanto.

Segui reto, para a minha próxima aula, mas meu celular tocou assim que entrei na sala. O professor ainda não estava presente e atendi.

Bella? – era a voz de Mary. – Querida, você tem algo muito importante para fazer agora na escola?

Franzi o cenho.

– Ahn, não, acho que não. Por quê? – perguntei confusa por seu tom de voz preocupado.

É que dona Renée saiu com o motorista para ir ao shopping e Charlie está trabalhando, então não tenho como levar Noah ao hospital. A diretora da escolinha ligou para avisar que ela estava quieta demais e com febre alta – disse, com um tom de desculpas. – Acho que deve ser algo relacionado com o ar-condicionado de ontem à noite.

– Ok. Tudo bem – murmurei, ajeitando a mochila nas costas e saindo da sala, que começava a ficar cheia. – Espere em casa com os documentos de Noah. Passarei na escola dela. Ah, Mary? Tem como pegar minhas malas no meu quarto? Pretendo não voltar mais.

– Você está pedindo de boa vontade para que alguém entre no seu quarto, Bella? Que milagre. Mas vou pegar.

Eu dei uma risada curta.

– Obrigada.

Ao chegar em frente a escolinha de Noah, vi que estava mesmo em reforma, embora estivesse acabando e presumi que ela voltara a estudar no prédio grande e colorido no começo da semana. O pátio frontal estava quieto, mas havia barulho vindo da avenida mais próxima. O porteiro acenou para mim.

– Vim buscar Noah Swan – falei, parando em frente ao portão com as mãos no bolso.

Ele assentiu e andou para dentro do colégio. Esperei pacientemente, encostada no Volvo, encarando o prédio grande em largura, mas pequeno em altura. Eu me lembrava bem da época em que estudei ali, com a diferença que o lugar não era tão colorido e bonito como estava hoje.

Era uma época feliz e eu sentia falta.

Phil me levava todos os dias para a escola, sempre com a promessa de que quando eu voltasse para casa, iriamos tomar sorvete e assistir filmes animados. Então, quando ele morreu, Mary passou a fazer isso comigo também, embora tenha durado pouco, porque Noah nasceu e ela teve que se dedicar à minha irmã 24 horas por dia, já que Renée não cumpria sua função de mãe.

A infância fora minha melhor parte da vida até agora, e eu pensava que isso jamais mudaria; a infância é o reino onde ninguém morre¹ – e eu costumava pensar isso até certa idade, quando amadureci.

– Bella – Noah me chamou, sendo guiada por sua professora pela mão. Elas saiam pelo portão da escola e as duas sorriam.

– Olá, Isabella – a professora simpática me cumprimentou. – Noah está com febre. A última vez que medi, estava com 38 graus.

– Vou levá-la ao hospital – informei, puxando Noah para o meu colo e colocando sua mochila cor de rosa da Barbie pendurada em meu ombro.

A professora, que usava um crachá cheio de adesivos e descobri se chamar Christie, sorriu ternamente e passou uma mão no cabelo de Noah.

– Se cuide, querida – falou docemente. – Melhoras – ela sorriu para mim e girou em seus calcanhares, voltando para dentro do prédio.

– Não quero ir ao hospital – minha irmã choramingou, fazendo um bico. Percebia-se claramente que seu rosto estava desanimado, o que não era comum para uma criança tão alegre e elétrica como ela. – Vão me dar injeção, Bella...

Coloquei-a no carro, apertando seu cinto de segurança e indo para o meu lugar. Busquei Mary em casa e segui para o hospital.

Enquanto Mary fazia a ficha de Noah, eu esperava sentada em uma cadeira confortável da recepção de um hospital bom e particular de Nova York. Minha irmã, eu imaginava, estava brincando no espaço para crianças, na lateral do hospital, perto de onde eu estava, coberto por um teto decorado com mobiles e uma área grande lotada de brinquedos.

Mesmo com tanta diversão, Noah não se demorou e voltou para o meu colo, agarrada em meu pescoço.

– Está calor, Noah – reclamei, afrouxando seu aperto.

– Mas tem ventilador aqui – argumentou. – Minha garganta tá doendo, Bella.

– Você deve estar com infecção de garganta – murmurei não muito interessada. – Ou gripe. Sei lá.

Noah concordou e deitou a cabeça em meu ombro, olhando e mexendo no cabelo de sua Barbie. Ela adorava aquelas bonecas. Eu não a reprimia, porque era ótimo não ter preocupações – as únicas, para Noah, era pensar com que roupa vestir suas bonecas loiras e bonitas.
– Vamos, querida? – Mary chamou. – O médico está te chamando.

Ela foi de má vontade, sem deixar de reclamar. Eu tinha que concordar em uma coisa: Noah, quando ficava doente ou incomodada, tinha o mau humor igual ao meu.

Fechei os olhos, após lançar um olhar feio para que Noah se comportasse. Ela encolheu os ombros e desapareceu no longo corredor.

Minha cabeça estava encostada no encosto da cadeira e meu corpo estava escorregando, em uma posição desleixada. Eu já sentia o sono vindo e quase cochilava já.

O ventilador soprava um ar frio e gostoso em meu rosto, o que ajudava bastante no calor do verão que se aproximava, embora o tempo esfriasse de vez em quando ainda. Estava tudo perfeito, até uma voz soar alta ao meu lado.

– Você aqui? – abri os olhos de repente e encarei Edward, que me olhava indignado. Ele estava sentado ao meu lado, me encarando como um retardado.

Bufei. Era muito azar para uma pessoa só.

– Não. Estou lá na esquina – murmurei irritada, voltando a fechar os olhos.

– Bem capaz – ele sussurrou, mas escutei. Abri novamente os olhos e dei um tapa forte em seu braço. – Ai, o que eu fiz?!

– Idiota.

Ele soltou um barulho estranho, vindo do fundo do peito, como se estivesse rosnando. Revirei os olhos e cruzei os braços, com a cara extremamente fechada.

Só porque meu humor estava bom hoje.

– Está visitando algum amiguinho drogado? – perguntou. No momento, eu deveria estar vermelha de raiva e quase soltando fumaça pelos ouvidos e nariz, mas apenas respirei fundo e empinei o queixo.

Pensei em Jacob e que poderia visitá-lo, mas além de saber que não teria permissão, não tinha nem certeza se ele estava internado nesse hospital.

– Achei que não estivesse falando comigo – eu disse baixo. Voltei a fechar os olhos.

– O que? – Edward indignou-se, com a voz debochada. – Eu só não quero que sejamos amigos. Mas isso não me impede de conversar com você.

Não – falei, entredentes. – Você está querendo saber sobre a minha vida. Então isso quer dizer que não vamos apenas ter uma conversa do tipo “como está o tempo hoje”.

Edward ficou quieto por um tempo.

– Qual o seu problema contra mim? – perguntei e encarei-o. Percebi que ele me olhava, porque assim que olhei para ele, desviou os olhos rapidamente.

– Nenhum – murmurou. Era incrível como em um momento ele parecia sarcástico e idiota, e em outro ele parecia meigo e tímido.

– Sério mesmo? – provoquei. – Não é o que parece.

Ouvi Edward bufando.

– É só que... Sei lá. Você é diferente. Tipo, vive em uma realidade diferente. Faz coisas diferentes. Por que logo você iria querer ter uma amizade com um cara como eu?

Franzi o cenho e olhei para os lados, em busca de uma resposta.

– Está me chamando de interesseira?

O que? – ele guinchou. – Não, é claro que não! Por que você se interessaria por mim?

É, por que eu me interessaria por Edward? Aliás, por que ele estava batendo tanto na mesma tecla de dizer que ele não era a concepção de bom para mim, só que em outras palavras?

Sorri de lado. É impressão minha ou...

Você está interessado em mim? – soltei, sem poder ao menos pensar e ter tempo de poder refrear meus impulsos idiotas.

Edward, que estava virado para a frente, apoiado em seus joelhos, virou a cabeça lentamente para me encarar. Eu não pude deixar de me hipnotizar com seus olhos extremamente verdes e brilhantes e lindos e encantadores.

Suspirei audivelmente.

– Eu não – respondeu, sorrindo sacana e passando a língua no lábio inferior lentamente. Acompanhei o movimento com os olhos. – Mas parece que você está...

Assim que assimilei sua frase, bufei e chacoalhei a cabeça, voltando meu olhar para a parede branca a minha frente.

– Não sei como pôde pensar isso – retruquei, com a voz mais fina e dura.

Ele apenas riu.

Eu escutei alguns soluços em minha direção e vi Noah, sendo carregada por Mary.

– Ela está com uma infecção de garganta e um começo de gripe – Mary me informou ao chegar até mim. – O médico pediu que ela tomasse uma injeção e aguardasse um pouco, para medir a temperatura novamente.

Bufei. Claro.

– Não posso me atrasar para o meu maravilhoso trabalho – ironizei.

– Eu também não – Edward se intrometeu na conversa. Olhei-o de modo ignorante e voltei meu olhar para Noah em seguida.

– E por que ela está gripada? – perguntei.

Mary encarou Noah desafiadoramente. Minha irmã se encolheu no colo da babá e fez cara de choro.

– Porque eu tomei sorvete escondida e entrei na piscina depois, na semana passada... – confessou, parecendo realmente envergonhada.

– E o que mais...? – Mary perguntou.

– E não obedeci a Mary quando ela mandou que eu colocasse um sapato e não andasse descalça em casa.

Eu olhei para aquela tão gentil senhora, indignada.

– Você brigou com ela por isso? – perguntei. – Qual é? Eu fazia coisas piores quando era criança! Deixa a menina ser feliz, Mary – ralhei.

– É claro que briguei – Mary usou uma voz dura e autoritária, mas não escondeu seu sorriso. – E quanto a você, Bella, eu passava mais tempo no hospital te levando para ser medicada do que em casa.

Abri a boca. Edward, ao meu lado, riu baixinho e Mary pareceu notá-lo ali, finalmente.

– Oh, querido, quem é você? – ela era tão simpática e adorável com pessoas que nem mereciam... Pobre ingenuidade!

– Sou Edward Cullen – ele respondeu sorrindo de forma natural, parecendo exibir que Mary não o conhecia, mas já parecia gostar dele. Tudo bem, não liguei para sua provocação, porque Mary parecia gostar de todo mundo. – Amigo da Bella.

– Amigo? – me intrometi, olhando para ele. – Bella? Você é bipolar, só pode!

– Não. Você é bipolar!

– Vocês são namorados? – Noah perguntou, olhando diretamente para mim. Passei a mão no cabelo, nervosa e irritada.

– Claro que não – respondi de imediato.

– Então posso namorar o Ed? – ela perguntou, sorrindo inocente.

Estreitei os olhos. Todos os olhares se voltaram para mim. Mary segurava o riso e Edward arqueava uma sobrancelha... Perfeita; é, admito.

– Óbvio que não, Noah!

– Mas ele é bonito – ela argumentou, fazendo um biquinho e olhando de mim para Edward.

– Argh, Noah. Vai brincar. Você está muito boba pra quem estava doente até agora a pouco – irritei-me, cruzando os braços em um gesto infantil, e sim, eu tinha consciência disso.

– Tá, tá. Vamos, Mary – Noah levantou os braços, sendo levada até a área infantil por Mary.

Eu e Edward permanecemos em silêncio. Parecia um jogo, no qual quem falasse primeiro, perderia. E, de fato, parecia, porque lançávamos olhares desafiadores um para o outro.

– Ok, senhorita-sou-infantil – quebrou o silêncio entre nós. – Qual é o seu problema? Por que precisa se drogar e se cortar?

Mas como...? – minha voz sumiu, assustada. Olhei para os meus pulsos, que já não estavam tão bem cobertos pelas mangas compridas da blusa fina que tive que usar. – Você não sabe de nada. Cale a boca. Foi... Só um acidente.

– Um acidente? Que coincidência. Nos dois pulsos – ele arqueou as sobrancelhas e revirou os olhos em seguida. Trinquei o maxilar.

– Isso não te interessa. Minha vida não te interessa. Aliás, o que está fazendo aqui? Esse lugar não é pra você – fui grossa e não pude evitar, apesar de sempre me arrepender quando era rude demais com Edward.

Ele não pareceu se abalar.

– Minha irmã tem uma consulta aqui – ele respondeu, simplesmente.

– Você tem uma irmã? – perguntei curiosa. Ele riu disso.

– É. Mais ou menos – murmurou, apoiando o queixo na mão.

– Como...? – eu pretendia terminar a frase e perguntar como alguém tinha uma irmã mais ou menos, mas um vulto praticamente se jogou em cima de mim.

Afastei Noah pelos braços, olhando-a de forma assassina.

– Ai, desculpa – sorriu fracamente e pegou em minha mão. – Eu fiz uma amiga, Bella. Ela pode ir dormir lá em casa? Deixa. A Mary pediu pra perguntar pra você primeiro, mas ela já deixou. Vem...

Fui arrastada por ela até a área colorida e bonitinha. Havia grama sintética no chão, peças de brinquedos, carrinhos, bonecas de pano e milhares de outras coisas, além de uma televisão na parede, exibindo um desenho.

– Olha – murmurou, me puxando para baixo quando paramos. Noah apontou para uma menina loirinha e maior que minha irmã, mas igualmente fofa e adorável. Ela escovava o cabelo de uma boneca com aparência antiga já, sentada perto da televisão. – Nós conversamos. O nome dela é Claire. Ela é legal, mas acho que me achou feia... Sabe, ela não olha pra mim. Espera! Vou ir perguntar pra ela porque ela não me olha.

Noah ia saindo quase correndo quando puxei sua mão com força, trazendo-a para perto de mim de volta.

Observei a menininha de longe e ela tinha os olhos fechados, mas continuava brincando tranquilamente com sua boneca, sem olhá-la.

– Hum... Você disse que ela não te olhava? – perguntei, confirmando.

– É, por quê?

– Talvez ela não enxergue, Noah – respondi. – Sei lá. Deve ser isso – virei-me para encarar minha irmã. Ela estava com o rostinho triste.

– Mas por quê? – perguntou, cruzando os braços, chateada.

Pensei em uma resposta que não fosse altamente idiota.

– Porque... Porque deve ter acontecido algo ruim com ela. Às vezes ela ficou doente ou pode ter nascido assim. Mas você promete que não vai ficar perguntando isso pra ela?

– Tá, prometo – respondeu, sorrindo triste. Sorri igualmente, voltando a olhar para sua nova amiga, Claire.

Assustei-me ao ver Edward ao seu lado, sorrindo e brincando com ela, de repente. Então, talvez ela fosse a irmã que tinha falado. Ele sorria e parecia descontraído, até que ergueu a cabeça e seus olhos pararam em mim.

Edward apenas diminuiu o sorriso, mas não o tirou do rosto, tampouco desviou seu olhar de mim. Noah o olhava quando ele mexeu a cabeça em um gesto para que ela fosse lá.

– Noah? – chamei antes que ela fosse. – Lembre-se do que te falei. Ah, e pode chamar sua amiga para dormir em casa. Se os pais dela deixarem, é claro.

[...]


Edward Cullen.


Carlisle nos deixou do lado de fora, após conseguir pegar o resultado de um exame que Claire fizera, sem saber que poderia fazer uma cirurgia que lhe daria sua visão novamente. Depois de duas horas, conseguimos sair do hospital.

– Edward – ouvi Noah me chamando, quando me levantei do chão de grama falsa para pegar Claire no colo. – Claire pode ir dormir lá em casa qualquer dia?

– Eu posso? – Claire perguntou ao ouvir sua nova amiga.

– Hum, eu não sei. Acho que temos que ver com o Carlisle e com a Esme – respondi à Claire e logo olhei para Noah, que estava com um olhar pidão. – Por que você não vai lá em casa? Acho que é mais fácil. Mas vamos combinar qualquer hora.

– Claro! – ela pulou feliz. – Tchau Edward! Tchau Claire!

Claire sorriu e deitou a cabeça em meu ombro.

– Tchau, Noah – ela respondeu. Sorri para a cópia de Bella, em versão infantil.

Eu estava saindo do hospital, quando fui parado por uma mão em meu ombro. Virei-me e dei de cara com Isabella. Eu não a entendia; ora ela estava agressiva, ora parecia arrependida.

– Você já está indo para o trabalho? – perguntou.

– Sim. Vou só levar a Claire até meu pai e vou pegar o ônibus.

Quase sempre, eu me referia a Carlisle e Esme como meus pais, para não prolongar uma conversa em perguntas para quem não sabia do meu passado. Apesar disso, eu realmente os considerava como tal.

– Se quiser... Bom, estamos indo para o mesmo lugar, posso te dar uma carona. Só preciso deixar Noah e Mary em casa – disse, apontando as duas que vinham em nossa direção.

– Não sei... – murmurei incerto. Ela arqueou a sobrancelha, como se me desafiasse. Suspirei. – Tudo bem. Vou levar a Claire. Já volto.

– Edward vai ir com a gente? – pude escutar Noah perguntar enquanto eu saía de lá. Dei um meio sorriso e encarei Carlisle, que me olhava espantado.

– Se deu bem? – perguntou, sorrindo com certa malícia na voz.

Senti meu rosto esquentar levemente e desviei meus olhos dos seus.

– Hum, não é bem isso... – murmurei, coçando a cabeça ao passar Claire para os braços de Carlisle.

– Ela é bonita – comentou, como se fosse algo casual. – Boa sorte.

– Mas nós não... Nem... – me enrolei em minhas próprias palavras.

– Tchau, Edward. Nos vemos mais tarde.

Quanta sacanagem dessas pessoas. Não se pode mais fazer amizade com o sexo oposto... Balancei a cabeça, indignado. Coloquei as mãos no bolso e olhei para trás, procurando Isabella.

Meus olhos percorreram o lugar, mas não a encontrei. Um brilho forte atrapalhou minha vista e olhei para a rua. Um carro prata – reconheci como um Volvo, um dos carros que eu mais admirava e sonhava em comprar um dia – parou ao meu lado.

– Vai ficar aí parado ou vai entrar? – Bella perguntou, debruçando-se sobre o banco do carona para falar comigo.

Eu olhei para os lados e fui rapidamente me sentar naquele banco de couro lindo e macio. Um dia eu teria esse carro. Não esse, mas um igual.

– Gostou? – ela perguntou. Reparei que Mary e Noah estavam no banco de trás, entretidas em uma conversa.

– É bonito – respondi.

Chegamos na lanchonete no horário exato do começo de nosso turno. Isabella estacionou o carro na rua de trás e fomos andando em silêncio, lado a lado, até a entrada.

Por incrível que pareça, passamos o caminho inteiro dentro do carro sem conversar. O silêncio entre nós não parecia incomodar; era até confortável e acolhedor.

Eu mal passei pelo balcão quando Kate parou em minha frente, agarrando minha mão.

– Edward... Eu... Por favor... – ela gaguejava. Notei que Bella tinha ido se trocar e olhei o rosto de Kate com atenção. Ela parecia nervosa. – Podemos sair hoje? Pode ser o Central Park... Eu só queria conversar com alguém sobre o que aconteceu ontem, sabe, desabafar – olhou sugestivamente para a porta da pequena sala dos funcionários.

Eu franzi o cenho. Ela parecia chateada e abalada. Diversas vezes, eu percebera que Kate era uma menina doce e sensível.

Assenti.

– Tá, pode ser – respondi, sorrindo torto. Ela entreabriu os lábios, mas não disse nada. Kate sorriu de volta, quando a porta da lanchonete se abriu. Sem dizer nada, ela saiu e foi atender um cliente.

Acho que não seria tão mal. Eu até poderia me livrar dela, então. Eu esperava, ao menos, que essa fosse a primeira e única vez que sairíamos juntos.

Assim que Bella saiu, aproveitei para ir me trocar e preparar-me para a longa e entediante tarde de trabalho.

[...]


Eu terminava de limpar o balcão quando um homem vestido com roupas escuras e de aparência cara entrou na lanchonete, vindo até onde eu estava. Ele usava óculos escuros e não parecia interessado em algo.

– Posso ajudá-lo? – perguntei educadamente, parando em sua frente.

– Quero um pacote com pão de queijos, por favor – ele disse. Sua voz grossa denunciava que já era um adulto, por mais que seu rosto jovem mostrasse que parecia um adolescente. – Para a viagem – completou.

Empacotei uma dúzia de pães de queijo – que eu tinha vontade de pegar um, porque estava morrendo de fome – e entreguei a ele.

– Aqui – murmurei. Percebi que ele estava distraído e não olhou quando chamei. – Moço...?

– O nome dela é Isabella, não é? – perguntou, virando-se rapidamente em minha direção, apontando o queixo discretamente para Bella, que atendia dois adolescentes em uma mesa afastada. Assenti. – Ela está diferente...

Franzi o cenho. Ele falava como se escondesse um segredo, sussurrando para si mesmo.

– Quer que eu a chame? – perguntei, fazendo menção de ir até ela.

– Não – sua voz se elevou. – Não precisa. Obrigado – o homem me encarou profundamente e, por mais que não pudesse ver seus olhos, senti um arrepio quando ele se dirigiu para o caixa.

Encarei-o duvidosamente, me perguntando de onde ele conhecia Bella e porque se exaltara quando perguntei se queria que eu a chamasse. Estranho.

Eu não prestara atenção nele, mas antes que saísse, percebi que seus cabelos eram loiros, quase do mesmo tom que os meus, mas um pouco mais claro. Ele era alto e musculoso, do tipo bad boy.

– Tá tudo bem? – Bella perguntou, parando ao meu lado.

– Sim, tudo. Vou me trocar – sorri minimamente para ela e entrei na sala. Eu mal tirara minhas roupas da minha mochila para que me trocasse e alguém bateu na porta.

– Entra – murmurei. Kate passou pela porta, fechando a atrás de si. Suas bochechas estavam rosadas e ela tinha um olhar enigmático, esquisito. – Aconteceu alguma coisa?

Ela veio até mim a passos lentos e parou em minha frente, olhando dentro dos meus olhos.


Isabella Swan.

Segui Edward com o olhar, confusa com sua atitude. Encarei a rua, onde um homem que vi sair da lanchonete passava, de costas para mim. Eu não vira seu rosto e acabei por não entender a atitude de Edward.

Dei de ombros, lavando um copo esquecido na pia. Kate passou por mim e esbarrou nas minhas costas – claro que, com a força usada, percebi que fora de propósito –, fazendo com que eu derrubasse o copo na pia e ele quebrasse.

Grunhi alto, mas acabei por xingá-la baixinho. Vi que ela entrou na sala onde Edward tinha acabado de entrar e fechou a porta.

Bufei alto e comecei a recolher os cacos de vidro que caíram dentro da pia, jogando-os no lixo em seguida. Sequei as mãos batendo-as na calça e levantei a cabeça para examinar o ambiente.

Não havia mais ninguém ali, exceto a menina que cuidava do caixa. Ela nunca conversava com ninguém, porque não podia sair dali. Ela parecia ser simpática, mas eu não sabia nem o nome dela.

Era estranho, porque a lanchonete parecia tão vazia... Encarei a porta da sala dos funcionários novamente.

Olhei para trás para ver se a menina do caixa estava prestando atenção em mim, mas ela somava algumas coisas com a ajuda de uma calculadora. Caminhei silenciosamente até a porta de madeira desgastada e encostei meu ouvido ali.

Nenhum barulho.

Semicerrei os olhos, levando minha mão até a maçaneta. Bom, eu não tinha culpa se precisava me trocar.

Girei a maçaneta devagar, entreabrindo a porta e espiando pela pequena fresta, olhando para trás antes, para confirmar que ninguém estaria me observando.

Finalmente, olhei e desejei não ser tão curiosa.

Arfei, abrindo a boca, chegando a pensar que meu queixo estaria caído no chão e meus olhos pudessem rolar para fora a qualquer momento.

Edward e Kate estavam se beijando. Não, eles estavam quase se engolindo.

Não sei por que, mas fiquei com raiva e corei, é claro, trincando o maxilar tão forte que meus dentes tiniram e doeram.


-


Nota¹: É a primeira frase de Bella no filme Amanhecer, e que modifiquei algumas coisas.


Notas finais
Não me batam, por favor, hehe :3 Eu fui muito, muito má.
Alguém tem algum palpite sobre o passado da Bella? Lembrando que no primeiro capítulo, tem uma palavra que diz TUDO!
Vou tentar não demorar pra postar o próximo.
Enfim, feliz Natal e Ano Novo, suas lindinhas! Tudo de bom pra vocês ^^
Beijos :*
Notas da beta: Que Kate vaca, né gente? Deu vontade de apagar ela do capítulo enquanto eu betava IUHAFUIHFSIUD. A Ana Luísa iria me matar!
Ah, esse é a recém o segundo capítulo que estou betando de IWR, mas estou muito feliz (de poder vê-lo antes de todos) de poder betar.
Não esqueçam de deixar comentários, porque eu sei como a Ana tava morrendo por pensar que não poderia postar pra vocês. Ela ficou digitando loucamente u_u
Beijos, Cah Dalmuth! :*