It Will Rain
2 Capítulo 1 - Black Hole
Notas iniciais
Boa leitura (:
Isabella Swan.
Desliguei o celular e olhei-me no espelho. Arrumei a franja para o lado, como costumava fazer. Depois me virei para a minha cama e peguei a carteira de cigarros; guardei-a juntamente com meu celular no bolso da jaqueta preta de couro Burberry.
Destranquei a porta e olhei surpresa para minha irmã mais nova, que parecia me aguardar sentada no chão do corredor, encostando-se na parede oposta à do meu quarto.
– Você vai sair – talvez fosse uma pergunta, mas saiu como uma afirmação vinda dela.
Eu segurei um suspiro irritado.
– Vou – chaveei a porta do meu quarto e coloquei a chave no meu bolso da calça, junto com meus documentos do carro.
Comecei a andar em direção as escadas, no extenso corredor, ignorando totalmente Noah.
– Mas hoje é sexta-feira, a noite das garotas, não se lembra? Você prometeu! – ela reclamou.
Não, eu não me lembrava.
– Vá brincar com as suas bonecas, pirralha – eu respondi, sem alterar a voz, mas, mesmo assim, ela saiu áspera. Ouvi seus passos cessarem atrás de mim.
Enquanto descia as escadas de dois em dois degraus, ouvi um soluço baixinho vindo do segundo andar — no entanto, eu não tinha tempo para a choradeira a toa de Noah. Eu tinha que ir buscar a diversão no Beco e ir até o Central Park.
Quando usei o caminho da cozinha para chegar à garagem, tive que passar na sala e encontrei Renée sentada no sofá, folheando alguma revista famosa sobre moda.
Ela ao menos levantou os olhos para mim e passei reto, fingindo não vê-la também.
Desativei o alarme do Volvo e entrei nele, pronta para mais uma noite de diversão.
[...]
Minha cabeça doía como nunca e eu me sentia prestes a botar tudo o que havia dentro de mim para fora.
Entretanto, apenas abri os olhos lentamente e movi minha mão para tirar meus cabelos terrivelmente desgrenhados da frente do rosto.
Percebi o quão dolorido estava meu corpo ao fazer esse gesto. Meus músculos pareciam estar a ponto de se esfarelarem. Mas eu não tinha feito nada na noite passada. Nada que incluísse sexo. Eu estava vestida com as mesmas roupas que usava quando sai de casa.
O motivo das minhas dores era por ter dormido no chão, além da indesejável – e inevitável – ressaca.
Eu pisquei diversas vezes para fazer o reconhecimento do lugar. Era a sala do apartamento de Jacob – e eu não fazia ideia de como tinha ido parar ali –, onde vários cigarros apagados, garrafas de cerveja vazias, saquinhos com resto de pó e algumas pílulas perdidas repousavam no chão.
Ao meu lado, Jacob parecia dormir profundamente, enquanto a baba escorria por seu maxilar. Bem abaixo de nós, estavam Jéssica e Mike dormindo, assim como Tyler que estava no sofá, com o braço pendendo pra fora do mesmo.
Minha boca estava com um gosto horrível e meu hálito não devia estar muito diferente.
Eca.
Pensar no gosto ruim, além de senti-lo, só me deu mais vontade de vomitar e tive que correr para o banheiro social.
Despejei toda a bebida da noite passada no vaso sanitário e dei a descarga.
Eu não sei como consegui chegar ali com toda a tontura que sentia.
A luz que entrava pela pequena janela do banheiro me fez fechar os olhos ao vê-la tão intensa e brilhante.
Merda.
Andei até a bancada da pia, ainda de olhos fechados e tateei até achar o tubo de gel dental. Após lavar as mãos, coloquei um pouco do gel em meu indicador e “escovei” os dentes. Não era bom, mas era a melhor coisa no momento para não ficar com um gosto desagradável na boca.
Abri um olho de cada vez e, mesmo que aquilo causasse uma dor insuportável, olhei minha imagem no espelho. Como eu esperava.
Rosto amassado, pálida demais, maquiagem borrada e gorda.
Respirei fundo e lavei meu rosto. Não seria tão fácil conseguir tirar toda aquela maquiagem e nem seria agora que eu tentaria, mas seria estranho sair na rua como um verdadeiro panda.
Escovei meus cabelos com os dedos e sai, a passos lentos, do banheiro. Na sala, procurei por meus óculos escuros. Felizmente, achei-os em cima da mesa de centro, junto com as chaves do carro e os documentos.
Antes que qualquer um dali acordasse, sai do apartamento, já com os óculos tampando meus olhos.
Desci pelo elevador, para garantir que eu não cairia nas escadas. Hoje era sábado e, apesar de ser final de semana, as ruas nobres de Nova York se encontravam como sempre: lotadas.
Avistei meu Volvo prata parado em frente à portaria e me perguntei o porquê de não me lembrar de como cheguei ali. O carro podia estar muito mal estacionado, mas estava ali.
Apenas balancei a cabeça na direção do porteiro, que me cumprimentou quando sai do prédio. Nos para-brisas do Volvo, tinha um papel preso. Uma multa. Uma adorável multa. Foda-se. Não seria eu que teria que pagar.
Amassei o papel e joguei na lata de lixo mais próxima. Destravei o alarme do carro e entrei, sentindo o cheiro de novo. Aproveitei que eu tinha uma garrafinha com água ali e procurei um comprimido para dores de cabeça; felizmente, havia uma cartela dentro de uma bolsinha de remédios que pertencia a Noah.
Perguntei-me quanto tempo havia que não a levava para passear comigo – muito tempo. Mas eu não ligava para isso. E eu sempre tentava me convencer disso quando estava sóbria.
Liguei o carro e parti rumo á minha casa. Eu pretendia dormir o dia inteiro.
Talvez eu estivesse me tornando uma pessoa noturna.
Felizmente, quando cheguei em casa, não havia ninguém na sala. Entretanto, escutei gritos vindos do segundo andar, mais precisamente do escritório de Charlie. De novo. Depois aqueles dois me perguntavam o porquê de eu ser tão de mal com a vida.
Subi as escadas em silêncio, para o caso de Noah ter percebido minha chegada. Mas assim que passei em frente ao seu quarto, com a porta entreaberta, vi que ela estava deitada na cama, segurando um bicho de pelúcia que eu dera há mais de seis meses. A televisão estava ligada e ela cochilava.
Ela parecia estar com frio. Seu corpo estava encolhido e ela abraçava a si mesma. Pensei em ir cobri-la, mas preferi deixar esse serviço para a babá, Mary. Ela era paga para isso e cuidar da minha irmã mais nova não era minha obrigação.
Por sorte, eu não teria que passar em frente ao escritório – ele era o último cômodo do corredor. Quando comecei a me aproximar do meu quarto, tirei a jaqueta e a blusa branca que usava por baixo. Abri a porta, joguei minhas roupas em qualquer lugar, tirei as botas sem salto, deixando-as de qualquer jeito ao pé da cama, desabotoei a calça e me joguei no colchão.
Finalmente, minha cama.
[...]
Acordei com batidas na porta. Minha cabeça doía menos, mas ainda sentia uma leve tontura – o remédio e o longo tempo de sono fizeram efeito.
Ajeitei meu sutiã e abotoei a calça, antes de murmurar um “o quê?” muito mal-humorado. A pessoa que batia insistentemente na porta era Mary. Ela espiou por uma pequena fresta e percebi que eu tinha me esquecido de trancar a porta. Bufei.
– Aleluia, Isabella! – ela rolou os olhos azuis e cansados para mim. – Estou te chamando há dez minutos. Se apronte. Vocês irão jantar com um colega do seu pai – ela avisou e saiu.
Eu só não mandava Mary ir até o inferno porque eu gostava dela. Ela fora minha babá há muito tempo e ainda me tratava como uma criança de vez em quando. Mesmo assim, Mary era como uma mãe que eu nunca tive.
Passei a mão por meus cabelos que batiam na altura da minha cintura e assoprei a franja quando ela caiu no meu olho.
Eu não iria nesse jantar. Pra quê? Para que meus pais pudessem me apresentar como a sucessora de Charlie em sua multinacional?
Não. Definitivamente, não.
Coloquei minha cabeça de volta no travesseiro e fechei os olhos, esperando dormir novamente. Mas a inconsciência não veio. Minha mente vagava nos planos para essa noite. Eu podia passar a madrugada com Jacob; ou então, ir para alguma boate.
Mas não chegou a se passar uma hora e Renée entrou no quarto, com um vestido de festa Prada, colocando brincos de pérola que eu imaginava serem recém-adquiridos na Tiffany.
– Por que você não está pronta ainda?! – praticamente gritou. – Anda logo, menina! Faça alguma coisa dessa sua vida de vagabunda e faça valer a pena os nove meses que tive que te aguentar na barriga, mais os dezessete anos fora dela!
Ela pôs as mãos na cintura.
Eu abri meus olhos e voltei a fechá-los com força, tentando me controlar.
Respira, inspira. Respira, inspira.
– Eu te odeio – falei entredentes, me levantei e fui para o banheiro do quarto. Ao trancar a porta, tive vontade de puxar meus cabelos. Ela era a porra da minha mãe e falava assim comigo!
Encostei-me na porta e olhei minha imagem no espelho. Eu não era uma vagabunda. Não. Eu era uma pessoa normal, apesar de todos os problemas.
Foda-se, pensei, ao tirar a roupa pra tomar um banho. Eu era a porra de uma vagabunda, gorda, feia e sem graça. E tinha vontade de me matar.
Pensando nisso, abri a gaveta do meu banheiro; nada era ajeitado como antes. Suspirei ao pegar a lâmina nova entre o indicador e o polegar. Ela brilhava na luz clara e sua ponta estava fatalmente afiada.
Eu engoli em seco e pensei em como seria mais fácil se aquela lâmina passasse de uma vez na minha garganta, em uma linha horizontal e não muito profunda.
Seria uma morte lenta e dolorosa; eu me livraria de tudo e de todos. Ninguém iria sentir minha falta. Eu não tinha importância.
Entretanto, eu era covarde. Eu não tinha coragem o suficiente de esperar a morte.
Suspirei e baixei a lâmina. Eu estava direcionando-a de volta à gaveta, mas então houve um grito:
– Não grite comigo, Charlie! Não sou suas filhas! – Renée berrou. – Vá apressar Isabella! Ela passou o dia inteiro dormindo e aposto que continua naquela cama!
Recusei-me a ouvir o resto, se é que tinha mais alguma coisa. Apertei a lâmina com força entre os dedos e passei-a em meu pulso direito. O sangue saia em um fluxo lento, escorrendo e pingando no chão.
Algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto e enxuguei-as com a mão esquerda, soltando a lâmina prateada na pia – eu não iria chorar; eu era forte e chorar era coisa de pessoas fracas.
Fechei os olhos por um tempo, esperando que o sangue parasse de escorrer aos poucos. Assim que o fluxo cessou, peguei um algodão, molhei-o e passei no chão, limpando.
Em seguida, entrei em baixo do chuveiro e me odiei. Chorar era para fracos; se cortar também era. E, mesmo assim, continuava sendo uma ótima saída para o inferno em que vivia.
[...]
Eu me olhava no espelho quando percebi Noah parada na porta. Ela me olhava com admiração.
– Você está bonita – elogiou.
– Obrigada – eu agradeci, sabendo que aquilo era uma mentira para mim.
Fui até o guarda-roupa e procurei o que precisava dentro dele, escondendo de Noah com meu corpo na frente. Ela não precisava de um mau exemplo e eu pensava assim. Pelo menos enquanto estivesse sóbria.
Entrei no banheiro, escondendo o pacotinho dentro da mão. Tranquei a porta e tirei o papel que havia ali dentro, junto com um pouco do pó. Enrolei da maneira mais rápida e acendi com um isqueiro, que eu havia comprado na semana passada e guardado no banheiro.
Abri as janelas enquanto dava uma tragada. No mesmo momento, me senti mais leve, mais calma...
E era o efeito da maconha. Ainda seria pouco para o que teria que aguentar no resto da noite.
Assim que acabei – não podia me demorar muito –, enrolei o projeto de cigarro em um pedaço de papel higiênico e coloquei no lixo. Escovei os dentes e sai do banheiro.
Noah continuava em meu quarto, mas agora estava sentada em minha cama. Olhei-me no enorme espelho ao passar por ela. Calça jeans, uma blusa mais justa, um colar prateado simples, as mesmas botas de couro preto sem saltos que eu usava mais cedo.
Era ótimo e Renée iria adorar – com toda a ironia do mundo, sim.
Através do espelho, olhei para Noah, enquanto borrifava um pouco de perfume Nina Ricci, com fragrância de morangos, semelhante ao meu xampu. Coloquei uma pulseira de ouro com pequenos pingentes de diamantes no pulso direito. Não esconderia totalmente o corte, mas também não chamaria tanta atenção – não que eu me importasse, mas evitaria perguntas e acusações.
– Está passando mal? – perguntei para Noah. Ela me olhou enquanto segurava uma bombinha de remédio na mão.
Seu rosto estava um pouco pálido e triste, mas ela deu um meio sorriso.
– Tive uma crise hoje – respondeu, apenas.
Não era uma grande novidade.
Noah tinha asma. Ela nasceu com a doença e precisava andar com uma bombinha para todo o lado que ia. Ela já havia sido internada cinco vezes, tendo apenas oito anos.
Eu tinha pena dela. Principalmente porque Renée nunca estava com ela no hospital. Era sempre Mary que a acompanhava e, até o último ano, eu ia junto.
Respirei fundo, sentindo o efeito da maconha no meu sistema nervoso. Peguei meus cigarros, a chaves do carro, documentos e sai do quarto, sendo seguida pelos passos leves de Noah. Descemos as escadas juntas, com ela sempre atrás de mim.
Renée e Charlie estavam na sala, à nossa espera.
– Vamos – murmurou Charlie, vendo que Renée iria me xingar.
Charlie era totalmente diferente de Renée, embora que, para mim, não fizesse diferença. Apesar de quase nunca ter estado presente em minha vida – quase nunca mesmo –, Charlie nunca havia me julgado; ele era apenas... Submisso demais à pessoa que se dizia minha mãe.
Nos encaminhamos para a garagem. Renée de vez em quando me encarava e balançava a cabeça, reprovando minhas roupas.
Quem disse que eu ligava para o que ela pensava?
Noah me olhou surpresa quando eu fui até o Volvo, ao invés de ir para a Mercedez de Charlie. Encarei o pedido nos olhos dela. Eu apenas suspirei e neguei.
Eu não iria deixa-la andar de carro comigo – não quando eu iria dirigir drogada.
A cada segundo que se passava, eu me sentia mais tranquila. Até chegarmos ao restaurante, eu estaria zen. Pelo menos, eu esperava.
O problema é que minhas drogas que estavam escondidas no carro haviam acabado. E, quando o efeito da maconha passasse, eu iria ficar irritada, como sempre acontecia. Então, eu iria estragar o jantar e mostrar mais ainda a minha imperfeição.
O caminho todo passei distraída, tentando arranjar um jeito de fugir desse jantar. Mas, se eu fugisse, isso significaria a ausência dos meus cartões de crédito e, quem sabe, do meu precioso carro.
Ao estacionar em um semáforo, notei uma lanchonete ao meu lado, na esquina. Ela era bonita, colorida e os doces na vitrine pareciam deliciosos. Salivei ao olhar aquilo e percebi o quanto estava com fome. Havia quanto tempo que eu não comia algo?
Desviei meus olhos ao notar a mudança de luz, agora verde. Ao chegar ao restaurante, que descobri ser francês, fiz uma careta. Comida francesa não era meu prato preferido.
Lembrei-me dos doces e me repreendi mentalmente.
Pouco tempo depois de nos sentarmos à mesa, um casal não muito velho veio nos cumprimentar. O homem devia ter por volta de quarenta anos, era barrigudo e possuía um bigode esquisito. A mulher, muito menos simpática, tinha os cabelos curtos e loiros oxigenados, não era muito magra, mas também não era gorda. Ela se vestia mal e sua voz era extremamente irritante.
– Seu colar é muito bonito – Renée elogiou a mulher-espantalho, com um sorriso forçado, após receber um olhar discreto e repreendedor de Charlie. Ela, ao menos, sabia que esse jantar era muito importante para os negócios da família.
Renée não se interessava por esses negócios – aliás, ela não se interessava por nada que desse trabalho e exigisse capacidade mental –, e só estava se mostrando educada por que esse encontro poderia gerar mais dinheiro para ela mais tarde.
Eu mantinha meus braços cruzados e a cara fechada. Ter que vir em um jantar era uma coisa; manter a boa educação que eu não tinha era outra – e, mesmo que eu tivesse, eu não teria a mínima vontade de colocá-la em prática.
Por algum tempo, fiquei com o olhar perdido, tomando longos e grandes goles do vinho francês. Já era a terceira vez que o garçom vestido em um terno preto enchia minha taça. Charlie lançou um olhar feio para mim, enquanto ninguém olhava. Apenas ergui a sobrancelha e balancei a cabeça lentamente, provocando sua ira.
Meu mau humor estava reinando novamente e ainda nem tínhamos pedido a comida!
A verdade é que eu era fraca para beber de estômago vazio, o que contribuía para uma futura explosão da minha parte.
Ao meu lado, Noah estava sendo paparicada pela imitação de Barbie cinquentona, ao passo de que Renée tamborilava os dedos na mesa, parecendo que queria me infernizar, mas na verdade eu sabia que ela estava irritada por ser minha irmã mais nova que ganhava atenção, ao invés dela – eu achava completamente infantil esse ato e tive vontade de perguntar se ela tinha algum problema.
Mas apenas respirei fundo e fingi que estava em qualquer outro lugar, menos ali, com aquele bando de bajuladores.
Agradeci mentalmente quando ouvi o homem de bigode engraçado fazendo o pedido da comida. No entanto, retirei meu agradecimento quando apenas ele e Charlie decidiram o que todos nós iriamos comer. Bufei, mas ninguém pareceu perceber – exceto minha irmã, claro.
– Também não gosto de Fettuccine – Noah falou, como se confidenciasse algo.
Eu gostava de massas, talvez por ser descendente de italianos, e o prato escolhido entrava nessa categoria. Mas o tempero da comida francesa não era algo que me agradasse. Eu odiava.
Assenti apenas uma vez, sem nem olhar para ela. Eu não gostava de ser fria com Noah, mas minhas atuais e futuras condições exigiam isso de mim. Eu não podia me apegar às pessoas; não quando elas eram tão imprevisíveis.
Na mesa ao meu lado, o garçom servia os pratos para uma família estupidamente alegre. Ao ver a quantidade exagerada de comida, quase tive uma síncope.
Como eu iria me alimentar adequadamente e matar minha fome só com aquela pequena porção de comida? Eu tinha certeza que todos os pratos deviam ter as mesmas gramas de alimento, calculadas especialmente para que o cliente pagasse caro e continuasse magro.
– Oh, querida. Está tudo bem? – a loira oxigenada perguntou. – Você está tão pálida! Quer que eu te conte uma história para se distrair?
Ela achava que eu tinha quantos anos, dez?! E eu era naturalmente pálida!
Senti meu sangue esquentando e esfreguei as palmas das mãos por baixo da mesa, antes de me levantar abruptamente. A cadeira só não foi ao chão porque o bigodudo tinha um bom reflexo e a segurou.
– Tudo bem, chega de palhaçada! – praticamente berrei, sentindo todos os olhares se voltarem para mim. – Qual é a merda do propósito disso? Para que serem amigáveis? Vocês só querem o dinheiro um do outro! Vocês são ridículos! E respondendo sua insistente pergunta, velho chato: Não, eu não serei a sucessora de Charlie na empresa e não quero nada com aquela porcaria!
Eu disse a última frase olhado para o velho ao meu lado e posso jurar que vi as pontas de seu bigode mexerem-se.
– Agora, se me derem licença, vou comer comida de verdade!
Sai a passos firmes e apressados, em direção à entrada. Minhas narinas estavam infladas pela raiva e meus lábios fortemente comprimidos; eu mal sentia os olhares julgando-me sobre meu comportamento.
Pedi o carro ao manobrista e, enquanto esperava, senti uma mão pequena e quente agarrando-se a minha.
– Volte para dentro – ralhei, sem me dar ao trabalho de olhar para saber que era Noah. – Está frio aqui fora!
– Não – ela negou prontamente. – Papai vai me deixar de castigo se eu voltar – justificou.
– Ele vai te deixar de castigo se você não voltar imediatamente pra lá!
Ela deu uma risadinha, sem se importar nenhum pouco.
O manobrista estacionou o carro perto de mim e abriu a porta para que eu entrasse. Sentei-me no confortável banco de couro e retirei a chave da mão do homem, bruscamente.
Antes que eu pudesse dar a partida, ouvi a porta de trás batendo.
– Bom, papai vai me deixar de castigo de qualquer jeito, então vou com você – Noah disse, se apoiando nos bancos da frente e se esticando para poder me ver. Ela mantinha um sorriso doce no rosto e apenas suspirei, deixando o estacionamento.
[...]
– Estamos indo ao Drive-Thru? – minha irmã perguntou.
Apenas respondi um vago “não sei”, enquanto dirigia pelas ruas movimentadas de Nova York. Já eram nove da noite e eu estava dirigindo há pelo menos meia hora, sem saber para onde ir.
Comer sanduíches do McDonald’s estava fora de cogitação, uma vez que eu tinha vontade de comer doces.
Então, fiz a volta subitamente, já sabendo para onde iria. Percebi que, no banco de trás, Noah tentava se recuperar de uma queda.
– Por que fez isso? – ela perguntou, passando a mão na cabeça.
– Vamos comer doces! – Falei, deixando de lado sua pergunta. Havia uma ponta de alegria em minha voz.
Eu não queria admitir, mas estar com a minha irmã me deixava menos fria. E eu não gostava disso porque as barreiras a minha volta ruíam. No entanto, eu voltava a reerguê-las assim que nossos momentos chegavam ao final.
Eu dirigi mais devagar dessa vez, porque eu devia estar perto de estar bêbada. Arriscar a minha vida é uma coisa; arriscar a de uma pessoa que não tinha nada a ver era outra.
Sã e salvas, chegamos em frente à lanchonete. Estava praticamente vazia e eu esperava que nos atendessem. Afinal, já eram nove horas e cinco minutos, então... Mas não era de se estranhar: A maioria dos comércios – sejam alimentícios ou qualquer outra coisa – em Nova York ficavam abertos até mais tarde nos fins de semana.
Eu estacionei o carro do outro lado da rua e atravessei junto com Noah. Ela segurou minha mão e não tive coragem de afastá-la.
Ao entrar na lanchonete, percebi que era muito mais colorida por dentro do que por fora. A metade de baixo das paredes eram pintadas de vermelho e as de cima de branco com bolinhas azuis.
As mesas eram de cores variadas; algumas em azul claro, outras em rosa neon ou lilás. Noah correu para a mesa rosa, claro.
Percebi que o teto era amarelo claro, mas não havia poucas lâmpadas grandes, e sim várias pequenas em formato de bolinhas. Talvez, pelo tamanho do estabelecimento, umas cinquenta ou sessenta.
Elas deviam ser econômicas, não deviam?
O balcão era branco com listras coloridas, seguindo uma sequência de cores. Havia uma atendente em um uniforme colorido e um rapaz sentado de costas para a loja. Pelos menos cinco mesas estavam ocupadas, sem contar a que eu me sentava agora.
Noah segurava o cardápio nas mãos.
– Quero um sorvete grande de três bolas: uma de creme, uma de morango e a outra de chocolate – ela disse e só então reparei que tinha perdido tempo demais, porque havia uma pessoa parada na beirada da mesa, anotando o pedido.
Essa pessoa era um garoto com cara de uns vinte anos. Seus cabelos estavam presos por um boné colorido – é claro –, sua pele era tão clara quanto a minha e seus olhos, reparei quando ele olhou para mim, eram verdes como duas esmeraldas.
Suas bochechas adquiriram um tom de vermelho que me deixou sem fala.
– Hum, vai querer o que, moça? – ele perguntou, mudando o peso para o pé direito, enquanto desviava os olhos de mim.
Você, tive vontade de responder, mas me contentei com isso:
– Um sorvete igual ao dela e um pedaço grande de torta de brigadeiro – tive que pigarrear logo no começo da frase.
Notei que Noah estava com um sorrisinho besta na cara.
– Ok, já trago.
Depois que ele saiu, meu primeiro pensamento coerente foi: sorvete continha calorias demais. Eu vou virar uma baleia!
Ah, não, eu sou uma baleia.
– Hum, rolou um clima, mana? – Noah indagou, rindo. Suas tranças balançavam e ela tampou a boca com a mão, abafando uma gargalhada.
– Você aprendeu isso com quem? – ralhei. Minhas bochechas esquentaram e eu mexi no cabelo, como fazia quando ficava com vergonha. Aliás, tinha muito tempo que eu não ficava com vergonha.
Muito.
– Com Alice – ela respondeu simplesmente. Eu pensei em ter uma conversa com Alice qualquer hora, mas ela que ensinasse o que tivesse vontade à minha irmã. Eu não tinha nada com a vida das duas mesmo.
Noah balançava os pés por baixo da mesa e me chutou sem querer, ou por querer, não sei. Revirei os olhos.
– Você está diferente – ela comentou, brincando com o cardápio.
– Estou normal – minha voz soou ríspida, mesmo que não tenha sido a intenção.
– Não está, não – contra argumentou de modo inocente, apoiando o queixo nos braços cruzados sobre a mesa. – Você está conversando comigo. E está mais alegre.
Franzi o cenho, em busca de uma resposta.
– Sempre conversei com você – murmurei. Graças ao garoto bonitinho, não tive que falar mais nada. Ele deixou duas taças enormes, coloridas com muita tranqueira em cima do sorvete – como granulados, caldas, coisinhas de gelatina e mais algumas coisas que tive dúvida para definir. Colocou um prato com um pedaço de torta também, junto de dois garfos.
– Mais alguma coisa? – ele perguntou, olhando mais para Noah do que para mim. Ele seria... Pedófilo? Bom, pelo menos ele não tinha cara.
A palavra me fez ter calafrios e logo tentei mudar o pensamento.
– Você quer? – perguntei para minha irmã.
– Quero Coca – ela respondeu, enchendo a boca com uma colherada de sorvete. Uma minhoquinha de gelatina azul ficou entre seus lábios.
– Duas Cocas – falei ao garoto, que assentiu me olhando brevemente e saiu dali.
Coloquei um pouco de sorvete na boca e fiquei feliz por ter algo mais descendo para o meu estômago, que não fosse líquido.
– Ele gostou de você – Noah disse, com o maldito sorriso besta nos lábios. Ela ainda mantinha a minhoca ali.
– Engula isso! – eu queria rir, nem que fosse por dois segundos, mas me segurei. – E não diga o que você não sabe. Como estão indo suas aulas? – tentei iniciar uma conversa no mínimo... Agradável.
Ela mastigou o pedaço de gelatina e fez uma careta.
– Não tive aulas essa semana – respondeu, mexendo no sorvete. Apoiou um cotovelo na mesa e a cabeça na mão. – A escola está em reforma. A professora nos mandou fazer lições em casa.
– Ah – comentei o que meu vocabulário permitia no momento. Eu pensei em perguntar o porquê de ela não ter me falado antes, mas eu vivia ignorando-a.
– Aqui está – o garoto apareceu. Reparei que seu porte físico devia ser de um cara de vinte anos ou mais, mas seu rosto era inocente e quase sem barba.
Ele colocou os copos grandes na mesa e saiu sem dizer nada. Após isso, ficamos em silêncio e um clima ruim se instalava ali.
Será que Noah sentia minha falta?
Essa pergunta rondou minha mente nos quinze minutos seguintes, mas eu nunca encontrava uma resposta. Eu só saberia se perguntasse e isso eu não faria. Ela tinha seus colegas, seus brinquedos e tinha Mary; por que ela perceberia minha ausência?
Eu apenas quebrei o silêncio quando acabamos os sorvetes.
– Vamos dividir a torta ou você não aguenta mais? – Provoquei Noah.
Ela estreitou os olhos em minha direção e pegou um garfo.
– Dividir? – perguntou, cortando um pequeno pedaço da torta e colocando na boca. Peguei meu garfo e fiz o mesmo. – Achei que só eu iria comer!
– Você irá passar mal se comer tudo, Noah – falei. Minha irmã e eu tínhamos a mesma coisa em comum: a fome exagerada.
Nós comemos a torta calmamente e, ao chegar no último pedaço, deixei que ela acabasse com ele. Procurei vestígios de tristeza em seu rosto, mas ela estava normal. Então, eu não precisaria me culpar – ela era só uma criança, por que ficaria tão chateada por uma questão boba dessas?
Antes que eu pudesse impedir, Noah já tinha acenado para um atendente. Ele veio até nós, sem muita vontade.
– Querem mais alguma coisa? – perguntou. Olhei para minha irmã, que balançou a cabeça negativamente.
– A conta, apenas – respondi. Ela fez algumas anotações no papel e me entregou.
– É só pagar no caixa – murmurou e saiu, dando um “boa noite” por cima do ombro direito. Levantei-me, sem esperar por Noah; ela viria atrás de mim, de qualquer modo.
Quem estava no caixa era a mesma garota que estava quando entrei e entreguei o papel, junto com quinze dólares.
– Não quero o troco – murmurei antes de guardar a carteira no bolso e sair dali.
Noah sentou em seu lugar no carro e dirigi de volta para casa. Eu esperava que meus pais não estivessem lá, mas ao deixar meu Volvo na garagem e subir para a sala com minha irmã em meu encalço, tive vontade de sumir.
Charlie estava em pé, no meio da sala, andando de um lado para o outro. Ele vestia um roupão verde-musgo, que me lembravam a verdadeiros velhos. Revirei os olhos e ia passando direto, quando sua voz autoritária me fez parar.
– Onde pensa que vai? – perguntou, pondo as mãos na cintura. Virei meu corpo, para no primeiro degrau da escada ainda.
– Dormir. Ou será que não posso? – bocejei.
Todas as minhas atitudes só contribuíam para que ele ficasse mais nervoso.
– Escute bem, Isabella: eu posso ter conseguido contornar a situação no restaurante, mas você ficará um mês sem cartões de crédito. Por sua irresponsabilidade, eu quase perdi um contrato importante – ele disse. Suas bochechas ficaram vermelhas e seu dedo indicador foi apontado para mim – Se alguma notícia se espalhar no jornal, pode ter certeza que você andará de transporte público e motorista pelo resto do ano.
Oh, não! Estávamos em Abril ainda!
Eu consegui esconder minha surpresa, mas a simples ideia de perder meu Volvo me assustava. Não, tudo, menos ele. Tudo.
– Hum, tá bem, posso ir dormir agora? – eu perguntei, sem querer realmente saber sua resposta. Subi as escadas lentamente. – Boa noite, querido papai!
Bati a porta com força, e uma fúria dominou minha mente. Ele podia ser meu pai – por mais que eu não gostasse de como isso soava – e controlar minha conta bancária, mas eu continuaria odiando-o pelo resto da vida e faria de tudo para infernizá-lo.
Tirei minhas roupas e coloquei uma camiseta larga, sem me dar o trabalho de arrumar o que estava fora do guarda-roupa. Empurrei tudo para o canto mais afastado do quarto e me dirigi ao banheiro.
Encarei-me no espelho. Não, eu não conseguiria dormir se não fizesse isso antes. Levantei a blusa para olhar minha barriga: gorda.
Tirei a escova de dentes do suporte, mas não a usei para o que pessoas normais usariam; atravessei o cabo dela pela minha garganta, fazendo com que uma ânsia fosse sentida.
Em poucos segundos, eu deixava todo o sorvete e a torta dentro da privada e dava a descarga. Eu estava acostumada com aquilo, por praticar tanto um mesmo ato. A bulimia já fazia parte da minha vida há algum tempo.
Escovei os dentes e em seguida fui dormir. Ou tentar dormir, porque passei parte da noite acordada.
[...]
Eu não acordei melhor, muito menos mais calma na manhã seguinte. Sim, manhã, pois estavam batendo na porta do meu quarto às exatas nove horas.
– Entra, caramba – falei em tom de voz alto, o que não foi difícil, pois meu mau humor colaborou bastante para tal ato.
– Bom dia, flor do dia! – Alice entrou em meu quarto, carregando sacolas e uma mochila. Ela costumava ser minha melhor amiga, assim como Rosalie, que também invadia meu quarto.
Eu bufei alto.
– O que estão fazendo aqui? Vocês não tem uma família feliz? – perguntei, um tom sarcástico se apossando da minha voz.
– Nós temos um trabalho para entregar amanhã, senhorita simpatia – Rose respondeu, com seu jeito doce de sempre. – Vale nota e é para terça-feira.
Esfreguei meus olhos e os semicerrei-os na direção de Alice.
– Por que vocês não me deixam fazer trabalhos sozinha? Pelo menos não teriam que se incomodar se eu fiz ou não, ou se eu vou ganhar nota por mérito de vocês!
Rosalie revirou os olhos e sentou-se no chão, afastando tudo o que tinha ali para, em seguida, despejar o conteúdo da sacola.
– Bella, nós somos um grupo! – Alice, como a mais sensível de nós três, falou e se sentou ao meu lado. – Por favor, não reclame e colabore.
Respirei fundo, passando as mãos no cabelo.
– Tudo bem, vou ir ao banheiro – falei, me levantando e indo para uma das portas do meu quarto. Havia duas, sendo que uma delas era do closet.
Eu tinha um guarda-roupa e um closet, mas evitava entrar nele. Não por qualquer lembrança inútil, mas porque era mais bagunçado que todos os ambientes que me pertenciam nessa casa.
Sinceramente, organização não era minha prioridade nos últimos meses. Eu tinha empregada pra quê?
Escovei meus dentes e penteei o cabelo, prendendo em um rabo-de-cavalo frouxo – evitaria o trabalho de tirar alguns fios do olho enquanto tentava montar uma maquete.
Maquete porque eu tinha visto um isopor grande encostado na parede da porta do meu quarto.
Assim que sai do meu quarto, tive que colocar apenas um short jeans, porque hoje estava calor. Continuei com a mesma camiseta velha que dormira na noite passada e me joguei no chão, de frente para Rosalie.
– Seu quarto fede – ela murmurou. Eu sentia apenas o cheiro da fumaça de cigarros, impregnado em minha cama e em todos os tecidos dali.
– Sinto muito se você prefere o seu, com cheiro de lavanda – provoquei, olhando para as coisas à minha disposição.
Bonequinhos pequenos de plástico, tecido, cola, cola-quente, fita adesiva, tesoura, régua, papéis, palitos de sorvete, tintas, pincéis e outras milhares de coisas que eu ficava com preguiça só de pensar no trabalho que me daria em mexer com elas.
– Sobre o que é o trabalho? – perguntei, sem ligar para o fato de que Rosalie se calou logo após minha última fala. Fazer o que se as pessoas eram sensíveis?
– Segunda Guerra Mundial – Alice respondeu. – Toma, pinte o isopor de marrom – ela me entregou o isopor, a tinta marrom e um pincel.
Olhei para os objetos em minhas mãos um instante, antes de tomar coragem e pintar. Eu só não queria ver a obra de arte que o chão do meu quarto ficaria.
[...]
Nós tínhamos terminado o trabalho e, finalmente, guardávamos tudo. Rosalie iria levar a maquete que eu fiz quase sozinha – e acabei me orgulhando disso –, enquanto Alice levaria a pesquisa escrita à mão para sua casa. Eu só teria que estudar minha fala.
Claro, o professor de história era muito gente boa e iria nos fazer apresentar na frente de todos.
Além de eu achava maquetes uma completa idiotice. Que coisa mais de primeira série!
Eram duas da tarde e eu ao menos ofereci almoço às meninas. No entanto, Mary o fez. Acabamos por comer um lanche natural no quarto, para não demorar muito no trabalho.
– Vou levar a maquete para o carro – Rose avisou e saiu.
Sentei-me na minha cama e Alice me imitou. Ela segurou minhas mãos e virou para que pudesse me olhar.
– Por que você mudou tanto, Bella? – ela perguntou, com uma tristeza evidente. – Você costumava ser tão espontânea. Era a mais alegre de nós três...
– Você sabe o que aconteceu – cortei-a. – Não quero falar sobre isso – minha voz saiu ríspida e fria.
– Não, eu não sei – ela bufou. – Quer dizer, sei o que aconteceu, mas Bella, isso foi há três anos! Você vai viver com essas lembranças pra sempre? Vai fingir que isso só pode acontecer com você? Bella! Isso acontece com muitas meninas da sua idade, mais novas ou mais velhas, em todos os lugares do mundo!
– Você não sabe como foi difícil – elevei a voz –, então, não me julgue!
– Não estou julgando! Estou tentando te fazer enxergar! – ela se levantou, exasperada. – Apesar disso, eu vou estar ao seu lado quando você precisar. E espero que não demore muito – Alice balançou a cabeça e me lançou um olhar triste, antes de fechar a porta do meu quarto.
As pessoas e suas manias de julgar a todos.
Passei as mãos no rosto. Alice tinha falado sério. Eu achei que ela fosse voltar até mim e pedir desculpas, mas não o fez. Talvez nossa amizade estivesse no fim. Talvez fosse melhor para elas não ter uma má influência como eu.
Naquela noite, eu dormi menos ainda, acordando de madrugada, assustada com pesadelos. Era incrível como minha simples imaginação podia me assustar. Mas as imagens eram tão reais, tão vívidas e tão dolorosas que a única solução foi me drogar para esquecer – momentaneamente – o meu passado.
Eu tinha segredos e um passado doloroso. E por causa disso me fechava cada vez mais para o mundo. Eu tinha medo de mim. Medo, porque eu estava me auto puxando para um buraco negro.
Notas finais
Obrigada a todas que leram e comentaram. Continuem comentando, porque sem reviews eu não irei postar!
Beijos e até o próximo capítulo :*
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